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popeye9700

Crónicas e artigos de opinião, a maior parte publicada no Diário Insular, de Angra do Heroísmo.

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Crónicas e artigos de opinião, a maior parte publicada no Diário Insular, de Angra do Heroísmo.

JE SUIS AVEC TOI CHARLIE

Janeiro 23, 2015

Tarcísio Pacheco

Achmed.jpg

IMAGEM EM: http://brian-therightperspective.blogspot.pt/2011/06/fareed-zakaria-ahmed-dead-terrorist.html

 

 

 

JE SUIS AVEC TOI CHARLIE

 

 

TARCÍSIO PACHECO

 

Há uma data de religiões no mundo porém, por si, nenhuma delas é importante. Isto porque todas as religiões tem um fundo idêntico. Estabelecem uma ligação entre a vida material e o transcendental e transmitem códigos de conduta. Elas baseiam-se sobretudo na observação de regras e na prática ritualista. Tudo isso tem pouca importância. O que é realmente importante é o nível de espiritualidade que cada ser humano consegue atingir. Normalmente, o progresso espiritual progride na razão inversa das práticas rituais, muitas vezes ocas, vazias, rotineiras e despidas de significado. Quantas pessoas têm uma prática religiosa qualquer e depois são péssimos cônjuges, amigos da onça, pais tiranos, colegas insuportáveis e chefes horríveis… Portanto, é a espiritualidade que importa, em ligação com um conjunto de valores e atitudes universais e positivos, como a compaixão, a tolerância, o pacifismo, a solidariedade, a empatia, a generosidade, a aceitação da diferença.

Apesar do que afirmo acima, em nada me incomodam as religiões estabelecidas enquanto operam na privacidade dos seus templos e não se entregam a um proselitismo demasiado insistente e incomodativo. Porém, quando as religiões tentam condicionar a vida das pessoas e impor modelos, como fazia a Igreja Católica no passado ou, muito pior, quando têm um discurso agressivo e hostil, como fazem os muçulmanos radicais ou fanáticos da atualidade, aí a coisa muda de figura. Simplesmente, não podemos permitir. Apesar do caos que é o nosso mundo atual, a maior parte do mundo pode ser chamado de “livre” embora com muitas reservas (capitalismo, neo-liberalismo, exploração,manipulação de massas, etc) porque vivemos segundo princípios que, mesmo maliciosos ou mal aplicados, norteiam a nossa vida em sociedade, garantindo direitos fundamentais como viver em regime democrático, escolher os líderes, circular livremente e ter direito à liberdade de expressão, por muito que ela possa desagradar a outrem. Se forem ultrapassados os limites definidos na lei geral em vigor em cada sociedade, pois é sempre possível recorrer ao poder judicial que existe em todos os países e é, por princípio,  independente do poder político.

Apesar de me oprimirem o coração as condições que vigoram nos países islâmicos de linha dura, os que aplicam a sharia, nomeadamente no que diz respeito à discriminação e escravização das mulheres e à fanatização de crianças desde tenra idade, considero que o resto do mundo só pode intervir de forma indireta, tentando levar a luz da liberdade, do conhecimento e da tolerância aquela gente. Temos de respeitar o princípio de auto-determinação dos povos. Além disso, tudo se baseia em critérios sumamente hipócritas por isso esses países não são sancionados de nenhuma forma. Em poucas décadas, diversos países islâmicos, devido ao império do petróleo, passaram de criadores de camelos a verdadeiros paraísos de nababos. Então, é  chocante, ver como coexistem modernidade e progresso material com sociedades teocráticas de tradições medievais. O exemplo mais flagrante é a Arábia Saudita, país ríquissimo, financiador habitual de terroristas islâmicos e, no entanto, parceiro privilegiado dos donos do mundo, devido à porcaria do petróleo.

Tudo isto, para dizer que há duas coisas que o mundo livre não pode tolerar nem permitir. Uma delas é o Exército Islâmico. Apesar da minha tendência pacifista, sou o primeiro a dizer que ele deve ser rapidamente esmagado como um inseto venenoso. É como um cancro, que convém tratar no início porque depois pode ser tarde demais. É um movimento ilegal, que ocupou terras em países soberanos a viver um período de desorganização. É um movimento hiper agressivo, extremamente fanatizado e com propósitos declaradamente expansionistas. É uma forte ameaça à civilização, tal como a definimos agora e se os deixarmos crescer, poderá ser muito difícil acabar com eles. Esmaguemo-los pois, até ao último verme e dificultemos ao máximo a emigração para aquelas regiões.

A outra coisa é o atentado terrorista e massacre levado a cabo recentemente em Paris contra o jornal satírico francês Charlie Hebdo, por parte de islamitas radicais. Devemos continuar a satirizar o que quisermos e a defender a liberdade de expressão. Não nos devemos deixar escravizar pelo medo. Isso é o que eles querem. Exportar para o mundo todo, o terror, a repressão, os valores deles. Não o podemos permitir. Como fazê-lo sem nos transformarmos em estados policiais, com controle absoluto dos movimentos dos cidadãos, sem cairmos em comportamentos radicais e injustificados como ver um terrorista em cada árabe e sem respondermos com as mesmas armas numa espiral de violência e intolerância, é uma questão bem complicada. É um difícil equilíbrio este, entre liberdade e segurança. Mas temos de o conseguir. Je suis avec toi Charlie. E que se lixe o Maomé. Nunca curti esse tipo. Mal por mal, antes o JC, o filho do Patrão. POPEYE9700@YAHOO.COM

 

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