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popeye9700

Crónicas e artigos de opinião, a maior parte publicada no Diário Insular, de Angra do Heroísmo.

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Crónicas e artigos de opinião, a maior parte publicada no Diário Insular, de Angra do Heroísmo.

BAGA LULOVITCH (DA SILVA)

Bagas de Beladona (148)

Julho 20, 2023

Tarcísio Pacheco

 

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imagem em: FRAGA CARICATURAS: FORÇA LULA!

 

 

BAGAS DE BELADONA (148)

HELIODORO TARCÍSIO          

 BAGA LULOVITCH (da Silva) – Esta baga foi escrita logo após a reeleição de Lula e as suas infelizes declarações acerca da invasão da Ucrânia. Calhou a não ser publicada e foi ficando na gaveta. É repescada agora, num momento oportuno, em que Lula insiste nas suas lamentáveis opiniões públicas.

Fui sempre um portuga apoiante de Lula da Silva. Elogiei as grandes melhorias que ele introduziu na sociedade brasileira, a sua humildade e simplicidade e o seu percurso de vida, de operário metalúrgico a líder de um dos maiores países do mundo. Apoiei-o sempre contra o Capitão Pô, o execrável Bolsonaro. A quem fiz uma entrevista fictícia no Palácio do Planalto, que pretendia expor a sua falta de inteligência, o seu primarismo e a sua total inadequação à nobre função. Nunca acreditei nas culpas de Lula que considerei sempre uma vítima de conspiração maliciosa da extrema-direita brasileira, a família política e ideológica natural do Capitão Pô. Porém, Lula tem culpas novas no cartório e nestas eu acredito, já que as tenho visto com os meus próprios olhos.

Eu e Lula acabámos, estamos de relações cortadas. Escusa ele de me convidar para churrasquinhos, caipirinhas ou rodas de samba. Gosto muito disso tudo, mas, com outros, não com ele. Sou um simples cidadão que nunca quis saber de política ou de poder. Não devo nada a ninguém. Pouco me importa a opinião do Avô Beijinhos ou do chefe da banda nacional. Eu sinto-me embaraçado. Porque eu gostava do cara.

O momento atual é o mais perigoso que a Humanidade alguma vez viveu. É um tempo de atitudes e escolhas, sem subterfúgios, meias palavas ou discursos ocos. E não é apenas pelo perigo de conflito nuclear, que é, obviamente, o pior. É também e talvez sobretudo porque todos os ditadores do mundo estão bem atentos, a ver o que se passa. Ah, quer dizer que podemos invadir países vizinhos, anexar territórios à força, fazer referendos ilegais, lançar mísseis e bombas à fartazana, contratar mercenários selvagens, destruir edifícios de apartamentos, escolas e hospitais e matar civis, incluindo mulheres e crianças? Tudo o que nos pode acontecer é umas sanções económicas? E se tivermos armamento nuclear, é só fazer chantagem, que eles se borram todos? Então espera aí que eu também quero.

É porque vivemos estes tempos assim que qualquer líder mundial tem de medir muito bem o seu discurso público. E não vir com conversinhas dúbias sobre paz. Todos queremos paz, eu, o Papa e toda a gente na minha rua. Mas a paz sempre teve um preço, muitas vezes altíssimo. Para falar de paz sem a explicar muito bem e com detalhes, como se fossemos todos muito estúpidos, é melhor ficar calado. Porque a paz nos termos de Putin não é paz nenhuma, é apenas a tentativa patética de legitimar o que é impossível de legitimar perante o mundo. Qualquer discurso sobre paz que não refira claramente a qualidade de agressor da Rússia, o fim da atividade militar e a retirada total da Rússia dos territórios ilegalmente ocupados, da Crimeia ao Donbass, é apenas alinhar no jogo de Putin. Coisa a que Lula se prestou com incrível simplismo e descontração. Se, por detrás disto, ainda estiverem critérios de natureza económica, pior ainda, é sinal de que a ética e o direito universal estão mortos. Ou critérios de reverência ao poder bruto, para não irritar os chineses, que são uns ricaços muito sensíveis. Afinal, segundo Lula, a culpa é sobretudo da Ucrânia que teima em resistir e também da Europa e dos EUA, que teimam em ajudá-la a resistir. Talvez a Europa e os EUA não devessem ter resistido aos nazis. Deu muito prejuízo e irritou muita gente.

E se algum dos dez países que fazem fronteira com o Brasil, da Argentina à Venezuela, anda com o olho nalgum pedaço de terra brasileira, agora é o momento certo para avançar e anexar uns pedaços de território e uns rios. Afinal, Lula, que sempre foi um político coerente, não vê problema algum nisso. Pelo contrário, vai falar de paz, a guerra sai cara, vai ficar tudo bem. POPEYE9700@YAHOO.COM

 

BAGAS DE BELADONA (142)

Dezembro 30, 2022

Tarcísio Pacheco

 

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imagem em: New and Improved Taliban | claytoonz

 

BAGAS DE BELADONA (142)

HELIODORO TARCÍSIO          

BAGA FERNÃO DE MAGALHÃES – Ao ler o editorial do DI de 29 de dezembro, que se refere a uma publicação recente de um autor espanhol sobre a famosa viagem de circum-navegação do nosso compatriota, Fernão de Magalhães, ao serviço de Espanha, na época, entre 1519 e 1522 e ao seu lamento sobre não haver uma “história ibérica” deste grande feito, lembrei-me que uma das minhas recentes leituras foi precisamente sobre este tema. Na edição deste ano do Outono Vivo, em boa hora adquiri o livro Fernão de Magalhães – A Primeira Viagem de Circum-Navegação, de David Salomoni, um investigador, creio que de nacionalidade italiana, ao serviço da Universidade de Lisboa. Trata-se de um relato fascinante, de leitura obrigatória para quem se interessa por História, mar e aventura, o que é decerto o meu caso. Tudo se baseia na crónica detalhada, minuciosa e, sobretudo e aparentemente, equidistante e não alinhada de Antonio Pigafetta, um marinheiro, geógrafo e escritor de Vicenza (Itália), um dos 18 sobreviventes da expedição (que partiu com 260 homens) que lograram regressar a Sevilha em 1522, a bordo da nau Victoria. A fidelidade de Pigafetta parece ter estado com Magalhães (de quem era incondicional admirador) e, tanto quanto sabemos, com a verdade. Embora o original do seu texto se tenha perdido, a sua crónica permanece como o relato mais fiel desta apaixonante aventura trágico-marítima. Consistindo num trabalho de investigação histórica, o texto de Salomoni apoia-se em factos documentados e onde há lugar a conjeturas, especulações ou deduções, isso é assumido. Além disso, Salomoni faculta-nos todo o enquadramento do contexto histórico. Como já sabíamos, D. Manuel I de Portugal recusou qualquer apoio ao projeto de Magalhães, daí ele ter ido bater à porta da concorrência. Espanha era a grande rival de Portugal, na época e o seu grande interesse era chegar às ilhas das especiarias por Oeste e, sobretudo, provar que estas se encontravam na área de domínio espanhol definida pelo tratado de Tordesilhas. Percebe-se o desinteresse português, nós já estávamos lá em força, o Índico e os mares do Extremo-Oriente eram dominados pelos portugueses, chegar lá por outra via, incerta, demorada e tortuosa, não parecia trazer nada de relevante para os interesses portugueses. Concluímos que uma “história ibérica” desta odisseia seria muito difícil. Os interesses eram e são completamente divergentes. Até porque, na época, o poder espanhol tudo fez para apagar o papel de Magalhães e glorificar o capitão espanhol que logrou regressar a Sevilha, Juan Sebastián Elcano. Não nos deixemos enganar. O estreito que dá passagem para o Pacífico, no extremo meridional da América do Sul chama-se “de Magalhães” e não “de Elcano”. Era bom para Espanha, mas as ambições espanholas foram… pelo cano.

BAGA GUERRA NA UCRÂNIA – Vou seguindo as notícias sobre a guerra sobretudo na Internet (onde podemos escolher as fontes) mas também um pouco nos canais televisivos portugueses. Não sou gaulês, mas confesso que tenho algum medo de que o céu me caia sobre a cabeça embora costume ter mais medo ainda de cair do céu, sempre que viajo de avião. O certo é que nunca como agora, foram tão abundantes os especialistas em guerra, coisas militares e estratégia. E nunca estivemos tão perto do precipício, convindo, perceber, pelo menos, como e quando vamos morrer todos e não sermos apanhados no duche ou com coisas combinadas. Entre os inúmeros comentadores tenho as minhas simpatias e antipatias. Dou mais valor aos comentadores mais inteligentes, menos especializados e que emolduram os seus comentários com considerações de ordem filosófica e ética. Mas há um que suporto mal, o major-general Agostinho Costa, um homem com uma perspetiva absolutamente condicionada pelo que ele designa como “realidade militar”. Ainda ontem, pude assistir à sua verborreia militarista em confronto com a comentadora Helena Ferro Gouveia, na CNN Portugal. Para Costa, que não deixa de confessar a sua “simpatia” pela resiliência do povo ucraniano, o que conta são “as realidades militares no terreno”. Ou seja, nada disto vale a pena porque a Rússia é muito forte, o exército ucraniano é muito menor e está cansado e a Ucrânia só sobrevive devido ao apoio dos EUA. Ficamos sem perceber onde é que Costa quer chegar. Isto é, deveríamos deixar Putin e a sua ditadura nojenta em paz, para prosseguirem, sem oposição, a cruzada brutal que iniciaram em 2014, com a anexação da Crimeia? Talvez uns votos de protesto na ONU, se o Conselho de Segurança permitir? E mais uma meia-dúzia de sanções à Rússia? Quer gostemos, quer não (eu odeio isso), a realidade do nosso mundo é que existe um regime brutal, ditatorial, hostil, imperialista, homicida e agressivo, como a atual Rússia, com o apoio cada vez menos dúbio da besta chinesa, do regime paranoico e delirante da Coreia do Norte e do regime violento e fanático do Irão. Bolsonaro também era simpatizante, mas já não conta, felizmente. Os EUA já explicaram por diversas vezes que estão a prestar todo o apoio possível em cada momento e que este é dinâmico, ou seja, depende, da evolução da situação e das iniciativas da Rússia. Esta é, a meu ver, a única posição inteligente a seguir. Infelizmente, se não queremos uma guerra generalizada ou um conflito nuclear (que seria, muito provavelmente, o fim da Humanidade), só nos resta ir apoiando a Ucrânia da melhor forma possível, a ver se a Rússia se cansa ou se chega o fim do mundo, o que acontecer primeiro. No meio disto tudo, tenho dificuldades em perceber o que pretende o senhor major-general Agostinho Costa.

BAGA AFEGANISTÃO – Fala-se muito em ajudar o povo afegão, sobretudo o seu elemento feminino, mas creio que quem precisamos mesmo de ajudar são os talibans. Entre as inúmeras rezas diárias, o estudo do Corão e um mínimo de higiene com aquelas barbaças piolhosas, não lhes deve restar muito tempo para pensar na vida. Definitivamente, pensar não é o modo de ser taliban. Então devíamos ajudá-los com algumas sugestões. Segundo creio, o grande problema deles é evitar o convívio das mulheres com quaisquer homens que não sejam do seu estrito círculo familiar. E terá sido sobretudo por isso que resolveram impedir o acesso das afegãs à educação. Creio que o problema se podia resolver com alguma facilidade. Basta proibir o acesso dos homens às escolas e universidades. E já agora, ao governo também. Assim só haveria mulheres no governo e nos centros de educação e não haveria socialização indesejada. E se os homens ficassem fechados em casa e só pudessem sair com uma esposa, mãe, irmã ou mesmo prima afastada, tudo seria bastante mais harmonioso e teriam muito tempo livre para estudar o Corão. Além disso, parece que outro problema central é os homens verem as mulheres dos outros, por isso as mulheres têm de andar cobertas dos pés à cabeça. Isso resolvia-se facilmente se vendassem todos os homens. Só poderiam andar sem venda dentro de casa. Como os talibans já não veem praticamente nada, não se perderia grande coisa. Podia-se resolver as coisas assim com simplicidade, digo eu, nada como experimentar.POPEYE9700@YAHOO.COM

 

BAGA TRÁGICÓMICA (BB134)

Abril 26, 2022

Tarcísio Pacheco

Putin (1).jpgimagem em: Vladimir Putin | Cartoon Movement

 

 

BAGAS DE BELADONA (134)

HELIODORO TARCÍSIO          

BAGA TRAGICÓMICA - Recentemente, o Grande Tumor testou um míssil novo, o top dos mísseis, com que começou logo a chantagear-nos. Com estes mísseis intercontinentais, equaciona matar-nos a todos, se não o deixarmos arrasar a Ucrânia e continuarmos a prejudicar o pobre povo russo que, coitadinho, sofre muito com a malvadez ocidental, com a perda de empregos originada pelas sanções e já nem consegue comer uma Big Mac. Bem, não acredito na Humanidade, já não é de agora e já estou por tudo. Lamento profundamente, sobretudo pelos meus filhos, mas também pelos filhos dos outros. E por todos e tudo o que amo na vida. Mas, não devemos recear a morte, já que ela é inevitável para todos os seres vivos, Grande Tumor incluído. Devemos, sim, ter medo, muito medo, de viver como ratos, escondidos nos esgotos da nossa ansiedade. A minha consolação principal é que, se acontecer o pior, morremos quase todos, mas da Rússia e dos russos pouco sobrará. De resto, temos provado ao longo dos tempos sermos uma espécie tão tóxica que, se calhar, é melhor mesmo ficarmos por aqui na nossa “evolução”, para evitar que, no futuro, venhamos a infetar outros planetas do universo com a nossa maldade essencial. Para onde fossemos levaríamos na bagagem a música de Andrea Bocelli e pombinhas brancas, é certo, mas também mísseis nucleares, para referir apenas um tipo de arma, das mais letais. E acima de tudo, exportaríamos para todo o lado, o nosso amor pelo poder, pela conquista, pela guerra, pelo confronto, pela ambição, pela competição, pela ganância, pela riqueza e pelos bens materiais.
Isto já atingiu o nível da tragicomédia e seria motivo para rirmos muito, se não houvesse tanta gente a sofrer. Os episódios absurdos acontecem praticamente todos os dias. Quando ocorreu o afundamento do cruzador Moskva, pudemos ver no “parlamento” russo, um deputado histérico, aos gritos, à beira da apoplexia, gritando que era um “ultraje”. É aqui que dá vontade de rir. Depois de toda a destruição, barbárie, violência, massacre e homicídio a que temos assistido na Ucrânia desde fevereiro, os russos sentem-se “ultrajados” pela perda de um navio e clamam por vingança. A frota russa inteira não vale a vida de uma única criança ucraniana.

Depois, temos também a cómica questão do armamento cedido pelo Ocidente à Ucrânia. O Grande Tumor até nem se importa que venham umas espingardas de caça, umas baionetas da I Grande Guerra e uns camiões de garrafas de vinho do Porto para o pessoal, depois de as beber, preparar uns cocktails molotov. Mas armamento a sério, que equilibre um pouco as capacidades de invasor e invadido, isso já é motivo para declarações de guerra. Portugal pode também mandar uns excedentes de G3, não há problema, o Grande Tumor até tolera, afinal tem os seus amigos do PCP por cá. Mas os EUA não podem mandar nada. Porquê? Porque não, evidentemente. A Ucrânia também não pode aceitar combatentes voluntários não ucranianos. Mas a Rússia pode pagar a levas de carne de canhão síria e líbia. O Grande Tumor pode ter mísseis intercontinentais que chegam a qualquer ponto da Terra em minutos e têm capacidade para destruir o planeta. Mas a Suécia e a Finlândia, países livres e soberanos, com dirigentes eleitos pelos seus povos, em regimes absolutamente democráticos, não podem aderir a uma aliança defensiva, se assim o entenderem. Como se quaisquer vizinhos não russófonos desta Rússia não tivessem que encher as fronteiras de alarmes e armadilhas para bichos perigosos, para poderem dormir minimamente descansados…

Por cá, sendo alguém que sempre se assumiu, ideologicamente, de esquerda, sinto uma imensa vergonha de partilhar o país com o PCP. Podiam até ter ficado pela simples recusa de participar na sessão com Zelesnky e já seria uma nódoa resistente a qualquer lixívia. Mas não se contentaram com isso. A declaração formal da líder parlamentar comunista foi um escarro nojento e um eco descarado da propaganda russa. O PCP é um partido anacrónico, em queda há bastante tempo, vivem em clima de negação, agarrados a um mundo que já nem existe. É bastante provável que esta atitude seja o princípio do fim para eles porque causaram asco e repulsa um pouco por todo o país. Mas não devem desanimar. Podem sempre emigrar para a Rússia, embora seja garantido que não vão encontrar por lá nenhum tipo de comunismo. De resto, entre tiranias e totalitarismos de direita ou de esquerda, não vejo qualquer diferença. Putin, Le Pen, Ventura, Trump, Bolsonaro, Maduro, Kim Jong-un, Orbán, para citar apenas alguns de entre os vivos, são todos filhos da mesma Besta. É tudo a mesma farinha, só que em sacos diferentes. Lixo e escória da Humanidade.

POPEYE9700@YAHOO.COM

 

 

BAGA MUNDO FEIO (BB 133)

Abril 05, 2022

Tarcísio Pacheco

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imagem em: U.S. weighs tougher Russia sanctions after evidence of Bucha killings – KleaBe

 

BAGAS DE BELADONA (133)

HELIODORO TARCÍSIO          

BAGA MUNDO FEIO – A raça humana é terrível e a nossa civilização já era uma coisa feia de se ver “lá de cima”, se é que há alguém ou alguma coisa a observar-nos, de algum lado. Mas o mundo conseguiu a considerável façanha de piorar bastante, a partir de fevereiro.

Desde os primórdios da Humanidade, desde o tempo das cavernas, que somos uma raça agressiva e violenta. Encontrámos sempre bons motivos para matar, torturar, agredir, violar, assaltar, escravizar e roubar o nosso semelhante. E a parte da nossa civilização que era suposto contrariar essas tendências inatas para a desgraça, as religiões e a filosofia, a nossa parte ética e transcendental, foi ela própria, a origem de muita intolerância e violência. Porque quem quer praticar o mal encontra sempre justificação. Torta, mas encontra-a. Vejam lá se não está tudo no Alcorão…

Apesar de todos os nossos problemas, analisando a vida com o devido distanciamento crítico, era possível ver um padrão de desenvolvimento filosófico e moral, aquele que, pessoalmente, mais me interessa, acima da economia e tecnologia, os grandes eixos civilizacionais. No período entre a II Guerra Mundial e a atualidade, apesar dos muitos disparates, atentados, corrupção e malfeitorias de toda a espécie, havia um padrão evolutivo em marcha, visível, por exemplo, no respeito pela democracia, autodeterminação dos povos, tolerância religiosa, respeito pelos direitos humanos, respeito pela diferença, respeito pelos direitos dos animais e na tendência à desmilitarização e desarmamento progressivo.  

Esse padrão teve agora uma quebra evolutiva brutal, com a entrada em cena de Putin, o Grande (Tumor). Na verdade, tudo isto estava a ser preparado há muito tempo, ensaiado na Síria e iniciado na Crimeia mas o mundo andava distraído, entretido com um projeto, que agora sabemos fantasioso, de paz, tecnologia, prazer, turismo, ecologia, cultura e grandes negócios.

Criaturas infernais como o Grande Tumor foram abundantes na História, Gengis Khan, Átila, o Huno, Alexandre, o Grande, Napoleão Bonaparte, Hitler… Psicóticos megalómanos, que sonharam construir impérios sobre o sangue e as tripas de quem se lhes opusesse. Mas não estávamos à espera que nos surgisse um em pleno séc. XXI.

A situação na Ucrânia está a atingir os limites do minimamente tolerável. O ponto em que alguma coisa tem mesmo de ser feita. O nível de insanidade, loucura, alienação e agressividade está a tornar-se rapidamente insustentável. Estamos perante uma trágica palhaçada. No presente, o Grande Tumor é um líder totalmente desacreditado, a Rússia tornou-se um estado pária entre as nações civilizadas e pacíficas e absolutamente nada do que diz o Grande Tumor ou qualquer membro da sua corte, merece a mínima credibilidade. Temos de partir do princípio que mentem sempre. Cada vez mais parecido com o Grande Suíno Coreano, o Grande Tumor Moscovita só é escutado quando fala sentado numa das suas seis mil e tal ogivas nucleares. E como ele, agora, está lá sentado a maior parte do tempo, isso provavelmente anda a causar-lhe bicos de papagaio e aumentar-lhe a acidez da bílis que, de resto, sempre foi tóxica e fedorenta, desde os tempos do KGB.

Atenção, que não perdi o senso da realidade. O Grande Tumor é uma besta apocalíptica, provavelmente a pessoa mais odiada do mundo na atualidade e eu próprio tenho sonhos deliciosos em que lhe rebento a cabeça.  Mas não há inocentes nesta tragédia planetária. Basta lembramos a forma ignóbil como os EUA trataram (e ainda tratam) Cuba durante tanto tempo e as inúmeras trapalhadas que congeminaram por esse mundo fora, por onde lhes cheirasse a comunismo ou a mero esquerdismo. E não sei se há assim tanta diferença entre KGB e CIA. Contudo, os EUA nunca invadiram Cuba (embora o tenham equacionado), não arrasaram a ilha, não lhe atiraram com mísseis, não mataram crianças cubanas e não massacraram civis. Tem-lhes feito muito mal mas deixaram-nos sempre viver e acolhem os muitos que fogem para Miami. E os EUA não têm sonhos megalómanos de alargar “o seu império” e dominar o mundo, pelo menos não militarmente. O amor natural da Humanidade pelo dinheiro faz isso por eles. Sempre fui crítico dos EUA mas, apesar de tudo, há grandes diferenças. E não há comparação possível entre soldado russos e norte-americanos.

Uma palavra sobre Donald Trump. Se alguém ainda tinha alguma ilusão de que esta criatura apresentava algum vestígio do que é preciso para ser estadista mundial, para além de prosápia e dinheiro, deve ter ficado esclarecido agora. Só faltou mesmo um email para o amigo Vladimir, a usar em caso de guerra, com as localizações GPS das propriedades da  família Biden. E nem uma palavra em defesa da Ucrânia. Que criatura nojenta. Que asco me causa.

Ando a ver atentamente o que se passa. Desejo ardentemente estar enganado mas prevejo tempos tenebrosos para o mundo no futuro próximo. Que raio de mundo feio! POPEYE9700@YAHOO.COM

 

BAGA O QUE É QUE NOS IRÁ ACONTECER? BB132

Março 29, 2022

Tarcísio Pacheco

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imagem em: Putin's war. | Cartoon Movement

 

BAGAS DE BELADONA (132)

HELIODORO TARCÍSIO          

BAGA O QUE É QUE NOS IRÁ ACONTECER? – Sou um típico sagitariano, logo, sou também um incorrigível otimista. Continuo a ir trabalhar todos os dias, a cuidar da minha filha de 11 anos, dou as minhas aulas de Zumba, vou ao ginásio, estou em várias frentes das Sanjoaninas deste ano, preparo o meu veleiro para o Verão e tenho planos para viagens de férias. A minha vidinha boa do costume. Porém, acordo todos os dias e visto-me de ansiedade. Em casa, não largo a CNN. Confesso a minha atual dificuldade em viver a simplicidade do dia a dia na paz das nossas ilhas. Impressiona-me que se continue a falar de questões comuns ou mesmo triviais, como se nada de diferente se passasse no mundo. Impressiona-me que se continue a encarar isto sobretudo como uma crise económica e um movimento solidário de apoio a refugiados ucranianos e à Ucrânia em geral (que está muito bem, obviamente e de que participo, como posso). Será que eu é que sou esquisito ou patologicamente ansioso e mais ninguém acha que podemos estar perante a última crise, a crise que vai acabar com todas as outras? É que olho para a situação e para mim é cristalino como água açoriana que tudo pode acontecer. Então, a questão fundamental é o que é que nos vai acontecer? E acordo todas as manhãs a pensar nisto…

Por mais que olhe para a situação e absorva informação diversificada, não vejo quaisquer perspetivas de soluções pacíficas, pelo contrário. Não é preciso ser político profissional, comentador diplomado ou especialista militar. Está tudo lá, os ingredientes para a receita do desastre total. Um ditador paranoico e cada vez mais descontrolado e agressivo, cheio de tiques nacionalistas e manias de imperialismo, à frente de um país económica e militarmente poderoso, rodeado por um aparelho dependente, subserviente, acrítico e corrupto, no seio de uma sociedade reprimida e muito pouco (e mal) informada), com um arsenal de armas nucleares capazes de destruir todo o planeta e a civilização humana em pouquíssimo tempo. Nem o porquinho da Coreia do Norte chegou a este nível de loucura e eu tinha medo dele.

Temos visto, recentemente, o papagaio do Kremlin a chantagear-nos com o conflito nuclear. Claro que até certo ponto é pura chantagem, a poderosa arma do medo. Mas é o que mais temo porque a loucura de Putin pode efetivamente chegar a esse ponto suicida. À vista disso, uma guerra convencional generalizada é menos má. Acredito que a Rússia perderia, isolada como está, por muito horror e destruição que ocorressem. Sabendo que os Açores não ficariam à margem, a base das Lajes e todas as estruturas importantes, militares ou não, como aeroportos e portos, seriam potenciais alvos. O conflito nuclear, porém, é o nível último do caos universal, ninguém lhe escapará e será provavelmente, o fim da civilização humana, embora bestas protegidas como o próprio Putin possam sobreviver-lhe (mas não durante muito tempo).  

Como expressei recentemente nestas páginas, continuo a pensar que as únicas saídas positivas poderão passar pela posição da China (sempre dúbia, calculista e hipócrita, mas não paranoica e suicida) e a possibilidade remota de uma revolta interna russa, de haver um grupo de russos com inteligência, bom senso e um mínimo de sanidade metal.

Quanto às perspetivas mais próximas, do meu ponto de vista são terríveis. A NATO vai armar-se em força e estacionar nas suas atuais fronteiras a Leste. É óbvio que os EUA também têm o seu arsenal nuclear no mesmo nível de alerta da Rússia, mesmo que não façam alarde disso. Não acredito que Putin recue. Percebemos muito bem agora (mesmo que discordemos totalmente e as odiemos) as motivações de Putin. A questão é que ele apresenta sinais claros de deterioração mental. Sem qualquer pretensão caricatural, a identificação dele com a personalidade de Adolf Hitler (que a História provou ser um louco muito perigoso) é cada vez mais evidente. A ajuda militar à Ucrânia vai crescer cada vez mais. Pessoalmente, por muito pacifista que seja, não posso deixar de apoiar isso, a agressão de Putin é intolerável. Não vamos lá com falinhas mansas e milagres de Fátima. À medida que a Rússia for perdendo terreno, efetivos e material, Putin sentir-se-á cada vez mais enraivecido e acossado. E é aí que tudo, rigorosamente tudo, pode acontecer. Desconfio que a Rússia, num futuro próximo, “se sentirá ameaçada” por bem pouco.

A respeito da minha última Baga (cenários possíveis para a atual crise) um amigo disse-me que eu tinha sido apocalítico. Fui sim, confirmo, embora tenha tentado encarar o assunto com um mínimo de humor. A possibilidade existe, infelizmente e não é ténue. Estamos à beira do desastre. Sou o único ansioso por estes lados? Mais ninguém pensa no que nos irá acontecer?

POPEYE9700@YAHOO.COM

BAGA O ESCÁRNIO DA LOUCURA (BB131)

Março 17, 2022

Tarcísio Pacheco

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BAGAS DE BELADONA (131)

HELIODORO TARCÍSIO          

BAGA O ESCÁRNIO DA LOUCURA - Quanto à Ucrânia, eis, do meu ponto de vista, a lista ordenada das possibilidades em campo, por ordem de preferência pessoal e também numa escala descendente de benevolência, sendo que, a partir do cenário 4, a benevolência se esvai e a única incógnita que resta é a do nível de malevolência.

Cenário 1 – Evidentemente, o meu favorito e pelo qual nutro mesmo uma acrisolada paixão. Putin têm um inesperado acesso de gentileza e faz-nos o favor de falecer. Hipótese altamente improvável, dirão alguns, mas convém não esquecer que ele irá seguramente falecer, mais dia menos dia, o timing é que pode ser inconveniente; hoje, amanhã, o mais tardar até ao próximo fim de semana é que dava mesmo jeito, na pior das hipóteses, antes da Primavera, que é quando o tempo se põe a jeito para reconstruções. O processo de falecimento de Putin é irrelevante, não nos vamos prender com detalhes. Pode ser por um valente traumatismo ucraniano, por exemplo. Ou pode dar-se o caso de Deus (ausente da cena há não sei quantos mil anos mas convém lembrar que para Ele foi uma escapadinha de 5 dias…) finalmente voltar daquelas fantásticas férias de sonho noutro universo, um universo feliz, ficar um bocado chateado com a barafunda e desarrumação na Sua ausência e resolver brindar Putin com um daqueles AVC’s que matam ao fim de 3 dias mas entretanto deixam a boca à banda e os olhos a girar, cada um para o seu lado; esta hipótese também é excelente, facilmente se concordará que, se alguém nestas tristes circunstâncias tentar dizer “carreguem no botão vermelho”, o mais provável é que se perceba algo como “dói-me imenso um artelho”, caso que se resolveria então com fricções de pomada Voltaren e comprimidos para dormir e ficar caladinho até ao fim.

Cenário 2 – Portugal volta a ser o farol do mundo, 500 anos depois. A Virgem de Fátima n.º 13 é enviada em campanha para a Ucrânia, (incorporada no corpo de voluntários com a patente de coronela) e mal Putin dá com ela, opera-se um milagre (sem, necessariamente, o Sol parar de girar) e Putin  converte-se. Acaba a guerra, Putin pede desculpa, ordena a retirada de todas as tropas, oferece-se para pagar as despesas todas, declara 50 anos de fornecimento gratuito de energia a toda a Europa e as lojas MacDonald voltam a abrir na Rússia, o que abranda o descontentamento dos russos mais bélicos.

Cenário 3 – Eclode uma revolta na Rússia, não do povo comum porque desses, os que se atreveram a erguer um cartaz, já foram presos, deportados para a Sibéria ou assassinados, fora os milhares que fugiram para a Finlândia. A revolta é operada por um grupo de militares descontentes. Putin é deposto e ele, todo o seu governo e as chefias militares são entregues às instâncias internacionais e julgados por crimes de guerra.

Cenário 4 – Um grupo de mediadores constituído pelo Papa, pelo presidente chinês, Erdogan e por Cristiano Ronaldo consegue demover Putin de arrasar a Ucrânia, falando-lhe ao pâncreas (na ausência aparente de coração); há um cessar-fogo, negociações, cedências de parte a parte como é dado, acabam por se entender e a vida volta ao normal, tanto quanto possível, até à próxima crise porque ninguém aceita desfazer-se das armas nucleares.

Cenário 5 – Os EUA e a CE conseguem convencer a China a ficar quietinha e a acabar o namoro com a Rússia. Putin não desiste de arrasar a Ucrânia e a guerra alastra. Provavelmente porque cai um míssil russo na Polónia, matando cidadãos de um país da NATO ou algo semelhante. Os Estados Unidos da América, a maior parte dos países da Europa e outras ainda, como a Austrália e Nova Zelândia declaram guerra à Rússia. Passam-se vários anos, há uma mortandade tremenda e uma enorme destruição, o mundo fica de pantanas, mas sobrevive. As principais cidades russas são obliteradas, a Rússia capitula, Putin é capturado ou entregue pelos seus pares, ele e os seus colaboradores mais próximos são julgados e condenados a prisão perpétua.

Cenário 6 – A China resolve alinhar na desgraça total com a Rússia. A guerra generaliza-se na mesma. Um cenário idêntico ao n.º 5, mas com índices de mortandade e destruição incrivelmente superiores. O resultado final é imprevisível, mas sempre dentro dos parâmetros da hecatombe.

Cenário 7 – Altamente improvável, mas a registar como longínqua possibilidade. A Rússia sozinha ou a Rússia e a China aliadas ganham a guerra contra os Aliados da III Guerra Mundial. O mundo cai no caos permanente e a miséria não terá um fim á vista. A civilização humana pode ser irrecuperável.

Cenário 8 – Propositadamente ou por acidente, o conflito nuclear é desencadeado, à escala mundial. Nos primeiros 2 ou 3 dias, as principais cidades da Europa e dos EUA são arrasadas, assim como toda a Rússia. Nos dias seguintes, a maior parte das grandes cidades do mundo, alvos militares, portos, aeroportos e todo o tipo de infraestruturas, terão o mesmo destino. A maior parte da população mundial morre neste período. Uma grande parte dos sobreviventes morre num período de alguns meses, devido aos efeitos da radiação. Em 2 ou 3 semanas, instala-se o Inverno nuclear, sobretudo na faixa central do planeta, até aos limites das zonas temperadas, mas, na verdade, todo o planeta, de polo a polo, será afetado. O Sol não passará pelas espessas nuvens da nova atmosfera terrestre. A maior parte dos animais e plantas não sobreviverá. Em pouco tempo deixará de haver água potável ou comida e quem não tiver morrido antes, os mais felizardos, morrerá de fome e de sede. Sobreviverão apenas alguns animais mais resistentes, como as baratas, os mais prováveis herdeiros da Terra. Sobreviverão, pelo menos durante algum tempo, alguns pequenos grupos de serres humanos, fechados em bunkers no subsolo, que já existem, construídos em segredo, com água e provisões para muito tempo. Esses bunkers estão reservados para elites políticas, seus familiares diretos e gente muito rica. É provável que Putin sobreviva e até reencontre os ratos da sua infância, que lhe terão moldado o carácter. Mas o planeta será inabitável à superfície durante muitos anos. E o cenário de extinção da raça humana é muito provável.

Nos Açores, a política regional torna-se irrelevante. Todas as lagoas de S. Miguel se tornam altamente radioativas. Na ilha Terceira, as Sanjoaninas e as touradas à corda serão canceladas, definitivamente. A alma humana morre. Tudo desaparece. É o fim. POPEYE9700@YAHOO.COM

 

BAGA DA GUERRA, DO SANGUE E DA DOR (BB130)

Março 15, 2022

Tarcísio Pacheco

 

 

 

 

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BAGAS DE BELADONA (130)

HELIODORO TARCÍSIO          

BAGA DA GUERRA, DO SANGUE E DA DOR…

 

E pronto. Já há muitos anos que temos vivido à beira do precipício. E agora, há sérias possibilidades de darmos um passo em frente. Uma civilização que vive desde a II  Guerra Mundial num equilíbrio de terror em que a ganância, o imperialismo, o fanatismo, a sede de poder, a propensão para a dominância, para a conquista, o apelo da violência e a libertação da pura maldade são contidos sobretudo pela posse de armas de destruição maciça não é uma civilização saudável. É um equilíbrio instável e doentio. O risco de desmoronamento desse frágil equilíbrio sempre foi enorme. Temo-nos todos iludido com a evolução da democracia, com o desenvolvimento económico, com as sondas que vão a Marte, com o aparente “progresso”. E temo-nos esquecido que no essencial não mudámos assim tanto e que não faltam bestas à solta a campear por este pobre mundo.

Há muitos anos que, nas minhas reflexões privadas e insones, tenho sentido que, se não morresse jovem, iria assistir a alguma grande desgraça. Ainda pensei que era o Covid-19, mas não, é muito pior. Contra este vírus não há vacina que valha.

Longe de mim querer competir com a panóplia de reputados especialistas que parecem saber tudo sobre a guerra na Ucrânia, sobre o seu desfecho e sobre as intenções de Putin. Sou apenas menos ignorante em alguns assuntos do que noutros. Trata-se apenas de pôr as minhas preocupações em comum com a minha comunidade. Todos temos uma opinião ou deveríamos tê-la.  Pelo menos todos os que não se limitam a nascer, viver e morrer.

Vivo resguardado do mundo hostil, mas atento ao que me rodeia. Tinha a certeza de que algo muito mau provocado pela Humanidade iria acontecer mais tarde ou, mas cedo, provavelmente ainda no meu tempo de vida e, lamentavelmente, no tempo dos meus filhos, esses para quem eu desejo uma vida longa, saudável e repleta de momentos felizes. Temi a eclosão de movimentos nacionalistas, o crescimento das direitas radicais, o surgimento de líderes execráveis como Putin, Bolsonaro ou Trump, o aquecimento global e a destruição progressiva e constante da natureza, temi vírus e pestes terríveis, temi o Estado Islâmico, o crescimento desmesurado do monstro chinês, temi a louca e inacreditável distopia da Coreia do Norte. Temi muito, sobretudo pelo futuro dos meus filhos. Acredito pouco na raça humana e sabia que de algum lado viria a bomba, mais tarde ou mais cedo. Pois veio da Rússia e a tomada da Crimeia já deveria ter alertado o mundo para o que aí vinha. Se tanto fosse preciso pois há anos que víamos, na Rússia, todos os adversários políticos de Putin, jornalistas incómodos ou meros contestatários do regime serem assassinados ou encarcerados. E o exército russo a espalhar a morte e o sofrimento pelo mundo, como na Síria.

Do meu ponto de vista distante e apenas minimamente informado, os grandes trunfos de Putin são poucos, mas são fortes. Baseiam-se sobretudo no temor do holocausto nuclear e na aliança com a China. O ditatorial e repressivo regime chinês, não assim tão diferente do russo, não se tem cansado de declarar a sua amizade pela Rússia. É um aviso claro. E estão na expetativa pois sabem que se não conseguirmos travar a Rússia, não os travaremos a eles quando tomarem Taiwan. Acredito que num cenário de guerra convencional, por muito tempo que fosse preciso e por muita destruição que houvesse, a Rússia acabaria por perder contra meio mundo. Contra a China e a Rússia aliadas, o caso seria bem diferente e teríamos o caos à solta no mundo. Mas o perigo chinês não é nada perante a ameaça nuclear. É claro que, racionalmente, nem Putin nem ninguém têm qualquer interesse em despoletar um conflito nuclear. Num cenário desses, uma grande parte da população mundial morreria de imediato e uma grande parte dos sobreviventes morreria nos meses seguintes. O planeta tornar-se-ia, provavelmente, inabitável. Quanto à Rússia, seria vaporizada, com a maior parte dos russos deste mundo. Contudo, quem sabe o que se passa na cabeça de um psicopata agressivo…Hitler levou a Alemanha à total destruição e ordenou que ninguém se rendesse jamais. Alguém duvida que a besta nazi teria usado armas nucleares, se as tivesse? Os EUA não encontraram argumentos para as usar?

Pessoalmente, acho a situação perigosíssima e tenho dormido mal, a pensar nisto. Nunca estivemos tão perto do fim. Conflito nuclear, nem pensar. Como alternativa à guerra generalizada, só vejo o caminho que está a ser seguido: sanções de todos os tipos, as mais duras possíveis e todo o tipo de ajuda à Ucrânia, excetuando o envolvimento militar direto. É preciso isolar completamente a Rússia. E nisso discordo de afirmações recentes de Francisco Louçã, uma pessoa por quem tenho muito respeito. Ele pensa que algumas sanções não fazem sentido. Discordo. Todas fazem sentido, em todos os domínios. É preciso levar o povo russo ao desespero, para ver se eles percebem que Putin não lhes convém. Posso estar a ser ingénuo ou lírico, mas acredito que a solução pode estar no povo russo ou pelo menos num grupo de militares russos diferentes, não hão de ser todos bestas assassinas cheias de vodka.

Também não apreciei que Ricardo Araújo Pereira, cujo sentido de humor e inteligência crítica admiro muito, tenha feito humor com a guerra na Ucrânia. Por muita graça que tenha achado ao cocktail molotov com uma garrafa de tinto português (sorri nessa parte) e saiba que RAP vive de ridicularizar a atualidade, penso que não há qualquer graça a fazer com a morte e sofrimento de tanta gente.

Para terminar esta breve reflexão, estou disposto a fazer a minha parte, que é contribuir para ajudar a Ucrânia como puder e reclamar o menos possível da gravíssima crise económica que se aproxima. Passo a andar de bicicleta, tomo duche de água fria e cozinho com lenha. Falo a sério, sem problemas, não quero nada da Rússia, custe o que custar.

Mas, falando sinceramente, o que quero mesmo é ver a cabeça de Putin espetada numa estaca. Agora pode-se dizer isto publicamente, não? O Facebook e o Instagram dizem que sim…POPEYE9700@YAHOO.COM

 

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