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popeye9700

Crónicas e artigos de opinião, a maior parte publicada no Diário Insular, de Angra do Heroísmo.

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Crónicas e artigos de opinião, a maior parte publicada no Diário Insular, de Angra do Heroísmo.

UGA BUGA! MOCADA NAS BALEIAS!

Junho 26, 2009

Tarcísio Pacheco

 

 

IMAGEM: http://br.stockfresh.com/image/1884601/whale-cartoon

 

 

 

O reconhecido e eminente vulcanólogo açoriano, Victor Hugo Forjaz (VHF),  defendeu recentemente, em declarações recolhidas pelo “Diário Insular”, a retoma da caça á baleia nos Açores, de forma moderada, com o objectivo de preservar uma tradição bem açoriana.

Mas que belíssima ideia, que só peca por tardia. Nem sei como não pensei nisso antes mas reconheço humildemente que uma ideia deste gabarito só poderia nascer na iluminada cabeça de um inteligente cientista.

Por associação de ideias ocorreu-me a pretensão do meu amigo Armando Mendes que, aqui há uns anos, queria voltar a caçar golfinhos, embora neste caso se tratasse apenas de satisfazer uma gula privada. Já estou a imaginar as patuscadas que estes dois poderiam fazer, de bife de toninha com muito alho e um gordo estufado de Willy, tudo patrocinado por uma bebida qualquer…

E nas muitas feiras de Turismo onde os nossos representantes costumam ir vender os Açores, estes produtos, quiçá associados com outros, poderiam até estar em lugar de destaque... “Visite o Vulcão dos Capelinhos e depois embarque numa canoa baleeira e assista à morte de um cachalote por hemorragia maciça”. É certo que perderíamos todos os turistas do mundo civilizado que não pactuariam com a morte por tradição. Mas ganharíamos todos os curiosos mórbidos deste mundo e essa é sempre uma grande tribo, que está a ser menosprezada e esquecida., neste mundo actual de ecoterroristas, ambientalistas parolos e ingénuos defensores dos direitos dos animais. Nem necessitaríamos de perder as regatas dos botes baleeiros, simplesmente estas ocorreriam na ida e na vinda dos lugares de matança; afinal, para quê correr à frente do vento, sem objectivos interessantes, se podemos correr atrás de um belo cachalote que está ali mesmo a dizer “”tranquem-me por favor” !

Nem sequer precisamos de acabar com a desinteressante e insípida actividade de  “whale watching”. Basta passar a levar arpões , lanças e muito cabo nos rápidos semi-rígidos e passar a chamar-lhe “whale murdering”… Chama-se a isso “reconversão invertida”. Como muito bem frisa VHF, esta actividade só beneficia meia dúzia de capitalistas do mar. Reconvertendo a reconvertida actividade, poderíamos vir a enriquecer as populações das Lajes do Pico, das Capelas de S. Miguel, do Negrito da Terceira, do Porto Pim do Faial…E iam abrir-se muitos postos de trabalho. Servir como remador nas galés baleeiras parece-me uma óptima ocupação para os repatriados de Angra do Heroísmo que assim não precisariam de assaltar velhinhas porque teriam dinheiro para cigarros e cerveja. Meus Deuses, isto é arrepiante, quando começamos a pensar no alcance desta ideia e nas suas implicações. Como dizem os meus filhos e eu também, de vez em quando, isto é muito à frente…

O Brasil há muito que defende a criação de um santuário de baleias no Atlântico Sul. Pois eles que o criem e as ensinem a sambar…. Muitas depois, nas suas deambulações em que vão esgotando o nosso rico plâncton, vão acabar por rumar a Norte, vão passar nos Açores e a gente aqui, Uga Buga, mocada na cabeça, não vamos deixá-las todas para os islandeses, que a gente não é parvos nenhuns…

Não vamos ficar a pensar se são seres inteligentes e sensíveis, toda a gente sabe que as preocupações de ordem ética estragam os prazeres da vida; nestas coisas, o melhor é contá-las… tantas para os islandeses, tantas para os japoneses, tantas para os açorianos e o resto deixa-se ficar aí a pastar e a engordar para o ano. Afinal e citando doutas cabeças “(…) não existe nenhum  problema para a conservação da espécie caso sejam capturados cerca de uma dúzia de exemplares por ano”. Não há até motivo nenhum para não as matarmos ao abrigo de pesquisas científicas, desse modo é até provável que possamos vir a receber subsídios de Bruxelas. E porque não mandar construir um navio baleeiro nos estaleiros de Viana do Castelo, mesmo que demore, mesmo correndo o risco de ser devolvido no fim ? De certeza que há um projecto russo ou norte-coreano adequado…Ajudaríamos os pobres estaleiros a ultrapassar a sua crise e quando já não houver baleias para matar, podemos sempre aproveitar o barco para, sei lá, transportar passageiros e automóveis entre as ilhas dos Açores ? Entre os Açores e a Madeira e Lisboa ? Pronto, sei quando estou a exagerar mas a ideia não é má. Pelo menos não é pior do que as de VHF. E cá temos de novo a “reconversão invertida”, uma ideia que eu poderia ter registado se VHF não se tivesse antecipado.

E porque usaríamos osso de vaca para artesanato em osso, se afinal o contrabando vindo da Islândia continua a abastecer os nossos artesãos com o marfim dos cachalotes ? Não contando para as estatísticas oficiais, esse circuito clandestino só desequilibra a nossa balança comercial com a Islândia. Então, é muito mais inteligente admitir e legalizar a prática. Esse precedente pode até ser revolucionário para o nosso comércio externo e abrir-nos as portas do ópio da Birmânia, das presas de elefante da Tanzânia ou até dos meninos da Tailândia…

Com VHF à frente do movimento, esta é a grande oportunidade para os Açores passarem a estar à frente de alguma coisa , deixarem de estar simplesmente no meio do mar e entrarem, pela porta grande, para  um selecto clube de elite. É um sonho, a visão de um criador, os matadores de baleias dos Açores entre os organizadores de lutas de galos das Filipinas, os matadores de cachorros da China ou os vendedores de barbatanas de tubarão do Japão. POPEYE9700@YAHOO.COM

 

 

 

 

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