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popeye9700

Crónicas e artigos de opinião, a maior parte publicada no Diário Insular, de Angra do Heroísmo.

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CESTO DA GÁVEA

Abril 25, 1999

Tarcísio Pacheco

 

 

IMAGEM: http://eliotspeaks.wordpress.com/page/2/

 

 

NEM TODO O SANGUE É VERMELHO…

 

 

 

 

Em que se percebe que nem todo o sangue é vermelho e se revela que foi detectado um casal gay de perus machos que viveram felizes para sempre na sua capoeira mesmo sem pôr ovos

 

 

A minha vida actual não dá muito para ver televisão.  Desconfio que isso até é um bem que vem por bem. Assim, sempre me sobra mais um bocadinho para brincar com a minha filhota mais nova (com os outros só posso brincar aos fins de semana…) e para ler. Mas num dos raros momentos em que fixei o olhar na caixa das luzes e cores, dei comigo e ver o programa de Margarida Marante, este dedicado à questão da homossexualidade.

Nem sei como referir este assunto, tão delicado ele é. Nem sequer gosto da expressão “questão da homossexualidade”. Recordemos que Hitler falava da questão judaica. No fundo não havia qualquer questão, o homem era apenas uma grande besta e os judeus são apenas pessoas como as outras, com a diferença que os homens têm uns milímetros a menos de prepúcio e usam ás vezes una barretinhos catitas.

Mas voltemos  a falar das pessoas que têm uma orientação sexual diferente, para usar o discurso da moda. Para começar, nem concordo que o movimento gay reivindique igualdade. A igualdade deveria acontecer naturalmente, por estar constitucionalmente garantida. Se ela não se verifica, é porque há discriminação. E se esta existe, então é contra ela que se deve lutar. Seja-se lá o que se for. Somos todos iguais como sujeitos de deveres e direitos. Mas os homossexuais são tão discriminados que nem sequer lhes dão hipóteses de cumprir todos os seus deveres de cidadãos como acontece com os homossexuais masculinos em relação ao cumprimento do serviço militar obrigatório. Outra coisa que me impressionou foi ver a Dr. ª Maria José Nogueira Pinto, uma das convidadas do programa, a defender a patética decisão do Instituto Nacional do Sangue, de excluir os homossexuais masculinos dos dadores de sangue, por, invocava-se, constituírem um grupo de risco, relativamente à transmissão do vírus da SIDA, claro. A hipocrisia da direita só é realmente comparável a alguns excessos de esquerda. Outro dos convidados, Gonçalo de seu nome, é um enérgico activista do movimento gay, que tem dado a cara em inúmeras ocasiões pelas ideias que defende; é uma pessoa de admirável lucidez  (quero lá saber de que tipo de sexo é que ele gosta…) e com respeito á história do sangue, argumentava que hoje está definitivamente estabelecido que o que existe são comportamentos de risco e não grupos de risco; isso é uma coisa do passado. A Dr.ª Maria José tem inteligência e informação mais que suficientes para o saber muito bem e é por isso que faloem hipocrisia. Afrieza das estatísticas não se compadece com hipocrisias e veio comprovar que, neste momento, o grupo em cujo seio  se tem vindo a registar o maior aumento do número de seropositivos é o das mulheres heterossexuais. Então como é, senhor presidente do Instituto Nacional do Sangue (INS), vamos excluir todas as mulheres heterossexuais portuguesas do grupo de dadores de sangue ? A própria Dr.ª Maria José não deve dar sangue, afinal faz parte de um grupo de risco e nunca se sabe, no melhor pano cai a nódoa.

O que realmente me fez confusão é o processo prático através do qual o senhor presidente do INS vai proceder á triagem dos homossexuais… Nos casos evidentes, aqueles em que o povo diz que há um toque de Lua, parece ser fácil. Mas mesmo assim, há alguns desses em que se parece mas não se é… E então , ir-se-á julgar pelas aparências ? A Constituição não admite direitos aos homens frágeis, delicados, que gostam de flores ? Haverá uma espécie de polícia de costumes de sangue, que procederá a averiguações ? Já estou mesmo a ver o senhor presidente  a expulsar das instalações do INS  um candidato a dador suspeito: “ A mim não me enganas tu, seu seu sodomita! Vai dar sangue, ooops,  quer dizer, põe-te a andar!”. E os casos, muito tipicamente portugueses, dos machões que, embora gostem de homens, não se julgam maricas porque, como se dizia nos relatórios da Santa Inquisição, fazem sempre de agente e não de paciente ? Como proceder para detectar todos esses gravíssimos casos de inversão da natureza, esses comportamentos de aberrante desvio á norma ?

Sinceramente, estou com pena do senhor presidente do INS. Gostaria até de o ajudar propondo-lhe uma solução simples mas funcional e que não implica grandes gastos, apenas alguns metros de vulgar cordel e uns sininhos de árvore de Natal: tome-se um grupo de candidatos a dadores de sangue do sexo masculino, expurgados dos casos evidentes, dos que confessaram sob tortura ou dos que foram apanhados com a boca na botija; amarrem-se-lhes os sininhos aos órgãos sexuais e faça-se desfilar na frente deles uma gostosa garota descascada… Os portadores dos sininhos que tilintarem podem dar sangue à vontade. Quanto aos outros, o próprio presidente do INS pode ir lá dar-lhes um abraço. Se então esses tilintarem, não há dúvida, para casa com eles. Se ainda restarem alguns, bem, esses casos são difíceis, devem ser submetidos a uma bateria de testes do Exército norte-americano. Claro que este sistema não detecta os bissexuais mas há sistemas perfeitos ? Até à próxima.

 

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