HISTÓRIA DE UMA VILANIA
Março 18, 2016
Tarcísio Pacheco
HISTÓRIA DE UMA VILANIA
Aviso: esta história tem bolinha vermelha e não é aconselhável a personalidades mais sensíveis. E não, não tem nada a ver com o Classic Bar nem com o Bataclã do Porto Judeu. A minha religião até permite lá ir, eu é que não me permito.
Bom, ontem, dia da graça de 17 de Março, dedicado a S. Patrício, fui à marina na hora de almoço, apanhar um pouco de sol. Voltava eu, todo feliz e contente pela rua Direita fora, lalalalalalalala, com as baterias recarregadas, tipo Heidi a apanhar flores num prado alpino e às tantas, voltei-me para trás para saudar um amigo, que estava do outro lado da rua. Acto contínuo, quando retomo o meu caminho, de regresso a um trabalho honesto, fora da política, eis que uma besta, um estúpido, um ordinário de um candeeiro de rua arremeteu contra mim, SEM QUALQUER PROVOCAÇÃO da minha parte e pregou-me uma valente trombada na testa, deixando-me o altar-mor nesse triste estado que aí vêem…Antares, Aldair, Sirius, Centauri… são os nome de algumas das estrelas que vi no momento…Comecei a ver a minha vidinha a andar para trás ou então estava a ver tudo ao contrário, é difícil de perceber, perante um trauma destes…
A cambalear, o sangue a escorrer para cima do olho, os meus óculos da Sportzone jazendo no chão, os transeuntes horrorizados já a querer chamar a carrinha do suporte de vida, eu ali entre a vida e a morte, já a ver a tal luz branca (ou então o psicopata do candeeiro estava aceso) mas ainda consciente e a ouvir (muito ao longeeeeee) as expressões das pessoas, “coitado”, “ele ainda ERA novo”, “eu conheço este senhor”, “qué que foi, qué que foi, tu viste???”, “foi uma briga??”, etc , etc, o que valeu foi a pronta intervenção do tal meu amigo que, involuntariamente, estava envolvido na situação e que me levou para a loja dele (loja das Molduras) para eu me limpar e recuperar na toilete. Muito obrigado amigo Fernando, ontem ganhaste o céu, apesar de provavelmente já o teres ganho por seres tão bom emoldurador quanto pescador.
Hoje, estou consternado, por várias razões: o lado atingido foi o meu melhor lado; não tenho dinheiro para cirurgias plásticas e com o para-brisas neste estado, agora é que nunca mais vou conseguir realizar o sonho de me casar e passar uma lua-de-mel na República Dominicana; vou ter de ficar para pai mesmo; e estou chocado porque sempre encarei os candeeiros com amabilidade e simpatia; cheguei mesmo a cumprimentá-los duas ou três vezes, quando voltava para casa a desoras vindo das loucas Sanjoaninas dos anos 90; eu não merecia uma coisa destas. O mundo está virado de avesso.
Pois bem, meus amigos, publico aqui uma foto do energúmeno e uma breve descrição: alto, todo verde, muito magro, rijo, (extremamente rijo), muito antipático, não fala com ninguém, não cumprimenta sequer (lembra-me alguns colegas de trabalho), violento, imprevisível, agressivo, considerado muito perigoso e, vim depois a saber, procurado pela Interpol. Se por grande falta de sorte se cruzarem com ele, vão pelo meu conselho, mudem rapidamente de passeio. E se, por acaso, derem por falta do vilão, provavelmente é porque ele foi recrutado na Internet e está na Síria, onde pode cevar os seus baixos instintos, agredindo selvaticamente cristãos, minorias e mulheres em geral.
Finalmente, S. Patrício, onde estavas tu??? Na gandaia, não era, vestidinho de verde alface e a empinar Guiness???

