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popeye9700

Crónicas e artigos de opinião, a maior parte publicada no Diário Insular, de Angra do Heroísmo.

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Crónicas e artigos de opinião, a maior parte publicada no Diário Insular, de Angra do Heroísmo.

RESPOSTA A NUNO SOLANO DE ALMEIDA

Dezembro 07, 2013

Tarcísio Pacheco

Comentário do Sr. Nuno Solano de Almeida:

 

De Nuno Solano de Almeida a 7 de Dezembro de 2013 às 06:56
A Isabel Ferreira e medica veterinaria e tem contacto diario com animais ha muitos anos. Ela determinou que o grau de maus tratos inflingidos aos touros e disproporcionalmente maior do que o bem que eventualmente advenha das touradas de cordas para os aficionados. E esta divergencia de opinioes que, do meu ponto de vista, nao oferece qualquer disputa. Quando um animal esta a ser torturado, as pessoas nao deveriam tirar prazer disso, senao sao sadicas e isso e do foro psiquiatrico, nao do foro da opiniao, nao acha? Eu sou portugues de gema e tenho varios familiares que foram apreciadores de touradas. Mas entretanto comecou o seculo XXI e as geracoes mais novas, com o acesso a informacao que temos hoje, deixou de ficar indiferente e comecou a achar que touradas sao rituais de carnificina (nao interessa se o touro sangra ou nao, e carnificina!). Tambem nao percebi a sua referencia ao mote de voces serem pessoas bravas ai na Ilha. Voces nao estao acima dos bons costumes. Nao acho que uma sociedade civilizada seja menos masculina do que voces ai na Ilha. Mais lhe digo que isso e uma corrida contra o tempo, voces ja perderam, e so uma questao de tempo ate os aficionados como voce expirarem, pois as geracoes mais novas tem mais juizo do que nos. Os nossos politicos sao pusilanimes e e da tradicao crista que se deixe a coisa andar, para evitar confusoes. Tipico. Finalmente, eu acrescento isto: o correio de odio que a Isabel recebeu no seu blog, incluindo obscenidades, misogenia, homofobia, sao os tipos de comentarios que caracterizam o seu lado da questao. Alias voce comeca por dizer que nao quer descer ao baixo nivel mas procede para dizer que os antepassados da sua interlocutora (insulto). Depois excusa se a dizer que nao e insulto porque as palavras constam do dicionario (ja preocupado com a sua desacreditacao por ser menos literado do que a Isabel)- probema freudiano, bem dizia a Isabel!

Minha resposta:

Caro Nuno Almeida

Se não entendeu a natureza do meu confronto com Isabel Ferreira, então não entendeu nada e, nesse caso, deverá documentar-se melhor, a fim de estar plenas condições para dialogar comigo sobre este assunto. Por exemplo, se apenas leu este artigo que comentou, então, manifestamente, não tem suficiente informação para poder argumentar com conhecimento de causa. Deverá então ler todos os meus artigos sobre esta polémica. E volte depois, recebo-o com todo o gosto pois nunca entro numa polémica sem estar convicto dos meus argumentos.

A palavra que usou para se referir ao meu grau de instrução,  “literado”, não existe ou pelo menos  não está dicionarizada. Devia, com certeza querer dizer “literato” ou “letrado”, que podem ser adjetivos ou substantivos que designam, à partida, aquele que possui muitos conhecimentos de literatura. Quanto a isso, penso que deve abster-se completamente de tecer comentários. O senhor não me conhece de parte alguma, para poder avaliar-me a esse nível. E se me conhecesse, isso não iria ser muito bom para Isabel Ferreira, uma vez que sou um homem da área das Letras, ela é médica veterinária e, por exemplo, tenho a certeza que escrevo melhor do que ela, tanto do ponto de vista formal, como do ponto de vista da organização do discurso, da substância e qualidade das ideia e até da articulação da argumentação. Cada um tem a sua formação, os seus talentos, os seus valores e ideais e aplica-os da forma como acha melhor.

Vamos agora aos factos. O facto de Isabel Ferreira ser médica veterinária significa apenas que trabalha no meio e que tem determinados conhecimentos técnicos. Isso não lhe dá o direito de estabelecer dogmas, de achar que é a única pessoa a ter razão e que toda a razão lhe pertence. Até porque o menos que falta são médicos veterinários ligados ao meio taurino e que têm opiniões diferentes das dela. O facto do senhor achar que uma divergência de opiniões não oferece qualquer disputa também lhe fica nada bem pois é uma atitude intelectualmente muito arrogante. A divergência de opiniões é fundamental para a evolução das sociedades e a disputa no campo das ideias é a única forma legítima e eticamente aceitável de operar a evolução.

O meu confronto com Isabel Ferreira não radica essencialmente na defesa do conceito de tourada. A razão principal para isso é eu pensar que existem muitos tipos diferentes de touradas. O senhor e Isabel Ferreira acha que são todas iguais, o que me parece uma posição incoerente e impossível de sustentar. Sobretudo pelo facto de que as touradas, onde existem, por esse mundo fora, exibem diferenças muito substanciais. Algumas são muito nocivas para os animais, nalguns casos mortais mesmo, algumas um pouco nocivas e outras pouco ou nada nocivas. Dizer que são todas iguais , que todas significam “tortura” e “grande sofrimento” para os animais é uma posição incoerente, tosca e grosseira. E algumas estabelecem compromissos com os animais, quase uma espécie de “acordo”, que tem caraterísticas vantajosas para eles, por oposição à pura e simples extinção. Está neste caso, do meu ponto de vista, a tourada à corda na ilha Terceira.

Contudo, não vou aqui repetir a minha defesa da tourada à corda na ilha Terceira. Essa está suficientemente expressa nos meus artigos sobre este tema, publicados no Diário Insular e neste blog. O meu confronto com Isabel Ferreira é no âmbito da tourada à corda terceirense e não se radica no facto de termos ideias diferentes sobre o assunto. Esse facto, para mim é totalmente respeitável. Ninguém encontra artigos meus em lugar algum defendendo as touradas em geral nem tomando partido na guerrilha taurinos / anti-taurinos. E tenho o maior respeito pelas pessoas que defendem os direitos dos animais, até porque são meus camaradas de luta, eu próprio sou um deles. Sou um defensor dos direitos dos animais e tenho-me manifestado ativamente, de diversas formas, contra tortura, maus tratos e abandono, eutanásia em canis e gatis públicos, criação industrial para abate, criação industrial para aproveitamento de subprodutos (pele, pelo, penas, ovos, leite, fígado), experiências com fins médicos ou de investigação, animais em circos, animais em jaulas em zoológicos, contra a caça à baleia nos Açores, contra a caça controlada de golfinhos nos Açores (defendida por um alto responsável açoriano há anos atrás)  e a favor do vegetarianismo como base da alimentação humana, por exemplo. Amanhã mesmo vou participar como voluntário numa feira de adoção de cães e gatos. Não aceito lições no campo da defesa dos animais. Mas aceito ideias diferentes das minhas, essa é para mim uma atitude fundamental na vida. Aceito e até aprecio o confronto de ideias.

O que não aceito são mentiras, deturpações e manipulações descaradas de factos e imagens. Assim como não aceito que se critiquem as ideias dos outros através do insulto grosseiro, gratuito e generalizado. Ora, tudo isto é a base do ataque de Isabel Ferreira à população da ilha Terceira. A primeira vez que Isabel Ferreira respondeu a um comentário meu no blog dela, sem me conhecer de parte alguma nem fazer a mais pálida ideia de quem eu sou, escreveu por exemplo que eu “não tenho uma profissão digna de um ser humano”. Ora, eu sou licenciado e funcionário público além de que não tenho qualquer ligação objetiva ao mundo taurino, excetuando o facto de ser terceirense a apreciar a tourada à corda na minha ilha. Neste campo em particular, Isabel Ferreira não tem, aliás, qualquer conhecimento de facto, uma vez que confessa nunca ter posto os pés na ilha Terceira nem desejar fazê-lo. Por exemplo, eu condeno o consumo de carne de cetáceos no Japão e sou capaz de escrever sobre isso mas não me passa pela cabeça insultar os Japoneses, escrever que eles são “incivilizados”, “gente sórdida” , “gente de maus instintos”, etc. Claro que falamos aqui de alimentação, não de divertimento público. Mas os Japoneses não precisam de comer carne de cetáceos para sobreviver. Isso é um acto cultural. Tal como a tourada à corda terceirense. Se o senhor quiser ter uma atitude leal e correta e quiser saber em que termos discordo de Isabel Ferreira, faça o favor de ler tudo o que escrevi o assunto.

Reportando-me agora ao seu comentário em particular, você e Isabel Ferreira acham que torturamos os toiros na ilha Terceira. Eu não acho e apresento argumentos nesse sentido. Não vejo nada de sádico nem em mim nem na maioria da população terceirense. No mais, concordo consigo, quem tortura animais é cruel e sádico. Do mesmo modo que “carnificina” não é um termo inventado por si ou por Isabel Ferreira. É um termo com conteúdos muito bem definidos. Nesse sentido, eu, que sempre vivi na ilha Terceira, não vejo qualquer carnificina associada à tourada à corda. Não basta dizê-lo, é preciso prová-lo e apresentar argumentos inteligentes e consistentes. De forma bem educada e respeitadora, evidentemente. Outrossim, vejo carnificinas na ilha Terceira, em todas as ilhas açorianas, na Madeira e em todo  o Continente português, nos matadouros, aviários e outras unidades de produção de carne e subprodutos animais. Aí sim, há uma imensa, sangrenta, cruel e inumana carnificina, todos os dias. Sem qualquer defesa ética, uma vez que comer animais e usar peles e pelos de animais no vestuário são actos culturais, todos eles com alternativas. Talvez Isabel Ferreira devesse envolver-se nessas questões. Até porque, como médica veterinária, deve estar completamente consciente da crueldade, tortura, monstruosidade e inumanidade que estão envolvidas nas indústrias de criação de animais. Quanto ao papel das gerações mais jovens, isso é o que me deixa mais tranquilo.  Respeitarei decerto qualquer tendência na sociedade portuguesa para acabar com as touradas, centrada nas gerações mais jovens. É assim que se opera a transformação social. Se, no futuro, uma maioria dos Portugueses se opuser às touradas em Portugal, então Portugal deixará de ser um país de toiros e touradas. Ocorrerá uma transformação tranquila e democrática. Portugal tem de ser o que a maioria dos Portugueses quiser em cada momento histórico. É por isso, aliás, que estamos na situação atual, porque uma maioria (relativa) de Portugueses assim o quis. No entanto, como existem diferentes tipos de eventos culturais que envolvem toiros em Portugal, acredito que esse assunto não poderá deixar de ter uma dimensão regional e que as populações locais terão a última palavra. Mais ainda no caso dos Açores, que são uma região autónoma, com órgãos próprios. A esse propósito, posso apenas referir que as touradas à corda na ilha Terceira continuam a ter uma maciça participação das camadas mais jovens, por enquanto. Assim é também nas ilhas Graciosa e S. Jorge, em menor escala. As touradas à corda na Terceira acabarão quando uma maioria do povo terceirense o quiser e ponto final. Será pacífico nessa altura, embora já não seja para o meu tempo. Por enquanto, posso garantir-lhe que a ilha, como comunidade, nem sequer admite discutir isso, a questão, simplesmente não existe. Quanto ao facto do senhor não ter entendido a referência à ilha Terceira como “terra de bravos”, lamento mas a culpa não é minha, é uma questão da ignorância da sua parte e não tenho paciência para lhe explicar isso aqui. Consulte a História de Portugal e a História dos Açores e aproveite para se cultivar. Também não entendi o que você quer dizer com o “meu lado da questão”.  A minha abordagem à questão é bastante pessoal, como me parece bem evidente. Se Isabel Ferreira recebeu comentários odiosos de terceirenses no blog dela, são inteiramente merecidos, tendo em conta a forma odiosa como insultou diretamente todos os terceirenses que gostam de touradas à corda. Tivesse criticado a tourada à corda terceirense com inteligência, educação e respeito e isso não lhe teria acontecido. Colheu o que semeou, ela que tente aprender alguma coisa com o sucedido. Também não vejo o que misoginia e homofobia possam ter a ver com a questão e menos ainda comigo, que sou também um ativista na defesa dos direitos das mulheres e na luta contra a homofobia. Não me misture com essas questões por favor, já que, de certeza absoluta que não encontra nada nesse sentido nos meus escritos. Deve estar a confundir-me com outra pessoa. Quanto ao que o senhor chama de insulto, “cunnilingus no orifício anal dos Espanhóis”, vê-se perfeitamente que ou lhe falta capacidade de análise ou nem sequer leu o artigo de Isabel Ferreira no Diário Insular, que motivou a minha resposta e o seu comentário. Nesse artigo, com a pobreza argumentativa que lhe é peculiar (não devem ensinar nada disso nas faculdades de medicina veterinária mas na minha faculdade ensinam….) Isabel Ferreira tem o descaramento de dizer que não insultou os terceirenses porque expressões como “doentes mentais” e “gente sórdida” vêm no dicionário. Foi em resposta a isso que, de uma forma jocosa que, obviamente,  o senhor não entendeu, substituí a popular expressão portuguesa que exprime subserviência – lamber o rabo – por cunnilingus no orifício anal (com termos que vêm no dicionário), referindo-me ao episódio  histórico que distingue a ilha Terceira como ÚNICO território  português não submetido aos Espanhóis entre 1580 e 1582. Se também não conhece isto, então precisa mesmo, urgentemente,de fazer uma revisão da História de Portugal. Se acha incorreto usar insultos que vêm no dicionário, então, por favor, peça satisfações a Isabel Ferreira, uma vez que ela é quem usa essa técnica como estratégia de base numa discussão.

Senhor Nuno Almeida, entendamo-nos, se pretende trocar argumentos comigo sobre a tourada à corda na ilha Terceira, fique à vontade. Desde que o faça de forma respeitosa e bem educada, senão não lhe respondo. E apresentando argumentos inteligentes senão também posso não lhe responder, por falta de interesse e motivação. E sem fazer considerações sobre a minha pessoa, que o senhor desconhece por completo. E, já agora, se nunca esteve na ilha Terceira, talvez convenha vir cá assistir a uma tourada à corda, para não fazer figura de ignorante como Isabel Ferreira. O que penso sobre ela está claramente descrito no meu artigo. Não desanime, o senhor começou com o pé esquerdo mas pode sempre melhorar :)

Tarcísio Silva, terceirense

 

FOLHETIM DO ARCO TÔSCO DE ALMEDINA (6)

Setembro 25, 2013

Tarcísio Pacheco

 

imagem: http://educar.wordpress.com/2009/07/04/os-cartoons-taurinos-do-antero/

 

 

Síntese do anterior: este é o sexto e último de uma série de artigos relativos ao blog http://arcodealmedina.blogs.sapo.pt/277567.html, de Isabel A. Ferreira (isabelferreira@net.sapo.pt), onde os Terceirenses são gravemente insultados. Os outros artigos foram publicados a 21, 22, 27,  28 de Agosto e 12 de Setembro. Podem também ser lidos no meu blog  http://popeye9700.blogs.sapo.pt/.  Termina aqui o folhetim, que foi todo escrito num só dia,  porque a criatura já teve muito mais atenção do que merece. Já chega.

Em última análise, nenhum grupo de Portugueses vai decidir algum dia o que acontece nos Açores. Lembro que somos uma região autónoma, com governo e parlamento próprios. Serão sempre os Açorianos e os Terceirenses em particular a decidir sobre touradas.  A criatura deve ficar longe da Terceira (e da Graciosa e S. Jorge, tudo terra de “broncos”), já que nos odeia tanto e deixar-nos em paz porque dos touros terceirenses ela não percebe rigorosamente nada embora discorra prolificamente sobre o assunto, como é próprio dos tansos. Imagine-se que a criatura, que nem sequer conhece a Terceira (como ela própria confessa ), tem um discurso completo sobre um lugar onde nunca colocou os pés. Avalia pelo que ouve dizer e pelo que viu em fotos ou vídeos. Diz também que nunca viria cá nem recomenda aos seus “amigos estrangeiros”. Não precisamos dela para nada, como é óbvio e quanto aos “amigos estrangeiros” se forem como ela, isto ia parecer um intercâmbio internacional da Casa de Saúde de S. Rafael. Mas, como diz o meu amigo Fernando Pereira, esse sim, um verdadeiro aficionado (da turma dos vídeos das marradas), que pena ela não vir - a gente metia-a num curral do tio Humberto Filipe, para ela «proteger» o 77.

Nesta altura dos acontecimentos, os meus leitores, apesar de “broncos” na sua maioria,  por decreto da criatura, já devem ter percebido que, para mim, o cerne do assunto não é a questão taurina, por vários motivos. Tentei fazer perceber isso à criatura mas, debalde, não é tarefa fácil entrar naquele escudo blindado de obtusidade hostil. Tenho o maior respeito pelas pessoas que tentam proteger e defender os animais, incluindo os toiros, até porque sou também um amante dos animais e amei, acarinhei e protegi muitos ao longo da vida. Leio os textos publicados pelos anti-taurinos, quando são inteligentes e bem escritos. Mas tenho uma alergia visceral à estupidez,  à ignorância, ao desrespeito e à falta de educação. Assim como penso que  qualquer anti-taurino que não seja totalmente vegetariano incorre em incoerência básica.

A criatura tem o desplante de proclamar  que os forcados são todos covardes e pessoas de maus instintos. Claro que isto é uma afirmação totalmente absurda e delirante. Num dos seus blogs , ela publica um texto de outrem em que há uma ridícula tentativa de manipulação das opiniões, dizendo que os forcados “atacam” o toiro. Ora, tudo o que eles fazem é agarrá-lo e imobilizá-lo. Isso dificilmente pode ser considerado um “ataque”. Isso seria se o agarrassem e o violassem, por exemplo. Mas disso nunca ouvi falar, só de histórias de amor entre pastores e ovelhas, lá pelas serranias continentais. Ora aí está um belo tema para ocupar a criatura, a defesa das ovelhas ultrajadas. Quanto aos forcados, imagino que seja preciso uma enorme dose de coragem quando o forcado da cara chama o toiro e vê aquela formidável massa, com os seus cerca de 500 kg de peso em média, de cornos em riste, a galopar na sua direção, restando ao forcado minimizar o impacto, através de uma técnica apurada e esperar o apoio dos companheiros.  Imagino que aquela viagem agarrado à cabeça do toiro, que dura alguns segundos e acaba frequentemente mal, deve parecer uma eternidade e o forcado deve sentir-se a pessoa mais solitária do mundo nesses momentos…Um pouco como os marinheiros solitários se sentem à noite no mar alto, com mau tempo. Se os forcados são os maiores covardes, então com certeza será muito fácil para qualquer anti-taurino demonstrar essa afirmação dispondo-se a pegar um toiro de 500 kg, o  que seria com certeza uma brincadeira infantil, visto o animal estar “exangue e moribundo”. Ah como eu gostava que a própria criatura se voluntariasse para provar as suas afirmações…Nem que fosse no México, eu ia lá de propósito para ajudar a procurar os dentes dela na arena.

O mundo da arrogante criatura é uma coisa assim a preto e branco, de inspiração maniqueísta. Para ela, as pessoas dividem-se em dois grupos: os do Bem, os que pensam como ela, que são todos muito inteligentes, cultos, educados, uns anjos em missão na Terra e que não gostam de touradas e os do Mal, que são todos os que pensam de forma diferente, que gostam de algum tipo de tourada, seja qual for, nem que seja uma carneirada e que são invariavelmente broncos, parvos,  idiotas, sanguinários e doentes mentais. Bom, como já disse, aqui há realmente uma patologia grave, uma obsessão pela contemplação do seu próprio umbigo sagrado, que pode levar a sérios problemas de coluna.

A criatura publicou, onde qualquer um pode ler, afirmações extremamente insultuosas sobre a ilha Terceira e os seus habitantes (todos “broncos” excetuando com certeza a meia dúzia dos seus colegas de movimento). Ela diz que a tourada à corda terceirense está moribunda e até apontou 2013 como o ano do fim. É mais uma entre muitas mentiras, está vivíssima e de ótima saúde. Lamento informar. Não há mesmo o mais leve sinal de maleita. Só se morrer de repente, de enfarte fulminante. As touradas multiplicam-se em cada Verão e andam animadíssimas. Sei que é duro  ler isto mas as perspetivas, para já,  são excelentes.

A criatura diz ainda que a Terceira nunca foi evoluída. Entramos aqui em terrenos pantanosos. Para a criatura, ser evoluído é ser contra touradas e ponto final, nem vale a pena argumentar porque é como estar a escrever para um calhau. Quem ajusta os factos à sua teoria, nunca pode ser contradito, é uma técnica infalível, embora absolutamente falaciosa, como é evidente. Evolução não é um conceito absoluto e é frequentemente confundido com mudança. Esta consiste apenas numa alteração de factos, coisas, circunstâncias, ideias. Pode perfeitamente significar um retrocesso em termos evolutivos. Um belíssimo exemplo, ter eleito Passos Coelho significou uma mudança, no entanto não houve qualquer evolução, apenas um gravíssimo retrocesso. Além disso, defina-se progresso. É mais cidades, crescimento urbano, muitos carros, shoppings cada vez maiores, lojas MacDonald’s?  A globalização torna o mundo cada vez mais cinzento e desinteressante. Cada vez mais as pessoas procuram o que é genuíno, autêntico, diferente. E a ilha Terceira é assim. Oxalá a ilha Terceira nunca mude, na sua essência.

A criatura também diz que os turistas cultos não visitam a Terceira.  Esta afirmação é tão rídicula que hesito em contestá-la, com medo que um pouco desse ridículo me contamine. É como argumentar com um doido ou um bêbado. Não é boa ideia. O Governo Regional passa a vida a fazer estudos sobre o perfil dos turistas e afinal bastava perguntar à criatura. Porque, evidentemente, quem completou “com distinção” o 1.º ano de um curso de História no Brasil sabe de tudo um pouco. A ilha Terceira, por possuir um bom aeroporto, um clima temperado, um parque hoteleiro adequado, bons restaurantes, ser bonita, ter todo o tipo de infraestruturas, uma extensão universitária,  um povo pacífico e educado com tradições originais e interessantes, é com muita frequência procurada pelo chamado turismo de Negócios ou de Congressos, envolvendo reputadas instituições do âmbito científico e cultural, por exemplo. Não vale a pena dizer mais nada, esta afirmação conta com abundante documentação.

Nest Não vejo a questão como complexa, tendo a simplificar, para facilitar a vida que, esta sim, é complicada. Na minha perspetiva, haverá touradas à corda na ilha Terceira enquanto uma maioria de  Açorianos em geral e Terceirenses em particular quiser que assim seja. A tradição é nossa e somos autónomos, a gente é que decide. Se as touradas à corda tiverem que acabar um dia, pois acabarão, nada é eterno nesta vida. Mas isso, se ocorrer, será apenas quando já não houver gente suficiente que as aprecie, defenda e promova. Seremos, com certeza, uma sociedade muito diferente, nesse hipotético futuro longínquo e alternativo. Que todas as pessoas possam continuar, livremente, a pugnar pelas ideias em que acreditam, desde que não infrinjam a lei comum e a Constituição. Mas que o façam com decência, boa educação, civilidade e sem recurso a mentiras, deturpações, insultos e manipulações.

Na verdade, tenho de confessar que vou sentir a falta dos comentários agressivos  e mails insultuosos desta criatura. É como discutir frente a frente com alguém que nos enche de perdigotos. É porco mas é melhor do que falar sozinho. Apesar de tudo, ela divertia-me. Ela era a minha Gata Fedorenta. (FIM). POPEYE9700@YAHOO.COM

 

RESPOSTA A ISABEL A. FERREIRA DO BLOG “ARCO DE ALMEDINA”

Setembro 20, 2013

Tarcísio Pacheco

 

imagem em: http://rabotorto.blogspot.pt/2007/08/ora-meich.html

 

 

Este é o meu comentário ao “direito de resposta” invocado por Isabel A. Ferreira (IAF), autora do blog “O Arco de Almedina”, publicado no DI de 19 de Setembro último.

Vou responder sem descer ao nível de IAF. Ela pode aproveitar para aprender alguma coisa sobre a boa educação, a arte de escrever, o poder da ironia e a arte da dialética.  Não há qualquer retratação pública nem pedido de desculpas da minha parte. Pelo contrário, reafirmo todas as minhas posições e vou mesmo até fundamentá-las melhor aqui. Não vejo qualquer difamação e quem chama “trabalho” ao insulto cego a uma comunidade inteira, pode esperar, no mínimo, uma defesa enérgica. A Terceira é a Terra dos Bravos, a nossa divisa é "Antes Morrer Livres que em Paz Sujeitos"! Quando os antepassados de IAF já andavam a fazer cunnilingus no orifício anal dos espanhois (tudo expressões que constam dos dicionários), os terceirenses ainda andavam a matar neles, precisamente com a ajuda dos nossos amigos, os toiros. Quanto à acusação de eu ter escrito de um modo “tosco”, bem, não me considero nenhum Saramago mas as palavras falam por sim, para avaliar basta ler o que ambos escrevemos e comparar.

Para situar o leitor, recomendo que acessem o blog de IAF (http://arcodealmedina.blogs.sapo.pt) e leiam tudo o que ela tem escrito sobre a ilha Terceira. Poderão também ler os meus artigos sobre o assunto nos arquivos do DI ou no meu blog (http://popeye9700.blogs.sapo.pt/). No seu blog, IAF insulta grosseiramente a ilha Terceira e todos os terceirenses que gostam de touradas à corda, utilizando (de forma direta ou indireta) insultos como “gente sórdida”, “gente mal formada e de maus instintos”, “terra que nunca evoluiu”, “uma das terras mais atrasadas do mundo”, “terra onde a civilidade ainda não chegou”, “doentes mentais”, “bárbaros”, “broncos”, para citar apenas alguns exemplos, pois há muitos mais e o blog cresce todos os dias. Como terceirense que aprecia touradas à corda, tenho todo o direito de me sentir pessoalmente atingido e todos os meus artigos publicados no DI visam fazer a defesa do povo terceirense. Note-se que praticamente não me referi à tourada de praça. A minha guerra é acerca da tourada à corda terceirense mas sugiro à Tertúlia Tauromáquica Terceirense e a todos os forcados, atuais e antigos, que leiam o que IAF escreveu a respeito dos forcados pois trata-os de “covardes” para baixo. Acessoriamente, também acabei por fazer a defesa dos forcados. Não preciso que me agradeçam mas espero que sejam solidários e reajam com a mesma coragem que mostram na arena.

Não vou perder muito mais tempo com esta criatura. Duas correções: são seis artigos e não cinco, no momento em que escrevo este, ainda aguardo que o DI publique o meu 6.º e último artigo, relativo ao “Folhetim do Arco Tôsco de Almedina”; ninguém me conhece na ilha Terceira por “Popeye”, mais uma prova de ignorância, é apenas o nome do meu veleiro, parte do meu endereço eletrónico principal e parte do nome de um dos meus blogs.

Quem ler os meus artigos, verá que, basicamente, digo que IAF é pouco inteligente, ignorante, manipuladora, arrogante e presunçosa. Se bronco, atrasado, sórdido, doente mental, bárbaro, etc, constam nos dicionários de Língua Portuguesa e não constituem “de modo algum” insultos “a quem quer que seja”, então acredito que, no mínimo, o mesmo deverá acontecer com os termos que utilizei. É de elementar justiça.

A grande diferença é que eu sei fundamentar tudo o que escrevo. Considero Isabel A. Ferreira pouco inteligente porque apresenta posições de cariz dogmático, fundamentalista e fanático (fanatismo é sempre pouco inteligente), muito mal fundamentadas e recorre ao puro insulto, repetido até à náusea para se justificar. Considero-a ignorante porque toma posições fanáticas e extremamente agressivas sobre realidades, costumes e tradições que desconhece por completo, uma vez que confessa nunca ter estado na ilha Terceira e nunca ter assistido a uma tourada à corda (inseparável, aliás, regra geral, de toda uma festa de Verão de um lugar ou freguesia, de que representa o clímax e o final). Considero-a manipuladora porque é exatamente isso que ela faz, de forma muito grosseira mas bem clara, ao manipular fotografias e dados para tentar fundamentar as suas ideias pré-concebidas; fiz a denúncia e a explicação dessas manipulações nos meus artigos. Finalmente, IAF é arrogante e presunçosa por várias razões, porque publicou no seu blog algo absolutamente irrelevante, que ela chama “short curriculum vitae” mas que é na verdade uma longa descrição de todos os seus estudos académicos e realizações, cheia de referências auto-elogiosas; porque se julga dona da verdade; porque insulta todos os que discordam dela, mesmo os que o fazem educadamente; porque tem uma elevadíssima e injustificada (em minha opinião) opinião de si própria e acha broncos, estúpidos, atrasados, parvos e idiotas (tudo adjetivos com que me mimoseou) todos os que possam pensar de maneira diferente dela.

Não vou mesmo perder mais tempo com quem não merece. Os leitores do DI podem ver o tom ameaçador e intimidatório com que esta criatura escreveu o seu “direito de resposta” no DI (que ela chamou de pasquim em mail que me escreveu, já agora…).  Pois aqui vou revelar que, em mails privados que trocámos e que, obviamente, guardei, ela me ameaçou claramente com um processo judicial dizendo que tem “muitos advogados, juízes e delegados do Ministério Público na família”. Acho que isto é a pincelada final que faltava para fazer o retrato desta infeliz criatura.

Tenho a minha consciência tranquila, por isso fico a aguardar calmamente. Poderá vir a ser muito interessante ouvir a criatura explicar um dia porque  ameaçou “tomar outras medidas” a meu respeito e não o faz relativamente às muitas pessoas que comentam no seu blog, contra ela,  usando vocabulário ordinário, insultuoso, agressivo e até ameaçador da sua integridade física, que ela faz questão de publicar sempre (ela censura os comentários no seu blog – coisa que eu não faço, por exemplo) para ajustar os factos à sua teoria de que todos os aficionados são brutos, ignorantes e estúpidos. Isto é próprio de mentes  manipuladoras. Assim como é próprio e típico  dos pobres de espírito ameaçar com processos judiciais quando não são capazes de argumentar à altura dos seus oponentes. POPEYE9700@YAHOO.COM

 

 

FOLHETIM DO ARCO TÔSCO DE ALMEDINA (4)

Agosto 28, 2013

Tarcísio Pacheco

 

IMAGEM: http://tshirtslowcost.com/loja/rpa-tslc-eh-touro-lindo#.Uh3StNL0EQg

 

 

Síntese do anterior: este é o quarto de uma série de artigos relativos ao blog http://arcodealmedina.blogs.sapo.pt/277567.html, de Isabel A. Ferreira (isabelferreira@net.sapo.pt), onde os Terceirenses são bastamente insultados. Os outros artigos foram publicados a 21, 22  e 27de Agosto. Podem também ser vistos no meu blog  http://popeye9700.blogs.sapo.pt/.

No seu perfil, a criatura informa-nos que suspendeu a sua carreira para se dedicar a tempo inteiro ao movimento anti-taurino. Como sou uma pessoa solidária, fiquei seriamente preocupado. Porque ou o movimento anti-taurino dá dinheiro ( e nesse caso, de onde vem ele?) ou ela está a viver de economias. Ou então já é velhota e reformada, até porque no facebook dela (Isabel A. Ferreira) só tem uma foto de rosto,  nitidamente  bem antiga. O problema é que a criatura acredita piamente que as touradas estão agonizantes em Portugal. Faz sentido que ela  entenda parar só quando as touradas forem proibidas no nosso país. Ora, eu até posso acreditar que as touradas de praça vão acabar um dia. A começar pelas espanholas, muito mais sangrentas, tanto para o lado do bicho como do homem. Ou então, pelo menos, transformarem-se naquele espetáculo inócuo de faz-de-conta como acontece nos EUA. Mas acredito que não seja no tempo dela nem no tempo dos meus filhos. Na minha perspetiva, as touradas de praça envolvem beleza, cor, arte, emoção e coragem. Mas, o meu lado racional e compassivo também acredita que, infelizmente,  se baseiam na exploração da inocência bruta do toiro e do seu sofrimento, mesmo que não seja ao ponto que a manipuladora criatura pretende fazer crer. A grande falha da criatura não é essa. Entre várias outras deficiências graves, é o facto dela achar que isso vai acontecer isoladamente e não vai. Isto é uma questão civilizacional. As touradas poderão acabar num âmbito muito alargado de mudança de paradigma, de evolução de mentalidades, de transformação da Humanidade, se chegar a ter tempo para isso antes de dar cabo do planeta. As pessoas que vão constituir a maioria de Portugueses que desejará abolir as touradas serão as mesmas que, por essa altura, terão deixado de comer animais, que serão todas vegetarianas, que terão deixado de maltratar animais e de os abandonar, que terão deixado de exercer violência doméstica, que serão todos educados e cultos (se bem que haja muita gente educada e culta que gosta de touradas, como é evidente), que saberão alimentar-se de forma saudável e sustentável, que terão deixado de consumir alimentos industrializados e tóxicos, que terão percebido finalmente a mistificação que é a Igreja Católica e muitas outras religiões, que terão deixado de votar em partidos políticos e de eleger políticos incompetentes e corruptos, que terão finalmente entendido que há um sistema mundial, com delegações nacionais, cujo objetivo maior é escravizar a maioria da população do planeta em benefício de uma pequena elite, que terão deixado de consumir drogas, incluindo álcool, tabaco e cafeína, que terão adotado estilos de vida saudáveis, que serão ecologistas e respeitadores da Natureza, que terão eliminado das suas vidas todos os comportamentos poluidores, que serão muito menos egoístas e individualistas e pensarão mais no bem comum, que deixarão de passar grande parte dos seus tempos livres estupidamente metidos em shoppings, que terão desenvolvido hábitos de leitura regular de qualidade ( terão deixado de ler revistas cor de rosa), que terão deixado de consumir música pimba, que terão deixado de endeusar gente do mundo do desporto, do cinema, da música, da TV e do show-business, que terão entendido e repudiado a alienação e manipulação mental da televisão,  que se terão juntado a muitos cidadãos de outros países para, todos juntos, combaterem as maiores e verdadeiras crueldades contra os animais, como o esfolamento em vida de cachorros na poderosa China (a nova parceira comercial de Portugal e de muitos outros), para lhes retirar a pele (talvez a cena mais horrível que me foi dado ver – em vídeo – nesta vida), a morte de focas bebés para comercialização da pele no “civilizado” Canadá, a morte absolutamente gratuita, desnecessária e cruel de uma enorme quantidade de cetáceos nas ilhas Faröe, da “civilizada” Dinamarca, como ritual anual de virilidade, a morte de uma enorme quantidade anual  de cetáceos por parte do “civilizado” e hipócrita Japão para fins de “pesquisa científica”, a criação de animais (cães, galos) em vários países asiáticos, para fins de combate, a curta vida e morte precoce de tantos animais para  pesquisas científicas em laboratórios por esse mundo fora e finalmente, a criação intensiva de animais em todo o mundo para abate , destinando-se à indústria da moda (cães, chinchilas, castores, etc) e à  alimentação humana (vacas, porcos, galinhas, etc), quase sempre envolvendo vidas brevíssimas, enorme sofrimento e ausência da mais elementar qualidade de vida.

Alguém pode acreditar que tudo isto acontecerá em poucos anos, ainda por cima em Portugal, que não é propriamente um país inovador? É claro que não e é isto que a criatura não entende de modo nenhum. Ela não consegue perceber que isto está tudo relacionado . É por isso que se engana redondamente quando diz que “as touradas estão com o pé para a cova”. Acredito mesmo que, depois que estiver ela própria com os pés na cova, ainda se correrão toiros em Portugal por muitos anos. É por isso mesmo que me preocupo. E se o movimento anti-taurino não der dinheiro e se acabarem as economias da criatura? Vai viver de quê? Será que ainda a veremos a vender couratos e bifanas à porta do Campo Pequeno em dia de tourada rija? (continua) POPEYE9700@YAHOO.COM

 

FOLHETIM DO ARCO TÔSCO DE ALMEDINA (3)

Agosto 27, 2013

Tarcísio Pacheco

 

imagem: http://terceirataurina.blogspot.pt/2006/11/terceira-com-264-festejos-da-tourada.html

 

 

Síntese do anterior: este é o terceiro de uma série de artigos relativos ao blog http://arcodealmedina.blogs.sapo.pt/277567.html, de Isabel A. Ferreira (isabelferreira@net.sapo.pt), onde os Terceirenses são bastamente insultados. Os outros artigos foram publicados a 21 e 22 de Agosto. A ideia é que os Terceirenses possam aceder a este blog e deixar a sua opinião, seja ela qual for, mesmo que sejam anti-taurinos. Recomendo apenas que o façam com boa-educação, não tendo qualquer importância se escrevem bem ou mal, desde que tenham uma mensagem a transmitir. Isso não vai impedir que ela vos insulte de imediato, se discordarem dela mas, pelo menos, não descem ao seu nível. Serão broncos, à partida mas, animem-se, graças a Isabel Ferreira,  isso vai tornar-se um elogio. Por outro lado, se concordarem com ela, vai elogiar-vos entusiasticamente, nem que sejam neo-nazis (ela diz que Hitler era fixe porque, ao menos, era vegetariano).

Num dos seus posts mais recentes, esta criatura mostrou ser verdadeiramente maquiavélica, ou seja, capaz de qualquer manobra para atingir os seus fins. Faria uma brilhante carreira na CIA ou na Mossad. A imagem que ela utilizou no referido post e o texto que lhe colocou por baixo configuram uma das tentativas de manipulação de opinião mais baixas, nojentas e descaradas de que tenho memória. Ela usou uma fotografia feita após logo o final de uma tourada à corda em Santa Luzia da Praia em que, com toda a naturalidade,  se vê um bocado de lixo pelo chão, incluindo garrafas de cerveja e um tipo qualquer sentado nos degraus da igreja. Trata-se de uma tourada que ocorreu em 2004, facto sem qualquer significado.  O que é mostrado nessa foto é perfeitamente normal e vai ocorrer este ano também com certeza. Pois a criatura usou essa imagem para dizer que “Esta foto mostra o final de festa «imbecil» que é uma tourada à corda, onde um animal anda a ser violentado psicologicamente e fisicamente por um bando de bêbados pelas ruas (isto não pode dizer-se de outra maneira)”, e  “repare-se na quantidade de garrafas que vemos na imagem e um borrachão estendido pelo chão”, que “segundo informações, os borracholas andaram a destruir automóveis, depois de terem torturado o Touro” e ainda  que “ deixaram LIXO no chão e no ar da ilha Terceira”. Bom, perante tamanha imbecilidade e ignorância, quase nem vale a pena argumentar. Claro que nós (e qualquer pessoa sã de espírito) sabemos perfeitamente que nenhum toiro é torturado na Terceira, que é perfeitamente normal que em qualquer evento público em que se vende comida e bebida haja lixo no chão no final da festa, que os arraiais das touradas à corda são limpos após o seu final pelas comissões de festas e seus ajudantes, que um local sujo antes de ser limpo está sujo, que é normal por esse país fora que em eventos públicos se venda álcool, nomeadamente cerveja, que os principais protagonistas ativos da tourada à corda, os “pastores”,  os “capinhas” e as pessoas que andam mais perto dos toiros não costumam andar embriagados durante a tourada, muito pelo contrário, que, mesmo assim, pessoas de todo os tipos, idades e condições se embriagam em eventos festivos um pouco por todo o mundo, que não é costume haver quaisquer atos de vandalismo associados a touradas à corda em particular, que atos de vandalismo existem por todo o lado, infelizmente e que um jornalista responsável e com sentido ético confirma  a veracidade das suas informações antes de as publicar. Acrescente-se que, olhando para a foto publicada, ninguém consegue ver um “borrachão estendido no chão”. Tudo o que se vê é as pernas e um pouco do tronco de um homem, claramente sentado (e não deitado) nos degraus da igreja de Santa Luzia da Praia, nada nos permitindo inferir que o homem está alcoolizado. Mesmo que estivesse e daí? Nada disto tem importância para a mente perversa, maquiavélica e manipuladora  da criatura. E quando um terceirense paciente e bem-educado (Sr. Luís Soares) tenta, delicadamente, explicar-lhe a verdade, a criatura desata em comentários histéricos, bradando que “isso não interessa para nada”, repetindo até à náusea o estafado insulto de sempre, “que somos todos broncos”. O melhor comentário que li nesse post, breve e educado,  foi de uma terceirense, Tatiana Ourique, que confessa não apreciar touradas, de praça ou de corda mas se sentir enojada com os textos da criatura e achar que pessoas como ela envergonham e desacreditam o movimento anti-taurino. Sou exatamente da mesma opinião. Espero que Isabel Ferreira não pare de escrever no seu blog. O movimento anti-taurino precisa muito dela. E os taurinos precisam ainda mais. (continua) POPEYE9700@YAHOO.COM

 

FOLHETIM DO ARCO TÔSCO DE ALMEDINA (1)

Agosto 21, 2013

Tarcísio Pacheco

 

Touros terceirenses,bonitos e bem tratados,  pastando felizes no mato, onde passam 90% do seu tempo de vida

 

Imagem: touradascorda.ilhaterceira.net , touros terceirenses pastando felizes e bem tratados no mato, onde passam 95% do tempo

 

 

 

 

 

ARTIGO PUBLICADO NO DIÁRIO INSULAR, DE ANGRA DO HEROÍSMO, A 21 DE AGOSTO DE 2013

 

 

Optei por fazer disto um pequeno folhetim porque é capaz de atingir uma certa dimensão, cuja versão integral nunca caberia nas páginas do Diário Insular. Então, vamos fazer isto por capítulos.  Não posso dizer que o motivo inspirador seja exatamente sublime. Há dias apanhei no Facebook um comentário que me remeteu para um blog, chamado Arco de Almedina (http://arcodealmedina.blogs.sapo.pt/236657.html), propriedade duma tal Isabel A. Ferreira. Não é uma leitura interessante mas é aconselhável que todos os terceirenses que não são info excluídos acedam a este blog, seja qual for o seu posicionamento relativamente a touradas (procurar a publicação de 25 de Fevereiro, a que nos diz diretamente respeito). A razão é simples, seja qual for o nosso ideário, somos terceirenses acima de tudo, fazemos  parte da mesma comunidade ilhoa. E a criatura insulta todos os terceirenses no seu pasquim digital. Tenho a certeza absoluta que não há qualquer fratura social na sociedade terceirense a respeito das touradas. Sendo uma comunidade relativamente pequena, de umas 55.000 almas, todos nós temos no nosso círculo de familiares, amigos e colegas, taurinos, anti-taurinos e indiferentes. E com certeza respeitamos as opiniões diferentes das nossas, como sociedade democrática que somos.

Portanto, fui ver o blog desta criatura, primeiro que tudo para lhe averiguar a raça. Uma rápida leitura deixou-me a convicção de que pertence a uma raça muito agressiva, na Terceira passaria por vaca brava, talvez com ferro da Casa José Albino Fernandes, por aí. Digo isto pela agressividade, ausência de inteligência, de raciocínio lógico e pela investida cega. Embora, pessoalmente, preferisse relacionar-me com uma vaca brava pois, ao menos, estas são inocentes, sem malícia nem maldade.

O blog da criatura remete-nos para um extenso perfil pessoal, que fui ler, onde a criatura faz questão de nos informar sobre todo o seu percurso académico e sobre todas as voltinhas que deu nesta vida. Ficamos, por exemplo, a saber que estudou no Brasil e que completou “com distinção” o 1.º ano de uma licenciatura em História. Colocar este irrelevante tipo de informação num blog pessoal é uma atitude desnecessária, petulante,  narcisista e foi essa uma das razões para a série de “grosserias e indelicadezas” com que a criatura diz que eu a brindei. Como qualquer um pode ver se aceder ao blog (ela publicou todos os meus comentários e as suas respostas), eu chamei-lhe “ignorante”, “presunçosa” e “arrogante”. Bom, isto é o que eu penso dela e não considero que se trate de insultos. Como podem ver, nas suas resposta, ela chamou-me “bronco”, “parvo”, “pateta”, “sem nome” e “sem profissão digna de um ser humano”. Isto são verdadeiros insultos, totalmente gratuitos e sem sentido. Por aqui, já se pode avaliar o nível de educação desta criatura, tão estudiosa e criativa e avaliar a sua flexibilidade ética.

Bom, está na hora de explicar porque nos travámos de razões. Esta criatura acredita ser a Papisa do movimento anti-taurino português. Não me tenho envolvido nessa polémica, por diversas razões.  Mas, como é natural, amo a minha terra e aprecio os seus costumes e tradições. E sobre a nossa ilha Terceira e as nossas touradas à corda, entre muitas outras coisas, ela diz, por exemplo, o seguinte: “(…) essa diversão sórdida, digna apenas de gente mal formada e de maus instintos, está moribunda, apesar de dizer que chega a haver mais do que uma no mesmo dia. Isso só diz da doença de que sofrem.”; “Mas a ilha Terceira alguma vez foi evoluída?”;  “O facto de dizer que é um dos locais do mundo onde há o maior “culto” ao Touro significa que é uma das terras mais atrasadas do mundo (…)”; “ A afición do povo terceirense é uma DOENÇA MENTAL. Não vos traz nenhum prestígio. Pelo contrário. O turista culto não visita a Terceira.”; “Estátuas a Touros para celebrar a tortura de que são alvo? Só mesmo numa terra onde a CIVILIDADE ainda não chegou”; “Pois vou dizer-lhe o que é um forcado, porque ninguém vos disse o que era um forcado. Um forcado, dentre todos os covardes que torturam o touro, antes e depois de ir para a arena, é o mais COVARDE. “; “ É isto que é o forcado. Um COVARDE. Um sujeito com maus instintos. Malformado. Ignorante. Patético.”; “ A tourada à corda na ilha Terceira é um COSTUME BÁRBARO  que não tem nada de tradicional. Não é cultura. É apenas o divertimento de broncos.”

E assim por diante, são alguns exemplos apenas, extraídos do dito blog. Os insultos alastram-se também a todos os Graciosenses noutro post. (Continua).POPEYE9700@YAHOO.COM

 

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