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popeye9700

Crónicas e artigos de opinião, a maior parte publicada no Diário Insular, de Angra do Heroísmo.

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Crónicas e artigos de opinião, a maior parte publicada no Diário Insular, de Angra do Heroísmo.

BAGAS DE BELADONA (21)

Outubro 26, 2016

Tarcísio Pacheco

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 iMAGEM EM: http://refensdabd.blogspot.pt/2009/09/o-verdadeiro-animal-feroz.html

 

BAGAS DE BELADONA (21)

 

HELIODORO TARCÍSIO

 

BAGA ELEIÇOEIRA – Fiquei feliz com o resultado das eleições legislativas nos Açores. Obviamente, porque ganhou o meu partido, o Partido da Abstenção. Ficámos largamente à frente, com uma clara vantagem de cerca de 60%. O que é a percentagem obtida pelo PS, cerca de 46%, à vista disto? Um resultado simpático.

A nossa esmagadora vitória não parece, no entanto, incomodar muito qualquer força partidária, uma vez que poucos se lhe referem. É compreensível. Quanto menos se chamar a atenção para o facto do parlamento açoriano, nos próximos 4 anos, ser constituído por deputados eleitos por cerca de 40% dos potenciais eleitores, melhor para o status quo. É que, debater a sério o problema da abstenção nos Açores, implica reflexão profunda, honesta e conscienciosa. Vontade de mudar. Reformar o sistema. De certeza absoluta, alterar o Estatuto Autonómico, o que significa alterar a Constituição Portuguesa. Comprar brigas com a Metrópole. Enfim, uma canseira e uma carga de trabalhos. Mais vale fingir que está tudo bem e deixar andar.

Mas vamos aos factos: importa analisar a motivação dos abstencionistas. Um excelso analista de uma estação de TV diz que se deve ao atraso, pobreza e miséria dos Açores. Deve ser, provavelmente, alguém que planeia passar umas belas férias nos Açores, fazendo caminhadas entre as ilhas na maré-baixa, com um saco de rebuçados na mochila, para atirar (de longe, por causa dos piolhos) aos miúdos descalços e ranhosos que vagueiam pelos Açores, enquanto os pais tentam a sorte na jorna e as mães lavam roupa para fora na ribeira.

Acho melhor perguntar ao António Bulcão. Ele diz que não se pode saber o que pensa um abstencionista. Mas afirma que somos basicamente estúpidos e amantes do sofá. São deduções misteriosas, a partir do nada. Mas a religião cristã baseia-se em mistérios incompreensíveis e chegou a fazer muito sucesso. E vejo frequentemente o Morgan Freeman no canal Discovery, a falar dos mistérios do universo, que continuam bastante misteriosos quando ele se cala. E a gente vê na mesma, porque o Morgan é um tipo fixe, que tem um ar inteligente, faz muitos filmes e parece saber o que diz…

Atrevo-me a dizer que a causa talvez não esteja no sofá. Isto porque estava um belo  sol outonal no dia 16 e o sofá é bem capaz de se ter tornado incómodo. Resta-nos a explicação Bulcânica, da estupidez. Pode ser, se somos atrasados, pobres e miseráveis, porque não haveríamos de ser também estúpidos…

Pela lógica Bulcânica, a inteligência está toda concentrada nos 40% que foram às urnas. A nata dos Açorianos (e Açorianas, para cumprir o politicamente correto e abundante nesta campanha eleitoral). Conhecendo eu algumas pessoas que votaram, só posso dizer que é incrível como as aparências, por vezes, iludem imenso. E então, os votos em branco…A informação que se pode extrair de um voto em branco é fantástica. Nem sei porque a CIA ainda não se dedicou a este tema. Eu não, porque eu sou estúpido mas tenho a certeza que o Bulcão olha para um voto em branco e escreve logo um daqueles seus textos para o DI, daqueles com 6.000 caracteres, mesmo por debaixo daquele aviso em itálico, a dizer que só se pode escrever 3.000 caracteres (incluindo espaços). A revelar tudo sobre o votante desde o género até aos esqueletos no armário, as virtudes, os vícios, o regime alimentar e se muda de cuecas e meias todos os dias. A única informação que poderá estar em falta é a razão para a pessoa ter votado em branco mas, caramba, ninguém é perfeito, não sejamos demasiado exigentes.

Com tudo isto, não se pense que não gosto do António Bulcão. Somos amigos. Acho que ele passou ao lado de uma grande carreira política. Pelo menos, ao contrário de Trump, não apalpou ninguém. Quer dizer, que eu saiba. Não podemos ter a certeza. A menos que ele votasse em branco, claro. POPEYE9700@YAHOO.COM

BAGAS DE BELADONA (20)

Outubro 20, 2016

Tarcísio Pacheco

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BAGAS DE BELADONA (20)

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HELIODORO TARCÍSIO

 

BAGA DINAMARQUESA – Recentemente, tive oportunidade de ver um trabalho na Internet sobre a organização social dinamarquesa. Os apoios que recebem na Dinamarca as pessoas carenciadas e as famílias com muitos filhos, não apenas financeiros mas também de outros tipos, são impressionantes. Sem contar que, apesar do salário mínimo não estar regulamentado, anda, em média, à volta dos 1.800 euros brutos. Não muito abaixo do salário bruto de um funcionário superior em Portugal, com quase 30 anos de carreira. É um país em que o equilíbrio e a justiça social são levados muito a sério. É um país que funciona. Agora, pergunta-se, é um país muito grande? Com muitos habitantes? Tem petróleo, minas de ouro, jazidas de diamantes? Não senhor. É um país cheio de recursos, com elevado potencial de desenvolvimento? Nem pouco mais ou menos. É uma meca turística? Nem por isso. O que tem é governantes decentes, empresários honestos, um povo culto e informado, um sistema de ensino público de qualidade, uma verdadeira cultura de dignidade humana, justiça social, partilha de recursos, valorização do trabalho e uma política salarial justa. Monárquico, republicano, democrático, europeísta, seja lá o que for, Portugal sempre foi e parece-me que nunca deixará de o ser, um país em que uma reduzida elite explora a seu bel-prazer um povo ignorante, inculto e alheado. Gosto de ser português e não queria ser outra coisa mas isso não me impede de saber em que raio de país me calhou nascer desta vez. Um país que deixou Cavaco Silva no poder, tantos anos, é um país que gosta de sofrer. Questão de fado.

 

BAGA CARTAZES ELEITORAIS – Os cartazes eleitorais que tenho visto por aí na nossa cidade estão muito bem e, sem dúvida, remetem para a realidade dos diversos partidos. Por exemplo, o cartaz do PSD mostra Duarte Freitas, que até é do Pico, com um cachalote solitário ao fundo, a exibir-nos a cauda, num mergulho para as abissais profundezas; pode deduzir-se que o líder regional é um mamífero solitário, que dispensa companhias indesejáveis, num mergulho arriscado para o abismo, de onde pode até nem voltar. Artur Lima, no cartaz do CDS-PP, aparece-nos com as suas habituais sobrancelhas desniveladas, numa permanente careta de desdém e continuamos a ignorar de que fruta é que ele gosta, em contraponto com a sua chefe, que toda a gente sabe ser doida por kiwis. Quanto à CDU, trabalho de equipa sempre, amigos e companheiros de luta, dentuça arreganhada, braço dado com o povo, rumo aos amanhãs que cantam, mesmo que cantem baixinho. Já o BE, qualquer cartaz serviria desde que tivesse lá Catarina Martins, Marisa Matias ou Mariana Mortágua; o difícil é escolher entre as três; tenho as minhas preferências secretas mas, no fundo, no fundo, queria-as todas. O cartaz do PS lembra-me aqueles westerns da minha infância em que havia o actor mas o amigo do actor era tão fixe que às vezes nem sabíamos quem eram um e outro; mas na verdade isso não era importante desde que houvesse um cromo qualquer com a estrela de xerife e índios bastantes para aquele número do cerco à caravana.

 

BAGA BULCÂNICA – Na amável cartinha pública que o meu amigo António Bulcão me dirigiu recentemente neste jornal, revelou-nos o tipo de democracia musculada que poderíamos esperar se ele chegasse ao poder. “Ai, és funcionário público e não votas? Rua, vai varrer caca de frango para a AviToste!”. Confesso que esta violência toda me arrepiou. E não me apetecia nada varrer caca de frango ou qualquer tipo de caca, já agora. Mas, no fundo, sei que até estamos do mesmo lado, ambos acreditamos que o sistema está podre. Acho que foi daí que me veio a ideia da caca. Só que o Bulcão é muito mais inteligente do que eu. Ele percebeu que se fizer sempre a mesma coisa, da mesma maneira, um dia até pode ser que dê certo. POPEYE9700@YAHOO.COM

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