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popeye9700

Crónicas e artigos de opinião, a maior parte publicada no Diário Insular, de Angra do Heroísmo.

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A FORMAÇÃO REATIVA NA ORIGEM DO UNIVERSO

Junho 30, 2012

Tarcísio Pacheco

 

IMAGEM: http://www.curiosidades10.com/sobrenatural/a_origem_do_universo.html

 

Decidi escrever este artigo por três razões mas, irremediavelmente, não me recordo de uma delas. Coisas de senilidade precoce, certamente, talvez um pouco de aterosclerose. Antes isso que ter de recorrer ao Viagra ou a um grande mestre cientista espiritualista mago africano, com escritório na esquina da Casa de Utilidades. Quanto às outras, uma tem a ver com o facto de que Saramago desencarnou, eu próprio já não sou jovem e alguém tem de escrever certas coisas de uma certa maneira, embora com vírgulas. Outra é inspirada pela genialidade do Pe. Caetano Tomás e a sua explicação da vida através do conceito da formação reactiva. Quando li o artigo dele publicado em “A União” de 23 de Junho, finalmente fez-se luz no meu limitado e tacanho espírito. Seja o que for, a origem de tudo é formação reactiva. Isto não deixa de ser verdade só porque eu não o entendia bem antes. Não sei porque complicam tanto as coisas, se afinal este mundo é feito de pais e filhos, como dizia a Mafalda de Quino. Nem todos são pais mas todos são filhos de alguém. Eu a pensar que Hitler era apenas um monstro ocasional, entre tantos que não ficaram famosos e que o genocídio dos judeus europeus tinha sobretudo a ver com o racismo latente do povo alemão da época e com as peculiares condições sócio-económicas  da Alemanha daquele tempo. Atrevi-me mesmo a tentar encontrar uma explicação psicológica profunda, radicada na frustração e na vingança de Hitler contra a Academia das Artes de Viena, que o achou um pintor medíocre. Sabendo nós o pendor que os Judeus têm para a cultura e para as artes, as ligações pareceram-me evidentes. Mas qual o quê! Afinal a culpa foi toda da mãe do Hitler, essa medonha Fraulein, verdadeira matriarca da família Adams, que o criou como “menino da mamã”. Provavelmente era a única pessoa que, sem lisonja, lhe gabava o ridículo bigodinho. Hitler, até nem era má pessoa, afinal ele tinha que transferir contra alguém “a negatividade que tinha contra a mãe”. Calhou aos Judeus, por tabela também aos ciganos e aos homossexuais, se fosse na atualidade, não tenho muitas dúvidas que teria calhado aos emigrantes portugueses na Alemanha, sobretudo depois daquele famoso golo do Carlos Manuel. Esse justificaria um genocídio, sem dúvida. Ainda por cima somos bastante areados (da cabeça) mas nada arianos.

Temos então que na origem de praticamente tudo na vida, está a formação reactiva. Depois de, finalmente, se ter feito luz nos meandros tenebrosos e labirínticos do meu pobre cérebro, agora não quero outra coisa. A formação reactiva é a mãe de todas as explicações. Tivesse-o entendido Saddam Hussein, em vez de insistir na mãe de todas as guerras,  e não teria morrido pendurado pelo pescoço, a espernear. Nem estaria onde está agora, num canto esconso do Outro Mundo, muito amuado e mal encarado, condenado à masturbação eterna, porque nem uma das cento e onze mil virgens que por lá alternam, lhe liga pevas, uma vez que ele não chegou dentro de um saco de plástico, convenientemente despedaçado em centenas de pedaços para montar mais tarde, como um bom crente do Islão. 


Penso que fiquei mais inteligente, mais calmo e mais maduro, depois de ler a argumentação do Pe. Tomás. Talvez seja por isso que estou convencido de ter descoberto a origem da vida e mesmo do próprio Universo. Nem traque cósmico nem Jardim do Éden. Nem Carl Sagan nem Rodrigo Bento. Neste momento, graças ao Pe. Tomás, acredito piamente que foi uma questão de formação reactiva do próprio Deus. Isto de ser Incriado, tem muito que se lhe diga. Imagine-se o que é estar para ali, desde sempre, presumivelmente para sempre, a boiar no meio de sabe-se lá o quê, sem poder sequer cuspir porque não há para onde… É de dar em doido, mesmo que se tenha uma cabeça genial. De que serve ser omnipresente, se não há lugar algum para ir? E ser omnipotente se não há tarefa alguma a cumprir? E de que serve ser omnisciente se não vai acontecer nada, nunca? Ná, acho que Deus andava muito recalcado e negativo com a mãe que nunca teve. Por isso mesmo arranjou uma, embora de forma algo tortuosa e deixando mal nesta história o pobre do José, que era uma paz de alma e parece que um carpinteiro muito competente. Talvez não merecesse o que lhe aconteceu. Seja como for, Deus andava a acumular ressentimentos a um ritmo inimaginável para os seres humanos. E depois de infindáveis e fastidiosos milénios perdidos na contemplação do buraco negro do seu divino umbigo, deve-lhe ter começado a germinar, poderosa, irresistível, a ideia de criar o Universo. Começando pela Luz, para Deus poder, ao menos, ver onde é que estava. Claro que, sendo omnisciente, pelo menos no caso da Humanidade, Deus sabia que aquilo ia dar fezes. Mas compreende-se,  Ele tinha que ter alguém a quem mostrar a Sua obra, senão que graça teria? E de preferência alguém com livre arbítrio, para poder ter opiniões críticas, mesmo que pudesse estragar tudo e extinguir espécies, senão, onde estaria o gozo?

E foi assim que Deus, aborrecido, entediado, cheio de fermentações, criou isto tudo, o Céu, para sabermos de onde viemos e para onde iremos, o Sol, para não ficarmos aqui às escuras e termos luz de graça (a EDA é uma perversão do sistema e Deus não tem culpa alguma), o Caldo Primitivo, para as primeiras moléculas terem um local quentinho, confortável e discreto para os seus jogos sexuais e finalmente, criou também o Pe. Tomás, com a finalidade principal de nos explicar tudo isto, da formação reactiva.

 

Nota que não tem nada a ver: no Mundial de Futebol, no final do jogo Espanha/Portugal, confesso que senti medo, muito medo; medo que a FIFA escolhesse Cristiano Ronaldo para Homem do Jogo, caso em que já tinha decidido fazer greve de fome, o que não dá jeito nenhum no Verão; medo que Carlos Queiroz continue no comando técnico da selecção portuguesa; medo que Gilberto Madaíl não vá para a reforma, entreter os netos dele. E acima de tudo, senti medo, muito medo, um medo atroz que, de regresso a Portugal, dentro do avião, Cristiano Ronaldo, finalmente, conseguisse explodir.

Dado à estampa a 30 de Junho. POPEYE9700@YAHOO.COM

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