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popeye9700

Crónicas e artigos de opinião, a maior parte publicada no Diário Insular, de Angra do Heroísmo.

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BAGA 91 - DA PORTA DOS FUNDOS GOSTA MUITO MEMBRO DA IGREJA CATÓLICA

Janeiro 02, 2020

Tarcísio Pacheco

 

 

porta dos fundos.png

imagem em: https://medium.com/@igorrafi_63730/em-decis%C3%A3o-sobre-porta-dos-fundos-juiz-usa-os-simpsons-como-did%C3%A1tica-para-religiosos-d057e2d4d9a6

BAGAS DE BELADONA (91)

HELIODORO TARCÍSIO

 

BAGA DA PORTA DOS FUNDOS GOSTA MUITO MEMBRO DA IGREJA CATÓLICA – Uma espécie particularmente nojenta de escória brasileira sente-se, atualmente, promovida e encorajada pelo reles presidente que elegeram. É corja desse calibre que atacou as instalações da produtora do Porta dos Fundos com cocktails molotov.

Sou, desde sempre, fã deste grupo brasileiro, que tem uma produção intensiva de vídeos cómicos; fazem-me rir; aprecio o seu talento, sentido de humor, inteligência, irreverência e coragem. Acima de tudo, partilho com eles a ideia de que praticamente nada está acima do humor. O “praticamente” tem a ver com o facto de que jamais brincaria com a dor ou o sofrimento de alguém. Esse é o único limite que eu próprio me impus. Fora isso, de tudo devemos rir. Especialmente das coisas que a sociedade costuma rotular como “sérias” ou “graves”. A Humanidade é sumamente ridícula e não se deve levar a sério. E, à cabeça, estão coisas como política e religião. Há poucas coisas tão cómicas como as religiões. A começar pelo mantra “não se brinca com a religião de ninguém” e o seu afilhado imbecil da moda, “puseram-se a jeito”. Dá logo vontade de brincar, é o apelo do proibido. Compreendo que seja irresistível para o Porta. Há  tanto de que rir nas religiões: pastores histéricos a berrar que “sangue de Cristo tem poder”;  homens corvos, de longas suíças encaracoladas, a cabecear salmos sagrados junto a uma parede lamentosa enquanto lançam anátemas a palestinianos; as 72 virgens que aguardam no Céu todo o jihadista mártir; se for homem, claro, porque se for uma mártir só pode contar com o marido que tinha na Terra ou com o último marido, no caso de ter sido casada mais que uma vez; isto é, um primeiro marido de uma islâmica que casou mais vezes, se não for mártir, nem sequer terá direito à legítima esposa. Ficará condenado à abstinência ou à masturbação eternas? É uma questão teológica profunda e podem crer que aqueles barbudos fanáticos e sanguinários que entre eles passam por “religiosos”, os mullahs, são capazes de escrever tratados sobre estas coisas e sentenciar à morte alguém que se atreva a, discordar. E na religião católica? Praticamente tudo é risível. Uma religião solene, pesada e tristonha,  que assenta num livro “sagrado”, cujos textos, de proveniência mais que duvidosa foram selecionados e catalogados como “de origem divina” e “os únicos legítimos” pela própria Igreja, uma organização de poder que se disseminou pelo mundo todo, impondo o amor do “único Deus verdadeiro” a ferro e fogo. Que assenta num conjunto de crendices, lendas e mitos que ninguém conseguiu jamais provar de modo nenhum. Nem sequer a cruz, seu símbolo maior, é garantida pois não há qualquer prova ou indício relevante de que os Romanos tenham usado aquele tipo de cruz daquele modo, tecnicamente impraticável face ao objetivo final de provocar a morte após longo sofrimento. Uma religião que rotula de “mistério sagrado e insondável” tudo o que não consegue explicar nem faz sentido, que é a maior parte de quase tudo, a começar pela trilogia alienante do Pai, Filho e Espírito Santo. Uma religião toda assente num pobre hebreu que foi torturado e crucificado pelos Império Romano, o poder dominante da época, há cerca de 2020 anos, filho de uma virgem casada com um carpinteiro muito compreensivo, patrono de todos os cornos mansos da história, de quem quase nada se sabe, nem sequer quando e onde nasceu mas se diz que era “milagreiro” de ocupação principal e “pastor de homens”. E não podia ser gay?  Quase não sabemos nada da vida de Jesus, que é retratado como um judeu bonitão, magro e musculado, de barbinha e longo cabelo ondulado, até aparecer em cena repentinamente e começar a desencaminhar homens lá pela Galileia, tanto solteiros como casados. Aparentemente, descontando a lenda de Maria Madalena, que Saramago ficcionou brilhantemente, para grande desgosto de homens vulgares como Cavaco Silva, Jesus era um homem que vivia rodeado de homens, que tinham perdido a cabeça por ele, largado as mulheres e costumavam dormir ao relento, muito juntinhos, para se aquecerem nas frias noites dos desertos da Judeia. Isto é, no mínimo, suspeito. Agora digam-me, é justo alguém levar com um cocktail molotov por ter uma explicação alternativa e bem-humorada para o desaparecimento de Jesus no deserto por quarenta dias e outras tantas noites? Parece que ele foi tentado no seu retiro. Nada que seja invulgar em retiros cristãos. E foi tentado como, por quem? Não poderia ter sido por um belo jovem, de bigode louro? Afinal, barbas e bigodes faziam furor na época e estão, aliás, na moda outra vez. E se Jesus fosse gay? Ou preto? Ou cigano? Há sempre alguém estranho, odioso ou inferior, para cada um de nós. Em 2018, o Jesus do Porta dos Fundos era uma criatura cruel, tirânica, vaidosa e caprichosa. Mas era, aparentemente, heterossexual ou, melhor ainda, assexuado. Não houve cocktails molotov.

Patrão Neves abordou recentemente este tema no DI e deu-nos a perspetiva dela, convencional e politicamente correta, comme d’habitude. Ou seja, gasta dois terços do seu discurso a explicar-nos as virtudes da tolerância intelectual e da liberdade de sátira. Mas depois, lá vem a inevitável conjunção adversativa, neste caso, um literal “porém”. Pode-se brincar com tudo menos com a religião de alguém porque, nesse caso, a “liberdade transforma-se em libertinagem”. Resumindo, libertinagem é toda a liberdade de que alguém discorda. Ou seja, praticamente tudo na vida. Acho isto extremamente cómico. Deus deve andar ofendidíssimo com a gente e Ele não é para brincadeiras. Por isso nos manda pragas como a SIDA, o peixe-leão e Donald Trump.

Eu costumava considerar o fanatismo todo igual. Mas tenho que reconhecer que há diferenças técnicas.  É que o fanático islâmico não usa tecnologia molotov, prefere um prático colete de explosivos, que até pode ser personalizado. E assim sendo, garantidamente, sempre é um a menos sobre a Terra, no mínimo. Isso faz-me ficar dividido na minha escala de avaliação do fanatismo. Quanto ao Porta dos Fundos, a minha porta ficará sempre aberta. A da frente, claro, o gay é o Outro. popeye9700@yahoo.com

 

 

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