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popeye9700

Crónicas e artigos de opinião, a maior parte publicada no Diário Insular, de Angra do Heroísmo.

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VIAGEM AO PICO

Setembro 13, 2013

Tarcísio Pacheco

 

 

 

No fim de semana alargado, de 6 a 9 de Setembro, viajei até às Lajes, na ilha do Pico, no Popeye. Levei o meu melhor amigo, Ivo, a afilhada dele, Renata, uma amiga dela ,Beatriz (foram ambas acampar) e no regresso trouxe ainda a minha prima Sandra, canadiana, a passar uns dias nos Açores e que estava em S. Jorge na altura.

O Pico é, desde sempre, a minha ilha favorita e aquela que escolheria para viver, se pudesse levar em conta apenas a minha preferência. Vivi lá, nas Lajes do Pico precisamente, durante um ano, em 1989/90. A minha filha Bárbara, que tem agora 25 anos,  fez lá um ano de idade. Fui feliz nessa ilha. Morava nas Lajes do Pico mas trabalhava em S. Roque e fazia a viagem todos os dias, de carro. Era então professor e  a escola de S. Roque foi a melhor onde trabalhei. Toda a gente excelente, colegas, alunos e funcionários. A ilha do Pico é linda, com a sua montanha, uma paisagem incrível, sempre ali perante os nossos olhos. Há pequenos portos e piscinas naturais, por todo o lado, simplesmente maravilhosos, pequenos tesouros escondidos.  A ilha é grande mas tem baixa densidade populacional, por isso é possível percorrer longos trechos de estrada sem ver casas ou vivalma. Gosto muito disso, não aprecio multidões. Há sempre uma certa solidão saudável no Pico.  As casas são das mais belas que conheço nos Açores, lindas vivendas, construídas com muito bom gosto, à base de pedra basáltica. E as pessoas do Pico, de uma forma geral, são genuínas, autênticas, simpáticas e acolhedoras. Adorei viver no Pico e tentei  continuar lá mas infelizmente não consegui. Joguei futebol no Lajense. E tive um ano muito  tranquilo, bastante voltado para o mar, fazia windsurf, caça submarina (muita veja escalada) e pescava.

Saímos na sexta-feira, pelas 16h30. O mar estava um pouco agitado, com vento moderado de sueste. Conseguimos velejar até ás 23h30. Depois, foi preciso ligar o motor e lá navegámos à velocidade média de 4 nós que o motor Volvo  Penta com 34 anos de idade permite…Dormi cerca de 3 horas, entre as 4h00 e as 7h00. Chegámos à marina das  Lajes do Pico por volta das 8h30 da manhã. Único reparo negativo: é a única marina que conheço em que não é possível abrir as portas por dentro…Mas, desta vez, ao contrário da última, em 2011, a porta do pontão de visitantes estava avariada…Que fique assim…

Foi um fim de semana magnífico, na companhia do meu bom amigo Ivo. O tempo esteve excelente, como tem estado, de uma forma geral, todo este mês de Setembro. Um belo céu azul e muito calor. Basicamente passámos o tempo a apanhar sol e a mergulhar nas límpidas e mornas águas das Lajes, uma vezes lá mesmo no Caneiro, junto à marina, outras na Maré, do outro lado da vila, uma zona muito agradável com a maré cheia. Fez tanto calor que era difícil ficar mais de 15 minutos sem ir à água. No Sábado almoçámos no restaurante Lagoa, lapas grelhadas, polvo guisado e vinho branco da casa. Nessa tarde, alguns pescadores, com a generosidade própria dos picoenses, ofereceram ao Ivo uma belo bonito, que fomos grelhar no carvão no parque de campismo e partilhámos com as meninas, acompanhando com um vinto tinto. No domingo, almocei apenas uma bela salada (alface, tomate, cebola, maçã, banana, queijo e fiambre) no simpático Ritinha. No final da tarde, eu e o Ivo alugámos duas bikes (o mundo é pequeno, à Paula, filha da D. Amélia Amorim, ex-vizinha da frente e ex-ama da Bárbara). Fomos até à aldeia da Fonte, um recanto maravilhoso, a seguir à Silveira. Nessa manhã chegou a minha prima Sandra, de S. Jorge, e à noite fomos jantar ao restaurante  Troca Notas, junto ao parque de campismo. Comemos um delicioso bife de albacora, acompanhado com cerveja. Em cima, meloa docinha, um pedaço de salame de chocolate , café e licor de amor, que delícia!

Partimos pelas 9h00 da manhã de segunda-feira, feriado da Serreta na Terceira. Á saída das Lajes, ia completamente distraído (é a única explicação que encontro) talvez porque estava  muito bem disposto, o dia estava lindo, com a montanha totalmente descoberta. Acho que estava um bocado eufórico. Passei pelo lado errado de uma baliza verde e encalhei o Popeye! A maré estava quase no pico da vazante e isso ajudou ao incidente. Embora um pescador me tivesse vindo ajudar, levando a minha âncora para longe, a fim de prevenir um arrasto para águas ainda mais baixas na enchente, decidi que, depois daquele burrice sem perdão, a única atitude inteligente era aguardar a subida da maré. Claro que, de imediato, eu e o Ivo, mergulhámos (numa água em que tomávamos pé) para verificar os danos no casco. O Popeye estava meio entalado entre duas rochas e com a quilha assente no fundo em  ¾ do seu comprimento. Não havia danos relevantes à vista, provavelmente apenas algumas escoriações na quilha, até porque navegávamos a baixa velocidade, cerca de 2 nós. Então, ficámos a aguardar a subida da maré (que ainda desceu uns centímetros). Estava sol e muito calor, todos fomos para a água várias vezes. A certa altura, recebemos a visita do meu amigo Osvaldo, lajense, meu antigo colega no Lajense Futebol Clube. Uma pessoa muito simpática e , segundo me lembro, um excelente jogador de futebol, um médio cerebral, talentoso. Trepou para o Popeye e ficámos na conversa. A certa altura ele foi para terra, dizendo que voltaria e eu, na brincadeira, disse-lhe “traz umas frescas e umas sanduíches de albacora”. Dali a bocado, mais cedo que o que prevíamos, a subida da maré libertou o Popeye. Já com toda uma manhã de atraso, fomos logo embora, era 12hoo. A navegar por fora das Lajes,  liguei para o Osvaldo. Ele ficou muito triste, já tinha encomendado as sanduíches de albacora. Grande Osvaldo, que gente boa tem no Pico…

O dia estava magnífico mas sem vento, navegámos todo o dia a motor e parámos depois de deixar a costa do Pico, para um belo banho em alto-mar. Pelas 17h00, perto do Tôpo, veio o vento que eu já previa, um nór nordeste moderado, que nos deixou a navegar a 5 nós em média, muitas vezes a seis, com o máximo velame do Popeye (vela grande e genoa maior). O vento manteve-se sempre mas para a noite enfraqueceu um pouco e rondou para nordeste, o que nos obrigou a bolinar. Assim, demorámos bastante e atracámos em Angra pelas 3h00 da matina. Ainda fomos à bomba de gasolina da Via Rápida beber algo geladinho…

Fui para casa dormir e levantei-me pelas 7h30 da terça-feira, para ir trabalhar, acho que ainda não recuperei bem o sono.

Fim de semana maravilhoso que me fez muito bem à alma.

 

 

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