Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

popeye9700

Crónicas e artigos de opinião, a maior parte publicada no Diário Insular, de Angra do Heroísmo.

popeye9700

Crónicas e artigos de opinião, a maior parte publicada no Diário Insular, de Angra do Heroísmo.

QUESTÃO TAURINA - UM TIRO NO PÉ: OLÉ!

Agosto 30, 2012

Tarcísio Pacheco

 

 imagem: http://www.grupoclarin.com.ar/novedades/ole-es-segundo-site-informativo-del-pais

 

 

Não costumo escrever sobre toiros e touradas. Fi-lo uma única vez, há muitos anos, em resposta a um artigo pateta, publicado no Açoriano Oriental, escrito pela responsável da antiga “Página Feminina” daquele jornal, uma tal D. Irene Ataíde. Esse artigo, entalado entre receitas de culinária e textos sobre a sagrada missão da mãe, numa página feminina já anacrónica nos anos 80, era dedicado às touradas de praça;  o tom geral era o da “nobre luta entre o homem e o animal” e estava cheio de lugares comuns, ideias feitas, falácias e inexactidões. Creio tê-lo desmontado bem.

A razão para não escrever sobre este tema é bem simples. Sei que apanharia dos dois lados. Tenho ideias firmes e fundamentadas relativamente aos temas sobre os quais reflito e orgulho-me disso. Reconheço no entanto, humildemente, que não é o caso das touradas. Sou dúbio, incoerente, incerto e tendencioso neste domínio. Nasciem S. Jorge, na Fajã dos Vimes mas sempre vivi na Terceira. Desde que me lembro, sempre assisti a touradas, à corda e de praça, no velho recinto da Praça de S. João. E gosto, da tradição, do bulício, da animação, das vestimentas, da música, dos touros e dos cavalos, enfim, daquele ambiente todo, com que nunca tive contato direto (sou do mar…) mas que está nas minhas raízes. Ainda hoje em dia, com a idade que tenho e que não vou revelar, sou visto frequentemente nas touradas à corda, sempre de calções e sapatilhas, a correr atrás do toiro, a fugir dele ou empoleirado precariamente num poste da luz (v. minha página do Facebook sff, recente tourada na Feteira).

Por outro lado (somos seres pluridimensionais) , tenho o saudável hábito de pensar. E gosto da Natureza em geral, sou muito ecológico (já era antes de estar na moda) e amicíssimo dos animais. O que eu ajudei na minha vida, de cães abandonados, gatos atropelados e avezinhas feridas na asa, para desespero da minha mãe, que gosta muito de animais… no prato. Polvos, por exemplo, acha-os inteligentes e interessantíssimos, sobretudo quando bem tenrinhos.

Isto vem tudo a propósito de um artigo que li em “A União” de 24 de Agosto, “Como os Aficionados Contribuem para a Luta Antitourada”, da autoria de Francisca M. Ávila (FMA). Não vou comentar a totalidades deste artigo. Dada a minha confessada duplicidade neste assunto, até é natural que concordemos nalguns pontos. Como concordo com os taurinos ás vezes, nisto sou um vendido, um duplo espião, a versão máscula de uma Mata-Hari. Mas, concordâncias à parte, há dois ou três disparates neste artigo, que me fazem comichão na inteligência. A certa altura FMA refere “(…) as personalidades tendencialmente agressivas de quem assiste a touradas”. E ainda diz a respeito disto o seguinte “(e eu nunca precisei de confirmação)”. A afirmação de FMA é, obviamente, uma generalização sem sentido, uma especulação torta e uma forma de expressar um preconceito claríssimo. Que ainda por cima se dá ao luxo de prescindir de confirmações. Quem é a favor das touradas é agressivo, quem é contra é pacífico. Isto é pintar o mundo a preto e branco, o que nunca é inteligente. Eu sei que FMA não disse isto. Mas é uma inferência lógica do seu discurso. E é uma afirmação que, além de ser vagamente imbecil, não se apoia em qualquer estudo científico sobre o assunto, que, simplesmente, não existe. Fica aqui o desafio, façam-no, promovam-no. Não é assim tão difícil, mesmo que os resultados possam, muito provavelmente, ser questionados por ambas as partes em conflito. É que, no que diz respeito à mente humana e aos fenómenos sociais, os resultados também raramente são a preto e branco. E já agora, se aquela gente que estava a protestar contra a tourada em Viana do Castelo é pacífica (cerca de 300 pessoas, ena pá, tantos anti-taurinos contra os 2.500 taurinos que estavam na praça), só digo que não me quero cruzar com nenhum deles numa noite escura…

Continuando, mais à frente, FMA, diz que viuem Ponta Delgadauns “(…) turistas, provavelmente nórdicos” a olhar para as imagens de um DVD sobre touradas à corda na Terceira, e que “(…) o seu olhar era claro como água: o repúdio total.” Cá para mim, esses turistas tinham andado nos copos e deviam ter os olhos meios turvos, daí a confusão de FMA. É que eu já ando por aqui há muitos anos. Vejo com muita frequência turistas de todos os lados do mundo a olhar para os nossos DVD’s das touradas e vejo um pouco de tudo, desde gargalhadas, susto, compaixão pelos colhidos, admiração pela coragem dos capinhas, interesse cultural, mera curiosidade etc. Confesso que ainda não vi “repúdio total”. Mas pode ter acontecido nalgum dia que eu estivesse distraído ou tenha começado a chover. Será que a FMA tem alguma foto dos olhos dessa gente, provavelmente nórdica?  Outro lugar comum, se é louro e branco é nórdico e pacífico com certeza. Pois, lembrei-me agora do norueguês ANDERS BREIVIK, sei lá porquê, aposto que ele é contra as touradas. Ou talvez não, parece um ótimo lugar para bombas e massacres. Se é o caso de ter fotos, envie-me para o mail por favor. Quero ver, imprimir e depois andar por aí de foto na mão a comparar olhares, a observar gente com ar nórdico. Ainda levo uma verdascada com um daqueles paus ferrados finos (são os nórdicos que usam essas coisas, não é?). E o que se vê de gente com ar nórdico, nas touradas à corda, muito divertidos, de máquina fotográfica em punho… FMA, a menina não sabe porque não vai lá, por isso não diga que não com a cabecinha…Ah, claro, deve ser para documentar futuros protestos no Parlamento Europeu…

Um poucochinho mais à frente, FMA ainda refere umas “senhoras de certa idade”, láem Ponta Delgada, que, em micaelense no original, criticavam as touradas à corda da Terceira, dizendo aquela gente devia pôr-se a ler um livro em vez de atormentar os bichos. Ó FMA, mas que aliadas a menina se lembrou de ir buscar…Logo velhinhas de S. Miguel. O Carlos César nem sequer lê documentos fundamentais do Governo (diz o Jaquim Machado, eu cá não sou home d’ enredos)….Vivi seis anosem Ponta Delgada.Tenhoa certeza que uma grande parte da massa micaelense lê a lista telefónica e rótulos de shampoo. E isto com dificuldade.  Por isso, dificilmente podem dar conselhos culturais.

FMA, para terminar, vou dar-lhe três coisas, inteiramente de graça e bem pacíficas. Duas são conselhos: não coloque no mesmo saco touradas de praça e as touradas à corda da nossa ilha, não têm nada a ver; e pense um pouco mais antes de escrever, embora eu até aprecie o seu entusiasmo e militância. A terceira, é a revelação, em primeira mão, do que realmente penso sobre as touradas. Use como entender.

Gosto das touradas à corda terceirenses, que são muito mais perigosas para as pessoas do que para os animais e que são, em minha modesta opinião, a única garantia da sobrevivência, genética e de facto, do touro de lide terceirense. Acho que dificilmente acabarão algum dia porque continuam a suscitar o interesse de todas as gerações, incluindo as mais jovens e fazem parte do nosso património mais profundo.

Não gosto de espanholices. Gosto das touradas de praça à portuguesa, assisto a algumas, sem ser muito assíduo. Acho que os forcados têm testículos de aço, que eu gostaria de ter. Mas sou crítico em relação a alguns dos pressupostos de base. E raramente li, da parte dos chamados “taurinos”, qualquer defesa inteligente. Já li até defesas boçais, assentes em pretensos critérios científicos. Aqui na Terceira, só conheço uma pessoa, da minha geração, que escreve bem e com inteligência pelo lado dos “taurinos”. Mas defende o indefensável. Em última análise, se o mundo não acabar já em 21 de Dezembro, acredito que as touradas de praça acabarão um dia, tal como acabaram as lutas de gladiadores e algumas lutas entre animais (outras ainda se praticam…). Terão tendência para acabar, à medida que for crescendo a consciência coletiva da Humanidade e nos formos transformando noutra espécie, melhor, se tivermos tempo para isso. Mas não é para o nosso tempo, FMA… Por isso e, entretanto “Uei pá, vamos pós toiros?”.  POPEYE9700@YAHOO.COM

 

FRANÇOISE, PABLO E O JAQUIM

Agosto 24, 2012

Tarcísio Pacheco

 

IMAGEM: http://www.sapergalleries.com/PicassoWomen.html

 

Muito boa a entrevista com Françoise Gilot, num número recente da revista SÁBADO. Gilot, agora com 90 anos muito lúcidos, foi casada com Pablo Picasso, com quem teve dois filhos, um deles, a conhecida Paloma. Para além das interessantes revelações sobre a sua vida com um Picasso bem mais difícil do que se possa imaginar, Gilot revela uma mente aberta, inteligente, privilegiada mesmo; perante a questão de um eventual arrependimento por ter vivido com Picasso, ela responde o seguinte: “Os arrependimentos são uma pura perda de tempo. Além disso, é muito mais interessante passar por coisas trágicas, com pessoas interessantes, do que viver uma vida maravilhosa com uma pessoa medíocre. É falso acreditar que se consegue encontrar a paz com alguém medíocre. Essa pessoa também nos vai destruir; só vai é demorar um pouco mais de tempo.” Instada a desenvolver esta ideia, ela ainda acrescenta: “É simples: tornando a nossa vida aborrecida. Se quisermos realmente viver, é preciso arriscar algo dramático – de outro modo, não vale a pena viver a vida (…) Isso é o pior que nos pode acontecer: tornarmo-nos aborrecidos.”

Não conhecia a senhora. Nas minhas conversas com Picasso, ele nunca me falou dela. Tinha muito mau feitio, sobretudoem jejum. Agora, apaixonei-me pela Françoise. Uma paixão casta e pura, bem entendido. Ela prefere homens mais velhos. Digamos que partilharia um crepe Suzete com ela, dois dedos de cognac e um cantinho do sofá. E ficaria a ouvi-la e a aprender. Quem também podia aprender qualquer coisinha com ela é o Joaquim Machado, micaelense, antigo Subsecretário Regional da Comunicação Social e cronista do DI. O homem não quer que a gente se divorcie. Diz que é uma coisa moderna e ele, que é “um home antigo e cmé dado” não concorda. Diz que o pessoal se acasala sem estar preparado para a arte de amar. Diz que as festas de casamento são todas umas grandes farras e que dos convidados também ninguém entende nada do assunto. Diz que o pessoal desiste ao menor desentendimento. E que, ainda por cima, ficam amigos dos ex-consortes. É assim mesmo amigo Jaquim, um velho conhecido, talvez mais velho que conhecido. É que o Jaquim até é bom rapaz e era bom de bola. Mas já nasceu assim. Velhinho, casado, eternamente casado. Aborrecido, talvez pensasse mas não dissesse “ma chérie” Françoise. Ainda espero por uma segunda crónica, atrevo-me mesmo a aguardar um “Manual da Arte de Amar”. O Jaquim deve isso à sociedade. Para essa gente aprender como é. A ver se deixam de acasalar por aí. E se passam a fazer uns casamentos solenes e tristonhos, como deve ser. Mais parecidos com a realidade da maior parte dos casamentos. E se partem a louça toda e se arranham até fazer sangue pelo menos durante uns vinte anos. Nada menos que isso. Talvez seja até preferível esperar até que um não aguente mais e mate o outro. Tem havido casos. E, se calhar, é assim que deve ser. Ou vai ou racha. E eles racham as cabeças uns aos outros frequentemente. Nada de meios termos nem paninhos quentes. Sobretudo, nada de esperanças nem segundas oportunidades. Isso soa a igreja evangélica. E o Jaquim é católico, que eu sei. E, se por incorrigível  teimosia e manifesta estupidez, o pessoal tiver a ousadia de se divorciar, mesmo contra a vontade do Jaquim, ao menos não se falem mais, mudem de passeio  ao cruzarem-se  na rua e  olhem para o lado com um ar   de absoluto desprezo. Não deram para consortes, agora querem dar para amigos… onde é que já se viu um desplante destes. Tabefes, escarradelas, maledicência, talvez até mesmo uma macumba, isso é que é a receita indicada. E se houver filhos, azar deles. Tivessem impedido os pais de se divorciar, nem que fosse à força. Grande Jaquim, tanta gente a marchar errado e só tu com o passo certo, um filho assim é o orgulho de quaisquer pais.

Daqui para a frente, parece-me imperativo pedir a opinião do Jaquim antes de casar. Assim uma espécie de Alta Autoridade para as Questões Matrimoniais. Afinal, apesar de só ter casado uma vez, ele parece saber tudo sobre o assunto. Ele dará o seu veredicto, depois de vos fazer um inquérito, destinado a apurar, entre outras coisas, se já andavam acasalados antes e se dominam verdadeiramente a arte de amar.

Podem também falar com  Françoise Gilot, uma pessoa experiente que, certamente, vos dirá que o casamento é, de longe, a vossa melhor probabilidade de virem no futuro a colorir com um pouco de drama as vossas vidas cinzentas. Convém, ao menos, parecerem inteligentes. Qualquer coisa me diz que ela não suporta gente estúpida. Duvido que falasse com o Alberto João Jardim, por exemplo. Também tenho sérias dúvidas sobre Cavaco Silva. Tenho a certeza que, ele se encontrasse com ela, encheria primeiro a boca de figos passados de Boliqueime e depois, em plena mastigação, lhe diria algo original e profundo como “É com toda a sinceridade que lhe digo que tenho a certeza que a Dona Françoise vai continuar a encantar-nos com a sua excelente pintura durante muitos anos ainda…”

A mim, sempre me fez espécie que os famosos CPM’s (cursos de preparação para o matrimónio) sejam orientados por padres que, se forem especialistas nalguma coisa que envolva sexo, só se for em pedofilia e por casais orgulhosamente ortodoxos e abençoados pela Santa Sé, entenda-se, casados uma única vez, para sempre. Perdoem-me os leitores mais sensíveis o final desta última frase, sei que é um conceito violento, casar para sempre. Bom, isto é como fazer perguntas sobre o espaço a um astronauta que esteve na Lua. Na Lua ?! Eu quero é falar com quem esteve na Lua, em Marte, nos anéis de Saturno e até já deu um pulinho a Alfa Centauro… POPEYE9700@YAHOO.COM

 

 

VAMOS TODOS SER "NEW AGE" ?

Agosto 02, 2012

Tarcísio Pacheco

 

 

IMAGEM: http://www.jesus-is-savior.com/Family/Parents%20Corner/new_age_in_public_schools.htm

 

 

Frequentemente acusado de ser um espírito demasiado crítico, desta vez sossego os meus adversários ideológicos, tendo em conta que até concordo com parte de um artigo primário, escolástico, atávico, obscurantista, ultra conservador, ortodoxo e serôdio, escrito por um padre católico, que encontrei recentemente ao pesquisar a versão electrónica de um jornal local.

Concordo especificamente com a parte em que o articulista reconhece que “(…) está-se infiltrando por toda a parte, até mesmo nestas pacatas ilhas dos Açores, um pretensa corrente cultural (…), referindo-se ao movimento New Age ou Nova Era, na sua tradução em língua portuguesa. Só concordo com esta parte, mesmo assim com total reserva quanto ao adjectivo “pretensa” mas, convenhamos, já é um princípio, que demonstra a minha boa vontade.

Contudo, já que alguém escreveu sobre este tema, manipulando a realidade, como sempre,  em todos os casos de fanatismo, então acredito que seja correcto proporcionar aos leitores o acesso a uma  perspectiva diferente.

O movimento New Age toma este nome devido ás suas características peculiares, porque é preciso dar algum nome às coisas e porque há uma forte carga simbólica nesta designação, significando um corte com o obscurantismo, dogmatismo e rigidez do passado, por oposição à “Velha Era”, que trouxe tanto sofrimento à Humanidade, por via da ignorância, da intolerância, do fanatismo ideológico e da ortodoxia religiosa.

O movimento New Age NÃO é uma religião, não tem chefe máximo, livros sagrados, templos, sacerdotes, dirigentes, missionários, organização, sedes, política institucional, finanças, estratégias concertadas, catequese infantil, proselitismo, congregação para a defesa da fé, milícias próprias, bens materiais e muito menos reivindicações de poder ou lamentações por falta de influência na sociedade humana. Não segue tão pouco uma fé maciça e unificada, daí que muitas práticas e filosofias sejam aceites. Não é obrigatório rotular sempre as coisas mas andaremos perto de verdade se definirmos a Nova Era como um movimento de espiritualidade e conhecimento, um espaço universal, transversal,  sem contornos nem fronteiras ou barreiras,  um cenário de encontro entre pessoas e ideias muito diversas, num clima de liberdade e tolerância, com a finalidade última de evolução espiritual, de melhorar a vida do ser humano no planeta Terra, em todos os aspectos. De facto, a Nova Era é a não organização. Nesse sentido, atribuir-lhe objectivos de arrasar e substituir o Cristianismo, ou qualquer outra religião é, no mínimo, um perfeito disparate, fruto da ignorância.  Resulta de um complexo de perseguição e vitimação, cada vez mais comum na Igreja Católica;  tudo o que não é como eles é contra eles e é um alvo a abater.

A Nova Era caracteriza-se como um movimento social e espiritual, emergente na dita sociedade ocidental, que busca, em última análise, a Verdade Universal e permitir à raça humana atingir o seu mais elevado potencial em todos os domínios da vida. Combina múltiplos aspectos de crenças, filosofias, religiões ou ciências, de que são referentes, por exemplo, a cosmologia, a astrologia, esoterismo, medicinas alternativas, música, colectivismo, sustentabilidade e natureza. A ênfase é colocada no desenvolvimento individual, no pressuposto de que todas as criaturas são diferentes e únicas, rejeitando qualquer forma de massificação, associada ás doutrinas religiosas e aos dogmas. A ideia base é de que, se cada indivíduo, efectuar com sucesso um percurso de desenvolvimento pleno, espiritual sobretudo mas também intelectual, emocional, material e moral, então toda a Humanidade atingirá um estado de harmonia em uníssono. Como movimento totalmente aberto e plural, recebe influências também da maior parte das religiões instituídas, incluindo o Cristianismo, partindo do principio que todas as crenças têm elementos válidos, que não há verdades absolutas e que ninguém é dono da verdade.

O movimento, como é definido no presente,  enraíza-se no clima de liberdade, diferença e contestação dos anos 60 do século XX. Mas as suas origens são múltiplas, abrangendo desde ideias recentes até correntes filosóficas da Antiguidade pré-cristã.

 A primeira utilização conhecida do termo New Age foi a da carismática escritora e médium  russa,  Helena Blavatsky,  no seu livro The Secret Doctrine, publicado em 1888. Ela escreveu algo tão profundo como isto: todas as religiões são verdadeiras ao nível dos seus ensinamentos internos mas problemáticas ou imperfeitas nas suas manifestações externas. Tendo sido, sem dúvida, uma pessoa diferente e não convencional, Blavatsky teve muitos críticos e inimigos. O articulista do jornal “A União” é apenas mais um a chamar-lhe “vulgar charlatã”. Vulgar é também a estratégia de tentar denegrir a imagem e a obra de alguém que não conhecemos nem compreendemos e que perfilhou ideias muito diferentes das nossas.

Como já afirmei antes, em última análise, o  propósito da Nova Era é  tornar as pessoas mais felizes. Admite-se que possa haver muitos caminhos para isso. São todos bem vindos à festa da vida,  se vierem por bem e em paz.. . De braços abertos, sem exclusões, venham a nós os divorciados, as mulheres que abortam, todos os gays e lésbicas deste mundo. Os sacerdotes católicos e as suas  equipas de catequistas também são bem vindos, desde que não nos queiram converter… Desde que não venham de cruz em riste, falar-nos do pecado original, da culpa, da expiação, do sacrifício, da proibição, da negação do prazer e da alegria de viver, ameaçar-nos com as penas do Inferno.

Quem quiser ser “New Age” pode faze-lo facilmente… Não é preciso pagar jóia, quota, abrir conta bancária, apresentar atestado médico ou certificado de habilitações. Basta ser PACÍFICO, tolerante e de espírito aberto, feliz por viver mas também ser solidário, justo, fraterno, generoso e amar as pessoas, os animais e a natureza. Os padres católicos não gostam disto, vá-se lá saber porquê… Talvez porque nos faltem  rituais, regras, catedrais, um líder, um livro sagrado, um mistério insondável qualquer, tipo Santíssimo Trindade, um pobre que tenha sido crucificado  para nos salvar, uma mãe virgem, enfim, uma boa dúzia de mártires, preferencialmente mortos sob tortura…

Há quem pense que ser “New Age” é forçosamente ser esotérico, iniciar-se numa religião finamente esquisita como a Wicca, vestir-se todo de preto, adoptar um ar vagamente alucinado, fazer estágios no Nepal e proclamar que não se gosta de futebol. Mas na verdade pode ser tão simples. Ser “New Age” é tudo aquilo que se faz com bondade e amor, em paz, procurando a sintonia com o universo e a nossa consciência cósmica, procurando sempre evoluir e aprender. Se isto soa a “esotérico”, já vos digo que pode ser apenas dedicar mais tempo à leitura e à reflexão, á meditação, dedicar algum do nosso tempo ao voluntariado social, ajudar quem precisa, agir com bondade, respeito, responsabilidade  e amabilidade genuína na nossa vida quotidiana, interessarmo-nos pelo ambiente, fazer a nossa parte, tratar bem os animais, oferecer flores à esposa,  interessarmo-nos bastante pelo prazer sexual dela, olhar  de noite para a lua e o céu estrelado e meditar sobre os mistérios da vida, beber muita água, respeitar a natureza, proteger as crianças, ser curioso, muito curioso, escrever um poema, fugir do convencionalismo e do estereótipo, ir mais ao cinema,  manter o espírito aberto para coisas diferentes, aprender uma língua estrangeira, ouvir muita musica, assistir a concertos, aprender a tocar um instrumento musical. A música é uma linguagem de comunicação com o divino. Claro que não me refiro a Tony Carreira. Não o acho nada “New Age”. Mas acho que ele deve continuar a cantar as coisinhas dele e desejo-lhe sinceramente saúde e êxito. Pensar assim já é muito “New Age”.

Talvez eu tenha feito um pouco da minha parte hoje. Se houvesse uma convenção anual de New Age, talvez o meu nome fosse citado por um admirado (e invejado) líder conferencista e o meu nome ficasse na lista de candidatos a umas férias de sonho. Talvez eu ganhasse até uma menção honrosa no boletim trimestral da Associação para a  Promoção da Nova Era e um crachat  com o meu nome.. Como, felizmente, nada disto existe, vou simplesmente continuar a minha vidinha, na minha “onda”, sentindo-me “bem”, “descontraído” e curtindo “uma boa” seja lá o que for isso, desde que seja mesmo bom e não comprometa a minha alma imortal.

POPEYE9700@YAHOO.COM

 

 

 

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2020
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2016
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2015
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2014
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2013
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2012
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2011
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2010
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2009
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2008
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2007
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2006
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2005
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2004
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2003
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2002
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2001
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2000
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 1999
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D

Fazer olhinhos

Em destaque no SAPO Blogs
pub