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popeye9700

Crónicas e artigos de opinião, a maior parte publicada no Diário Insular, de Angra do Heroísmo.

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BAGA DEIXEM-SE DE TRETAS (BB124)

Outubro 07, 2021

Tarcísio Pacheco

ferry.jpg

 

imagem em: Cena Dos Desenhos Animados Com Balsa Feliz Ilustração Para Crianças — Fotografias de Stock © illustrator_hft #175248126 (depositphotos.com)

 

  • BAGAS DE BELADONA (124)
    HELIODORO TARCÍSIO
    BAGA DEIXEM-SE DE TRETAS - Há uma velha anedota sobre um tipo
    que quer ir para a Marinha e, quando vai à primeira entrevista, perguntam-
    lhe se sabe nadar…e ele responde “Hã?! Então, vocês não têm lá
    barcos??”.
    As posições do Governo Regional dos Açores (GRA) sobre o transporte
    marítimo de passageiros nas nossas ilhas fazem-me lembrar essa piada. É
    bem capaz que, aí para fora, alguém comente com um dos nossos
    governantes, (traduzindo livremente de estrangeiro): “Ah, então, o senhor é
    governante nos Açores, sim senhor, lá no meio do mar, ouço dizer que é
    muito bonito, então os senhores têm lá muitos barcos, não é verdade, já se
    sabe, são ilhas...”; ao que o nosso governante deverá responder algo como
    “Nem por isso, não precisamos, temos alguns aviõezinhos…”.
    O que é mais interessante é que até há algum consenso entre o executivo
    regional anterior e o atual, nesta matéria. O governo PS também não sabia
    o que havia de fazer com os navios de passageiros. Uma manobra
    descarada, mas comum a todos os políticos é, quando não querem fazer
    algo ou não sabem o que fazer, encomendam estudos e nomeiam comissões
    para estudar o problema. Entretanto, o tempo vai passando e olhando
    distraidamente até parece que algo está a ser feito. Mas não está, nunca
    está. Depois, ainda me criticam por, em geral, não apreciar políticos.
    No momento, o atual governo promete decisões sobre esta questão para
    daqui a dois anos. Entretanto e comme d’habitude, vamos andando com a
    SATA ao colo e o GRA vai encomendar estudos a profissionais de estudos,
  • que nós conhecemos na gíria popular como “empatas” improdutivos. No
    passado recente, o governo PS também andou aos tombos com os navios.
    Devia ser gente que enjoava com o balanço. Foi a bizarra história do ferry
    “Atlântida”, que ia ser o “nosso ferry” e que depois encalhou porque lhe
    faltava 1 nó na velocidade de cruzeiro - versão oficial - (creio que navega
    agora pela Noruega, onde não são tão esquisitos…). Depois foi a onerosa
    solução de fretar dois ferries estrangeiros todos os Verões. Uma solução
    que, diga-se a verdade, foi sempre assumida como de recurso e temporária.
    E, entretanto, ia-se brincando ao jogo da encomenda de anteprojetos e
    concursos, com vista à construção de um ferry açoriano. Nisto e noutras
    coisas se entretiveram os socialistas até a oposição vender a alma ao Diabo
    e agarrar o poder com unhas cobiçosas e dentes sôfregos. Chega de estar na
    oposição, pensaram eles em surdina.
    E agora, entrou uma gente cuja grande diferença dos socialistas é na cor
    das gravatas e que tem este discurso paranoico sobre os navios: os Açores
    não precisam de barcos porque têm aviões e uma nova tarifa porreira e as
    ligações marítimas de passageiros entre todas as ilhas eram um circo de
    Verão. Em caso de dúvida, sacam da calculadora e pregam um sermão
    sobre taxas de ocupação.
    Entretanto, as famosas rampas ro-ro, que custam os olhos da cara, que tanto
    nos fartámos de reivindicar e que em Angra (como sempre, tarde, a más
    horas ou nunca) só deveremos ter em 2022, na melhor das hipóteses,
    quedam-se como excelentes pontos de apoio à pesca lúdica, entre setembro
    e maio.
    Também dizem, o GRA e os seus cúmplices neste crime, que ter um ferry
    açoriano permanente implica custos incomportáveis. E comparam o
    incomparável custo por cabeça, uma vez que não há qualquer semelhança
    entre os dois tipos de transporte, marítimo e aéreo. Isto é o cúmulo da
    hipocrisia. Então, e ter uma companhia aérea regional, de bandeira, sai de
    graça? É verdade que, por agora, estamos a pagar uma tarifa interilhas
    especial e reduzida, mas quanto é que pagamos todos os meses, cada um de
    nós (os que trabalham), para sustentar uma companhia aérea que não dá
    lucro, que cria prejuízo todos os dias e que acumula um passivo, esse sim,
  • verdadeiramente incomportável, que é gerido sempre da mesma forma,
    com injeções de capital da banca (que não faz caridade)? Então, não sejam
    hipócritas, trata-se, acima de tudo, de decisões políticas, com valor relativo.
    Não façam de conta que não há alternativas. Poupem-nos aos mantras
    vazios e imbecis. Já parece o discurso de outro, do Coelho de má memória,
    “vivemos acima das nossas possibilidades” etc, etc, repetido até à náusea.
    Há alternativas e até já as apontei nestas páginas. Devemos aprender com
    os que são mais espertos do que nós, com humildade. Com a Islândia,
    poderíamos ter aprendido como é que se lida com banqueiros corruptos e
    criminosos. Infelizmente, nunca o fizemos. E com as Faroé, podemos
    aprender como é que se transporta carga marítima, de todos os tipos e
    passageiros, ao mesmo tempo, por qualquer mar ou oceano, usando rampas
    ro-ro, em qualquer época do ano, cancelando viagens, naturalmente,
    quando as condições meteorológicas são demasiado adversas.
    Eu cá não sei de nada, não tenho acessos a fontes privilegiadas. Mas
    acredito que por detrás destas decisões, aparentemente néscias e pacóvias,
    esteja mais do mesmo de sempre: promover e salvar a SATA, a qualquer
    custo e agora também, atender as queixas das empresas de rent-a-car,
    algumas delas pertencentes a grupos poderosos, que praticam preços
    escandalosos e que muitas vezes, no pino do Verão, nem sequer têm oferta
    suficiente.
    O mote do GRA parece ser agora “vocês hão de andar é de SATA, queiram
    ou não; se não querem, vão a nado ou comprem um barco”. Agora é que
    podemos dizer com propriedade “pegou-lhe a SATA” porque não há mais
    nada para lhe pegar…ainda bem que tenho o meu próprio navio. Mas só
    consigo levar as bicicletas. POPEYE9700@YAHOO.COM

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