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popeye9700

Crónicas e artigos de opinião, a maior parte publicada no Diário Insular, de Angra do Heroísmo.

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Crónicas e artigos de opinião, a maior parte publicada no Diário Insular, de Angra do Heroísmo.

BAGA PARECE QUE É POLÍTICA MAS É SÓ CHUPAR LAPAS (BB129)

Fevereiro 08, 2022

Tarcísio Pacheco

26-vasco-gargalo-mocidade-portuguesa-dapres-ja-manta-_9 (1).jpg

 

imagem em: Mocidade Portuguesa, cartoon de Vasco Gargalo d’prés João Abel Manta, Salazar e André Ventura, 2020, Portugal. – Arquipélagos (arquipelagos.pt)

 

BAGAS DE BELADONA (129)

HELIODORO TARCÍSIO          

BAGA PARECE QUE É POLÍTICA, MAS É SÓ CHUPAR LAPAS - André Ventura foi perentório. Estará vigilante e não deixará que os erros de José Sócrates sejam repetidos. Destaco a adjetivação “vigilante”, uma novidade no país que me remete para manobras caras às direitas (vigilantes de bairro, comités de observação da decência social, grupos de cidadãos armados e formação de milícias). Fica o país assim bastante mais descansado, finalmente há alguém que não dorme, para ficar a vigiar e, acima de tudo, tem em carteira um grupo de erros totalmente novinhos em folha e nunca cometidos antes. Sempre os mesmos erros não, por favor. Creio mesmo que alguns foram já ensaiados nas campanhas eleitorais do Chega, como Ricardo Araújo Pereira tão animadamente nos mostrou. São erros fixes, erros mesmo geniais, de gente claramente diferente, psiquiatricamente falando. E para um cargo de vigilância no Chega, embora localizada, quero já propor uma pessoa, uma vizinha dos meus sogros, numa rua de Ponta Delgada. Não posso revelar o nome, por questões de confidencialidade e segurança, mas esta senhora dedica cerca de 22 horas diárias às tarefas de vigilância da rua, a partir do seu posto de observação privilegiado, na varanda do 1º andar da sua casa. As 2 horas restantes (que ela está a pensar seriamente em reduzir, para agradar a Ventura e servir o país) são para coisas menores como alimentar-se e dormir. O banho é só ao domingo (um dia morto), conforme ela própria explicou, trabalho com os olhos, transpiro pouco e além disso “da minha casa de banho não consigo ver nada”. Perfeitamente compreensível. Típica intervenção desta vigilante, se vir alguém a bater a uma porta surda: “Ei senhor, não vale a pena, eles saíram, mas costumam estar em casa a partir dumas sete da tarde…”. Informação rigorosa e detalhada.  Se houvesse um vigilante deste calibre em cada rua, jamais o motorista de Sócrates teria podido andar nas voltinhas do patrão sem dar nas vistas.

É raro, mas às vezes dá-me para pensar em politiquices, geralmente integra-se na depressão de Inverno, em períodos mortos do Covid e enquanto não chega uma série realmente fixe na Netflix. É um bocado aquilo de nos entregarmos a concursos de cuspo porque não há nada melhor para fazer. Na verdade, na maior parte do tempo fico a pensar nos mistérios do Universo. Enquanto não chego a qualquer conclusão, passo os olhos pelas notícias, a ver o que está na moda. Que, presentemente, é Covid, crise do Benfica e eleições. Covid já tive, obrigado, crise do Benfica não é exatamente uma má notícia para mim (desculpa RAP), restam então as eleições.

Os comentadores eleiçoeiros são mais que sapos num pântano. E cada um puxa a brasa à sua sardinha. Eu não gosto de sardinhas, mas apraz-me assoprar uma brasa aqui e ali. Já se sabe que isto de análise de resultados eleitorais é filosofia esotérica e um pouco de física quântica, está nas categorias superiores do pensamento cognitivo. Não é, decididamente, para a minha pobre cabeça. Eu sou mais de passear no calhau e comer lapas ao luar. Ideologicamente sou de esquerda, como nunca escondi, sei exatamente o que isso significa e até já o revelei ao mundo nestas páginas. Não alinho com a “grande derrota” do BE. O BE demonstrou ao país que se mantém fiel ao seu ideário e que os seus eleitores e simpatizantes (eu sou apenas um destes últimos) podem contar com caráter e coerência. Não contem com o BE para panelinhas e jogadas asquerosas. O BE fez muito bem no passado em estabelecer compromissos com o PS e com o PCP. Tratava-se então de expulsar do poder uma direita tóxica para o país. Era um desígnio nacional. Foi uma ótima geringonça, enquanto durou, com uma parte da frente muito gira. No passado recente, António Costa já não estava disponível para negociar seriamente e estabelecer compromissos. Talvez farejasse já trono absoluto para o seu tímido socialismo bem puxado ao centro. O BE fez muito bem em manter-se igual a si próprio e a não viabilizar um orçamento que traía os seus princípios. Perderam muitos deputados, mas ganharam respeito e estatuto, que não é a mesma coisa que poder. Uma parte significativa do seu eleitorado escolheu o voto útil e terá votado PS. Não os censuro, a alternativa era terrível. Continuem sempre, meninas bonitas e inteligentes do BE.

Pronto, era só isto. Esta era a parte séria, a menos importante, claro. Agora vou-me ali e já não volto. Muita saúde. POPEYE9700@YAHOO.COM

 

BAGAS DE BELADONA (42)

Janeiro 18, 2018

Tarcísio Pacheco

toiro 2.jpeg

 imagem em: https://www.playgroundmag.net/food/Vuelve-estrenarse-pelicula-antitaurina-Disney_0_1949805013.html

 

BAGAS DE BELADONA (42)

 

 

HELIODORO TARCÍSIO

 

BAGA EXTREMA – Sempre me incomodaram conceitos como “bloco central” e “arco de governação”. Bloco central, por pretender incluir toda a gente numa massa amorfa e cinzenta, sem alma, onde estão todos de acordo, onde o que conta é o que é “melhor para o país”, seja lá o que isso for e onde não há discordância nem diversidade; a imagem de um pântano estagnado onde proliferam mosquitos oportunistas; um buraco negro que suga toda a luz e toda a energia. Arco de governação, por pretender excluir a diferença, a originalidade e, frequentemente, o talento e a inteligência; invenção de nativos do Cavaquistão para afastarem quem desequilibra os seus estreitos universos mentais. Posto isto, adorava que certos políticos, sempre os mesmos, deixassem de se referir à esquerda política portuguesa como extrema-esquerda. Não me incomodaria tanto se referissem o CDS-PP como “extrema-direita”, o que nunca acontece. O PC e o BE são partidos democráticos de esquerda. O CDS-PP é um partido democrático de direita. É difícil falar de partidos extremistas em democracia, pela simples razão de que aqueles são, em geral e por natureza, antidemocráticos. Um exemplo de partido extremista, travestido de democrata, por não ter outro remédio, é a Frente Nacional, da Le Pen. Não temos nada disso em Portugal. O mais radical é que temos é coisas como certas claques do FCP. Tinha ideia de que Rui Rio é bem mais inteligente do que Passos Coelho, embora isso não seja nada difícil. Mas o homem, além de vir com lirismos do tipo “ganhar eleições com maioria absoluta”, já veio também com o discurso estafado da “extrema-esquerda” e do “arco de governação”… Nisso, pouco diferia de Santana Lopes. Aliás, no que é que diferia mesmo? Ah, já sei, não tem um passado de dandy vagamente simpático, geralmente inofensivo e bastante cómico quando tenta fazer de estadista sério e profundo.

 

BAGA UEI TOIRO – Na aviação, é de fulcral importância fazer a check-list (que é o universalismo para lista de verificação) antes da decolagem. A propósito da notícia recente sobre a histeria agressiva do Movimento pela Abolição da Tauromaquia de Portugal relativamente à tourada à corda terceirense e à proposta para a sua inclusão na lista do Património Cultural Imaterial, lembrei-me de fazer uma check-list para a tourada à corda: toiros: check; ganaderos: check; pastores: check; afición: check; capinhas: check; veterinário: check; PSP (gratificada): check; papelada, há-de aparecer: check; pastagens verdinhas: check; água: check; festas de Verão: check; mordomos: check; gaiolas: check; cordas: check; foguetes: check; tascas: check; bifanas e cerveja: check; fita chinesa para os riscos: check; gajas giras nos muros: check; turistas, depende da Ryanair, da Delta e, infelizmente da SATA mas ok, check; sol, hummm, ok, quem sabe, vamos arriscar: check. E pronto, está feita a check-list da nossa tourada à corda. Está tudo, pelo menos o que é importante. O que não está nem é importante é a integração na lista do Património Cultural Imaterial e ainda menos a  opinião dos abolicionistas. A tourada à corda é nossa e havemos de a fazer enquanto a maioria de nós quiser. É Património Cultural Imaterial, classificado ou não. Porque no dia em que deixarmos de mandar nas nossas tradições, no dia em que gente como Santos Silva, o Trampa e abolicionistas radicais é que mandarem nisto, então é melhor irmos todos embora e o último a sair fecha a porta da Câmara Municipal e deixa a chave debaixo do tapete da entrada (à direita do palco, quem está de frente). POPEYE9700@YAHOO.COM

 

 

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