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popeye9700

Crónicas e artigos de opinião, a maior parte publicada no Diário Insular, de Angra do Heroísmo.

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BAGA MUDANÇA FORÇADA E BRUTAL (BB135)

Julho 04, 2022

Tarcísio Pacheco

weapons (1).jpg 

imagem em: Medieval Cartoon Weapons. Game Icons. | CartoonDealer.com #68416921

 

BAGAS DE BELADONA (135)

HELIODORO TARCÍSIO          

BAGA MUDANÇA FORÇADA E BRUTAL – Recentemente, vi-me forçado a mudar as minhas perspetivas mais consolidadas e mais refletidas. Tenho um passado de ativista em prol de diversas causas, entre as quais destaco o pacifismo, o antimilitarismo e o antinuclear. Nos meus tempos de faculdade, usava regularmente o pin que então estava na moda, o do “Nuclear, não, obrigado”. Era contra o uso da energia nuclear, mesmo para fins pacíficos e então, para fins militares, nem se fala. Pertenço a uma geração que ainda era obrigada a prestar serviço militar obrigatório, sob pena da pessoa ser declarada “contumaz” e perseguida de diversas formas. Ainda antes do final do meu curso, o sistema saltou-me em cima e lá tive de ir à força até à Escola Prática de Cavalaria (EPC, já extinta), em Santarém, onde me declarei objetor de consciência e tive de suportar as macaquices e humilhações a que se sujeitavam, nessa época, os que invocavam esse estatuto. O estatuto de objetor de consciência era recente, mal visto e a legislação que o suportava era medíocre na sua formulação. O que eles queriam era que os objetores se declarassem testemunhas de Jeová ou algo semelhante e que jurassem preferir morrer a matar uma mosca com uma vassoura. Não era o meu caso, matei muita mosca nesta vida e ainda não acabei. O certo é que um ano depois, o Exército voltou a chamar-me, quando acabei o curso. Fiz contas à vida e como não me apetecia fugir para lugar nenhum, lá acabei por aceitar ser incorporado, em agosto de 1986. Fui graduado da Polícia do Exército e cumpri 16 meses, em Santarém, Lisboa e Ponta Delgada. Tenho um espírito prático e otimista, que tenta sempre tirar o melhor partido das circunstâncias, ou não fosse sagitariano. Não dei o tempo por perdido. A farda ficava-me bem, especialmente a boina preta com espadas cruzadas. Desportista desde sempre, gostava da parte da atividade física, tolerava a seca da parte militar e achava que, na incerteza desta vida, não era de todo inútil aprender a matar gente, sempre numa perspetiva de defesa, bem entendido. E aos fins de semana vinha para Lisboa, para o apartamento do meu bom amigo de infância, Prof. João Pedro Mont’Alverne e fazíamos grandes cowboyadas na noite lisboeta com outros amigos dos Açores nas mesmas circunstâncias. Entenda-se, eu tinha 25 aninhos…. Adiante, esta parte não interessa muito para a questão.

Pela vida fora, mantive a minha essência, facto de que me orgulho. Isto não é o Mole Pastoso, que começou no maoísmo e depois se converteu às delícias do capitalismo. Mantive-me sempre antitudo o que me cheirasse a militarismo e belicismo, contra o serviço militar obrigatório, contra os grandes exércitos, contra a NATO, contra a venda livre de armas nos EUA, contra a presença americana na base das Lajes, contra o armamento, excetuando o das forças de segurança, contra as armas nucleares, contra todos os tiranetes do mundo e contra qualquer guerra em qualquer lado. Um pouco ingenuamente, reconheço, imaginei que a caminhada da Humanidade, mesmo com todos os obstáculos e percalços, fosse, devagarinho, muito devagarinho, quase parada, no sentido da construção de um mundo mais pacífico e mais justo.

E agora? Bom, agora, mudei. Não no essencial, aí serei sempre o mesmo até ao fim. Mas rendi-me às realidades. Não somos uma espécie pacífica e ponto final. Somos uma espécie bélica e agressiva. Entre nós há gente boa, mas há também muitas bestas cruéis. Somo assim, brutos e maus e nada há a fazer contra isso. Para quem é religioso, se há um Deus e se foi Ele quem nos criou, está na hora de Lhe pedirem para assumir as responsabilidades. Não é para me gabar, mas se eu tivesse criado o mundo, teria cá colocado criaturas bem melhores, mais do género do povo do filme Avatar, até porque o azul é a minha cor favorita. Seria um povo azul, com asas para voar (não gostei muito da parte de andar a domesticar bestas aladas) e doce como o mel, seria só natureza, música e muito amor. Peço antecipadamente desculpa pela blasfémia, mas Deus parece-me um Criador genial, mas muito incompetente, distraído e um poucochinho desequilibrado, até depressivo. Talvez não haja Prozac no Céu.

Resumindo, depois de Putin e desta Rússia, atualmente, sou a favor de um monte de coisas. Principiando pelas armas nucleares. Precisamos delas, de muitas, cada vez maiores e mais letais. Os belicistas venceram. Numa porcaria de mundo como este, a única maneira de não ser aniquilado é estar em condições de aniquilar o inimigo exatamente da mesma maneira e eles saberem perfeitamente disso. O poder nuclear é, na verdade, o grande argumento de Putin. Não fosse isso e já lhe teríamos feito a folha e salvado da morte tantos Ucranianos e Russos. Sou a favor de uma NATO poderosa, para manter na ordem, pela força e pelo medo, regimes como o russo e o chinês. Sou a favor de exércitos grandes, enormes e armados até aos dentes, especialmente com armas inteligentes e drones com fartura. E agora acho que toda a gente devia aprender a defender-se para não ter de aprender à pressa como tem acontecido com tantos civis ucranianos.

Capitulei, aceito a derrota. Esqueçam as pombinhas brancas e os cravos. Na Terra, o que conta são os fuzis, bem oleados. E, no cúmulo da minha mudança forçada e brutal, declaro que nem é a minha morte que mais temo, uma vez que ela é certa, mais tarde ou mais cedo. O que não suporto é pensar que morro e ficam russos a rir-se, a banquetear-se com caviar regado a vodka e a violar as minhas filhas. Se é para morrer, então vamos todos juntos nessa viagem. POPEYE9700@YAHOO.COM

 

 

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