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popeye9700

Crónicas e artigos de opinião, a maior parte publicada no Diário Insular, de Angra do Heroísmo.

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Crónicas e artigos de opinião, a maior parte publicada no Diário Insular, de Angra do Heroísmo.

BAGA EI TOIRO LINDO (BB165)

Julho 08, 2025

Tarcísio Pacheco

 

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imagem em: Cow Bull Love

BAGAS DE BELADONA (165)

HELIODORO TARCÍSIO          

 BAGA EI TOIRO LINDO! Como era de esperar, o pessoal do PAN e os anti-taurinos tiveram um ataque de histeria à conta do infeliz incidente da recente morte de um toiro no mar, no porto de pescas do Porto Judeu, ilha Terceira. Para que ninguém apareça a pregar aos gafanhotos sozinho no deserto, é salutar que se façam ouvir outras vozes, com perspetivas diferentes.

Já escrevi muitas vezes sobre este tema, que me apaixona. As minhas convicções sobre este assunto – tauromaquia – assentam sobretudo em duas linhas: separo sempre, por completo, touradas de praça de touradas à corda, por entender que, tratando-se em ambos os casos de tauromaquia, dizem respeito a realidades muito diferentes; e, no âmbito da defesa dos animais, não admito que se ataque as touradas de forma isolada, separando-as dos inúmeros abusos e atropelos aos direitos dos animais que ocorrem a toda a hora, por todo o lado, desde sempre.

Esta baga diz respeito às touradas à corda terceirenses, por isso, vou abstrair-me, por ora, de referir as touradas de praça. Quanto à minha segunda linha de pensamento, não suporto a hipocrisia dominante. Atente-se nas palavras de Pedro Neves, deputado do PAN, entrevistado pelo DI no dia 4 de julho: “(…) O bem-estar animal deve sobrepor-se a qualquer tradição. Os animais são seres sencientes e não podem ser tratados como mercadoria ou objetos.” Parece um discurso muito bonito à partida, eu próprio o subscrevo, como amigo dos animais e defensor dos seus direitos e até me emociono. Mas, depois, ponho-me a pensar: Sr. Pedro Neves, os animais não podem ser tratados como mercadoria ou objetos [como nas touradas], mas que sentido faz, que não seja ideologia ou ato de fé, apregoar isso histericamente e manter um olímpico silêncio sobre o constante sofrimento animal à nossa volta? Porquê esse encarniçamento conta as touradas à corda tradicionais, que já os levou a tentar impor o seu fim por via legislativa? Porquê essa raiva contra o que de mais genuíno tem a alma terceirense? Analisemos o assunto de forma lógica e racional. Quer dizer, um toiro terceirense de corda, nascido e criado exclusivamente para esse fim, não deve sequer nascer e muito menos passar, frequentemente, todo o seu ciclo expectável de vida no paraíso bovino, quase sempre nas altas pastagens terceirenses, entre os seus congéneres, com muita erva verde e água fresca, com manadas de vacas meigas à disposição, tratado com cuidado por ser valioso para o proprietário, tendo apenas de trabalhar uns dias aqui e ali, por meia hora, entre maio e outubro. Isso é errado, é contra os interesses do bicho, extinga-se a raça, arenga o PAN. Mas não vejo o PAN dizer nada quando todos os dias vitelos são retirados às mães, fechados num viteleiro, engordados em vez de alimentados, num cruel e curto simulacro de vida, para, menos de um ano depois serem degolados, pendurados pelas patas e estripados no matadouro, a fim de satisfazer a gula humana por carne vermelha. Isto já não é, aparentemente, tratar os animais como mercadoria ou objetos. Porque não vejo o PAN a protestar todos os dias à porta dos matadouros nem o vejo a propor leis que proíbam criar e matar animais para os comer. Espero que o Sr. Pedro Neves não me venha responder com a estafada tese de que são coisas muito diferentes e de que precisamos de comer carne para sobreviver, tralala tralala. Até é verdade que são coisas muito diferentes, na medida em que é infinitamente mais cruel e desumano criar um vitelo para o matadouro do que criar um touro na Terceira para a lide de corda. E quanto à sobrevivência da nossa agressiva espécie, a necessidade de consumir carne é, no mínimo, uma questão amplamente discutível, sendo que inúmeras pessoas, e até cada vez mais, vivem longas vidas saudáveis sem qualquer consumo de proteína animal. No fundo, consumir carne é cultura, tradição e gula. Touradas à corda é apenas cultura e tradição, sem a gula.

O que aconteceu no Porto Judeu no passado dia 30 de junho foi um incidente infeliz, sem premeditação nem crueldade associados. Não sendo invulgar, não é frequente e eu sou a prova viva disso. Já perfaço 64 anos de idade e desde sempre que assisto a touradas à corda. Melhor dizendo, participo, uma vez que continuo por lá a correr nos arraiais, para ver tudo bem de perto e para fugir do animal quando é preciso.  Presenciei largas centenas de touradas em portos ao longo da vida e embora, para ser justo, tenha visto alguns toiros em dificuldades na água, nunca vi morrer nenhum. Pelo contrário, a atitude geral de pastores e populares é ajudar o toiro a nadar e a voltar para terra. A exceção é o porto de S. Mateus, onde, com frequência, os locais são brutos para os animais na água, forçando-os a saltar, tentando cavalgá-los na água e batendo-lhes no focinho. Os toiros têm má flutuação, nadam com alguma dificuldade e condeno veementemente estas atitudes. Talvez pudesse haver alguma articulação com a Polícia Marítima, em vez de ficarem apenas de braços cruzados em cima das gaiolas e a verificar licenças, podiam usar os apitos para impedir abusos deste género.

Finalmente, para não me alongar demasiado, a alegação bem ao estilo populista de que “tem aumentado muito o número de pessoas mortas e gravemente feridas nas touradas” carece de comprovação e fundamentação estatística. Sem estudos e números que os suportem, esta conversa não passa de floreado ideológico e pressuposto com interesse próprio. Por outro lado, estamos a falar de espetáculos públicos, gratuitos, de livre acesso, bem anunciados e bem assinalados. Só lá vai quem quer. Os locais têm obrigação de conhecer os riscos. E é a adrenalina de lidar com animais com mais de 400 quilos, cornos rijos e agressividade natural, em condições controladas, que constitui o principal apelo da atividade. Quanto aos visitantes, na atualidade, é muito fácil obter informação na Internet sobre estes eventos e os riscos associados. Já não vale a desculpa “eu não sabia, ninguém me disse”.

Muito mais havia a dizer, o tema da defesa dos animais sempre me apaixonou ou não tivesse eu recolhido na infância e adolescência, inúmeros animais da rua, para desespero da minha mãe. Amanhã, sábado, irei a Santo Amaro, às 18h30. E no domingo, às Doze ou ao Largo da Fontinha, se descobrir onde é, entretanto. Veio mesmo a calhar, o grito da minha marcha de S. João este ano, Olé!  Pois claro, olé toiro lindo, meu amado bicho cornúpeto, por mim jamais te extinguirás. popeye9700@yahoo.com

 

BAGA UEI TOIRO (BB 150)

Outubro 26, 2023

Tarcísio Pacheco

 

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BAGAS DE BELADONA (150)

HELIODORO TARCÍSIO          

BAGA “UEI TOIRO!!!”  – Tese: gostar de animais e defender os seus direitos é bom e é nobre. Contem comigo. Nesse sentido, não há nada de errado em ser “anti-taurino”, goste-se ou não. É o direito de opinião, uma das bases do sistema democrático que, por isso mesmo, não existe nas autocracias da Rússia, do Irão ou da Coreia do Norte. Só se exige que não se se minta nem se manipule informação, como faz a autora do blog de extrema-direita, “Arco de Almedina”, que apelidava todos os terceirenses de “doentes mentais e bêbados” e com quem tercei armas publicamente, aqui há uns anos. E como faz o PAN quando diz que “há cada vez mais pessoas contra as touradas”. Porque, se isso não é exatamente mentira, a verdade é que se trata de poucas pessoas e se reduz a um número insignificante no caso da ilha Terceira, especialmente no que respeita à nossa tourada à corda. A manipulação da informação e a forma como a apresentamos, podem deturpar a verdade. E a verdade é que, por enquanto, uma larga maioria de terceirenses ama os touros bravos e as touradas.

As manobras traiçoeiras, da parte do lobby anti-taurino têm-se sucedido, com a conivência de alguns políticos que, como qualquer bom político, vestem a camisola que lhes dá mais jeito na hora. É disso exemplo, a alteração legislativa no sentido de impedir as crianças de assistir a touradas de praça. É a cartilha do atual ministro da Saúde, que quer fazer-nos deixar de fumar, à força, no período de uma legislatura política. E para isso, vale tudo, mesmo inventar ou ocultar informação. Antes essa criatura se ocupasse da salvação do nosso Serviço Nacional de Saúde, área em que se tem mostrado profundamente incompetente.

Sempre fui amigo dos animais e pugnei pelos seus direitos, admitindo que isso se inscreve num quadro de evolução da espécie humana, necessariamente lenta, visto que somos uma espécie primitiva, brutal e agressiva, ainda que com capacidade de evolução. Por outro lado, todos nascemos num lugar onde a vida se alimenta da vida, onde todas as criaturas se consomem umas às outras. Essa é a realidade do nosso planeta, aquela com que todos deparamos quando nascemos e que não é da nossa responsabilidade.

O meu problema não é com os chamados anti-taurinos, desde que eles não mintam nem manipulem informação. Compreendo-os perfeitamente e até partilho algumas perspetivas com eles. Porém, não tenho qualquer respeito por anti-taurinos que não sejam estritamente vegetarianos; parece-me o cúmulo da hipocrisia reivindicar o fim das touradas e a extinção do touro bravo da Terceira (porque é disso que se trata, no fundo) e logo em seguida sentar-se ali no restaurante da Vinha Brava, a comer um belo bife de touro. Para correr nas ruas ou na arena, um touro de 3 ou 4 anos não serve, mas está tudo bem se, ainda novilho, for abatido no matadouro (por métodos “humanos”, claro…), esquartejado no talho e servido às partes no prato. Isto é repugnante, para além de imbecil.

Na verdade, o que mexe comigo é mais atitudes como a do PAN. O encarniçamento específico desta gente contra as touradas nos Açores é patético, absurdo e fundamentalmente estúpido. Se o PAN quer defender os direitos dos animais, não lhe faltarão causas, nos Açores, em Portugal e pelo mundo fora: todas as inúmeras unidades industriais de criação de animais para abate e aproveitamento de algo do seu corpo, a carne, sobretudo, mas também os ovos, o leite, o pelo, o couro, os ossos, os chifres, as escamas, os órgãos internos, as ovas ou o fígado gordo; a realidade medonha dos estábulos, viteleiros e aviários de produção intensiva; todos esses animais vivem brutais, cruéis e curtos simulacros de vida; todas as situações, comuns nos Açores, de cães que vivem todo a vida acorrentados ou enclausurados em pequenos canis; as inúmeras aves, concebidas para voar livremente nos céus, que vivem encerradas em gaiolas; os animais que ainda vivem em jaulas nos zoológicos; os animais que são torturados e mortos diariamente nas empresas de pesquisa médica e bioquímica, especialmente macacos e cães, mas também diversas espécies de roedores. Isto para não referir sequer os gravíssimos efeitos no ambiente a nível mundial, causados pelas grandes explorações agropecuárias. Quer dizer, é um oceano de causas a defender, se o PAN e todos os amigos de animais deste mundo quiserem entreter-se.

E se o PAN ou outra organização qualquer, defenderem a total e imediata cessação da exploração dos animais no mundo e exigirem o fim de toda e qualquer forma de crueldade contra os animais, sobretudo a criação industrial de animais para abate e consumo, seja do que for, incluindo-se aqui qualquer tipo de touradas, então, sim senhor, estarei de acordo, mesmo sendo apreciador de touradas e frango de churrasco. Porque não precisamos de consumir carne alguma para viver e aqui estaríamos perante atitudes de ética, grandeza de espírito, superioridade, bondade, compaixão, tolerância, justiça e, sobretudo, inteligência. Aí, estaríamos, de facto e finalmente, a evoluir como espécie.

Se não é este o caso, se o PAN ou outros quaisquer, se encarniçam de forma absurdamente específica contra as touradas nos Açores e especialmente na ilha Terceira, então só posso ser contra porque não consigo abordar esta questão de outra forma que não seja a inteligente e válida para a nossa realidade atual: se as touradas forem proibidas, em poucos anos, as raças de touros bravos extinguir-se-ão por completo, ou, paradoxo do absurdo, serão criadas apenas como bovinos de carne, como outros quaisquer; mesmo o touro criado para a tourada de praça, para a arena, será, sem dúvida, objeto de um determinado nível de tortura e crueldade mas até ao dia da sua entrada na arena, terá uma vida relativamente curta mas muito mais natural e feliz do que um bovino de carne; os touros bravos da Terceira, do ponto de vista da sanidade animal, sofrem efetivamente momentos de stress e lesões  físicas nas touradas à corda mas, na sua maior parte, vivem vidas tranquilas e relativamente longas, nos seus pastos do mato, onde nós passamos a admirá-los, no Inverno.

Já não será para o meu tempo de vida, mas consigo imaginar no futuro, o fim das touradas na Terceira. Dentro do quadro geral de evolução da espécie humana, isto se não nos aniquilarmos mutuamente num futuro próximo, o que me parece cada vez menos improvável. Se sobrevivermos ao holocausto, o fim das touradas na Terceira irá ocorrer um dia, por diversas razões, mas sobretudo porque as mentalidades mudaram substancialmente e as pessoas serão muito mais educadas, cultas, pacíficas, sensíveis e inteligentes, mais espirituais e menos materialistas. Seremos, então, outros, que não estes, de agora.

Entretanto, na realidade atual do mundo, que é terrível, e até ao final da minha vida, irei defender a tourada à corda da Terceira, sobretudo, sem deixar jamais de exigir o melhor tratamento possível para os nossos touros e criticar qualquer ato de crueldade ou violência desnecessários. POPEYE9700@YAHOO.COM

 

BAGAS E BAGUINHAS DE SÃO JOÃO (BB147)

Julho 05, 2023

Tarcísio Pacheco

 

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BAGAS DE BELADONA (147)

HELIODORO TARCÍSIO          

 BAGAS E BAGUINHAS DE S. JOÃO

 BAGA SANJOANINAS 2023 – Estas Sanjoaninas 2023 foram de arromba e deixo aqui os meus parabéns à organização. Foram umas festas muito concorridas e com momentos de muito brilho, com imensa gente nas ruas e um programa muito diversificado e equilibrado. Obrigado.

BAGA NOITE DAS MARCHAS – Eu próprio marchante, esperei para ver, mas, continuo a pensar do mesmo modo. Este é um dos pontos mais altos das festas, com uma adesão fantástica, quer da parte dos marchantes, quer da parte do público. Todos os anos, com tendência para agravamento, tem surgido o mesmo problema: um excesso de marchas que coloca problemas práticos e logísticos. Do meu ponto de vista, urge tomar medidas, sempre no sentido de beneficiar a festa. A atitude da CMAH foi a se anunciava e que eu esperava. Resume-se a não fazer nada “para não interferir numa iniciativa popular”, esperando que os problemas se resolvam por si. Esta é uma atitude eminentemente política, mas, na verdade, não fazer nada é também uma atitude e bastante cínica, por sinal. Porque a jogada da CMAH era bastante clara. É praticamente impossível gerir as 42 marchas que se apresentavam à partida. Então, a opção da CMAH foi ficar quieta e calada, esperando que algumas marchas desistissem, sobretudo por o sorteio as ter colocado nas últimas posições, mas também por outros motivos diversos. Foi a decisão da nossa marcha, a da TerDança, colocada na 37.ª posição. Acabámos por desfilar na mesma, com muito gosto, na marcha de S. Bento, que nos recebeu com muita gentileza e simpatia. O sucesso das duas marchas que desfilaram forçosamente no dia seguinte, após as marchas infantis, a de Santa Bárbara e uma de S. Miguel, pode apontar numa direção desejável.

Já elenquei aqui nestas páginas as opções que podem estar em cima da mesa. Mas continuo a pensar, firmemente, que deve haver um regulamento das marchas, que eu próprio classifico como de muito difícil produção, mas que deve ser tão consensual quanto possível. Caso contrário, a tendência será termos todos os anos este regabofe, esta confusão e a CMAH a empurrar o problema para a frente com a barriga. Que coisa!

BAGUINHA MUSICAL – Como melómano (a música é alimento para a alma), a oferta musical das festas tem sempre a minha melhor atenção. Certas noites, optei por ficar pelo palco da marina e aproveitar as excelentes bandas locais que por lá passaram, com grande animação e adesão do público. Deixo aqui um conselho ao vocalista da belíssima banda do Antero Ferreira & Filhos, um rapaz com uma voz fantástica, que já sigo há muito tempo: rapaz, bebe menos whisky antes dos concertos, fala menos (é verdade, és bastante chato, pelo menos tens noção disso) e não é preciso tanto palavrão. Noutras noites, fui até ao Bailão, já que compro sempre a pulseira. Tento sobretudo ver o que não conheço. Foi assim que comecei logo com a Bárbara Bandeira. Não tenho muito a dizer. A produção intensiva de música para telenovelas, a que até Paulo Gonzo sucumbiu, é uma fonte segura de receita. É bom para quem gosta de novelas. É o filão melopop (neologismo meu para música enjoativa e repetitiva). Por suspeitar que o Nuno Qualquer Coisa era mais do mesmo, já lá não fui. A noite das bandas tributo dos Nirvana e Linkin Park foi excelente e muito concorrida. O Nininho Vaz Maia foi uma ótima surpresa, um cantautor muito genuíno e orgulhoso das suas raízes, o que só lhe fica bem. Apresentou-se com ritmos latinos e quentes, a lembrar os sempiternos Gipsy Kings e com uma dupla de apoio vocal extremamente agradável à vista. Porém, as letras são bastante apimbalhadas e ao Nininho falta potência vocal, o que é pena. Fui também ver o Jovem Dionísio, do Brasil. Não sabia bem o que é indie pop e menos ainda bedtime pop. Agora já sei, é música agradável e simpática, para adormecer. Ouvi 5 temas, quase iguais e fui-me embora, para o cais da Alfândega, curtir música do mundo variada, com o Antero Ávila e companhia.

Tenho muitas saudades do tempo em que o cartaz musical das Sanjoaninas era selecionado por uma comissão de gente com bom gosto, como o meu amigo Duarte Dores. Agora, quem escolhe é gente profissional que, gerindo o orçamento de que dispõe, contrata as “tendências do mercado”, sobretudo do mercado jovem, sobretudo da faixa das pitas.

BAGA TOY – Baga quem? O Toy não era aquele cachorro dos livros dos Sete, da Enyd Blyton? Eu gostava desse bichinho…POPEYE9700@YAHOO.COM

 

BAGA MARCHAS DE S. JOÃO (BB146)

Abril 18, 2023

Tarcísio Pacheco

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BAGAS DE BELADONA (146)

HELIODORO TARCÍSIO          

 

BAGA MARCHAS DE S. JOÃO – O texto que se segue é importante, mas apenas no contexto da cultura e da vida local, nomeadamente na ilha Terceira.

Vai sendo tempo da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo (câmara) se organizar e tomar decisões de fundo no que respeita à organização das marchas de S. João das Sanjoaninas.

As marchas de S. João foram uma novidade do pós-sismo de 80 e tiveram tal aceitação e crescimento nos anos seguintes que, hoje em dia, ninguém imagina as nossas festas sem a noite de S. João e as suas marchas. Tornou-se uma das atrações fundamentais das festas, a par da música, dos cortejos, das tascas ou das touradas. No entanto, no que respeita às marchas, há anos que se vinha registando problemas, devido ao elevado número de marchas inscritas, com tendência crescente, ano após ano. No interregno da pandemia, o problema não se colocou. No ano passado, o regresso das marchas foi algo tímido. Mas, em 2023, as marchas voltaram em força, com um total de 42 marchas inscritas, sendo que 13 delas são “de fora”.

É óbvio que um tão grande número de marchas coloca sérios problemas de organização, especialmente à câmara, “mãe” das nossas maiores festas concelhias. São problemas de difícil solução. Levantam questões complicadas como fazer desfilar 42 marchas num período de tempo minimamente aceitável, para os marchantes e para o público e, por exemplo, como conciliar o término do desfile com a usual festa popular de sardinhada, fogueiras e folia na rua de S. João.

Como há, naturalmente, muita dissonância nas opiniões, que vão desde a mais tolerante e topa tudo (vamos marchar e há de ser o que Deus quiser) até às mais radicais, como não aceitar marchas “de fora” ou remetê-las todas para uma noite de S. João B no dia seguinte, este ano,  instalou-se uma grande balbúrdia, com muita discussão, críticas e queixas. Dizem-me também que até há um regulamento das marchas mas que a câmara não o está a aplicar.

Ora bem, reconheço as dificuldades para resolver os problemas e não tenho nenhuma solução milagrosa, que me dera, mas, não a tenho. Sinto até mesmo dificuldade em emitir uma opinião firme porque há diversas soluções, umas mais inteligentes e criativas do que outras, sendo que algumas me desagradam e até mesmo me repugnam, especialmente as que estão eivadas de radicalismo regionalista, como excluir as  marchas “de fora” ou tratá-las de forma discriminatória.

Aquilo que venho dizer, sobretudo, é que é preciso que a câmara tome decisões a este respeito. Em minha opinião, é necessário criar um Regulamento das Marchas de S. João, definitivo e impositivo. Para que não seja uma coisa à russa ou chinesa, convém que seja minimamente consensual. Como não é possível que todo o concelho o discuta, acho mais correto que a discussão ocorra no âmbito da Assembleia Municipal, onde todas as freguesias do concelho estão representadas. Até porque, depois de haver uma proposta de regulamento, as juntas de freguesia podem auscultar a opinião dos seus fregueses sobre este assunto. Embora possa parecer lógico e desejável que representantes das marchas participem da discussão, não considero isso viável, uma vez que, embora haja marchas que participam regularmente e há muito tempos, outras há que são efémeras e transitórias. Quem vem “de fora” é bem-vindo (na minha ótica) mas quem tem de decidir as regras é a câmara e o povo do concelho.

Duma coisa estou certo, um regulamento cem por cento consensual será impossível. Haverá sempre muita discordância e crítica. Mas, depois de redigido, fechado e aprovado, com o tempo, as pessoas habituar-se-ão às normas instituídas. Aqui temos mesmo de ser rigorosos. Quem não concordar com o regulamento, pois tem a opção de não participar das marchas.

Esse regulamento terá, forçosamente de escolher entre diversas opções, sendo possível até optar por soluções mistas. Segue-se uma lista de opções possíveis, tal como as vejo. Não defendo nenhuma em particular, no momento, limito-me a elencá-las: manter tudo como está, como sempre foi, o percurso de sempre, uma única noite de S. João, a 23 de junho, um único desfile de marchas, independentemente do número de marchas e da hora de término do desfile; fazer dois dias de desfile, um a 23, outro a 24, depois das marchas infantis, que poderiam começar mais cedo; fazer um segundo desfile de marchas noutra noite que não a de 24; mudar o percurso, reduzindo-o, excluindo a rua de S. João e a dos Minhas Terras (o ponto fraco e mais polémico do percurso); iniciar o desfile muito mais cedo, ao final da tarde, em vez de ser ao início da noite; reservar o desfile de 23 para as marchas da ilha; estabelecer um número máximo de  marchas; excluir as marchas de fora da ilha.

Fazer este regulamento não será uma tarefa fácil. Mas é algo que tem mesmo de ocorrer. Para se acabar definitivamente com a confusão e regabofe atuais, com provável reedição todos os anos.POPEYE9700@YAHOO.COM

 

BAGA PAN PAN PAN (BB136)

Julho 11, 2022

Tarcísio Pacheco

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imagem em: Touradas à corda representam 2,47% do PIB dos Açores - NATURALES (naturales-tauromaquia.blogspot.com)

BAGAS DE BELADONA (136)

HELIODORO TARCÍSIO          

BAGA PAN PAN PAN – O título da baga de hoje é uma onomatopeia, mas não tem nada a ver com o nome do partido, é o som de um toiro do Humberto Filipe (esse é único partido a que pertenço), daqueles bem grandes, às marradas no deputado do PAN que o quer condenar à não existência. Arreia-lhe pra baixo, meu bicho lindo, não te acanhes.

Creio ter-me cruzado recentemente, nestas páginas com uma notícia sobre uma proposta legislativa do PAN no sentido de acabar com as touradas em todas as ilhas onde elas ocorrem. Dei-lhe a pouca atenção que me merece. No entanto, é uma oportunidade para, mais uma vez, me referir a este assunto.

Para que não haja dúvidas, sou um acérrimo defensor da tourada á corda da Terceira, deixando de lado, por enquanto, a tourada de praça, por sempre ter achado que são bastantes diferentes, nos seus pressupostos e implicações.

Defendo a tourada à corda com paixão, mas não a invoco no meu argumentário porque as paixões de uns são os ódios de outros, o que é perfeitamente compreensível e aceitável. Tento defender a tourada à corda com argumentos racionais e que fazem sentido, pelo menos para mim. Por isso, sinto-me à vontade para dizer que defender de forma isolada o fim das touradas à corda nos Açores, é uma patetice sem nexo. Tivesse o PAN incluído esta questão num rol imenso de problemas que afetam o bem-estar animal e já seriam coerentes. O PAN exige que se acabem todas as touradas nos Açores. Se, por exemplo, ao mesmo tempo, exigisse que se acabasse definitivamente com a criação de animais para abate e consumo humano, se almejassem acabar com o bife à portuguesa, a costeleta de novilho, a alcatra, a morcela, as linguiças e a bifana, essa instituição regional e quisessem pôr toda a gente a comer couves e cenouras com arroz, eu rir-me-ia de tal candura, mas aplaudiria a coerência. Assim, resta a singela patetice.

O meu primeiro argumento, não o é, na verdade, é apenas um facto que, como tal, não é escamoteável. O toiro de lide terceirense, só existe porque, com o tempo e muito trabalho, se apurou a raça e as suas características de bravura, através do cruzamento, da melhoria genética, do maneio no mato e da própria lide regular que mantém o animal num estado de apuro e vigília, que permanece nos seus genes e é transmitido à descendência. É por isso que o fim das touradas seria o fim do touro, mesmo que se conservassem alguns exemplares, para as fotos turísticas. É isso que o PAN na verdade propõe, o fim do touro bravo terceirense. Não me parece que os principais interessados, os animais, podendo, votassem pelo fim da sua própria existência. Adiante, que isto não pode ser apresentado como argumento, numa dinâmica de dialética inteligente.

Por outro lado, não me faltam argumentos. Deixando de lado a não existência, que é simplesmente estúpida e mata a discussão à nascença, ao toiro terceirense, restaria apenas a opção de servir para bifes, o que já acontece, aliás, nalguma medida, uma vez que a carne de toiro tem mercado. E se um toiro só tiver estas duas opções, o matadouro ou a corda, se o animal pudesse escolher, não tenho dúvidas sobre essa escolha. O bovino de carne tem uma vida curta e inglória, apenas um cruel simulacro do que poderia ser a sua vida de ruminante livre num mundo sem predadores. Mais tarde ou mais cedo é arrancado aos pastos verdes ou à prisão do estábulo para ser trucidado por métodos “humanos” nos matadouros. Quanto ao toiro terceirense, tem uma rica vida, a que eu queria para mim, se tivesse nascido com um par de chifres. Passa a maior parte da sua vida feliz e despreocupado no mato, no seu ambiente natural, não lhe falta erva tenra, ração quando é preciso e muita água fresca. Para outras necessidades, abundam as vacas lindas, pestanudas e submissas. Por outro lado, como os neoliberais adoram lembrar, “não há almoços grátis”. Em contrapartida da bela vida, aos toiros é exigido que, de maio a outubro, de dez em dez dias, na pior hipótese, corram pelos arraiais da ilha, sofrendo umas arrelias da populaça, uns puxões da corda e umas quedas no asfalto, contribuindo com a sua parte para a vida em sociedade. É isto um destino cruel? Não me parece…se revelarem qualidade, terão uma longa e protegida vida, uma vez que serão ativos valiosos para o ganadeiro. Se tiverem um comportamento medíocre, poderão realmente acabar no matadouro, mas ainda assim, terão tido uma vida mais longa e infinitamente melhor do que um bovino de carne. Estão, como todos nós, sujeitos à pressão da competitividade, o que até costuma ser encarado como um fator positivo. Há aqui o que Rousseau teria chamado de “contrato social”, com direitos e deveres.

Quanto ao PAN, prefere que os toiros não existam ou que passem a ser projetos de alcatra. Por isso, o que é que os do PAN merecem? Marradas, muitas marradas.

E agora, foguetes pró ar que hoje há tourada rija na Casa da Ribeira, com quatro puros e eu estarei lá com certeza, com a minha Maria, de calções e ténis, a correr na rua e a prestigiar esses belíssimos animais, que muito admiro e prezo. Viva o toiro bravo terceirense! POPEYE9700@YAHOO.COM

 

BAGA DEIXEM O ENTRUDO EM PAZ (BB97)

Fevereiro 11, 2020

Tarcísio Pacheco

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BAGAS DE BELADONA (97)

HELIODORO TARCÍSIO

 BAGA DEIXEM O ENTRUDO EM PAZ - Por estes dias, ficámos a saber que a tia Rosa já passou os 80 mas está fresca que nem uma alface; que quis ir comemorar o aniversário num cruzeiro e que se dispunha a deixar o marido em casa porque assim como assim “nunca quer ir para lado nenhum”; que levou a filha para lhe fazer alguma companhia, mas que a lambisgoia não fez outra coisa que não fosse atirar-se ao comandante, naquela velha paixão por fardas. Que a tia Valquíria fica agarrada ao feissebuque todo o santo dia, atenta a tudo o que é publicação e comentário na freguesia; que montou espera ao carteiro porque, entusiasmada,  mandou vir cerâmica erótica de Caldas da Rainha (e o carteiro que não havia maneira de chegar…); que, farta de trabalhar, deixa a lide de casa toda por conta da filha e que esta, talvez por desfastio, embora nunca faça transpirar o marido, é vista a sair diariamente com abundante transpiração da casa de um tal João, não constando que pratiquem Zumba por lá. Que as fardas da marinha são bem garbosas (neste bailinho é que a filha da tia Rosa se ia consolar); que um rapaz do meu tempo de Liceu que sempre conheci por Borges, tem um vozeirão bem afinado, destinado a gritar ordens num convés, mas que fica igualmente espetacular a cantar em cima de um palco. Que muitos velhinhos são abandonados pelas famílias nos lares de terceira idade e que nem todos são bem tratados por lá. Que uma senhora que tem, naturalmente, uma cara cómica, é capaz de fazer uma belíssima rábula da Beatriz Costa. Que a incrível escola de pandeiros de Santa Bárbara está bem viva e nos mostra um maravilhoso, saudável e cada vez mais raro convívio intergeracional. Que muitos idosos têm uma memória que causa inveja aos mais novos. Que velhos são os trapos; que enquanto por aqui se anda, com um mínimo de saúde, é fundamental celebrarmos a aventura da vida; que não há nada melhor para isso do que a música, a dança e o riso.

Tudo isto são apontamentos do Carnaval Sénior da ilha Terceira de 2020, a crescer a cada ano em qualidade e popularidade, cada vez mais uma introdução obrigatória ao nosso carnaval. Uma espécie de saborosa entrada antes do prato principal.

Classificar o nosso carnaval como Património Cultural Imaterial está muito bem. Não é mais do que reconhecer, com toda a justiça, a importância e relevo desta festa entre nós, vivida de um modo único.

Quanto ao resto, confesso que tenho medo. Há duas manobras que estragam facilmente as coisas boas da vida: excessiva regulamentação, quase sempre com o pretexto da “segurança” e economicismo, fazer passar tudo pela ótica do lucro. Devemos deixar o Carnaval terceirense fluir naturalmente, permitindo que as pessoas organizem as coisas como sempre fizeram. Há inovações naturais porque a vida é assim mesmo, um processo imparável de evolução. E nenhuma discussão pode ser proibida, é sempre salutar trocar ideias e auscultar diferentes opiniões e sensibilidades. Por outro lado, devemos estar atentos a situações que podem começar a matar o Carnaval terceirense, nomeadamente as transmissões pela Internet. Quanto a isso, não tenho muitas dúvidas. Os cenários naturais das nossas danças e bailinhos de Carnaval são os salões das sociedades recreativas espalhados pela ilha. Essas salas têm de estar cheias e animadas. Por isso, as transmissões em direto, salvo raras exceções, são perniciosas e devem evitar-se.

Além disso, gela-se-me o sangue quando vejo associar turismo e Carnaval ou começam a circular conceitos como “exploração turística” ou “rentabilização económica”. Se algum dia começarem a aparecer “pacotes” do Carnaval terceirense para turistas ou se montarem bailinhos em espaços grandes especificamente para turistas, será o princípio do fim.

Nunca vi o Carnaval terceirense como vendável turisticamente. As danças de Carnaval envolvem música e dança, expressões artísticas universais, mas passam sobretudo pela comédia satírica em português. Por isso, logo aqui, a limitação da língua é fundamental. Começamos a ter turistas todo o ano e isso é, provavelmente, um fenómeno imparável, à escala mundial, limitado apenas por questões de segurança e de clima. Mas o turismo desenfreado e sem limites já começa a trazer problemas graves, um pouco por todo o mundo. A solução não é proibir nem censurar, mas sim usar diferentes mecanismos para criar equilíbrios, sem inventar muito.

Sempre fomos hospitaleiros e devemos continuar a sê-lo, até porque, cada vez mais, todos somos turistas de vez em quando. Mas, no que respeita ao Carnaval, os turistas é que têm de se adaptar às nossas práticas, não é o nosso Carnaval que se deve tornar “turístico”. Por isso é que digo, deixem o Entrudo em paz, não inventem.popeye9700@yahoo.com

 

BAGA ATÉ QUANDO TERCEIRENSES? BB (90)

Dezembro 12, 2019

Tarcísio Pacheco

 

Terceira (1).jpgimagem em: https://www.publituris.pt/2019/01/08/programa-acores-recebe-bem-arranca-esta-quarta-feira/

BAGAS DE BELADONA (90)

 

HELIODORO TARCÍSIO

 

BAGA ATÉ QUANDO TERCEIRENSES??? – A recente notícia sobre um voo com turistas “de luxo” que viu recusada a permissão para uma escala técnica que incluía reabastecimento com os passageiros a bordo – algo comum na atualidade – no aeroporto das Lajes e acabou reencaminhado para o aeroporto de Santa Maria, vem de encontro ao que escrevi há pouco tempo sobre a desgraça da ilha Terceira e sobre a revolta e indignação que todos os terceirenses, menos os coniventes, deviam sentir e manifestar.

Não me quero transformar num desses oposicionistas militantes para quem tudo o que vem do governo em funções está sempre mal. Também não quero vestir o colete lilás do terceirense bairrista porque amo estas ilhas e quero o melhor para todas e para cada uma delas. Menos ainda me move o interesse específico pelo “turismo de luxo”, seja lá o que isso for, porque nunca alinhei no discurso aparvalhado, ignorante e saloio do “turismo que interessa”. Todos os turistas me interessam, desde que sejam ecológicos, educados, respeitadores bem-intencionados, em quantidade limitada e não excessiva.

 O que quero é, na verdade, muito simples. Quero que cada comunidade seja soberana no seu espaço e dona do seu destino. Vou ser brutalmente claro: como cidadão e como terceirense, não quero um aeroporto militar com uma janelinha para a atividade civil; quero exatamente o contrário, exijo, aliás, o que é direito meu exigir, exequível ou não, um aeroporto civil a sério nas Lajes, eventualmente com algumas facilidades para a Força Aérea Portuguesa. Já chega de brincar aos aeroportos civis. Isto não é um jogo da Lego. A grande razão para existir um exército num país é defender os seus cidadãos em caso de guerra ou agressão externa. Em tempo de paz, os militares devem ser quase invisíveis e não prejudicar o resto da sociedade de forma nenhuma. O facto do aeroporto das Lajes ter sido originalmente construído como pista militar tornou-se uma espécie de danação eterna, parece coisa bíblica. S. Miguel vibra com isso, claro e aproveita-se. Quanto à Força Aérea Norte-Americana, vou continuar a ser monstruosamente claro: não os quero cá, já nos fizeram mal suficiente; a única vantagem da sua presença nesta ilha, atualmente, consiste na manutenção de alguns postos de trabalho, em número cada vez menor. Poluíram a nossa ilha, envenenaram os nossos aquíferos, (e ainda a procissão vai no adro neste campo), transformam-nos num alvo militar, não nos trazem benefícios importantes e comportam-se como aqueles inquilinos selvagens que deixam de pagar a renda e se recusam a sair. Mantêm-se na ilha quase à força, aproveitando-se do seu estatuto autoritário no mundo, da sua riqueza material, do seu poderio militar, da chantagem com a nossa comunidade emigrante e da miserável subserviência do governo português, dando-se ao luxo de usar pobres e claríssimas manobras de bluff para manter um pé dentro e um pé fora. Por mim, saíam e era já, haveríamos de sobreviver, como sempre.

Quanto à razão invocada para recusar a escala técnica nas Lajes, o corpo de bombeiros do aeroporto pertencer aos americanos… seria brincadeira, se não fizesse parte de um plano para subjugar e secundarizar toda uma ilha, outrora orgulhosa. Mais uma vez, isto parece uma ilha dos EUA. E não há um quartel de bombeiros na Praia da Vitória? Não têm formação para atuar em aeroportos? E porque não a recebem? Nos aeroportos das outras ilhas não são bombeiros portugueses e locais a fazer o serviço de aeroporto? Na hora de invocar razões para manter a Terceira espartilhada e amordaçada, nunca faltam argumentos.

Aproveito para esclarecer que também não quero cá os Chineses, cujo regime político me enoja. Quero cá os Terceirenses e quaisquer outros, de qualquer cor ou origem, que sejam pacíficos, que venham por bem e que sejam democratas. O que não é o caso chinês. Falo do governo chinês e dos seus militares, obviamente. A proliferação de lojas chinesas, que ameaça tornar o centro de Angra numa Chinatown é uma questão comercial e cultural, que não é para aqui chamada, de momento (mas teria muito a dizer sobre o assunto).

Não devemos ter medo de chamar os bois pelos seus nomes. Há culpados, bastantes, para a triste e cada vez pior situação da ilha Terceira: o nosso cada vez mais insuficiente Estatuto Autonómico; o Governo da República porque é centralista e subserviente, independentemente das suas cores ou líderes; o Governo Regional porque é subserviente também, com Lisboa e com os EUA e porque tem promovido um desenvolvimento centrado na ilha de S. Miguel, de uma forma absolutamente descarada e quase grotesca; o governo dos EUA porque é maléfico, maquiavélico e só se preocupa com os seus interesses; a Força Aérea Portuguesa porque só  atende os interesses militares, tem demasiado poder nas Lajes e prejudica frequentemente a Terceira; políticos terceirenses, bem identificados que, por interesse pessoal e fidelidades partidárias, são coniventes e cúmplices na situação e, finalmente, o próprio povo terceirense que, alegria e festas à parte, é uma das comunidades mais apagadas, alheadas, inertes e acomodadas de que tenho conhecimento. Se não for uma doença na família ou uma pancada no carro, nada parece mexer com esta gente que nunca tem opinião sobre coisa nenhuma. Limitam-se a respirar, dia após dia. Para ser socialmente correto, como no conhecido caso da marquesa que bateu com o peitoral na mesa, indignem-se, chiça! popeye9700@yahoo.com

BAGA (A DO COSTUME)

Junho 04, 2019

Tarcísio Pacheco

vao à merda.jpg

imagem em: http://blogviniciusdesantana.com/abstencao-no-brasil/

BAGAS DE BELADONA (76)

 

HELIODORO TARCÍSIO   

 

BAGA (A DO COSTUME) -  Nas últimas eleições, para o parlamento europeu, foi pior do que nunca, em termos de abstenção. A reação dos políticos dos partidos foi a saída hipócrita do costume: ficam muito preocupados com a abstenção eleitoral, consideram urgente fazer alguma coisa, prometem tirar ilações e entregar-se a profundas reflexões e meditações sobre o assunto. Se eu juntasse as vezes em que os políticos dos partidos ficam muito preocupados com a abstenção e prometem meditar sobre o assunto e tirar ilações, já dava para abrir um grande mosteiro meditativo no Tibete e a raça da ilação estaria em risco de extinguir-se. Suma hipocrisia dos políticos, eles estão a borrifar-se para a abstenção, o sistema continua a permitir-lhes o acesso ao poder e é isso que eles querem, acima de tudo. Eleitos por 10% ou por 100%, é-lhes igual, são eleitos na mesma.

Vejo várias razões para o desinteresse dos cidadãos pelo seu futuro. Mas a verdade é que os partidos políticos, sobretudos os tradicionais, do “centrão” ou “arco do poder” (uma expressão bestialmente estúpida, muito querida de Cavaco Silva), não têm, há muito tempo, nada de novo para oferecer aos eleitores. Propõe mais do mesmo, um mundo em que, sob o engodo vago e fácil do “progresso” , do “desenvolvimento económico” e da “liberdade”, se manipula as pessoas de forma abjeta; cria-se um rebanho alienado e apático, viciado em novelas, concursos, carros, futebol, moda, shoppings, fast-food, e jogos de vídeo que, na sua maioria, sai para trabalhar todos os dias, para sustentar a riqueza dos donos do mundo, um punhado de vermes capitalistas, agora já não gordos porque frequentam o Holmes e têm saunas finlandesas em casa. Os ricos agora são magros. Outros partidos, mais pequenos, vão aparecendo com mensagens diferentes, mas não é, frequentemente, nada que preste.

Acredito que os Açorianos não foram votar por vários motivos: desinteresse e desilusão com o sistema político-partidário; sentimento de impotência para alterar alguma coisa, uma vez que o sistema só admite que se vote em partidos e está firmemente blindado contra qualquer alteração; desconfiança das instituições europeias; ignorância simples, alienação, apatia, falta de educação e de cultura; falta de noções de cidadania e de participação cívica. O caso dos simpáticos e festivos Terceirenses, dos quais faço alegremente parte, é especialmente paradigmático. Tudo parece passar-nos ao lado e está tudo bem desde que seja ao som de foguetes. Quatro exemplos interessantes: a) soubemos há algum tempo que Força Aérea dos EUA andou, desde os anos 50,  a envenenar o nosso ambiente de forma nojenta e totalmente amoral, com total desprezo pela ilha que os acolheu  e que há hipóteses disso ter relação com incidências anormais de cancro; b) dependemos totalmente dos aviões para sair daqui e para receber visitantes e foi preciso andar anos a rastejar,  a ver o aeroporto de Ponta Delgada a crescer para todos os lados menos o do mar, para que os políticos se dignassem a iniciar o processo de certificação civil das Lajes, processo sempre conduzido, até agora, devagar, com incompetência e com má vontade; c) o Governo da República prepara-se para fazer o que quiser do mar dos Açores, precioso para nós, ilhéus,  aqui isolados no meio do Atlântico Norte,  sem dar qualquer cavaco à Autonomia; d) assistimos há 20 anos ao estabelecimento de um projeto político regional centralizador, com epicentro na ilha de S. Miguel, em que o mantra do “desenvolvimento harmónico” não passa de uma paródia para enganar tansos. Pois bem, tirando os políticos oposicionistas, meia dúzia de opiniosos e o Diário Insular, os Terceirenses nunca pareceram especialmente incomodados com nada disto. Não que eu não goste de festas, atenção, sou muito festeiro. Mas iria apoiar, de certeza, qualquer projeto que propusesse mandar os EUA pastar para casa, tornar as Lajes um aeroporto CIVIL, sermos nós a mandar no nosso mar e mudar a Constituição Portuguesa e o nosso Estatuto Autonómico, de forma a que passássemos a ser uma federação de ilhas com uma forma de gestão completamente diferente e uma autonomia muito mais alargada.

Desempenhando o papel de advogado do Diabo, se eu estivesse do lado do sistema, pensaria seriamente em tornar o voto obrigatório, como já acontece em outros lugares. Isso significa ameaçar com represálias severas os abstencionistas, só funciona assim. Funcionaria com a maioria das pessoas. Até comigo funcionaria. Sendo eu um abstencionista muito antigo, absolutamente convicto e ideologicamente sustentado, que jamais voltará a votar num partido político, se ameaçado, votaria. Nulo, mas votaria. POPEYE9700@YAHOO.COM

 

BAGA TAUROMÁQUICA 3

Dezembro 11, 2018

Tarcísio Pacheco

2004-Tourada6.jpg

imagem em: http://philangra.blogspot.com/2016/01/touradas-corda-na-terceira.html

 

BAGAS DE BELADONA (62)

 

HELIODORO TARCÍSIO

                  

BAGA TAUROMÁQUICA 3 – Para fechar com chave de ouro esta trilogia de bagas tauromáquicas, só podia ser mesmo com a tourada à corda terceirense. Está no nosso ADN e é um dos cromossomas mais relevantes da nossa identidade enquanto povo e comunidade. Isto, só por si, não quer dizer grande coisa sobre a sua bondade. Iríamos cair de novo naquele problema da “tradição”, um conceito muito maleável, com tendência para atribuir rótulos vitalícios e inatacáveis. Em texto anterior, vaticinei o fim da tourada de praça, num futuro mais ou menos longínquo. Quanto à tourada de corda, a minha previsão é bastante mais otimista. E a razão fundamental para isso é o equilíbrio intrinsecamente benevolente desta fortíssima tradição popular. Para já, não gera os anticorpos da tourada de praça, muito menos a nível local. São, por enquanto, bastante raras as vozes críticas. São mais comuns as opiniões indiferentes, daquele tipo de pessoa a quem tudo passa ao lado, aqueles a quem nas Sanjoaninas se pergunta “Home, foste à festa?” e eles respondem com ar enfastiado “Home, cá nada, fui uma pisca no dia das marchas porque a mulher e as pequenas queriam ir por força, foi um penar pra estacionar” …Dizem algo de semelhante relativamente às touradas à corda. Usam os dedos de uma mão e os neurónios disponíveis para contar aquelas a que vão e gabam-se de fazer sempre as mesmas coisas, da mesma maneira, como se isso fosse alguma qualidade. Depois há os intelectuais, que são superiores a estas coisas e a gente fina que não se “rebaixa” a comparecer nas diversões do povo, excetuando a tourada de S. Carlos. Mas, em geral, a maioria dos terceirenses gosta, de todas as idades e faixas sociais. Não é algo que seja “mais para os velhos”, estão lá todos. O futuro parece garantido. É sobretudo FESTA, um conceito caro para a maioria dos terceirenses, um dos povos mais felizes do mundo, apesar dos Americanos e do governo de S. Miguel. Quem não conhece alguém aqui na ilha que está sempre a dizer “eu cá quero-me é rir” … Tourada à corda tem tudo o que é bom lá dentro, a beleza e o poder do touro, a amizade, o convívio, a animação, os comes e bebes, a emoção, o riso e a coragem. Também tem perigo e adrenalina, faz parte e dá o contraponto, diferencia-a de outras festas, concede-lhe os seus atributos únicos. Afinal, estar vivo é bastante perigoso, está provado que os vivos morrem com frequência. E é bom para a economia da ilha e toda a gente sabe que uma coisa que dá dinheiro (sem ser ilegal) é boa e está na moda. Por isso mesmo é que o Governo, cheirando-lhe a dinheiro já andava a abusar nas taxas e impostos.

Acima de tudo, a tourada à corda é boa (e quero terminar assim) porque é um excelente negócio para um touro. Se, para castigo dos meus inúmeros pecados, tivesse de renascer bovino, ia pedir para, ao menos, ser um touro de corda na Terceira. São os touros mais felizes do mundo. Há muitos anos, o meu filho Rodrigo, agora com quase 27 anos, tendo-lhe sido perguntado qual dos 3 Porquinhos queria ser (o da casa de palha, de madeira ou de pedra) com óbvias e pedagógicas intenções, o miúdo respondeu “Eu não quero ser porco!”. Por isso, se algum leitor pensar “eu não quero ser touro” eu entendo e não levo a mal. No fundo, eu também preferia ser uma preguiça ou uma arara. Mesmo assim, aqui fica o repto, se tivessem de ser bovinos (porque sim, paciência), o que preferiam? A: ser um bovino de carne, separado imediatamente da mãe, condenado à prisão desde a nascença, alimentado a ração no cubículo de um viteleiro, sem nunca ver o sol e abatido “humanamente”  como novilho entre os 9 e os 14 meses; B: um touro continental, destinado à corrida de praça, criado em relativa liberdade nas lezírias ribatejanas, levado à arena ao cabo de 4 ou 5 anos e dali conduzido ao matadouro depois de um sessão de tortura sangrenta que é o clímax da sua vida; C: um toiro terceirense de corda, criado em liberdade no mato, com muita erva e água fresca, rei e senhor de um harém de belas vacas de desfrute, que trabalha de Maio a meados de Outubro, um dia a cada 10, no máximo, se estiver de saúde e se sentir bem (porque tem “médico de família”) e que morre no seu tempo,  de morte natural, se não tiver acidentes, como qualquer humano?

Eu não teria dúvidas em escolher e você, leitor?POPEYE9700@YAHOO.COM

 

 

BAGAS DE BELADONA (42)

Janeiro 18, 2018

Tarcísio Pacheco

toiro 2.jpeg

 imagem em: https://www.playgroundmag.net/food/Vuelve-estrenarse-pelicula-antitaurina-Disney_0_1949805013.html

 

BAGAS DE BELADONA (42)

 

 

HELIODORO TARCÍSIO

 

BAGA EXTREMA – Sempre me incomodaram conceitos como “bloco central” e “arco de governação”. Bloco central, por pretender incluir toda a gente numa massa amorfa e cinzenta, sem alma, onde estão todos de acordo, onde o que conta é o que é “melhor para o país”, seja lá o que isso for e onde não há discordância nem diversidade; a imagem de um pântano estagnado onde proliferam mosquitos oportunistas; um buraco negro que suga toda a luz e toda a energia. Arco de governação, por pretender excluir a diferença, a originalidade e, frequentemente, o talento e a inteligência; invenção de nativos do Cavaquistão para afastarem quem desequilibra os seus estreitos universos mentais. Posto isto, adorava que certos políticos, sempre os mesmos, deixassem de se referir à esquerda política portuguesa como extrema-esquerda. Não me incomodaria tanto se referissem o CDS-PP como “extrema-direita”, o que nunca acontece. O PC e o BE são partidos democráticos de esquerda. O CDS-PP é um partido democrático de direita. É difícil falar de partidos extremistas em democracia, pela simples razão de que aqueles são, em geral e por natureza, antidemocráticos. Um exemplo de partido extremista, travestido de democrata, por não ter outro remédio, é a Frente Nacional, da Le Pen. Não temos nada disso em Portugal. O mais radical é que temos é coisas como certas claques do FCP. Tinha ideia de que Rui Rio é bem mais inteligente do que Passos Coelho, embora isso não seja nada difícil. Mas o homem, além de vir com lirismos do tipo “ganhar eleições com maioria absoluta”, já veio também com o discurso estafado da “extrema-esquerda” e do “arco de governação”… Nisso, pouco diferia de Santana Lopes. Aliás, no que é que diferia mesmo? Ah, já sei, não tem um passado de dandy vagamente simpático, geralmente inofensivo e bastante cómico quando tenta fazer de estadista sério e profundo.

 

BAGA UEI TOIRO – Na aviação, é de fulcral importância fazer a check-list (que é o universalismo para lista de verificação) antes da decolagem. A propósito da notícia recente sobre a histeria agressiva do Movimento pela Abolição da Tauromaquia de Portugal relativamente à tourada à corda terceirense e à proposta para a sua inclusão na lista do Património Cultural Imaterial, lembrei-me de fazer uma check-list para a tourada à corda: toiros: check; ganaderos: check; pastores: check; afición: check; capinhas: check; veterinário: check; PSP (gratificada): check; papelada, há-de aparecer: check; pastagens verdinhas: check; água: check; festas de Verão: check; mordomos: check; gaiolas: check; cordas: check; foguetes: check; tascas: check; bifanas e cerveja: check; fita chinesa para os riscos: check; gajas giras nos muros: check; turistas, depende da Ryanair, da Delta e, infelizmente da SATA mas ok, check; sol, hummm, ok, quem sabe, vamos arriscar: check. E pronto, está feita a check-list da nossa tourada à corda. Está tudo, pelo menos o que é importante. O que não está nem é importante é a integração na lista do Património Cultural Imaterial e ainda menos a  opinião dos abolicionistas. A tourada à corda é nossa e havemos de a fazer enquanto a maioria de nós quiser. É Património Cultural Imaterial, classificado ou não. Porque no dia em que deixarmos de mandar nas nossas tradições, no dia em que gente como Santos Silva, o Trampa e abolicionistas radicais é que mandarem nisto, então é melhor irmos todos embora e o último a sair fecha a porta da Câmara Municipal e deixa a chave debaixo do tapete da entrada (à direita do palco, quem está de frente). POPEYE9700@YAHOO.COM

 

 

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