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popeye9700

Crónicas e artigos de opinião, a maior parte publicada no Diário Insular, de Angra do Heroísmo.

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Crónicas e artigos de opinião, a maior parte publicada no Diário Insular, de Angra do Heroísmo.

BAGAS DE BELADONA (11)

Março 03, 2016

Tarcísio Pacheco

carnaval.jpg

 

 

 

imagem em: https://www.google.pt/search?hl=pt-PT&site=imghp&tbm=isch&source=hp&biw=1280&bih=923&q=carnaval+cartoon&oq=carnaval+cartoon&gs_l=img.1.0.0.2015.7718.0.9291.18.9.1.8.9.0.162.1094.1j8.9.0....0...1ac.1.64.img..0.17.1150.ObF1eTdaloo#imgrc=_bh7d2Q7q-dIEM%3A

 

 

BAGAS DE BELADONA (11)

 

 

HELIODORO TARCÍSIO

 

BAGA O RENASCIDO – Filme com Leonardo Di Caprio, namorada e pipocas doces, embalagem pequena. O CCAH só fornece alimentação, bebidas e óculos 3D. A namorada, temos que trazer de casa. O senhor Glass, de barba hirsuta e piolhosa, que anda pelas florestas Norte-Americanas, no séc. XIX, a roubar peles aos donos da terra, os Índios mas tem um coração de ouro e sonhos que fazem chorar, encontra uma ursa, mal-encarada e de mau feitio que me fez lembrar muito duas colegas de trabalho, embora sem a parte do pelo fofo. Pelo menos, não tanto (pelo). A ursa praticamente estraçalha o senhor Glass que, sem recurso a antibióticos, comete a proeza de sobreviver no meio da neve, tanto mais admirável quanto sabemos que as pessoas às vezes morrem de constipações e correntes de ar. Os companheiros dele, tudo gente com perfil de adepto benfiquista, abandonam-no para morrer. Felizmente, ele encontra um índio bonzinho, adepto do Sporting, que o ajuda e, inclusive, chegam a divertir-se muitos os dois, a tentar apanhar flocos de neve com a língua. Fiquei inclinado a experimentar, da próxima vez que nevar aqui. As pessoas de língua comprida têm vantagem, o que me faz lembrar outra colega de trabalho. Há muita peripécia mas, resumindo, é um filme interessante, embora frio e húmido. Os apreciadores de carne mal passada e de sushi hão-de lhe achar imensa piada.

BAGA O CARNAVAL CÁ DENTRO – As bagas não hão-de ser sempre cáusticas e venenosas. Este Carnaval foi especial. Ao cabo de tantos anos a vaguear de bar em bar, fantasiado e de copo na mão, este ano fui convidado para integrar o Bailinho de Mulheres do Porto Judeu. Para a parte da orquestra, bem entendido. Como é que eu podia dizer que não a um bailinho só de mulheres… Falaram-me ao coração e disse logo que sim. Além disso, era um bailinho de freiras e como anjo que sou, o meu lugar é pertinho do Céu. É verdade que estas freiras, às tantas, despiam o hábito e revelavam a sua verdadeira vocação, bailarinas de cabaré e todas apaixonadas por um estupor de um padre holandês (ai ciumento que eu fiquei…). Agora muito a sério, foram três semanas de amizade, convívio, música e muita diversão, que deixaram saudades e uma lágrima ao canto do olho. O que vale é que elas já me convidaram para o ano. E eu tornei a dizer que sim.

BAGA AINDA O CARNAVAL MAS JÁ CHEGA – Lembro-me de ter lido recentemente uma crítica de Eduardo Ferraz da Rosa ao Carnaval terceirense, que ele acha decadente e de menor qualidade. É a opinião dele e eu respeito. Mas permito-me discordar. Com a média de mais de 60 bailinhos nos últimos tempos, é óbvio que nem todos podem ter a mesma qualidade, seria impossível. Mas além do carácter genuíno e único do nosso Carnaval, vejo uma enorme evolução; na música, em que em vez de modestos arranjos de temas conhecidos, vemos cada vez mais originais de grande qualidade, como os cinco que o maestro Francisco Rocha compôs para o nosso bailinho; na dança em fomos passando de coreografias básicas com aquele pulinho meio ridículo e simples trocas de lugar, para coreografias bastante mais sofisticadas e originais, mais uma vez como a do Bailinho de Mulheres do Porto Judeu, com autoria de Sílvia Miranda; nos guarda-roupas e adereços de cena, não esquecendo que se trata de troupes efémeras que se deslocam pela ilha em carrinhas, numa logística por vezes complicada; e acima de tudo, nos temas e encenações, o mais difícil de tudo, em que é essencial inovar, interessar e fazer rir um público que por vezes é arisco. Por ter participado num bailinho, só consegui assistir a partes de alguns outros. Mas, mesmo assim, consegui ver o que Ferraz da Rosa não consegue. Humor popular de grande qualidade, carregado de saudável e indispensável sátira social e política. Como aquele bailinho  em que os passageiros da Galine Air (porque galinha é galine em Inglês e o dono da empresa fez fortuna com farms de galinhas na América…) não entendem o discurso de boas-vindas do piloto (dito em “micaelense”) comentando que deve ser um voo internacional…A sátira está bem viva e só tenho pena que, nesta terrinha de doentias dependências, o acerado espírito crítico dos terceirenses não se manifeste por ocasião das eleições. POPEYE9700@YAHOO.COM

 

 

 

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