BAGA IGREJA PEDÓFILA SIM SENHOR (BB137)
Setembro 01, 2022
Tarcísio Pacheco
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BAGAS DE BELADONA (137)
HELIODORO TARCÍSIO
BAGA IGREJA PEDÓFILA SIM SENHOR – O editorial do DI do passado dia 9 de agosto era bastante infeliz. Pretendendo fazer justiça, analisava a questão da pedofilia na Igreja (entenda-se Igreja Católica, de Roma) de forma conservadora, parcial e acrítica. Na verdade, fazia eco das posições da própria Igreja que, pretendendo fugir às suas culpas e responsabilidades, costuma fazer-se de vítima e clamar, exatamente, que os pedófilos não existem apenas na Igreja, que “há outros” e que os padres pedófilos o são por inclinação pecaminosa e doentia individual, nada tendo isso a ver com as doutrinas e práticas da Igreja.
A igreja católica portuguesa andava descansadinha da Silva e ufanava-se da pedofilia luso-católica ser residual. Mas não era difícil perceber que era uma questão de tempo. As moscas estavam lá todas, apenas não se tinha ainda mexido na caca com um pauzinho. Portugal, neste contexto, não é diferente de outros países. Por cá, como por todo o lado, as vítimas não falavam por medo, por vergonha e por acharem que, sendo a Igreja tão poderosa e, desde sempre, conluiada com o poder, de pouco ou nada serviria exporem-se ao escárnio, maldizer ou simples compaixão da sociedade. Mas basta alguns começarem a falar e gera-se uma avalanche incontrolável, que revela a terrível verdade, oculta por anos e anos de criminoso silêncio, orquestrado por bispos cúmplices e papas medrosos, quando não prevaricadores eles próprios.
É evidente que tenho de concordar com o editorial do DI quando se diz que a pedofilia não é exclusiva da Igreja. Infelizmente, abusar dos mais fracos e indefesos é um dos mais vis e cobardes traços da Humanidade. A pedofilia e a violência doméstica e contra as mulheres são dos abusos mais comuns. Mas fica por aqui a minha concordância. A ligação entre Igreja e pedofilia é fortíssima e óbvia. Nos primórdios da religião cristã, nenhum dogma ou mandamento divino interditava o casamento aos ministros da Igreja. Desde muito cedo houve padres, bispos e até papas, casados e com filhos. S. Pedro tinha uma sogra. A instituição do celibato forçado foi sendo feita progressivamente, de forma conturbada e pouco clara, com avanços e recuos até se chegar ao cúmulo da hipocrisia atual de se dizer que “a Igreja não obriga ao celibato, antes escolhe os seus ministros entre os celibatários convictos”.
O que é certo é que, muito mais por preconceito e dogma do que por qualquer questão doutrinal, a Igreja força o celibato dos padres e demoniza tanto o sexo como o género feminino, reservando para as mulheres papeis menores de freiras, governantas, criadas para todo o serviço, amásias e irmãs solteironas de padres (entenda-se, amas perpétuas dos irmãos). A Igreja cria assim no seu seio ambientes patriarcais fechados, doentios, carentes e antinaturais, que são terrenos férteis para comportamentos homossexuais (que não são doença nem crime, claro, mas não deviam ser apenas um recurso) e para comportamentos pedófilos, esses sim, doentios e criminosos. Simplesmente, não é possível separar a Igreja da pedofilia e qualquer tentativa nesse sentido significa tentativa de desculpabilização e branqueamento. Quem quer arranja sempre desculpa. O Pe. Caetano Tomás desculpabilizava a pedofilia frequente na sua ilha natal das Flores, porque “havia muita falta de mulheres”. Ora essa e não havia cabras e ovelhas adultas? Isso também é crime, mas, pelo menos, essas não se queixariam mais tarde.
Acresce a isto tudo que a pedofilia, existindo por todo o lado, inclusivamente nos ambientes familiares, é especialmente grave no seio de instituições educativas e outras como a Igreja, que lidam ativamente com crianças (ele é colégios e creches católicos, meninos de coro, seminaristas, escuteiros católicos, grupos de jovens, catequeses, etc). Não é só um crime hediondo, é uma traição nojenta e imperdoável.
A Igreja que poderia um dia livrar-se da ignomínia da pedofilia seria um Igreja bastante mudada e renovada, que não forçasse o celibato, que admitisse mulheres como padres e bispos, que não demonizasse o sexo, que não fosse contra a homossexualidade e o divórcio. Pelo que tenho visto, não será para os filhos dos meus filhos…
O editorial do DI foi lamentável, ainda, ao tentar estabelecer comparações com as situações, muito comuns no passado, das amantes “teúdas e manteúdas” de respeitáveis “chefes de família” porque algumas seriam menores e a situação seria tacitamente aceite pelas suas famílias carenciadas. Sinceramente? Que é que isso tem a ver? Que números credíveis, já estudados, revelam quantidades de menores nessa situação? É que os números da pedofilia não mentem e estão cada vez mais bem estudados. E ter uma amante, sendo casado, até pode ser crime de adultério perante a lei civil, mas é comparável à pedofilia, ao crime hediondo da profanação da inocência infantil? E “entre nós, a pedofilia nem era considerada crime”??? O que é isto, um elogio ao atraso cultural do povo açoriano?
Tenham “santa” paciência, este discurso de vitimização e perseguição à Igreja não cola e já enjoa. É, muito simplesmente, uma instituição puramente humana e que só agora começou a pagar pelos seus muitos crimes ao longo da História. O que aprendi na vida até agora, é que fé é lá com cada um, ética sim, cada vez mais, religião, dogmas, doutrinas e rituais, não, obrigado. POPEYE9700@YAHOO.COM