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popeye9700

Crónicas e artigos de opinião, a maior parte publicada no Diário Insular, de Angra do Heroísmo.

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Memento Mori - Lembra-te que vais morrer, pá!

Dezembro 19, 2014

Tarcísio Pacheco

amor.jpg

 imagem em: http://www.versodeamor.com.br/espalhe-amor

 

 

MEMENTO MORI

“LEMBRA-TE QUE MORRES, PÁ!”

 

TARCÍSIO PACHECO

 

Não há nenhum problema tão complexo que não possa ser simplificado, reduzido às suas estruturas essenciais, o que facilita um processo de compreensão.

A questão central da vida humana é o mistério da morte e por decorrência, o significado da vida. Desde que o Homem teve condições para deixar de se ocupar exclusivamente da sua sobrevivência material, começou a refletir sobre o assunto. A terrível evidência da morte a isso o obrigou.

A via mais usada e a mais fácil foi sempre alguma forma de misticismo. Não sabemos, não compreendemos, então reduzimo-nos à nossa inferioridade e aplicamos um rótulo de sobrenatural, de insondável. Isso não nos traz respostas mas deixa-nos descansados.

No entanto, desde que o Homem foi capaz de desenvolver processos mentais que resultam em alterações físicas, aquilo que designamos por “ciência”, começou também a procurar respostas por esta via. Esta linha de ação foi mais explorada no séc. XIX mas nunca foi abandonada. Nos dias de hoje, o experimentalismo científico, com toda a sua moderna parafernália tecnológica, continua a debruçar-se sobre o assunto. Através de “ghost busters” ou de reflexões filosóficas. Tem-se tentado provar a existência de entidades invisíveis através de equipamentos sofisticados e tem-se ligado delicados sensores a moribundos, para detetar a existência da alma e registar o momento em que esta abandona o corpo. Foi assim que alguém concluiu um dia que a alma pesa 20 gramas. Mais grama menos grama.

Grande parte da Humanidade considera que as religiões são a única via de acesso a este conhecimento. Porém, trata-se apenas de uma questão de fé, de querer acreditar. Até agora, nenhuma religião foi capaz de produzir a mais ínfima prova da existência de Deus e de uma vida pós-morte. Todas as religiões, sem exceção, bem ou mal-intencionadas, representam uma espécie de farsa. Porque todas foram criadas por seres humanos e se baseiam em textos ditos de “inspiração divina” e em declarações de “profetas” ou “deuses incarnados”.   Trata-se de uma questão de fé e esta é tanto uma escolha pessoal como uma questão de estupidez, dependendo dos protagonistas.

Portanto, o maior mistério da vida é a morte e a sua inevitabilidade torna ridículos todos os jogos de poder, inútil toda a violência e patéticos todos os esforços para retardar a morte de forma artificial.

Na verdade, este é o verdadeiro problema da espécie humana. A morte é democrática e socialista. Chega a todos, mais tarde ou mais cedo e ignora todas as leis e normas sociais. As grandes questões, as únicas que verdadeiramente interessam são as seguintes: porque estamos aqui neste planeta, se estamos sozinhos no Universo, se vamos para algum lado quando morremos e se sim, para onde e fazer o quê. Ou seremos apenas meras máquinas bioquímicas com um formidável computador sobre o pescoço, uma quantidade de pó organizada de forma inteligente que regressa ao pó através da decomposição?

Questões difíceis, contudo, como afirmei antes, não há nenhum problema, por complexo que seja, que não possa ser simplificado. Na verdade, não sabemos, não temos como saber e não estamos mais perto de saber do que estávamos há 2000 anos. Se existe algo depois da morte, esse conhecimento está para lá do nosso alcance por não haver nada ou por não convir sabermos, o que faz sentido em ambos os casos. O nosso precioso livre arbítrio pode levar-nos a escolher acreditar em algo. A fé é reconfortante e ajuda-nos a viver. Existem muitos indícios de que possa haver alguma coisa. Mas não há prova alguma.

Só há uma maneira de saber o que acontece quando morremos. Infelizmente, para isso, temos que morrer, o que não dá jeito nenhum, uma vez que, quase sempre, implica dor, medo, sofrimento e dá-nos cabo de quaisquer planos. Lá está, lixa-nos a vida. Por conseguinte, só há duas hipóteses, o que simplifica extraordinariamente a questão: somos meros seres materiais cuja consciência se perde para sempre no momento da morte ou somos seres de energia que habitam temporariamente máquinas bioquímicas complexas, como avatares e que, quando as abandonam vão para qualquer lado, fazer qualquer coisa que ignoro, embora reflita muito sobre o assunto e adore cartinhas do Céu.

Valho pouco, como a maioria de nós. Não passo, muito provavelmente, de um asno de duas patas. Por isso, as minhas conclusões valem o que valem: não faz sentido a gente aborrecer-se muito com o que tem de ser, independentemente da nossa vontade. Temos que tentar ser felizes e fazer felizes as pessoas à nossa volta. Não me acusem já. Não falo apenas de “curtir muito”, tomar banhos de mar, comer e beber bem, viajar para a Tailândia. Bom, tudo isso também, com a devida moderação, sem esquecer o protetor solar e preservativos qb. Mas falo sobretudo de levar vidas dignas, buscar o equilíbrio, o conhecimento desinteressado e cultivar virtudes nobres como a compaixão, a bondade, a generosidade, a tolerância, o respeito por tudo e todos e a solidariedade.

E agora perguntam-me, já acabaste estúpido? É que está na hora do jantar e tenho mais que fazer. Bom, já estou mesmo no fim. Concluí que a chave da vida é o Amor. Lamento que seja assim tão miseravelmente simples. Concordo que devia ter pensado em algo mais genial. Mas eu avisei-vos sobre as minhas limitações.

A chave da vida é o Amor. Acredito que seja a energia vital do Universo e, nesse aspeto, Einstein foi apenas vulgar. É a energia mais forte que existe e mesmo que não propulsione aeronaves, é a única que sobrevive à própria morte. Qualquer forma de amor. O amor dos pais pelos seus filhos é o mais puro e desinteressado que existe. Mas todas as formas de amor são válidas, desde que benevolentes e generosas. Entre homens e mulheres, entre homens e homens, entre mulheres e mulheres, entre pessoas e animais, entre sacerdotes e fieis, entre médicos e doentes, entre vizinhos, entre amigos, o amor pelas crianças, pelos idosos, pela natureza, pelos livros,  pelo mar. O que é feito por amor, puro e desinteressado, é sempre bom e vale a pena. Amem muito, pois, sem barreiras nem moderação, com duas pedrinhas de gelo no Verão. Muito amor nunca intoxica nem faz mal. É mentira que “too much love will kill you”. Quem escreveu isso confundiu-se ou andava a fumar umas coisas. Amem muito, o resto é apenas passar o tempo por cá.

Um dia conto porque escrevi isto. Hoje não. Agora vão lá à vossa vida. Vão amar. Sejam felizes e, se Deus existe ( eu cá não sei de nada), que vos abençoe. Mas não contem demasiado com isso. Suspeito que, na Terra, estamos por nossa conta. Isso não é o fim do mundo. Mas o vosso mundo tem um fim. Aproveitem muito enquanto andam por cá. Comecem já hoje, agora. Porque amanhã, sabe-se lá… POPEYE9700@YAHOO.COM

 

 

 

 

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