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popeye9700

Crónicas e artigos de opinião, a maior parte publicada no Diário Insular, de Angra do Heroísmo.

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Crónicas e artigos de opinião, a maior parte publicada no Diário Insular, de Angra do Heroísmo.

CARTINHA DE DESPEDIDA

Dezembro 27, 2013

Tarcísio Pacheco

 

 

 

imagem: http://kruzgkarikaturas.blogspot.pt/2012/10/caricatura-de-passos-coelho.html

 

 

Exmo. Senhor Primeiro-Ministro

 

Sei que corro o risco de ser demasiado precoce mas, além dessa ser uma caraterística inerente à minha natureza, quero ser o primeiro a despedir-me. Porque é efetivamente de uma triste despedida que se trata. E digo-o, para ter uma ideia, com a mesma sinceridade com que o senhor faz promessas eleitorais, com um peso no coração, como se, subitamente, me tivessem pousado no peito, em moedas, sacos e sacos com todo o dinheiro que foi forçado a tirar-nos, entre cortes e impostos.

Quero dizer-lhe que estou solidário consigo e entendo perfeitamente o facto de ser praticamente impossível lutar contra uma fortaleza inexpugnável, conhecida em Portugal pelo sinistro nome de Constituição e defendida por um bando de 13 ninjas vestidos de negro, brutos, intratáveis e versados em todas as artes de combate. Que, ainda por cima, contam com o apoio de um povo ingrato, que não conseguiu entender o alcance e a pureza das suas intenções, que não gosta de ser ajudado, teima em não se deixar ajustar e nem quer ouvir falar em ser salvo; que, apesar das suas inúmeras e esforçadas explicações, por manifesta ignorância e insensibilidade, nunca conseguiu entender que é preciso empobrecer para evitar a pobreza. Assim, quando ela chega, a velhaca, já é tarde demais, já não nos apanha desprevenidos. Isto é genial e mostra os graves riscos que os ricos correm. É por essas e por outras que nunca quis ser rico. Infelizmente,  os génios raramente são reconhecidos em vida.  Lembro também, com especial pesar, as baixas de vulto que teve no seu exército,  os generais tombados, o impávido e sereno Sir Vítor Gaspar, o “Mãozinhas” como sei que carinhosamente lhe chamavam na intimidade, o Senhor Professor Doutor Miguel Relvas que sacrificou a sua potencialmente brilhante carreira académica para perder noites a seu lado, mal alimentado pela tasca da Assembleia da República, a desenhar os planos para a salvação de Portugal, sem tempo sequer para se casar. Só conheço outro sacrifício desta dimensão e já foi há mais de 2000 anos. E outras vítimas mais recentes, humildes secretários de estado, como Hélder Rosalino, que também tombou no cumprimento do dever, não sem antes ter causado sérios estragos nas hostes inimigas, que nunca o esquecerão.

Lembro também outros momentos igualmente dramáticos, plenos de tensão, como aquela horrível briga de família que foi protagonizada pelo seu vice e irmão de sangue, Paulo Portas, que felizmente terminou bem e de que resultou, afinal,  uma relevante contribuição para a Língua Portuguesa. Desde então, os dicionários portugueses ficaram enriquecidos com dois significados diferentes para o termo “irrevogável” que, na verdade, era um pouco dúbio. Assim, agora temos a entrada “irrevogável pré-Portas” que significa: que não se pode revogar em caso algum”; e logo abaixo,  a entrada “irrevogável pós-Portas” que significa: que não se pode revogar em caso algum exceto nos casos em que forem apresentados argumentos irrecusáveis. Obviamente, esta segunda definição é muito mais completa e faz todo o sentido.

O senhor tem toda a razão em estar magoado senhor Primeiro-Ministro. O senhor teve um sonho lindo, acabar com todos estes entraves ao progresso, os reformados e pensionistas, os velhos em geral (com as nobres exceções de velhos políticos de direita e velhos empresários), os doentes, as crianças, os funcionários públicos em geral, os professores, os médicos, os enfermeiros, os polícias (excetuando o Batalhão de Choque), os políticos de esquerda,  os militares, os juízes imparciais, a Constituição e  o Papa Xico I e criar um país novo com os políticos de direita, os empresários, os banqueiros, os exportadores, os jovens empreendedores,  presidentes da República muito compreensivos e presidentes da Comissão Europeia desempregados. Contou mesmo com aliados poderosos, o FMI, o Banco Central Europeu, a Comissão Europeia, os senhores dos mercados e a Bolinha de Berlim. O objetivo final era nobilíssimo, fazer Portugal feliz para sempre e até mesmo para além disso. Mas as forças do mal mostraram-se demasiado poderosas. O senhor teve um sonho lindo, como Martin Luther King. Mas agora manda a prudência e o bom senso que se vá embora antes que acabe como ele. E antes que perca o resto do cabelo e engorde para lá do recuperável.

Por tudo isto, senhor Primeiro-Ministro, entendo perfeitamente que não lhe reste outra atitude senão seguir o sábio conselho de alguns anciãos e ir-se embora enquanto ainda pode ir pelo seu pé. Será mesmo um gesto de uma dignidade sem paralelo que, estou certo, provocará o aplauso comovido do país inteiro. E, dada a sinceridade que sempre pautou a sua conduta, estou certo de que essa será uma decisão irrevogável pré-Portas. Por conseguinte, emocionado e tocado pelo seu nobre sacrifício, pedia-lhe apenas que deixasse a casa devoluta o mais depressa possível, que ao menos não deixasse mais porcaria do que aquela que encontrou e que levasse consigo todo o lixo que acumulou à sua volta nestes 2 anos. Incluindo a governanta Assunção Esteves, os próximos inquilinos trazem o seu próprio pessoal. Ah, já me esquecia, o lixo da vice-presidência, dada a sua falta de préstimo para qualquer reciclagem e o seu elevado grau de toxicidade, é para ser incinerado.

Como funcionário público e possuído pelo espírito natalício, despeço-me e desejo-lhe o dobro daquilo que tinha para me dar em 2014. POPEYE9700@YAHOO.COM

SPEEDY SILVA

Dezembro 19, 2013

Tarcísio Pacheco

 

 

imagem: http://www.offbeattreats.com/ENERGYDRINKS.html

 

 

SPEEDY SILVA – UMA IDEIA EMPREENDEDORA

 

HELIODORO TARCÍSIO

Lançados que vamos, ladeira abaixo, na senda do progresso, apesar das tentativas patéticas do Tribunal Constitucional para passar uma rasteira ao progresso (ah ah,  que tontos estes juízes, como se fosse possível fazer parar um motor com tantos cavalos aos coices lá dentro), não tenho a menor dúvida que cada vez nos destacamos mais no seleto grupo dos países competitivos, na companhia de membros tão ilustres e respeitados como o Bangladesh, a China, a Indonésia, o Paquistão, as Filipinas, a Somália, Moçambique, a Guatemala, mas sobretudo o Bangladesh. Ao ponto de já se cochichar por esse mundo fora que somos o Bangladesh da Europa, qualificação que nos deixa corados de orgulho, uma espécie de Óscar do Trabalho e que abre as portas para uma intensa cooperação com a matriz original; por exemplo, enviando aquele pessoal dos Estaleiros de Viana do Castelo para fazer estágios na moderna indústria de sucata naval daquele gigante asiático.  Podendo, inclusive, levar o ferry Atlântida para praticar. Todos vemos que aquela gente não quer fazer nada e passa a vida na rua em manifestações improdutivas (nem há uma escadaria para tomar) e a incomodar o excelente ministro Aguiar Branco que, coitado, já quase não tem tempo para o pequeno-almoço, quanto mais para as suas 1001 assembleias-gerais empresariais.

Isto tudo ocorreu-me porque é impossível ficar indiferente a este tsunami imparável de progresso que varre o país, que gera dinâmica e que providencia ocupação para tanta gente, por exemplo, os polícias (menos os da Judite, que não tem gasolina), a  Cáritas, o Banco Alimentar Contra a Fome, os coveiros, o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras no controle diário de saídas (as entradas estão ás moscas, se excetuarmos os políticos, os empresários e os bandos de turco-marroquino-guienense-sírios, uns chatos que nem reportagens dão e só falam na Alemanha), etc.

Então, a situação é tão inspiradora que a gente já acorda a querer fazer a nossa parte, a participar deste esforço na recuperação da glória nacional. Há muitas formas de o fazer. Uma das mais populares é ir para a frente do Palácio Ratton (Tribunal Constitucional) atirar pedras aos Ratões  ou tentar subir as escadas. No entanto, isto tem dois problemas: a afluência tem sido muita, já vão faltando as pedras e os polícias não deixam avançar porque eles tem o monopólio de subir escadarias em Portugal.

Por isso, tenho estado atento ás oportunidades, manifestando assim o meu sentido empreendedor. Hoje, despertou-me a atenção uma notícia sobre uma trabalhadora indonésia que faleceu depois de ter passado 3 dias a trabalhar ininterruptamente, movida por uma bebida energética asiática. Que maravilhosa oportunidade vislumbrei imediatamente e que bem se enquadra no modelo do nosso novo e reformado país. Tantos problemas que podemos resolver de uma vez só, tantas áreas economicamente erógenas a excitar: excesso de velhos, empreendedorismo, exportação, horário de trabalho, produtividade, equilíbrio entre população ativa / pensionistas, etc, etc. Por isso, vou já enviar a sugestão para Pedro Passos Coelho. Basta criar um programa laboral especial para todos os desempregados com mais de 50 anos e para os pensionistas ambiciosos que desejem aumentar ainda mais os seus recursos. Os períodos de trabalho serão de 3 dias sem interrupção (idas ao banheiro por ordem alfabética – zás, já lixei a piolhosa da minha vizinha Zulmira e o javardo do meu primo Xavier), o que vai gerar uma enorme produtividade (economia a acelerar); intercalarão com 24 horas de descanso total (negociado com os sindicatos, concertação social a funcionar em pleno); seguindo modernos critérios de gestão laboral, a cada hora haverá uma paragem de 5 minutos (para o banheiro não, é por ordem alfabética) para tomar uma bebida energética nacional (reforço da produção industrial portuguesa), a descontar do salário a preços módicos (retorno imediato ou poupança de custos laborais); esta bebida também pode ser exportada, o que vai equilibrar a nossa balança comercial. SPEEDY SILVA MR poderia ser um bom nome?

Uma vantagem adicional é ainda a oportunidade para o nosso vice-primeiro ministro, Paulo Portas, ele que já é um sério candidato à beatificação, brilhar ainda mais, com a quantidade previsível de funerais e missas de 7.º dia, com muitas ocasiões para declarações aos media, em que pode fazer um ar compungido e manifestar-se seriamente preocupado com esta estranha hecatombe entre a querida população sénior. Eles vão fazer falta nas feiras, é certo. Mas não se pode ter tudo. Nem viver acima das nossas possibilidades. E o país não pode ter estes velhos todos. Como diz Medina Carreira (embora seja ele próprio um velho, no melhor pano cai a nódoa), é só fazer as contas.

Como compensação por esta ideia brilhante, com tantas vantagens, só quero uma coisa, um cargo de oficial de ligação em Brasília. De qualquer coisa, não sou esquisito, não ligo, quer dizer, ligo, seja o que for, desde que me tirem deste filme. POPEYE9700@YAHOO.COM

RESPOSTA A NUNO SOLANO DE ALMEIDA

Dezembro 07, 2013

Tarcísio Pacheco

Comentário do Sr. Nuno Solano de Almeida:

 

De Nuno Solano de Almeida a 7 de Dezembro de 2013 às 06:56
A Isabel Ferreira e medica veterinaria e tem contacto diario com animais ha muitos anos. Ela determinou que o grau de maus tratos inflingidos aos touros e disproporcionalmente maior do que o bem que eventualmente advenha das touradas de cordas para os aficionados. E esta divergencia de opinioes que, do meu ponto de vista, nao oferece qualquer disputa. Quando um animal esta a ser torturado, as pessoas nao deveriam tirar prazer disso, senao sao sadicas e isso e do foro psiquiatrico, nao do foro da opiniao, nao acha? Eu sou portugues de gema e tenho varios familiares que foram apreciadores de touradas. Mas entretanto comecou o seculo XXI e as geracoes mais novas, com o acesso a informacao que temos hoje, deixou de ficar indiferente e comecou a achar que touradas sao rituais de carnificina (nao interessa se o touro sangra ou nao, e carnificina!). Tambem nao percebi a sua referencia ao mote de voces serem pessoas bravas ai na Ilha. Voces nao estao acima dos bons costumes. Nao acho que uma sociedade civilizada seja menos masculina do que voces ai na Ilha. Mais lhe digo que isso e uma corrida contra o tempo, voces ja perderam, e so uma questao de tempo ate os aficionados como voce expirarem, pois as geracoes mais novas tem mais juizo do que nos. Os nossos politicos sao pusilanimes e e da tradicao crista que se deixe a coisa andar, para evitar confusoes. Tipico. Finalmente, eu acrescento isto: o correio de odio que a Isabel recebeu no seu blog, incluindo obscenidades, misogenia, homofobia, sao os tipos de comentarios que caracterizam o seu lado da questao. Alias voce comeca por dizer que nao quer descer ao baixo nivel mas procede para dizer que os antepassados da sua interlocutora (insulto). Depois excusa se a dizer que nao e insulto porque as palavras constam do dicionario (ja preocupado com a sua desacreditacao por ser menos literado do que a Isabel)- probema freudiano, bem dizia a Isabel!

Minha resposta:

Caro Nuno Almeida

Se não entendeu a natureza do meu confronto com Isabel Ferreira, então não entendeu nada e, nesse caso, deverá documentar-se melhor, a fim de estar plenas condições para dialogar comigo sobre este assunto. Por exemplo, se apenas leu este artigo que comentou, então, manifestamente, não tem suficiente informação para poder argumentar com conhecimento de causa. Deverá então ler todos os meus artigos sobre esta polémica. E volte depois, recebo-o com todo o gosto pois nunca entro numa polémica sem estar convicto dos meus argumentos.

A palavra que usou para se referir ao meu grau de instrução,  “literado”, não existe ou pelo menos  não está dicionarizada. Devia, com certeza querer dizer “literato” ou “letrado”, que podem ser adjetivos ou substantivos que designam, à partida, aquele que possui muitos conhecimentos de literatura. Quanto a isso, penso que deve abster-se completamente de tecer comentários. O senhor não me conhece de parte alguma, para poder avaliar-me a esse nível. E se me conhecesse, isso não iria ser muito bom para Isabel Ferreira, uma vez que sou um homem da área das Letras, ela é médica veterinária e, por exemplo, tenho a certeza que escrevo melhor do que ela, tanto do ponto de vista formal, como do ponto de vista da organização do discurso, da substância e qualidade das ideia e até da articulação da argumentação. Cada um tem a sua formação, os seus talentos, os seus valores e ideais e aplica-os da forma como acha melhor.

Vamos agora aos factos. O facto de Isabel Ferreira ser médica veterinária significa apenas que trabalha no meio e que tem determinados conhecimentos técnicos. Isso não lhe dá o direito de estabelecer dogmas, de achar que é a única pessoa a ter razão e que toda a razão lhe pertence. Até porque o menos que falta são médicos veterinários ligados ao meio taurino e que têm opiniões diferentes das dela. O facto do senhor achar que uma divergência de opiniões não oferece qualquer disputa também lhe fica nada bem pois é uma atitude intelectualmente muito arrogante. A divergência de opiniões é fundamental para a evolução das sociedades e a disputa no campo das ideias é a única forma legítima e eticamente aceitável de operar a evolução.

O meu confronto com Isabel Ferreira não radica essencialmente na defesa do conceito de tourada. A razão principal para isso é eu pensar que existem muitos tipos diferentes de touradas. O senhor e Isabel Ferreira acha que são todas iguais, o que me parece uma posição incoerente e impossível de sustentar. Sobretudo pelo facto de que as touradas, onde existem, por esse mundo fora, exibem diferenças muito substanciais. Algumas são muito nocivas para os animais, nalguns casos mortais mesmo, algumas um pouco nocivas e outras pouco ou nada nocivas. Dizer que são todas iguais , que todas significam “tortura” e “grande sofrimento” para os animais é uma posição incoerente, tosca e grosseira. E algumas estabelecem compromissos com os animais, quase uma espécie de “acordo”, que tem caraterísticas vantajosas para eles, por oposição à pura e simples extinção. Está neste caso, do meu ponto de vista, a tourada à corda na ilha Terceira.

Contudo, não vou aqui repetir a minha defesa da tourada à corda na ilha Terceira. Essa está suficientemente expressa nos meus artigos sobre este tema, publicados no Diário Insular e neste blog. O meu confronto com Isabel Ferreira é no âmbito da tourada à corda terceirense e não se radica no facto de termos ideias diferentes sobre o assunto. Esse facto, para mim é totalmente respeitável. Ninguém encontra artigos meus em lugar algum defendendo as touradas em geral nem tomando partido na guerrilha taurinos / anti-taurinos. E tenho o maior respeito pelas pessoas que defendem os direitos dos animais, até porque são meus camaradas de luta, eu próprio sou um deles. Sou um defensor dos direitos dos animais e tenho-me manifestado ativamente, de diversas formas, contra tortura, maus tratos e abandono, eutanásia em canis e gatis públicos, criação industrial para abate, criação industrial para aproveitamento de subprodutos (pele, pelo, penas, ovos, leite, fígado), experiências com fins médicos ou de investigação, animais em circos, animais em jaulas em zoológicos, contra a caça à baleia nos Açores, contra a caça controlada de golfinhos nos Açores (defendida por um alto responsável açoriano há anos atrás)  e a favor do vegetarianismo como base da alimentação humana, por exemplo. Amanhã mesmo vou participar como voluntário numa feira de adoção de cães e gatos. Não aceito lições no campo da defesa dos animais. Mas aceito ideias diferentes das minhas, essa é para mim uma atitude fundamental na vida. Aceito e até aprecio o confronto de ideias.

O que não aceito são mentiras, deturpações e manipulações descaradas de factos e imagens. Assim como não aceito que se critiquem as ideias dos outros através do insulto grosseiro, gratuito e generalizado. Ora, tudo isto é a base do ataque de Isabel Ferreira à população da ilha Terceira. A primeira vez que Isabel Ferreira respondeu a um comentário meu no blog dela, sem me conhecer de parte alguma nem fazer a mais pálida ideia de quem eu sou, escreveu por exemplo que eu “não tenho uma profissão digna de um ser humano”. Ora, eu sou licenciado e funcionário público além de que não tenho qualquer ligação objetiva ao mundo taurino, excetuando o facto de ser terceirense a apreciar a tourada à corda na minha ilha. Neste campo em particular, Isabel Ferreira não tem, aliás, qualquer conhecimento de facto, uma vez que confessa nunca ter posto os pés na ilha Terceira nem desejar fazê-lo. Por exemplo, eu condeno o consumo de carne de cetáceos no Japão e sou capaz de escrever sobre isso mas não me passa pela cabeça insultar os Japoneses, escrever que eles são “incivilizados”, “gente sórdida” , “gente de maus instintos”, etc. Claro que falamos aqui de alimentação, não de divertimento público. Mas os Japoneses não precisam de comer carne de cetáceos para sobreviver. Isso é um acto cultural. Tal como a tourada à corda terceirense. Se o senhor quiser ter uma atitude leal e correta e quiser saber em que termos discordo de Isabel Ferreira, faça o favor de ler tudo o que escrevi o assunto.

Reportando-me agora ao seu comentário em particular, você e Isabel Ferreira acham que torturamos os toiros na ilha Terceira. Eu não acho e apresento argumentos nesse sentido. Não vejo nada de sádico nem em mim nem na maioria da população terceirense. No mais, concordo consigo, quem tortura animais é cruel e sádico. Do mesmo modo que “carnificina” não é um termo inventado por si ou por Isabel Ferreira. É um termo com conteúdos muito bem definidos. Nesse sentido, eu, que sempre vivi na ilha Terceira, não vejo qualquer carnificina associada à tourada à corda. Não basta dizê-lo, é preciso prová-lo e apresentar argumentos inteligentes e consistentes. De forma bem educada e respeitadora, evidentemente. Outrossim, vejo carnificinas na ilha Terceira, em todas as ilhas açorianas, na Madeira e em todo  o Continente português, nos matadouros, aviários e outras unidades de produção de carne e subprodutos animais. Aí sim, há uma imensa, sangrenta, cruel e inumana carnificina, todos os dias. Sem qualquer defesa ética, uma vez que comer animais e usar peles e pelos de animais no vestuário são actos culturais, todos eles com alternativas. Talvez Isabel Ferreira devesse envolver-se nessas questões. Até porque, como médica veterinária, deve estar completamente consciente da crueldade, tortura, monstruosidade e inumanidade que estão envolvidas nas indústrias de criação de animais. Quanto ao papel das gerações mais jovens, isso é o que me deixa mais tranquilo.  Respeitarei decerto qualquer tendência na sociedade portuguesa para acabar com as touradas, centrada nas gerações mais jovens. É assim que se opera a transformação social. Se, no futuro, uma maioria dos Portugueses se opuser às touradas em Portugal, então Portugal deixará de ser um país de toiros e touradas. Ocorrerá uma transformação tranquila e democrática. Portugal tem de ser o que a maioria dos Portugueses quiser em cada momento histórico. É por isso, aliás, que estamos na situação atual, porque uma maioria (relativa) de Portugueses assim o quis. No entanto, como existem diferentes tipos de eventos culturais que envolvem toiros em Portugal, acredito que esse assunto não poderá deixar de ter uma dimensão regional e que as populações locais terão a última palavra. Mais ainda no caso dos Açores, que são uma região autónoma, com órgãos próprios. A esse propósito, posso apenas referir que as touradas à corda na ilha Terceira continuam a ter uma maciça participação das camadas mais jovens, por enquanto. Assim é também nas ilhas Graciosa e S. Jorge, em menor escala. As touradas à corda na Terceira acabarão quando uma maioria do povo terceirense o quiser e ponto final. Será pacífico nessa altura, embora já não seja para o meu tempo. Por enquanto, posso garantir-lhe que a ilha, como comunidade, nem sequer admite discutir isso, a questão, simplesmente não existe. Quanto ao facto do senhor não ter entendido a referência à ilha Terceira como “terra de bravos”, lamento mas a culpa não é minha, é uma questão da ignorância da sua parte e não tenho paciência para lhe explicar isso aqui. Consulte a História de Portugal e a História dos Açores e aproveite para se cultivar. Também não entendi o que você quer dizer com o “meu lado da questão”.  A minha abordagem à questão é bastante pessoal, como me parece bem evidente. Se Isabel Ferreira recebeu comentários odiosos de terceirenses no blog dela, são inteiramente merecidos, tendo em conta a forma odiosa como insultou diretamente todos os terceirenses que gostam de touradas à corda. Tivesse criticado a tourada à corda terceirense com inteligência, educação e respeito e isso não lhe teria acontecido. Colheu o que semeou, ela que tente aprender alguma coisa com o sucedido. Também não vejo o que misoginia e homofobia possam ter a ver com a questão e menos ainda comigo, que sou também um ativista na defesa dos direitos das mulheres e na luta contra a homofobia. Não me misture com essas questões por favor, já que, de certeza absoluta que não encontra nada nesse sentido nos meus escritos. Deve estar a confundir-me com outra pessoa. Quanto ao que o senhor chama de insulto, “cunnilingus no orifício anal dos Espanhóis”, vê-se perfeitamente que ou lhe falta capacidade de análise ou nem sequer leu o artigo de Isabel Ferreira no Diário Insular, que motivou a minha resposta e o seu comentário. Nesse artigo, com a pobreza argumentativa que lhe é peculiar (não devem ensinar nada disso nas faculdades de medicina veterinária mas na minha faculdade ensinam….) Isabel Ferreira tem o descaramento de dizer que não insultou os terceirenses porque expressões como “doentes mentais” e “gente sórdida” vêm no dicionário. Foi em resposta a isso que, de uma forma jocosa que, obviamente,  o senhor não entendeu, substituí a popular expressão portuguesa que exprime subserviência – lamber o rabo – por cunnilingus no orifício anal (com termos que vêm no dicionário), referindo-me ao episódio  histórico que distingue a ilha Terceira como ÚNICO território  português não submetido aos Espanhóis entre 1580 e 1582. Se também não conhece isto, então precisa mesmo, urgentemente,de fazer uma revisão da História de Portugal. Se acha incorreto usar insultos que vêm no dicionário, então, por favor, peça satisfações a Isabel Ferreira, uma vez que ela é quem usa essa técnica como estratégia de base numa discussão.

Senhor Nuno Almeida, entendamo-nos, se pretende trocar argumentos comigo sobre a tourada à corda na ilha Terceira, fique à vontade. Desde que o faça de forma respeitosa e bem educada, senão não lhe respondo. E apresentando argumentos inteligentes senão também posso não lhe responder, por falta de interesse e motivação. E sem fazer considerações sobre a minha pessoa, que o senhor desconhece por completo. E, já agora, se nunca esteve na ilha Terceira, talvez convenha vir cá assistir a uma tourada à corda, para não fazer figura de ignorante como Isabel Ferreira. O que penso sobre ela está claramente descrito no meu artigo. Não desanime, o senhor começou com o pé esquerdo mas pode sempre melhorar :)

Tarcísio Silva, terceirense

 

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