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popeye9700

Crónicas e artigos de opinião, a maior parte publicada no Diário Insular, de Angra do Heroísmo.

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Crónicas e artigos de opinião, a maior parte publicada no Diário Insular, de Angra do Heroísmo.

FOLHETIM DO ARCO TÔSCO DE ALMEDINA (6)

Setembro 25, 2013

Tarcísio Pacheco

 

imagem: http://educar.wordpress.com/2009/07/04/os-cartoons-taurinos-do-antero/

 

 

Síntese do anterior: este é o sexto e último de uma série de artigos relativos ao blog http://arcodealmedina.blogs.sapo.pt/277567.html, de Isabel A. Ferreira (isabelferreira@net.sapo.pt), onde os Terceirenses são gravemente insultados. Os outros artigos foram publicados a 21, 22, 27,  28 de Agosto e 12 de Setembro. Podem também ser lidos no meu blog  http://popeye9700.blogs.sapo.pt/.  Termina aqui o folhetim, que foi todo escrito num só dia,  porque a criatura já teve muito mais atenção do que merece. Já chega.

Em última análise, nenhum grupo de Portugueses vai decidir algum dia o que acontece nos Açores. Lembro que somos uma região autónoma, com governo e parlamento próprios. Serão sempre os Açorianos e os Terceirenses em particular a decidir sobre touradas.  A criatura deve ficar longe da Terceira (e da Graciosa e S. Jorge, tudo terra de “broncos”), já que nos odeia tanto e deixar-nos em paz porque dos touros terceirenses ela não percebe rigorosamente nada embora discorra prolificamente sobre o assunto, como é próprio dos tansos. Imagine-se que a criatura, que nem sequer conhece a Terceira (como ela própria confessa ), tem um discurso completo sobre um lugar onde nunca colocou os pés. Avalia pelo que ouve dizer e pelo que viu em fotos ou vídeos. Diz também que nunca viria cá nem recomenda aos seus “amigos estrangeiros”. Não precisamos dela para nada, como é óbvio e quanto aos “amigos estrangeiros” se forem como ela, isto ia parecer um intercâmbio internacional da Casa de Saúde de S. Rafael. Mas, como diz o meu amigo Fernando Pereira, esse sim, um verdadeiro aficionado (da turma dos vídeos das marradas), que pena ela não vir - a gente metia-a num curral do tio Humberto Filipe, para ela «proteger» o 77.

Nesta altura dos acontecimentos, os meus leitores, apesar de “broncos” na sua maioria,  por decreto da criatura, já devem ter percebido que, para mim, o cerne do assunto não é a questão taurina, por vários motivos. Tentei fazer perceber isso à criatura mas, debalde, não é tarefa fácil entrar naquele escudo blindado de obtusidade hostil. Tenho o maior respeito pelas pessoas que tentam proteger e defender os animais, incluindo os toiros, até porque sou também um amante dos animais e amei, acarinhei e protegi muitos ao longo da vida. Leio os textos publicados pelos anti-taurinos, quando são inteligentes e bem escritos. Mas tenho uma alergia visceral à estupidez,  à ignorância, ao desrespeito e à falta de educação. Assim como penso que  qualquer anti-taurino que não seja totalmente vegetariano incorre em incoerência básica.

A criatura tem o desplante de proclamar  que os forcados são todos covardes e pessoas de maus instintos. Claro que isto é uma afirmação totalmente absurda e delirante. Num dos seus blogs , ela publica um texto de outrem em que há uma ridícula tentativa de manipulação das opiniões, dizendo que os forcados “atacam” o toiro. Ora, tudo o que eles fazem é agarrá-lo e imobilizá-lo. Isso dificilmente pode ser considerado um “ataque”. Isso seria se o agarrassem e o violassem, por exemplo. Mas disso nunca ouvi falar, só de histórias de amor entre pastores e ovelhas, lá pelas serranias continentais. Ora aí está um belo tema para ocupar a criatura, a defesa das ovelhas ultrajadas. Quanto aos forcados, imagino que seja preciso uma enorme dose de coragem quando o forcado da cara chama o toiro e vê aquela formidável massa, com os seus cerca de 500 kg de peso em média, de cornos em riste, a galopar na sua direção, restando ao forcado minimizar o impacto, através de uma técnica apurada e esperar o apoio dos companheiros.  Imagino que aquela viagem agarrado à cabeça do toiro, que dura alguns segundos e acaba frequentemente mal, deve parecer uma eternidade e o forcado deve sentir-se a pessoa mais solitária do mundo nesses momentos…Um pouco como os marinheiros solitários se sentem à noite no mar alto, com mau tempo. Se os forcados são os maiores covardes, então com certeza será muito fácil para qualquer anti-taurino demonstrar essa afirmação dispondo-se a pegar um toiro de 500 kg, o  que seria com certeza uma brincadeira infantil, visto o animal estar “exangue e moribundo”. Ah como eu gostava que a própria criatura se voluntariasse para provar as suas afirmações…Nem que fosse no México, eu ia lá de propósito para ajudar a procurar os dentes dela na arena.

O mundo da arrogante criatura é uma coisa assim a preto e branco, de inspiração maniqueísta. Para ela, as pessoas dividem-se em dois grupos: os do Bem, os que pensam como ela, que são todos muito inteligentes, cultos, educados, uns anjos em missão na Terra e que não gostam de touradas e os do Mal, que são todos os que pensam de forma diferente, que gostam de algum tipo de tourada, seja qual for, nem que seja uma carneirada e que são invariavelmente broncos, parvos,  idiotas, sanguinários e doentes mentais. Bom, como já disse, aqui há realmente uma patologia grave, uma obsessão pela contemplação do seu próprio umbigo sagrado, que pode levar a sérios problemas de coluna.

A criatura publicou, onde qualquer um pode ler, afirmações extremamente insultuosas sobre a ilha Terceira e os seus habitantes (todos “broncos” excetuando com certeza a meia dúzia dos seus colegas de movimento). Ela diz que a tourada à corda terceirense está moribunda e até apontou 2013 como o ano do fim. É mais uma entre muitas mentiras, está vivíssima e de ótima saúde. Lamento informar. Não há mesmo o mais leve sinal de maleita. Só se morrer de repente, de enfarte fulminante. As touradas multiplicam-se em cada Verão e andam animadíssimas. Sei que é duro  ler isto mas as perspetivas, para já,  são excelentes.

A criatura diz ainda que a Terceira nunca foi evoluída. Entramos aqui em terrenos pantanosos. Para a criatura, ser evoluído é ser contra touradas e ponto final, nem vale a pena argumentar porque é como estar a escrever para um calhau. Quem ajusta os factos à sua teoria, nunca pode ser contradito, é uma técnica infalível, embora absolutamente falaciosa, como é evidente. Evolução não é um conceito absoluto e é frequentemente confundido com mudança. Esta consiste apenas numa alteração de factos, coisas, circunstâncias, ideias. Pode perfeitamente significar um retrocesso em termos evolutivos. Um belíssimo exemplo, ter eleito Passos Coelho significou uma mudança, no entanto não houve qualquer evolução, apenas um gravíssimo retrocesso. Além disso, defina-se progresso. É mais cidades, crescimento urbano, muitos carros, shoppings cada vez maiores, lojas MacDonald’s?  A globalização torna o mundo cada vez mais cinzento e desinteressante. Cada vez mais as pessoas procuram o que é genuíno, autêntico, diferente. E a ilha Terceira é assim. Oxalá a ilha Terceira nunca mude, na sua essência.

A criatura também diz que os turistas cultos não visitam a Terceira.  Esta afirmação é tão rídicula que hesito em contestá-la, com medo que um pouco desse ridículo me contamine. É como argumentar com um doido ou um bêbado. Não é boa ideia. O Governo Regional passa a vida a fazer estudos sobre o perfil dos turistas e afinal bastava perguntar à criatura. Porque, evidentemente, quem completou “com distinção” o 1.º ano de um curso de História no Brasil sabe de tudo um pouco. A ilha Terceira, por possuir um bom aeroporto, um clima temperado, um parque hoteleiro adequado, bons restaurantes, ser bonita, ter todo o tipo de infraestruturas, uma extensão universitária,  um povo pacífico e educado com tradições originais e interessantes, é com muita frequência procurada pelo chamado turismo de Negócios ou de Congressos, envolvendo reputadas instituições do âmbito científico e cultural, por exemplo. Não vale a pena dizer mais nada, esta afirmação conta com abundante documentação.

Nest Não vejo a questão como complexa, tendo a simplificar, para facilitar a vida que, esta sim, é complicada. Na minha perspetiva, haverá touradas à corda na ilha Terceira enquanto uma maioria de  Açorianos em geral e Terceirenses em particular quiser que assim seja. A tradição é nossa e somos autónomos, a gente é que decide. Se as touradas à corda tiverem que acabar um dia, pois acabarão, nada é eterno nesta vida. Mas isso, se ocorrer, será apenas quando já não houver gente suficiente que as aprecie, defenda e promova. Seremos, com certeza, uma sociedade muito diferente, nesse hipotético futuro longínquo e alternativo. Que todas as pessoas possam continuar, livremente, a pugnar pelas ideias em que acreditam, desde que não infrinjam a lei comum e a Constituição. Mas que o façam com decência, boa educação, civilidade e sem recurso a mentiras, deturpações, insultos e manipulações.

Na verdade, tenho de confessar que vou sentir a falta dos comentários agressivos  e mails insultuosos desta criatura. É como discutir frente a frente com alguém que nos enche de perdigotos. É porco mas é melhor do que falar sozinho. Apesar de tudo, ela divertia-me. Ela era a minha Gata Fedorenta. (FIM). POPEYE9700@YAHOO.COM

 

RESPOSTA A ISABEL A. FERREIRA DO BLOG “ARCO DE ALMEDINA”

Setembro 20, 2013

Tarcísio Pacheco

 

imagem em: http://rabotorto.blogspot.pt/2007/08/ora-meich.html

 

 

Este é o meu comentário ao “direito de resposta” invocado por Isabel A. Ferreira (IAF), autora do blog “O Arco de Almedina”, publicado no DI de 19 de Setembro último.

Vou responder sem descer ao nível de IAF. Ela pode aproveitar para aprender alguma coisa sobre a boa educação, a arte de escrever, o poder da ironia e a arte da dialética.  Não há qualquer retratação pública nem pedido de desculpas da minha parte. Pelo contrário, reafirmo todas as minhas posições e vou mesmo até fundamentá-las melhor aqui. Não vejo qualquer difamação e quem chama “trabalho” ao insulto cego a uma comunidade inteira, pode esperar, no mínimo, uma defesa enérgica. A Terceira é a Terra dos Bravos, a nossa divisa é "Antes Morrer Livres que em Paz Sujeitos"! Quando os antepassados de IAF já andavam a fazer cunnilingus no orifício anal dos espanhois (tudo expressões que constam dos dicionários), os terceirenses ainda andavam a matar neles, precisamente com a ajuda dos nossos amigos, os toiros. Quanto à acusação de eu ter escrito de um modo “tosco”, bem, não me considero nenhum Saramago mas as palavras falam por sim, para avaliar basta ler o que ambos escrevemos e comparar.

Para situar o leitor, recomendo que acessem o blog de IAF (http://arcodealmedina.blogs.sapo.pt) e leiam tudo o que ela tem escrito sobre a ilha Terceira. Poderão também ler os meus artigos sobre o assunto nos arquivos do DI ou no meu blog (http://popeye9700.blogs.sapo.pt/). No seu blog, IAF insulta grosseiramente a ilha Terceira e todos os terceirenses que gostam de touradas à corda, utilizando (de forma direta ou indireta) insultos como “gente sórdida”, “gente mal formada e de maus instintos”, “terra que nunca evoluiu”, “uma das terras mais atrasadas do mundo”, “terra onde a civilidade ainda não chegou”, “doentes mentais”, “bárbaros”, “broncos”, para citar apenas alguns exemplos, pois há muitos mais e o blog cresce todos os dias. Como terceirense que aprecia touradas à corda, tenho todo o direito de me sentir pessoalmente atingido e todos os meus artigos publicados no DI visam fazer a defesa do povo terceirense. Note-se que praticamente não me referi à tourada de praça. A minha guerra é acerca da tourada à corda terceirense mas sugiro à Tertúlia Tauromáquica Terceirense e a todos os forcados, atuais e antigos, que leiam o que IAF escreveu a respeito dos forcados pois trata-os de “covardes” para baixo. Acessoriamente, também acabei por fazer a defesa dos forcados. Não preciso que me agradeçam mas espero que sejam solidários e reajam com a mesma coragem que mostram na arena.

Não vou perder muito mais tempo com esta criatura. Duas correções: são seis artigos e não cinco, no momento em que escrevo este, ainda aguardo que o DI publique o meu 6.º e último artigo, relativo ao “Folhetim do Arco Tôsco de Almedina”; ninguém me conhece na ilha Terceira por “Popeye”, mais uma prova de ignorância, é apenas o nome do meu veleiro, parte do meu endereço eletrónico principal e parte do nome de um dos meus blogs.

Quem ler os meus artigos, verá que, basicamente, digo que IAF é pouco inteligente, ignorante, manipuladora, arrogante e presunçosa. Se bronco, atrasado, sórdido, doente mental, bárbaro, etc, constam nos dicionários de Língua Portuguesa e não constituem “de modo algum” insultos “a quem quer que seja”, então acredito que, no mínimo, o mesmo deverá acontecer com os termos que utilizei. É de elementar justiça.

A grande diferença é que eu sei fundamentar tudo o que escrevo. Considero Isabel A. Ferreira pouco inteligente porque apresenta posições de cariz dogmático, fundamentalista e fanático (fanatismo é sempre pouco inteligente), muito mal fundamentadas e recorre ao puro insulto, repetido até à náusea para se justificar. Considero-a ignorante porque toma posições fanáticas e extremamente agressivas sobre realidades, costumes e tradições que desconhece por completo, uma vez que confessa nunca ter estado na ilha Terceira e nunca ter assistido a uma tourada à corda (inseparável, aliás, regra geral, de toda uma festa de Verão de um lugar ou freguesia, de que representa o clímax e o final). Considero-a manipuladora porque é exatamente isso que ela faz, de forma muito grosseira mas bem clara, ao manipular fotografias e dados para tentar fundamentar as suas ideias pré-concebidas; fiz a denúncia e a explicação dessas manipulações nos meus artigos. Finalmente, IAF é arrogante e presunçosa por várias razões, porque publicou no seu blog algo absolutamente irrelevante, que ela chama “short curriculum vitae” mas que é na verdade uma longa descrição de todos os seus estudos académicos e realizações, cheia de referências auto-elogiosas; porque se julga dona da verdade; porque insulta todos os que discordam dela, mesmo os que o fazem educadamente; porque tem uma elevadíssima e injustificada (em minha opinião) opinião de si própria e acha broncos, estúpidos, atrasados, parvos e idiotas (tudo adjetivos com que me mimoseou) todos os que possam pensar de maneira diferente dela.

Não vou mesmo perder mais tempo com quem não merece. Os leitores do DI podem ver o tom ameaçador e intimidatório com que esta criatura escreveu o seu “direito de resposta” no DI (que ela chamou de pasquim em mail que me escreveu, já agora…).  Pois aqui vou revelar que, em mails privados que trocámos e que, obviamente, guardei, ela me ameaçou claramente com um processo judicial dizendo que tem “muitos advogados, juízes e delegados do Ministério Público na família”. Acho que isto é a pincelada final que faltava para fazer o retrato desta infeliz criatura.

Tenho a minha consciência tranquila, por isso fico a aguardar calmamente. Poderá vir a ser muito interessante ouvir a criatura explicar um dia porque  ameaçou “tomar outras medidas” a meu respeito e não o faz relativamente às muitas pessoas que comentam no seu blog, contra ela,  usando vocabulário ordinário, insultuoso, agressivo e até ameaçador da sua integridade física, que ela faz questão de publicar sempre (ela censura os comentários no seu blog – coisa que eu não faço, por exemplo) para ajustar os factos à sua teoria de que todos os aficionados são brutos, ignorantes e estúpidos. Isto é próprio de mentes  manipuladoras. Assim como é próprio e típico  dos pobres de espírito ameaçar com processos judiciais quando não são capazes de argumentar à altura dos seus oponentes. POPEYE9700@YAHOO.COM

 

 

Que se lixe a troika!

Setembro 18, 2013

Tarcísio Pacheco

 

imagem: http://liberdadeecidadania.blogspot.pt/2012/03/troika-alemanha-e-governo-portugues-um.html

 

 

Estou farto destes abutres... Não quero passar o resto da minha vida a pagar juros usurários a escroques financeiros de alto coturno com a cumplicidade de altas instituições...Nem quero condenar os meus fihos a isso. Prefiro ser pobre num país pobre mas independente, não hipotecado. Mais do que nunca, fora com o o governo PSD/PP e que se lixe a troika...Fiquem com o euro, com o dinheiro, com os aneis e as joias todas, só quero os meus dedos de volta...
Troika não mostra vontade de flexibilizar o défice
Depois da reunião de hora e meia o porta voz do PS veio dizer que a troika manifestou enorme relutância na flexibilização do défice

VIAGEM AO PICO

Setembro 13, 2013

Tarcísio Pacheco

 

 

 

No fim de semana alargado, de 6 a 9 de Setembro, viajei até às Lajes, na ilha do Pico, no Popeye. Levei o meu melhor amigo, Ivo, a afilhada dele, Renata, uma amiga dela ,Beatriz (foram ambas acampar) e no regresso trouxe ainda a minha prima Sandra, canadiana, a passar uns dias nos Açores e que estava em S. Jorge na altura.

O Pico é, desde sempre, a minha ilha favorita e aquela que escolheria para viver, se pudesse levar em conta apenas a minha preferência. Vivi lá, nas Lajes do Pico precisamente, durante um ano, em 1989/90. A minha filha Bárbara, que tem agora 25 anos,  fez lá um ano de idade. Fui feliz nessa ilha. Morava nas Lajes do Pico mas trabalhava em S. Roque e fazia a viagem todos os dias, de carro. Era então professor e  a escola de S. Roque foi a melhor onde trabalhei. Toda a gente excelente, colegas, alunos e funcionários. A ilha do Pico é linda, com a sua montanha, uma paisagem incrível, sempre ali perante os nossos olhos. Há pequenos portos e piscinas naturais, por todo o lado, simplesmente maravilhosos, pequenos tesouros escondidos.  A ilha é grande mas tem baixa densidade populacional, por isso é possível percorrer longos trechos de estrada sem ver casas ou vivalma. Gosto muito disso, não aprecio multidões. Há sempre uma certa solidão saudável no Pico.  As casas são das mais belas que conheço nos Açores, lindas vivendas, construídas com muito bom gosto, à base de pedra basáltica. E as pessoas do Pico, de uma forma geral, são genuínas, autênticas, simpáticas e acolhedoras. Adorei viver no Pico e tentei  continuar lá mas infelizmente não consegui. Joguei futebol no Lajense. E tive um ano muito  tranquilo, bastante voltado para o mar, fazia windsurf, caça submarina (muita veja escalada) e pescava.

Saímos na sexta-feira, pelas 16h30. O mar estava um pouco agitado, com vento moderado de sueste. Conseguimos velejar até ás 23h30. Depois, foi preciso ligar o motor e lá navegámos à velocidade média de 4 nós que o motor Volvo  Penta com 34 anos de idade permite…Dormi cerca de 3 horas, entre as 4h00 e as 7h00. Chegámos à marina das  Lajes do Pico por volta das 8h30 da manhã. Único reparo negativo: é a única marina que conheço em que não é possível abrir as portas por dentro…Mas, desta vez, ao contrário da última, em 2011, a porta do pontão de visitantes estava avariada…Que fique assim…

Foi um fim de semana magnífico, na companhia do meu bom amigo Ivo. O tempo esteve excelente, como tem estado, de uma forma geral, todo este mês de Setembro. Um belo céu azul e muito calor. Basicamente passámos o tempo a apanhar sol e a mergulhar nas límpidas e mornas águas das Lajes, uma vezes lá mesmo no Caneiro, junto à marina, outras na Maré, do outro lado da vila, uma zona muito agradável com a maré cheia. Fez tanto calor que era difícil ficar mais de 15 minutos sem ir à água. No Sábado almoçámos no restaurante Lagoa, lapas grelhadas, polvo guisado e vinho branco da casa. Nessa tarde, alguns pescadores, com a generosidade própria dos picoenses, ofereceram ao Ivo uma belo bonito, que fomos grelhar no carvão no parque de campismo e partilhámos com as meninas, acompanhando com um vinto tinto. No domingo, almocei apenas uma bela salada (alface, tomate, cebola, maçã, banana, queijo e fiambre) no simpático Ritinha. No final da tarde, eu e o Ivo alugámos duas bikes (o mundo é pequeno, à Paula, filha da D. Amélia Amorim, ex-vizinha da frente e ex-ama da Bárbara). Fomos até à aldeia da Fonte, um recanto maravilhoso, a seguir à Silveira. Nessa manhã chegou a minha prima Sandra, de S. Jorge, e à noite fomos jantar ao restaurante  Troca Notas, junto ao parque de campismo. Comemos um delicioso bife de albacora, acompanhado com cerveja. Em cima, meloa docinha, um pedaço de salame de chocolate , café e licor de amor, que delícia!

Partimos pelas 9h00 da manhã de segunda-feira, feriado da Serreta na Terceira. Á saída das Lajes, ia completamente distraído (é a única explicação que encontro) talvez porque estava  muito bem disposto, o dia estava lindo, com a montanha totalmente descoberta. Acho que estava um bocado eufórico. Passei pelo lado errado de uma baliza verde e encalhei o Popeye! A maré estava quase no pico da vazante e isso ajudou ao incidente. Embora um pescador me tivesse vindo ajudar, levando a minha âncora para longe, a fim de prevenir um arrasto para águas ainda mais baixas na enchente, decidi que, depois daquele burrice sem perdão, a única atitude inteligente era aguardar a subida da maré. Claro que, de imediato, eu e o Ivo, mergulhámos (numa água em que tomávamos pé) para verificar os danos no casco. O Popeye estava meio entalado entre duas rochas e com a quilha assente no fundo em  ¾ do seu comprimento. Não havia danos relevantes à vista, provavelmente apenas algumas escoriações na quilha, até porque navegávamos a baixa velocidade, cerca de 2 nós. Então, ficámos a aguardar a subida da maré (que ainda desceu uns centímetros). Estava sol e muito calor, todos fomos para a água várias vezes. A certa altura, recebemos a visita do meu amigo Osvaldo, lajense, meu antigo colega no Lajense Futebol Clube. Uma pessoa muito simpática e , segundo me lembro, um excelente jogador de futebol, um médio cerebral, talentoso. Trepou para o Popeye e ficámos na conversa. A certa altura ele foi para terra, dizendo que voltaria e eu, na brincadeira, disse-lhe “traz umas frescas e umas sanduíches de albacora”. Dali a bocado, mais cedo que o que prevíamos, a subida da maré libertou o Popeye. Já com toda uma manhã de atraso, fomos logo embora, era 12hoo. A navegar por fora das Lajes,  liguei para o Osvaldo. Ele ficou muito triste, já tinha encomendado as sanduíches de albacora. Grande Osvaldo, que gente boa tem no Pico…

O dia estava magnífico mas sem vento, navegámos todo o dia a motor e parámos depois de deixar a costa do Pico, para um belo banho em alto-mar. Pelas 17h00, perto do Tôpo, veio o vento que eu já previa, um nór nordeste moderado, que nos deixou a navegar a 5 nós em média, muitas vezes a seis, com o máximo velame do Popeye (vela grande e genoa maior). O vento manteve-se sempre mas para a noite enfraqueceu um pouco e rondou para nordeste, o que nos obrigou a bolinar. Assim, demorámos bastante e atracámos em Angra pelas 3h00 da matina. Ainda fomos à bomba de gasolina da Via Rápida beber algo geladinho…

Fui para casa dormir e levantei-me pelas 7h30 da terça-feira, para ir trabalhar, acho que ainda não recuperei bem o sono.

Fim de semana maravilhoso que me fez muito bem à alma.

 

 

FOLHETIM DO ARCO TÔSCO DE ALMEDINA (5)

Setembro 13, 2013

Tarcísio Pacheco

 

imagem: http://minervaemaggie.blogspot.pt/2010/10/touradas-corda.html

 

Síntese do anterior: este é o quinto de uma série de artigos relativos ao blog http://arcodealmedina.blogs.sapo.pt/277567.html, de Isabel A. Ferreira (isabelferreira@net.sapo.pt), onde os Terceirenses são bastamente insultados. Os outros artigos foram publicados a 21, 22, 27 e 28 de Agosto. Podem também ser lidos no meu blog  http://popeye9700.blogs.sapo.pt/.

Tudo isto foi referente à tourada de praça. A tourada à corda da ilha Terceira é outra história bem diferente mas é evidente que a criatura não tem neurónios suficientes  na cachimónia para processar toda a informação. A tourada à corda não tem nada a ver com as de praça, a não ser por envolver toiros. Nem se assemelha a nenhuma outra tradição em Portugal, nem mesmo à “vaca de cordas” de Ponte de Lima, como erradamente referiu a criatura. Um dos argumentos mais fortes dos anti-taurinos é que o toiro é forçado, que ninguém lhe pergunta a opinião. Talvez seja verdade. Mas podemos fazer um exercício de especulação, coisa de que a criatura gosta tanto. Seria muito interessante colher a opinião do toiro terceirense. Como o touro terceirense não existe no estado selvagem e, tal como a raça se define hoje em dia, com as suas caraterísticas específicas, é uma pura criação humana, as duas opções básicas são existir ou não existir. Nenhum animal é criado pelo homem se não servir algum propósito, mesmo que o objetivo seja simplesmente ser mostrado num zoológico ou observado numa reserva. Criar toiros tem custos elevados, o seu crescimento e amadurecimento são lentos (3 a 5 anos),  a sua carne não é habitualmente consumida porque é, obviamente, de qualidade muito inferior à do gado de carne e o leite das vacas bravas só interessa aos bezerros delas. Os criadores açorianos de gado bravo são, praticamente sempre, lavradores que vivem de produzir leite e carne. Se a tourada terceirense fosse proibida, era apenas uma questão de tempo até o touro terceirense se extinguir totalmente ou desaparecer na mesma, por cruzamento com o gado manso. Por isso falo em existir ou não existir. Ironicamente, os anti-taurinos, quando falam do que não conhecem, estão, na prática, a promover a extinção do animal que tanto querem defender. Eles clamam que não mas é apenas uma questão de analisar o caso com inteligência. Não espero que a criatura entenda isto, seria pedir demais…Além disso, o touro terceirense, dentro da sua qualidade de  animal e sem ironias, é muitíssimo bem tratado e tem uma vida regalada. O touro terceirense não precisa de quem o defenda, obrigado. A gente gosta dele. É óbvio que a criatura não sabe de nada disto mas ela é perita em opinar agressivamente sobre aquilo que desconhece, por isso mesmo é que é ignorante. Praticamente tudo o que é dito sobre o toiro terceirense no blog e facebook da criatura, assim nos dos seus amigalhaços é pura e simplesmente mentira. O toiro terceirense passa seis meses por ano pastando no mato em liberdade no meio das vacas. Nada lhe é exigido nesse período e nem sequer passa por qualquer procedimento de estabulação. É bem alimentado, de forma saudável, sem rações, vive ao ar livre e é tratado por veterinários se estiver doente. Entre Maio e Outubro, está sujeito a participar de touradas à corda. Nos últimos anos foi criada legislação regional específica para proteger os toiros de corda. É óbvio que houve uma evolução neste domínio, como em tudo na vida. Por exemplo, eles só podem correr de oito em oito dias, por isso têm esse período de descanso obrigatório entre touradas; e dantes, por vezes eram encerrados nas chamadas “gaiolas” em que são transportados, ainda de manhã cedo e ficavam ali fechados debaixo do sol; na atualidade, só podem ser “engaiolados” depois das 14h00, contando com o tempo necessário para o seu transporte, que é lento e descarga no destino. De acordo com o calendário, as touradas começam entre as 17h30 e as 18h30. O tempo em que cada animal pode ficar na rua também está definido e varia entre quinze a trinta minutos. Não me parece que trabalhar meia-hora a cada oito dias seja demasiado pesado. Comparativamente, quem me dera ter a vida de um toiro terceirense. Eu trabalho todo o dia, até ás 17h30, cinco dias por semana e o Passos Coelho acha que é pouco. O que acontece nas touradas à corda nem sempre é dignificante mas em qualquer lugar podemos deparar com pessoas grosseiras e mal-educadas. Basicamente,  o toiro é amarrado pelo pescoço (com um laço largo, sem dor nem sufocação) e passa meia-hora, no máximo, frequentemente menos, a correr na rua de um lado para o outro, procurando apanhar quem o desafia e provoca, pois é esse o seu instinto natural, apurado através de um trabalho de seleção. É raro haver acidentes graves para o toiro, embora,  ocasionalmente,  ocorra uma morte, um ferimento ou a fratura de um membro. Um toiro de corda terceirense morre frequentemente de velhice ou de causas naturais. Enquanto tem vigor pode passar bastantes anos sendo corrido porque também são muito apreciados os toiros menos vigorosos mas experientes e matreiros. Os toiros terceirenses são estimados , elogiados e admirados. Os que revelam mais qualidades de bravura tornam-se muito conhecidos e apreciados. São especialmente requisitados (dentro dos limites da lei) e os criadores usam-nos como semental, o que imagino que deva ser ótimo para eles. Não sei se a criatura também é contra o sexo e o quer abolir. Quando morrem deixam saudades, provocam mesmo lágrimas entre os aficionados e a sua memória perdura por muitos anos. São conhecidos pelos seus números e ainda hoje se fala no célebre 90 (touro famoso da minha infância) no 110, no 319,  no 314 e mais recentemente, no famoso 64 de Humberto Filipe, falecido precocemente de causas naturais e muito chorado na ilha, tendo ficado na história como “ o toiro das mulheres” ou o “monstro das tapadas”, entre muitos outros cujo número e proprietário não fixei. É frequente que, depois da morte natural de um toiro famoso,  a sua cabeça seja confiada a um taxidermista para perpetuar a memória do animal. Em suma, se o toiro terceirense pudesse ser consultado, o que pensaria o bicho, se pudesse escolher entre a não existência, a faca do magarefe em tenra idade (destino da maioria dos seus congéneres bovinos) e este tipo de vida? Acho perfeitamente lícita a especulação. E não me custa nada fazer este exercício de antropomorfização quando a criatura já pôs um toiro a chorar no seu blog. (continua) POPEYE9700@YAHOO.COM

 

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