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popeye9700

Crónicas e artigos de opinião, a maior parte publicada no Diário Insular, de Angra do Heroísmo.

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Crónicas e artigos de opinião, a maior parte publicada no Diário Insular, de Angra do Heroísmo.

O NÔJO DA POLÍTICA

Maio 12, 2011

Tarcísio Pacheco

 

 

IMAGEM: http://loshumanoss.blogspot.pt/2010/08/verdades-ou-mentiras-nas-eleicoes.html

 

 

Sou admirador das crónicas de Cláudia Cardoso (C.C.) , que leio sempre. São como flores no triste,  árido e desinteressante deserto que costuma ser, geralmente, a secção de opinião do Diário Insular, com poucas exceções.

No entanto, a mudança é radical quando ela assume a sua faceta política. Isso estraga tudo. Como não posso crer que uma pessoa, obviamente inteligente, culta e sensível, acredite nas patacoadas politicamente corretas que escreve, em defesa do seu partido, só posso pensar que o faz por dever partidário, por lealdade institucional.

É um bom exemplo a sua crónica do dia 15 de Abril. Do princípio ao fim, é um discurso completamente politizado (logo sem inteligência, liberdade inteletual e espírito crítico), em que, basicamente, faz a desculpabilização do seu partido e a culpabilização dos partidos da oposição.

Ora, eu, como indivíduo absolutamente apartidário, tenho outra leitura dos acontecimentos recentes. E como tenho C.C. na conta de uma pessoa bastante inteligente, acredito que, no fundo, tenha uma leitura semelhante. É por isso que a política é a suma arte da hipocrisia.

O nosso país chegou ao estado em que está, por motivos que não são difíceis de identificar, na generalidade: má gestão ou gestão danosa, incompetente e medíocre; péssimos políticos, gestores e governantes (as melhores pessoas do país, não vão, de modo nenhum, para a política, tem mais e melhor que fazer…); incapacidade para desenvolver o país e aproveitar os muitos fundos estruturantes que vieram da CE; corrupção generalizada e construção de um sistema de aproveitamento pessoal e promoção de interesses individuais e corporativos; favorecimento dos grandes banqueiros e empresários. Os protagonistas deste filme são os governantes do PS e do PSD, que estiveram à frente dos destinos do país, depois da nossa entrada na CE. Antes disso, penso que ainda vivíamos no rescaldo do 25 de Abril e o processo de construção de uma nova sociedade era ainda primário. Isto significa que os culpados têm nomes, muitos nomes aliás, mas à cabeça têm sempre de vir os líderes, porque são eles os responsáveis máximos e os rostos das políticas adotadas. Falo, portanto, de Cavaco Silva, de Durão Barroso, de Santana Lopes (coitada da criatura…), de Guterres, de Sócrates, etc. É evidente que concordo com C.C., quando diz que a principal motivação de Passos Coelho e do PSD em geral, é a tomada do poder; os barões do partido devem ter ficado positivamente enlouquecidos com a oportunidade que vislumbraram; penso que a nobreza de conceitos e atitudes é um valor totalmente ausente da atividade política. O CDS-PP é um partido oportunista, sempre na brecha, perseguindo qualquer oportunidade de participar da gamela do poder e fazer passar as suas pobres ideias conservadoras e retrógadas. A partidos como o BE e PCP interessa a política de terra queimada, a fim de, num cenário de caos, terem oportunidade de fazer passar ideias mais radicais, estranhas a uma maioria da população portuguesa e difíceis de implementar no mundo materialista e individualista de hoje. Tudo isto é verdade e provavelmente estaremos de acordo nisso. Mas nada disto invalida que Sócrates tenha sido o governante dos últimos seis anos. Com ele e com a sua corte, a dívida pública só fez piorar. E não me venham dizer que os culpados são os funcionários públicos, isso revolta-me até à medula. Mesmo que não o digam abertamente, são sempre eles que pagam as favas. Há quanto tempo os seus ordenados estavam congelados ou tinham baixíssimos ou mesmo falsos aumentos? E há quanto tempo estavam congeladas as admissões na Função Pública? Há quantos anos estavam já em vigor pretensas medidas de racionalização de despesas no setor público? O país continuou a afundar-se, com Sócrates, apesar dos claríssimos sinais, internos e externos, de crise iminente, porque, no fim de contas, nada realmente importante, foi feito para mudar a política portuguesa, pelo contrário, continuou-se com a mesma política canibal, alimentando o sistema de corrupção e desvario, com alguma megalomania ligeiramente paranóica pelo meio. Um país onde já muita gente passa fome e revira no lixo, pode construir TGV’s? Claro não, pelo menos não antes de implementar sistemas de CPT (Comida para Todos).

Agora, sobre o início da crise atual, tenho a minha própria teoria. Atualmente, qualquer bicho careta é comentador político, porque é que eu próprio não hei-de meter a minha colherada? Para mim, é evidente que a crise foi despoletada pelo próprio PS e por Sócrates, de forma intencional, com um aparente tiro no pé, o famoso episódio de novela sul-americana, que tem o nome de PEC4. Como Sócrates não tem nada de estúpido (os políticos de topo, regra geral não são estúpidos, são é competentes mentirosos) nunca cometeria um acto de aparente suicídio político. Tudo aquilo foi muito bem arquitetado e Passos Coelho, que ainda é um bocadinho imaturo e ingénuo como político, mordeu logo o anzol. Sócrates bem sabia que o país estava a bater no fundo, que o PEC4 não seria suficiente e que, em termos de saneamento financeiro e recuperação da economia, seria preciso um tsunami pior que o do Japão. Que Passos Coelho e, de uma forma geral, a pobre opinião publica portuguesa, nunca aceitariam. Assim, tudo se está a passar como Sócrates previu, nada disto é culpa dele, é culpa da oposição, sobretudo do PSD e ele pôde então montar, coerentemente, este cómico cenário de vitimização, a que temos vindo a assistir. Com o PS a cerrar fileiras, de lágrimas nos olhos, em torno do Querido Líder (tudo com muito medo de perder o poder e as suas benesses), Sócrates surge agora travestido de Novo Herói, sem culpas, ele próprio uma vítima inocente. Chama-se a isto baralhar e dar de novo mas sem mudar de jogo, claro. Portugal tem a cabeça no cepo, os culpados são os partidos da oposição e o carrasco chama-se FMI.  Que nojo tudo isto me mete…

POPEYE9700@YAHOO.COM

 

VOLTA LUCKY LUKE

Maio 05, 2011

Tarcísio Pacheco

 

imagem: http://yourchilltime.blogspot.pt/2011/01/good-old-times-lucky-luke.html

 

 

Os partidos políticos, os mesmos que, nunca me cansarei de o dizer, são autênticos parasitas sociais, que não acrescentam nada de bom ao país, ignoraram desdenhosamente a petição subscrita por 35.000 pessoas (nas quais me incluo), “Por uma campanha eleitoral sem custos para as finanças públicas” e vão dissipar 6 milhões (!) de euros em duas semanas. Quantia essa que já pagámos, ela vem dos nossos pesados impostos, mas pagaremos de novo, através da subida de impostos, de novas taxas e da sangria dos nossos depauperados ordenados. Quando digo “nossos”, infelizmente não estou a ser universalista, falo da martirizada classe média portuguesa. Nos ricos ninguém tocará, eles sabem defender-se, estão protegidos pelo polvo das relações e dependências e deles depende a solução milagrosa do investimento, que há-de tirar o pais da fossa onde se encontra agora. E quanto aos pobres, coitaditos, eles não podem pagar a crise e têm de ser protegidos. Já Cristo dizia qualquer coisa como “Venham a mim os pobrezinhos”. Ou algo assim, não sou versado nessas coisas. Agora é Sócrates quem o diz e eles vão. Também, para onde haviam de ir…

São os mesmos partidos políticos que enviam deputados para a Europa diariamente, transportados em primeira classe nos aviões. E que depois têm o supremo descaramento de vir defender em público esse indefensável privilégio, dizendo que deve ser assim porque trabalham muito enquanto voam. Essa gente miserável devia ver o vídeo que recentemente recebi (santa Internet!), sobre os deputados suecos, que ganham ordenados perfeitamente medianos, que, quando deslocados, residem em pequenos e modestos apartamentos e que usam os transportes públicos quando viajam. Esses sim, são verdadeiros trabalhadores da causa púbica, que agem por gosto e convicção.

Há alternativas honestas à escandalosa situação que temos vivido há demasiados anos. Mas o bando de abutres que nos têm governado e nos governa, aposta tudo no analfabetismo, o primário e o funcional, de boa parte da sociedade portuguesa, na sua evidente iliteracia, no seu laxismo, apatia e desinteresse. Eles sabem que grande parte dos Portugueses de hoje é ignorante e não quer saber de nada, desde que pingue algum ao fim do mês, mesmo que seja cada vez menos mas que vá dando para o tabaco e cheiro no café e que o Benfica vá ganhando umas coisas. Neste momento, eu poderia falar em ajuda divina mas as piadas sobre o Benfica, que incluem o nome de Jesus, estão a ficar muito vistas…Resumindo, os políticos sabem perfeitamente que grande parte do povo português come e bebe, dorme e defeca mas…não pensa.

Entretanto, o circo eleitoral está já montado, com os palhaços do costume e um ou outro contorcionista com uma habilidade nova. E aqui, a minha estupefacção não tem limites. Sócrates, o líder do bando que levou o país à pura e simples bancarrota em seis anos, é de novo candidato, tem votos, aparece bem maquilhado nas sondagens, tem cartaz, tem até hipóteses. E quando essa criatura abre aquela boca bem falante, que fica logo abaixo do seu conspícuo nariz de Pinóquio, nem uma única vez foi para reconhecer as suas culpas e pedir perdão ao país. Não se apresenta na televisão como devia, se tivesse vergonha na cara, descalço, com bordão de penitente e a cabeça coberta de cinzas. Não, aparece bem vestido, em bicos de pés e é sempre para culpar alguém; ele é a crise internacional, essa negra criatura, ele é os facínoras da oposição, essa quadrilha de malfeitores…Eu acrescentaria o Eusébio, que nada disse este tempo todo e Nossa Senhora de Fátima, que, esquecendo-se da bovina devoção do bom povo português, não realizou um único e singelo milagre para nos tirar da crise. Como não consigo acreditar que o povo português seja ASSIM tão estúpido, então a única explicação só pode residir na falta de alternativas. Ou uma coisa híbrida, estupidez crónica e falta de alternativas, talvez seja mais razoável.

Os Irmãos Dalton tomaram conta do país. Volta Lucky Luke e até podes fumar em público. POPEYE9700@YAHOO.COM

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