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popeye9700

Crónicas e artigos de opinião, a maior parte publicada no Diário Insular, de Angra do Heroísmo.

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Crónicas e artigos de opinião, a maior parte publicada no Diário Insular, de Angra do Heroísmo.

VIDA DEPOIS DA VIDA

Fevereiro 14, 2010

Tarcísio Pacheco

 

 

IMAGEM: http://news.jeebboo.com/2012/07/28/life-after-death/

 

 

Os falecimentos de crianças ou jovens na flor da vida são os mais difíceis de aceitar e é comum que abalem fortemente a fé religiosa das pessoas envolvidas, criando amargura e ressentimento pela aparente injustiça do Deus em que crêem. Lembram-nos também, mais do que nunca, a fragilidade da condição humana, a certeza da nossa própria morte e o mistério a ela associado.

A possibilidade de uma vida espiritual e da existência de uma alma, independente do corpo físico, são temas que sempre me apaixonaram e que estão, frequentemente, presentes em muitas das minhas leituras.

Recentemente, li a versão eletrónica do original da conhecida obra de Raymond Moody, Life After Life (Vida Depois da Vida em português). Este autor é um conceituado médico americano com licenciaturas e doutoramentos nas áreas da Filosofia, Psicologia e Medicina (Psiquiatria), nascido em 1944 e que vive atualmente em Las Vegas, EUA.

Moody não tinha qualquer relação específica com a questão da sobrevivência espiritual à morte do corpo físico, nem nenhuma crença nessa área. Contudo, no decurso da sua prática profissional, confrontou-se com testemunhos de muitas pessoas que estiveram em situação de morte clínica, devidamente comprovada e foram ressuscitadas. As histórias dessas pessoas evidenciavam muitos traços comuns. Isso levou Moody a desenvolver um estudo nessa área, a partir dos relatos de 150 pessoas, recolhidos pelo próprio, com um traço comum inquestionável: a preservação da consciência individual após uma situação de morte clínica ou “quase-morte” (near death), termo criado pelo próprio Moody em 1975.

Aparentemente, esta pesquisa goza de credibilidade científica, uma vez que, para além da apresentação dos dados objetivos, coloca várias hipóteses possíveis e equaciona a sua própria refutação. 

Uma das mais importantes conclusões de Moody é que, apesar da grande disparidade das pessoas envolvidas (em termos de idade, crença religiosa, educação e nível cultural) e embora cada relato, no seu todo, fosse único, era possível identificar uma quantidade apreciável de traços comuns à maioria. Muito sumariamente, esses traços são os seguintes:

Inefabilidade: dificuldade de descrever por palavras as experiências vividas.

Ouvir: memória de ter ouvido tudo o que foi dito pelos médicos ou outras pessoas presentes no local do evento ou próximo dele, incluindo a constatação médica da morte clínica.

Paz e tranquilidade: sensação de paz infinita e absoluta tranquilidade durante a ocorrência.

Ruídos: aparentemente, é comum ouvirem-se ruídos, sempre na parte inicial da ocorrência, que vão desde zumbidos a coisas mais estridentes e até mesmo música.

Túnel: também no início do processo, é muito comum a sensação de estar a viajar ou a ser “puxado” através de um ambiente estreito e escuro.

Ver o próprio corpo: é muito comum,  as pessoas verem o seu próprio corpo físico (numa cama de hospital, por exemplo), ao mesmo tempo que têm a percepção que continuam a ter alguma espécie de corpo, não muito diferente do físico mas constituído por outro tipo de matéria.

Ver outros: é comum surgirem outras pessoas, que parecem ter uma missão de acolhimento e guia, que são, quase sempre, pessoas já falecidas e conhecidas do indivíduo em questão.

 Ser de luz: é comum aparecer uma figura que quase toda a gente designa por algo como “ser de luz”, que comunica (telepaticamente, sem verbalização) com a pessoa e que transmite, invariavelmente, uma sensação de amor e aceitação incondicional.

Revisão da vida: o “ser de luz”, quando aparece, procede sempre a uma revisão de toda a vida da pessoa, que é feita numa escala de tempo inimaginável para os humanos e que é muito completa e realista,  não comportando, todavia,  qualquer censura ou punição, apenas avaliação e aprendizagem.

Limite ou fronteira: parece haver um limite ou fronteira, percepcionado de diferentes maneiras mas que significa um ponto de não retorno, depois de transposto.

Resistência ao regresso: depois de uns primeiros instantes de incredulidade e desespero perante a morte, o traço comum é, invariavelmente, a sensação de felicidade e de não querer voltar à vida física.

Relatar a experiência: não parece ser fácil encontrar pessoas disponíveis para relatar as suas experiências de quase-morte; enquanto elas próprias as sentem como algo muito real e verdadeiro, rapidamente percebem que o mundo à sua volta, não tem a menor disponibilidade e boa-vontade para ouvir e muito menos acreditar nos seus relatos.

 Efeitos na vida: muitas das pessoas entrevistadas dizem que a sua vida mudou muito, para melhor,  depois do incidente, que passaram a ser muito mais calmas, mais filosóficas e que a sua visão da vida se aprofundou e alargou; evidentemente, deixaram de recear a morte, pois passaram a acreditar numa vida para além dela.

 Corroboração: curiosamente, muitas destas histórias puderam ser corroboradas, pelas pessoas presentes no momento das ocorrências, nomeadamente em relação ao que a pessoa, em situação de morte clínica, diz ter visto e ouvido.

Evidentemente, Raymond Moody é agora um crente na vida depois da morte, assim como na reencarnação e desempenha um papel importante na divulgação destas ideias, ao mesmo tempo que ajuda muitas pessoas.

A minha própria intenção, ao escrever este artigo, é apenas chamar a atenção para estas temáticas, ajudar as pessoas a refletir sobre temas filosóficos e lançar uma semente de esperança. Eventualmente, ajudar alguém na sua dor pessoal. Eu próprio, nunca “morri” até agora e nunca vi fantasmas. A minha aproximação a estes temas é tanto intuitiva quanto racional e a minha perspetiva é imensamente razoável. Ou há algo depois da morte ou não há nada. Se há, ufa, que alívio. Se não há, também cessará toda a dor. Porém, acredito que haja.

Devemos olhar com respeito para esta obra e estes testemunhos. Afinal, trata-se de pessoas comuns, Josés e Fátimas, que estiveram às portas da morte e regressaram. Ouçamos o que têm para nos contar,  com o espírito aberto.

O famoso médium brasileiro, Chico Xavier, conta-nos que, numa situação de intenso medo de morrer (a bordo de um avião sob turbulência severa), o seu guia espiritual, Emmanuel, lhe apareceu e lhe disse que morresse com educação, se tivesse de morrer naquele dia. Tal como Chico Xavier, também penso que deve ser difícil morrer com educação. Com certeza que morremos agoniados, doloridos, urinados, vomitados e completamente acagaçados.. Mas já acredito ser possível morrer com conhecimento. POPEYE9700@YAHOO.COM

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