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popeye9700

Crónicas e artigos de opinião, a maior parte publicada no Diário Insular, de Angra do Heroísmo.

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BAGA CORONA VÍRUS (BB102)

Março 26, 2020

Tarcísio Pacheco

 

 

 

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imagem em: https://www.cartoonmovement.com/cartoon/65030

 

BAGAS DE BELADONA (102)

 

HELIODORO TARCÍSIO

 

BAGA CORONA VÍRUS - Estou a trabalhar normalmente e não me sinto doente, nem sequer em risco, mas apercebo-me de uma certa estranheza no ar. Que me lembra a situação pós-sismo de 1980, quando eu tinha 19 anos e a vida parou à minha volta. Há algumas semelhanças. É aquele tipo de coisa que só acontece nos filmes. Até que a Netflix nos bate à porta e ficamos de boca aberta. O que é extremamente inconveniente, no momento.

Como toda a gente, tenho seguido a atualização informativa, sobretudo na TV, evitando outra perigosa pandemia, a de parvo virose nas redes sociais. De longe, a mensagem mais relevante foi a de Miguel Sousa Tavares, num noticiário: “Tenham vergonha na cara, o Covid-19 não provoca diarreia!”. Tenho esperança que esta mensagem tenha chegado aos intestinos de muitos portugueses cagões. Até porque não vi este comportamento noutros países. Isto não cheira nada bem.

Um dos momentos mais marcantes foi o anúncio de que suas Excelências, Donald Trump e Jair Bolsonaro, o irmão de Marcelo Rebelo de Sousa, estavam sob suspeita de contaminação. Tal como muitas pessoas, em todo o planeta, vivi então aflitivos momentos de expetativa e ansiedade. Cheguei a acender velas e a fazer promessas ao Divino Espírito Santo. Até que foram revelados os resultados das análises e a terrível verdade nos foi servida no cálice amargo da desilusão: ambos estavam de perfeita saúde. Pelo menos aprendemos alguma coisa sobre este novo vírus: parece que não é especialmente atraído pela estupidez.

Uma instituição particularmente afetada tem sido a Igreja Católica. Primeiro, os fiéis, na santa missa, tiveram de pegar na hóstia com as mãos. Para mim, uma hóstia é um pedaço insosso e dessaboroso de farinha de trigo amassada com água. Que talvez eu ingerisse com marmelada ou outro conduto, se estivesse a morrer de fome. Mas para os crentes, é o corpo de Cristo. Já é suficientemente mau e algo canibalesco engolir Cristo aos pedaços, não me parece nada bem tocar-Lhe com as mãos. Há quem diga que Maria Madalena usou e abusou dessa prerrogativa, mas ela foi promovida a santa e agora é intocável.  Tudo é possível, por isso, a Ciocciolina, que até é italiana e boa pessoa, lá no fundo,  não deve perder a esperança de ascender a beata, no mínimo. Provavelmente, só terá de purificar uma das suas maiores fontes de pecado, bochechando bastante com água benta, engarrafada, claro.

Mas é natural que outros problemas mais sérios estejam a caminho do Vaticano. Um problema de contaminação, sobretudo. Os cardeais costumam andar juntinhos, lá nos conclaves deles. Como são todos velhíssimos, há um sério risco de hecatombe. E depois, como iria sobreviver o mundo sem a sábia orientação daquelas santas criaturas? Não haveria de imediato uma nova bolha com a entrada repentina no mercado imobiliário de tantos apartamentos enormes e luxuosos em Roma e arredores? Não iriam à falência alguns restaurantes de Roma com várias estrelas Michelin? Tremo só de imaginar tal desastre.

Medidas drásticas estão a ser tomadas um pouco por todo o lado. Por isso, é previsível que tenha surgido um comunicado oficial do Vaticano, confidencial e sigiloso. Algo deste género: “Gabinete de Informação Interna do Vaticano – Comunicado – Avisa-se todos os prezados cardeais e prelados em geral que, devido à ameaça do Corona Vírus (todavia enviado por Deus, cujos desígnios são insondáveis) e às restrições aplicáveis a quaisquer contatos íntimos, estão suspensas até nova ordem todas as festas e convívios com seminaristas, meninos de coro e internados de instituições de apoio à infância desvalida, assim como as noitadas de copos com jovens membros da guarda suíça. Vamos todos rezar e pedir a Deus para as coisas voltarem ao normal”.popeye9700@yahoo.com

 

 

BAGA DO CORAÇÃO DE PAI (BB101)

Março 10, 2020

Tarcísio Pacheco

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BAGAS DE BELADONA (101)

HELIODORO TARCÍSIO

BAGA DO CORAÇÃO DE PAI –  Toda menina baiana tem / Um santo que Deus dá / Toda menina baiana tem / Encantos que Deus dá / Toda menina baiana tem / Um jeito que Deus dá (…) in Gilberto Gil, Toda Menina Baiana.

Nascida distante, joia, diamante, princesinha de lá. Fruto do amor, de pedaços de dor, de histórias que a vida tem. Pele de chocolate, coração que bate sob a luz do sol. Cabelo enrolado, sorriso animado, alegria sem fim. Alma generosa, gentil, poderosa, enlevo da mãe. Filha do desassossego, depois é apego que vem para ficar. Fonte de ternura que de tão pura só sabe abraçar. Morena cor de canela, a cor dela traz o brilho da vida. Toda emoção, calor e paixão, que vêm da terra natal. Olhos sem fundo, do tamanho do mundo, castanhos, enfim, doces, leais e tudo o mais que se diz de olhos assim. Poeta, bailarina que, de pequenina, veio sempre a cantar. Amor da mãe, do pai também e de quem mais se encantar.

Este pequeno texto é uma homenagem e uma declaração de amor incondicional à minha filha mais nova, Júlia, nascida na cidade de Feira de Santana, a Princesinha do Sertão, na Bahia, Brasil, a 9 de março de 2011. popeye9700@yahoo.com

 

 

 

BAGA CENTENÁRIA (BB100)

Março 05, 2020

Tarcísio Pacheco

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imagem em: https://www.eventbrite.co.uk/e/boney-m-featuring-maizie-williams-at-boisdale-of-canary-wharf-tickets-90607843499

BAGAS DE BELADONA (100)

HELIODORO TARCÍSIO

 BAGA CENTENÁRIA – Nos meus tempos de Liceu, basicamente a década de 70, costumávamos festejar os centenários das disciplinas com mais aulas, geralmente Português e Matemática. Pedíamos aos professores, levávamos música e comida e fazíamos uma festinha. Não sei se isso ainda acontece pois abandonei a atividade docente formal em 1992. Consigo recordar-me perfeitamente de um certo centenário em que a música ficou por minha conta e eu levei o meu gira-discos. Entre outros, levei um LP dos BONEY M, um grupo de cantores caribenhos a residir na Europa, que teve grande sucesso nos anos 70 e 80, apesar de se saber que praticava o playback vocal, algo que não era incomum nem assim tão malvisto na época. Um dos seus temas mais conhecidos é, provavelmente, Daddy Cool, uma coisa com uma batida disco, que eu adorava dançar. Eram três moças e um tipo, o Bobby Farrel, na primeira versão do grupo porque depois houve muitas confusões com esta banda. As meninas diziam que eu, com o meu ar amulatado que, até hoje, não encontra suporte genético na história da família, me parecia com o Bobby, o que me deixava todo babado pois o homem era considerado bonito dentro do género (pele escura, lábios grossos, gadelha frisada) e era uma vedeta na época. Eu estava então a começar a perceber que afinal não era um patinho feio e que, não sendo o bonitinho da turma, por quem todas as meninas suspiravam (esse era o Jorge Miguel Azevedo e, de uma forma geral, os branquinhos de cabelo liso e claro) também tinha os meus trunfos. Estava a crescer e a ficar menos inseguro. A descobrir que, afinal, as “beiçanas de preto” tinham o seu mercado mesmo na Terceira da década de 70. E outras coisas negroides também, como vim a perceber mais tarde. Enfim, o Bobby Farrel era mais velho do que eu (nasceu em 1949) e já desencarnou, em 2010, em S. Petersburgo, na Rússia, depois de ter atuado na véspera. Falhou-lhe a batida da máquina. Foi sobretudo um cantor (mesmo que falso), um dançarino e um DJ. Lendo a informação biográfica dele, percebo que tínhamos mais coisas em comum, para além do tom de pele, da boca e do nariz, nomeadamente o gosto pela música e pela dança. E, curiosamente, o amor pelo mar, já que Bobby foi marinheiro na sua ilha natal de Aruba antes de vir para a Europa.

E é com este apontamento histórico que pretendo assinalar a minha Baga n.º 100. Não faltam temas de escrita. O mundo está podre e a desabar à nossa volta. Os Açores, infelizmente, não são exceção, mesmo que o pareçam. Prevejo tempos difíceis. Nenhuma feira de tecnologia me fará mudar de opinião. A tecnologia é importante, mas é não é tudo e nem sequer é o essencial. Deus, se existe, está desaparecido e a maioria das religiões não ajuda em nada, pelo contrário.

Esta série, das Bagas de Beladona, que pretendi livre, crítica e incómoda, mas sobretudo um espelho de alma, está integralmente publicada no meu blogue (popeye9700.blogs.sapo.pt) e iniciou-se em junho de 2015. Sempre fui preguiçoso para escrever, por isso fico contente por ter chegado até aqui. Abordei muitos temas diferentes, com realce para os meus “ódios” de estimação, políticos em geral, partidos políticos, capitalismo, convencionalismo, fanatismo, poluição, a Igreja Católica, Cavaco Silva, Passos Coelho e Paulo Portas, imbecis perigosos como Trump e Bolsonaro, temas “fraturantes” (adoro) como o aborto, o casamento gay e a eutanásia. Desde que passei a publicar o meu endereço eletrónico, recebi muitos emails de apoio e apenas um desagradável, de um tipo que se escondia atrás do pseudónimo de “Special One”, mas que sempre soube quem é, alguém que não apreciou as minhas críticas ao que era mais que evidente e agora é uma certeza, a decadência da tradição da tourada dos estudantes da Terceira. Não tenho qualquer ambição específica, muito menos a de ser herói ou mártir, mas a verdade é que fui insultado na rua e ameaçado de violência física, sempre pela mesma pessoa e apenas por essa, um fascista. E um dia, dei com uma sabotagem no meu barco (um veleiro de cruzeiro) destinada a fazer-me cair ao mar, quando menos o esperasse. Nunca soube quem o fez. Mas também podia ter sido, na altura, algum marido furioso. É uma hipótese.

Por outro lado, é bem frequente que desconhecidos me cumprimentem na rua e me falem das Bagas. Ainda no passado fim de semana, isso aconteceu, por duas vezes. Não escondo que isso é gratificante porque todos os que escrevem o fazem para serem lidos. Se disserem o contrário, estão a mentir. Vou continuar a escrever para esses que gostam de mim e a chatear os outros. Nunca soube bem o que queria. Mas sempre soube que não queria ser mais um na carneirada.popeye9700@yahoo.com

 

 

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