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popeye9700

Crónicas e artigos de opinião, a maior parte publicada no Diário Insular, de Angra do Heroísmo.

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Crónicas e artigos de opinião, a maior parte publicada no Diário Insular, de Angra do Heroísmo.

PÓS - CHARLIE

Fevereiro 13, 2015

Tarcísio Pacheco

charlie hebdo.png

 

imagem em: http://charliehebdo.fr/

 

 

O PÓS-CHARLIE

 

TARCÍSIO PACHECO

 O Charlie foi mais daquilo a que já nos acostumámos. Violência e homicídio às mãos de extremistas fanáticos. O que eles defendem ou querem é indiferente. Todos querem alguma coisa e acham-se no direito de matar para o conseguir.

O pós-Charlie está a ser como previra. Recentemente, no rádio do carro, ouvi uma senhora clamar que era “essencial” debater a liberdade de expressão; que nada está “acima da crítica” incluindo a liberdade de expressão. Não apanhei o nome da senhora mas para ser entrevistada sobre o assunto devia ser uma VIP nacional, mesmo que de categoria B ou C. Também acrescentou que o Charlie Hebdo já tinha publicado cartoons “violentos” contra outras religiões, incluindo a católica. E que, como católica, se tinha sentido muito ofendida. Sorte do Charlie Hebdo que na altura esta senhora não tinha um par de Kalashnikovs à mão.

Seja quem for esta senhora, para mim já passou a ser a Rainha da Falácia. É claro que devemos ser livres de debater a liberdade de expressão ou outra coisa qualquer. Mas neste momento temos liberdade de expressão, então se a queremos debater é para a restringir. Esta é a primeira falácia. A outra é a linha de pensamento implícita de que liberdade de expressão é muito fixe mas só enquanto não “ofende” ninguém. Parece-me uma questão de obtusidade inteletual não perceber porque é que este tipo de discurso é falacioso. Haverá sempre algum fanático, um ignorante ou um simples idiota para quem alguma coisa é “sagrada”. Então, para não “ofendermos” ninguém, talvez devêssemos fazer um referendo nacional sobre matérias suscetíveis de ofender alguém e com o resultado final criar um Índex de assuntos sobre os quais será proibido fazer humor. Já estou a ver o filme:  todas as religiões, o ateísmo e agnosticismo porque também têm direito, a Santíssima Trindade, mesmo que ninguém entenda o que é isso, as mães, os partidos políticos, os governantes e presidentes da República, militares e polícias, juízes, clubes de futebol e por aí fora, a lista de temas e personalidades “sacralizáveis” será com certeza interminável.

Meus caros, deixem-se de tretas. Essa coisa do “sagrado” não passa de uma invenção humana. Ninguém, jamais,  apresentou provas de que o seu Deus existe. E jamais Deus algum se revelou em direto à Humanidade de forma universalmente indiscutível. Então, todas as religiões e teorias “sagradas” são criações puramente humanas, tão criticáveis e ridicularizáveis como outra coisa qualquer. Além de que, evidentemente, parto do princípio de que liberdade de expressão é um assunto cívico, social, coletivo e institucional  e que religião é da esfera pessoal, íntima e privada. Nada de confusões, muita gente morreu para que chegássemos até aqui.

Para mim só existe uma coisa sagrada, que é a vida, até porque nós não a sabemos criar nem devolver, uma vez perdida. Ela é-nos oferecida e deve ser integralmente respeitada. E todas os dias ela é espezinhada neste mundo. Indignem-se com isso.

Acho incrível que as pessoas se amofinem contra a “liberdade de expressão”  e não demonstrem qualquer preocupação com a exportação do islamismo radical para todo o mundo, com a multiplicação das escolas corânicas na Europa, com o uso das mesquitas para espalhar o veneno da intolerância e do ódio, com a pressão dos tradicionalistas para que lhes seja permitido praticar na Europa a discriminação, escravização das mulheres e a fanatização das crianças que praticam nas Arábias, com a confessada intenção de islamizar o mundo todo, tanto através da força bruta  como do cavalo de Tróia da democracia. Não sou contra o islamismo como não sou contra religião alguma, por principio mas sou contra a força bruta, a violência, a discriminação, a intolerância e o fanatismo, tudo coisas típicas das sociedades submetidas à sharia. Querem mudar alguma coisa ao nível da liberdade de expressão? Então lutem pela liberdade de expressão das mulheres no Egipto, para dar apenas um pequeno exemplo. Elas, que são humilhadas, discriminadas e violadas todos os dias, vão agradecer-vos.

Os únicos limites para a liberdade de expressão devem ser os que estão definidos na Constituição de cada país bem como na Lei Civil. Se ocorrer algum atropelo, devemos recorrer ao sistema de Justiça, independente por definição.

Entretanto, devemos rir muito, de Jesus, de Maomé, de Buda e do resto da pandilha toda. Rir só faz bem à saúde. Apanhar com balas e bombas é que é um bocado indigesto. E se não fosse pelo facto da Humanidade ser tão violenta, agressiva e perigosa, eu diria que somos uma raça ridícula. Talvez metade do Universo inteligente se ria de nós. E talvez a outra metade nos veja como uma praga de gafanhotos. POPEYE9700@YAHOO.COM

IRINA, MEU AMOR

Fevereiro 12, 2015

Tarcísio Pacheco

Irina.jpg

 imagem em: http://www.cartoonstock.com/directory/I/irina_shayk.asp

 

 

IRINA,  MEU AMOR

 

TARCÍSIO PACHECO

 

Cristiano Ronaldo e Irina terminaram o relacionamento. Já há dias que eu andava desconfiado. Desde que comecei a receber no facebook mensagens privadas duma tal I. num português esquisito, dizendo-me coisas como “eu acha tu muito gira pá”. Bom, devo dizer que adotei uma atitude defensiva. Podia ser casada, podia ser feia e a minha ética não me permite aceitar piropos de mulheres casadas feias.

Bom, mais tarde tudo se tornou se revelou. Era mesmo a Irina e ela  estava apenas a ser cautelosa porque o CR é muito ciumento. E tinha-lhe dito: “Irina, abre-me bem essas orejas, se um dia eu me fartar de ti (porque o contrário está fora de cogitação, mesmo não sabendo eu o que significa isso), não permito que namores nenhum português ou mesmo qualquer outro europeu; poderás escolher duma lista constituída por turcos, bolivianos, mongóis e nativos da Samoa”. Por isso, ela tinha muito medo, coitadinha, de revelar ao mundo a sua paixão por mim. Porque ela gosta de Portugueses. Não gosta é do CR, que é madeirense, tal como o Alberto João Jardim, que ela acha um sapo que nenhuma princesa no seu perfeito juízo beijaria, a menos que estivesse fechada por dez anos numa torre e mesmo assim seria de olhos fechados. Mas agora, tudo se resolveu. Negociei com o CR, ofereci-lhe o meu vistoso Daihatsu SIRION numa linda cor verde-alface para a coleção dele (ele já tinha um SIRION mas em cinza vulgar) e a bola de ouro que ganhei na década de 90 no Casa do Povo da Terra-Chã, como melhor marcador da época, ao serviço do FC Batatinhas. A bolas de ouro ele não resiste e esta, ele não se gabava de ter, não é para qualquer um. Mas enfim, pela minha Irinazinha, vale tudo.

Consequentemente, já podemos anunciar a nossa felicidade ao mundo. Já convoquei uma conferência de Imprensa mas na Terceira dei o exclusivo ao Açores Audiência. Recusei o pedido insistente do Diário Insular e mandei mesmo a minha secretária dizer ao Armando Mendes que estou em reunião todos os dias e não posso atender os telefonemas histéricos dele.

Sei que estão ansiosos por saber detalhes mas, para resguardar a nossa intimidade, não há muito que possa revelar. Ela dizia-me umas coisas em russo que eu não entendia, claro, mas que me soavam bem. Eu já tive uma namorada russa mas, para dizer a verdade, quando estávamos juntos, falávamos pouco. Consegui a tradução e era assim: “meu valente cossaco”, “meu tigre da Sibéria”, “meu magnata de gás natural” e outros mimos do género lá da terra dela. Rimos muito e agora, nos nossos curtos intervalos entre o amor, estou a ensinar-lhe a dizer estas coisas em Português. Ela enrola-se toda mas já vai conseguindo, é muito fofinha, com uma jeiteira para línguas que só experimentando…

Já tivemos também umas conversas sérias. Certas coisas terão de mudar, outras não. Ela pode continuar a fazer fotos meio descascada porque, enfim, pagam-lhe bem, moralismos não põem o pão na mesa a ninguém e ela também não aprendeu a fazer mais nada e tem de ganhar a vida. Mas essas cenas das Sheychelles acabaram-se. Já lhe disse que, para férias, prefiro a Fajã da Caldeira de Santo Cristo. Pensei que ela ia barafustar mas ela só me disse “oh yes yes my sweet Tati – ela chama-me Tati na intimidade, é uma ternurinha – anything that you want my master, just name it…”. Gostei mas confesso que não estava à espera, um homem latino bonito tem um poder que às vezes a gente subestima. Uma amiga jorgense sugeriu-me que lhe desse amêijoas na boquinha. É uma ótima sugestão mas talvez eu opte por a ensinar a chupar lapas, coisa que a minha mãe diz que eu faço muito bem desde criança. Quando ela me mandava à mercearia dos Quatro Cantos e eu refilava, ela invariavelmente dizia “raspa-te  imediatamente e para de chupar lapas…”.

Os homens querem sempre saber como realmente a conquistei. Claro que eu baixo os olhos e pestanejo candidamente, certos truques, a gente não revela. Mas posso adiantar que houve um momento decisivo: foi quando ela soube que o museu em que trabalho não é “o meu museu” e que não há qualquer estátua da minha pessoa aqui na cidade . Nesse dia, ela olhou-me com aqueles lindos e frios olhos eslavos e disse-me “ka fixe pá, tu és uma gajo normal”. Depois, vestimo-nos e fomos tomar chá. POPEYE9700@YAHOO.COM

 

 

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