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popeye9700

Crónicas e artigos de opinião, a maior parte publicada no Diário Insular, de Angra do Heroísmo.

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Crónicas e artigos de opinião, a maior parte publicada no Diário Insular, de Angra do Heroísmo.

BAGA COITADINHO, CHATEOU-SE TANTO... (BB 111)

Junho 16, 2020

Tarcísio Pacheco

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imagem em: https://www.focoeducacaoprofissional.com.br/blog/servidor-publico-cursos-online

BAGAS DE BELADONA (111)

HELIODORO TARCÍSIO

BAGA COITADINHO, CHATEOU-SE TANTO… Como já calculava, o “não me chateiem” tem o pavio curto e chateia-se com facilidade. E quando isso acontece dá em barafustar, vocifera, insulta, solta perdigotos e cospe para o ar, o que nunca é boa ideia devido à lei da gravidade. Fá-lo, contudo, num português burilado e rococó, com requintes de latinório, o que é agradável no plano da estética linguística, mas não implica necessariamente nada de muito interessante no capítulo das ideias.

Volte ou não aqui o Inconsistente, o que me deixa impávido e sereno, só lhe digo que se deixe de tretas. Quem escreve para o público, sujeita-se a ter as suas ideias criticadas. O mesmo acontece comigo. A diferença entre nós, para além de muitas outras, é uma questão de fair play.

As Bagas não foram concebidas para serem simpáticas embora o sejam, ocasionalmente. É como me apetece, escrevo em liberdade e assumo o que escrevo. Se faço inimigos com as Bagas será sempre um tipo de pessoas que jamais seriam minhas amigas. Portanto, não perco nada. Além disso, estou plenamente feliz com os amigos que tenho. Porém, não deixa de ser interessante o facto de ter feito uma série de novos amigos, ao longo dos anos, entre as pessoas que me leem e me dão algum feedback.

Vivemos num planeta belo, mas perigoso, que se encontra num claro processo de destruição, orquestrado por verdadeiras bestas humanas e assente na ignorância, alienação e apatia das massas. Estamos agora a viver um intervalo pandémico, mas no essencial nada mudou. O paradigma da civilização que desenvolvemos é constituído por uma tóxica mistura de tecnologia, materialismo, capitalismo, consumismo, competição, agressividade, manipulação, psicose de controle, ambição, jogos de poder e egocentrismo individual. Que raio de Bagas é que queria que produzisse num mundo destes? Se fosse para serem docinhas seriam bagas de cassis ou mirtilo. A beladona é tóxica e muito perigosa. Mas é tudo uma questão simbólica. As Bagas de Beladona foram concebidas para serem livres, não alinhadas, duras, críticas e, por vezes, venenosas. É para consumir com critério e cuidado. É como o peixe baiacu. Não é para toda a gente. É um produto gourmet e seletivo. Doces, simpáticas e fofas são as crianças, a maioria, pelo menos.

Bem espremido, o assaz venenoso artigo do Inconsistente nada acrescenta ao essencial. Não há qualquer contraditório relativamente ao que escrevi. Nem defesa nem explicações. É fraco opositor e novamente me desiludiu. Pensa que basta escrever bem. Não quer que o chateiem, mas gosta de insultar os outros.  Manda-me consultar índices comparativos que colocam em termos opostos desenvolvimento e ratio de funcionários públicos versus os outros trabalhadores. Seria um exercício pueril e acontece que não é esse o cerne da nossa questão. Antes do 25 de abril de 1974, os Açores eram um pequeno arquipélago de 9 ilhas isoladas no meio do Atlântico Norte, pertencentes a um pequeno, pobre e atrasado país, que, como era de esperar, tinham gravíssimos problemas, de transportes, de subsistência, de população. Quase sem industrialização e ainda sem turismo, vivíamos de atividades do sector primário, de algum comércio e serviços. Estava quase tudo por fazer. Na atualidade muito permanece por resolver e há novos problemas. Mas não há comparação possível. Desenvolvemo-nos imenso desde 1974 e descobrimos, entretanto, como um pouco por todo o lado, a vaca sagrada do turismo. É óbvio que só o estado (a nova região autónoma e a nova república) podia e tinha mesmo obrigação de providenciar este desenvolvimento estrutural, quase a partir do zero. E isso só podia ser feito através de um corpo de agentes do estado, os funcionários públicos. Não podia ser de outro modo. É uma constatação de La Palisse afirmar que há muitos funcionários públicos nos Açores. E daí? Isso é assim tão estranho numa região como a nossa? Surpreendente? Isso permite ao Inconsistente insinuar que os funcionários públicos açorianos são todos preguiçosos, incompetentes e que ninguém os controla? Terei alucinado? Mesmo que não tenha usado exatamente estas palavras foi, claramente, esta a impressão que ele quis transmitir. O Inconsistente clama que foi funcionário público. Julgará por si próprio? Há funcionários públicos de todos os tipos, assim como há preguiçosos e incompetentes no setor privado. Nunca afirmei que todo o funcionalismo público prima pela excelência e se há queixas a este nível (e eu também sou um cidadão que recorre aos serviços públicos), o menos que falta em Portugal é queixas de todos os tipos relativamente a empresas privadas. É uma questão ideológica de fundo, que dividirá sempre as sociedades. Um organismo público tem como missão prestar um serviço à comunidade com qualidade e rigor. Mais nada. Uma empresa privada tem como missão dar muito dinheiro a ganhar aos seus donos ou acionistas. São mundos opostos e inconciliáveis, segundo creio. É esse um dos grandes traços que distinguem esquerda e direita. Aquela assenta no serviço público com muito apoio social, esta no estímulo do lucro e do enriquecimento, com algum assistencialismo social. O Inconsistente diz que estou “amarrado” e que sou ideologicamente “bolorento”, mas traça do funcionalismo público açoriano um retrato injusto, incorreto e absolutamente anacrónico que até faz lembrar o aparelho estatal soviético dos anos 70. Acho que ele não deu pela perestroika. Também diz que extrapolei. Terei extrapolado ao criticá-lo pela observação tonta e descabida, porém extremamente maldosa e mal-intencionada de que os funcionários públicos não servem para nada porque “ninguém deu pela falta deles durante dois meses”?

O Inconsistente diz que o insultei por discordar dele e que é isso que faço por sistema. Mas, aparentemente, quem discorda dele é alucinado, descabelado, falacioso, tresloucado, sem capacidade para equacionar, gaseado, confuso, absurdo, raivoso e viciado, entre outros mimos. Reli o meu próprio texto, isso sim e não há ali nada que se compare, em termos de toxicidade. Um dia destes havia de pensar em mudar o nome das crónicas dele para algo que traduza mais fielmente a sua virulenta e pouco ética oposição. Mas Beladona já está tomado. Ele, no fundo, até nem é má pessoa. Só quer que não o chateiem enquanto se entretém a chatear os outros.

Finalmente, nunca votei em nenhum partido, não tenho amigos neste governo (que critico frequentemente) nem na classe política em geral, nunca lhes pedi favores e nem sequer concordo com o atual sistema de avaliação que, ao contrário do que acontece no privado, não tem qualquer estímulo positivo e está indexado a um duvidoso sistema de quotas. Não sou marxista nem comunista. Não sendo mais que um humilde ser humano, sou único e inqualificável. Por isso, o Inconsistente devia guardar a sua saquinha de rótulos e deixar esse feio hábito de atirar caca à parede, a ver se fica alguma colada. Isso acaba por respingar-lhe para cima. Se preferir ficar agora no seu canto, a lamber as feridas, eu vou entender. Se ripostar, então, terei um prazer imenso em continuar a chateá-lo. popeye9700@yahoo.com

 

 

BAGA VOU CHATEÁ-LO SIM MAS FOI ELE QUEM COMEÇOU (110)

Junho 05, 2020

Tarcísio Pacheco

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imagem em: https://outofworld.wordpress.com/2011/12/29/funcionarios-nossos-amigos/

BAGAS DE BELADONA (110)

HELIODORO TARCÍSIO

BAGA VOU CHATEÁ-LO, SIM, MAS ELE FOI QUEM COMEÇOU – No Diário Insular de quarta-feira, 27 de maio, saiu asneira da grossa embora o título até tivesse sido bem escolhido, já que era “Inconsistências”. Dececionou-me, o “Não me chateies” (sempre gostei do email dele). Até parece uma daquelas pessoas que tentou ser funcionário público, não conseguiu e ficou a odiar-nos para o resto da vida. Será uma possível psicose. Bom, antes isso que entrar numa repartição pública com uma arma e matar toda a gente (aproveitando que estavam distraídos no Facebook ou a mandar SMS para amantes) como na loucura dos EUA.

Voltando ao Inconsistente, naquele dia, deve ter acordado com a vesícula purulenta e resolveu babar-nos com um ódio vesgo e insano pelos funcionários públicos. Que coisa tão tacanha, provinciana e neoliberal…A ironia é que se o azedo escriba tivesse ficado por aquele tipo de funcionalismo público com família ou padrinho em cargo de poder ou bem visto no “partido”, que existe e sempre existiu, até podíamos ter estado basicamente de acordo. Mas, seja por ignorância ou má fé, para o Inconsistente, todos os funcionários públicos, com exceção daqueles que considera “essenciais” e que devem ser os que espera virem a tratar-lhe do futuro AVC e mudar-lhe a fralda, o resto vive “em ócio permanente”, a ler os tweets do Trampa.

Isto é daquele tipo de gente, tão comum em sociedades atrasadas, que acha que trabalho intelectual não é trabalho, que teletrabalho é brincadeira, que quem não sabe fazer, ensina, que os reclusos deviam andar todos em trabalhos forçados a limpar florestas e que, para quem frequenta ginásios, há muita pedra para acartar. Geralmente, estes críticos são os primeiros a gritar aos quatro ventos quando acham que há uma falha desse mesmo estado que eles pretendem pequeno e fraco. Mas se há algo que a pandemia veio demonstrar é que só estados fortes, bem estruturados e bem geridos conseguem combater eficazmente situações radicais, como guerras, catástrofes ou pandemias. Afinal, o Estado somos todos nós, o nosso território, as leis, a propriedade pública e as autoridades eleitas pelo povo democraticamente e mudadas de 4 em 4 anos. Numa situação como o Covid-19, quem se espera que venha garantir a saúde, segurança e bem-estar das pessoas, sem intuitos de lucro ou proveito material? A PT? A Galp Energia? A Mota-Engil? Ou o Governo e a Assembleia da República?

Incrivelmente, da pandémica situação, o quezilento escriba consegue concluir que os funcionários públicos não servem para nada porque estiveram “de férias” durante 2 meses e ninguém deu por falta deles. Isto é uma conclusão digna de um Bolsonaro. Quer dizer, a vida parou totalmente durante dois meses, por imposição das autoridades eleitas por nós e acertadamente, ao que parece, com exceção dos serviços considerados essenciais à vida, como os serviços de urgência na saúde, a alimentação, a segurança dos cidadãos e a recolha de lixo, para referir os óbvios. Tudo o resto parou, a vida de todos nós ficou em suspenso, educação, comércio, restauração, serviços, turismo, diversão, cultura e outros setores. E continua assim ainda, em larga medida. E disto o Inconsistente consegue concluir que de professores a engenheiros, passando por eletricistas, cantoneiros e bibliotecários, todas as pessoas que, trabalhando de segunda a sexta em horário completo e que, para além da sua especialidade são também funcionários públicos, não servem para nada e não fazem cá falta nenhuma. É brilhante, o Inconsistente. Bom, se fosse só isto, já era uma tristeza. Mas é preciso dizer que o Inconsistente revelou também muita ignorância sobre o funcionalismo da atualidade.  A menos que se trate de malícia dolosa e aleivosia pura. Diz o desvairado escriba que ninguém controla o teletrabalho e que ninguém quer saber da produtividade do funcionário em regime normal. Até pode ter sido mais ou menos assim, no passado. Mas, na atualidade, isto é totalmente falso. Isto é uma absoluta mentira, que deve ser denunciada. As pessoas em teletrabalho são controladas pelos seus chefes, através de relatórios diários obrigatórios, da conclusão com proveito das tarefas que lhes são distribuídas e a sua atividade é escrutinada com muito mais minúcia do que dantes, sem a menor dúvida porque o escrutínio é diário, permanente e detalhista. O escriba com azia não sabe nada sobre teletrabalho, como pouca gente por aqui sabe, aliás. Mas escreve sobre isso para os jornais. Deve ser um tele especialista em assuntos diversos. Um Cláudio Ramos da imprensa cinzenta. Contudo, ignora ou finge ignorar que há muitas empresas privadas em Portugal que decidiram manter o teletrabalho depois do desconfinamento. Será que o fazem porque isso é prejudicial para as suas operações comerciais, neoliberais e lucrativas? Na atualidade, nenhum funcionário público tem trabalho garantido para a vida toda, já não é assim, o mundo pula e avança embora alguns não ser apercebam disso. Os funcionários públicos são avaliados, têm de cumprir critérios de execução e os relógios de ponto (tendencialmente de impressão digital), controlam a assiduidade de uma forma absolutamente estrita. Claro que na cabeça do Inconsistente, os funcionários públicos são todos uns aldrabões que andam com os dedos indicadores uns dos outros nos bolsos. Fico por aqui hoje, para não ocupar mais espaço, mas fui professor desde a faculdade e funcionário público, com orgulho, desde 1993. Poderei ter muito mais a dizer sobre o assunto. É que, ao contrário de qualquer comerciante ou empresário ou de um profissional liberal, nós não trabalhamos para enriquecer ou angariar clientes, trabalhamos para a comunidade. Faz diferença. popeye9700@yahoo.com

 

 

BAGA DO DESCONFINAMENTO (BB 109)

Maio 21, 2020

Tarcísio Pacheco

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imagem em: https://www.correiodamadeira.com/2020/04/covid-19-plano-de-desconfinamento.html

BAGAS DE BELADONA (109)

HELIODORO TARCÍSIO

BAGA DO DESCONFINAMENTO - Respondendo a uma dúvida que tem surgido no seio do povo de Deus, o confinamento católico é obrigatório porque provém da autoridade, que nos ama a todos paternalmente, mas, do ponto de vista teológico, não é sagrado, indissolúvel e, muito menos, eterno. Por isso, ide e desconfinai. Porém, tomai cautela e procedei com os devidos cuidados ou sentireis na carne o custo da prevaricação. Bom, isto foi apenas um recado, que o senhor Bispo me pediu para passar na minha crónica porque o povo não se pode ajuntar nas igrejas nem fazer procissões. Está feito.

Tenho-me deliciado a percorrer a ilha, assistindo ao espetáculo do povo a desconfinar. Especialmente, hoje, domingo, um dia bonito, em que a pessoa acorda, olha para a janela e pensa que o que está mesmo a apetecer é sair de casa e desconfinar por aí. A Primavera é mesmo a estação ideal para atividades desconfinatórias. Pessoalmente, eu, que nunca havia sido confinado antes, sinto que estou a viver uma experiência única num período histórico. É que ficamos sem saber exatamente como desconfinar. É certo que há regras, mas não há propriamente um manual de desconfinamento e somos assaltados por muitas dúvidas. Afinal, desconfinar é um processo complexo que envolve estratégia, planeamento e uma fita métrica. Que será, muito provavelmente, chinesa. O que faz algum sentido, completa o círculo e prenuncia os próximos anos da Humanidade. Prosseguindo, em termos de desconfinamento, por vezes é preciso improvisar. E depois, cada um tem o seu jeito de desconfinar. E, como sempre, há uns que têm mais jeito que outros. Por outro lado, fazem-se descobertas sociologicamente interessantíssimas. Por exemplo, apercebi-me que os grupos de bêbados já desconfinavam antes. Eles é que não sabiam. Tenho-os vistos sentados em frente aos cafés favoritos deles, enfim reabertos, em pequenos grupos, cumprindo civicamente as normas de distanciamento social (é mais ou menos uma caixa de cerveja entre conversantes e duas entre grupos) com uma cerveja aberta a amornar na mão; vi um grupo desses em S. Mateus, todos a desconfinar ativamente, em frente ao café, sentados junto de um recipiente para lixo e a enviar garrafas vazias de cerveja para baixo, para o relvado do lindo passeio marítimo da freguesia. Ora, isso era o que eles já faziam dantes. Chamava-se ajavardar, mas agora sei que afinal já era desconfinar. A conclusão é que cada um desconfina de acordo com a sua índole. No entanto, verdade se diga, os bêbados têm bebido sempre de máscara. Podem usá-la ao pescoço, como se fosse um adereço de moda, em estado de prontidão operacional. Ou apenas sobre a boca porque o nariz faz muita falta na respiração. Mas está lá. E, espelhando a criatividade que o desconfinamento suscita, começam a aparecer máscaras de todas as cores, com bonecos Disney para os putos, cinzentas para usar com fato de político, vermelhas para adeptos do Benfica e comunistas, rosinhas para o Manel Goucha. Pequenos negócios florescem no Facebook e as costureirinhas da ilha, à míngua de encomendas para as marchas de S. João, dedicam-se por inteiro à produção de máscaras. Já apareceram também tutoriais de “faça você mesmo a sua máscara”. Muito provavelmente, neste Verão, a Coca-Cola oferecerá uma máscara com cada latinha.

No Continente, com as zonas balneares ainda fechadas oficialmente, o tempo quente a apelar ao desconfinamento e os cavalos da GNR a patrulharem as praias, os Portugueses recorreram a estratégias muito próprias do espertismo nacional. É só aparecer por lá, com ar de quem vai fazer outra coisa qualquer que não seja fazer praia. Porque, pelo que vi, aparentemente, é possível fazer imensas coisas nas praias, exceto fazer praia. Por isso, o povo vai ficando por ali, com um ar falsamente distraído e quando a bófia está a olhar para o outro lado, pimba, o povo faz praia. Por cá, vi um amigo voltar de uma caçada submarina com uma bela abrótea que, para azar dela e por andar provavelmente mal-informada, estava ainda confinada à sua toca.

Entretanto, a Oeste, contrariando Erich Maria Remarque, há sempre algo de novo, no mau sentido da ideia, claro. Agora, o sapo cor de laranja, enquanto vagueia no seu ambiente natural, o pântano da economia eleiçoeira,  para apanhar os bichinhos rastejantes de que se alimenta, salpica o mundo com a sua baba tóxica; antes era a China, como se alguém tivesse culpado a Espanha pela Gripe Espanhola, muito mais mortífera; agora, como o argumento enfraqueceu e os Chineses até já aprenderam a fazer humor, inventou o Obama Crime; segundo o sapo, o crime político mais grave da história dos EUA; inquirido publicamente sobre tão grande crime, respondeu que um crime é um crime, toda a gente sabe o que é. O meu conselho ao povo americano é que confinem Trump na penthouse da Torre Trump, com uma televisão gigante com dois canais apenas, a Fox News e o Playboy e uma provisão para vários anos de hot-dogs e Coca-cola light. Vão ver que as coisas melhoram. O desconfinamento não é adequado para toda a gente. Mais a sul, o aprendiz de ditador que não sabe sambar, embora não seja coveiro, enterra-se mais e mais, dia a dia. Para esse e para o povo brasileiro, o mais adequado seria o confinamento em estrutura especial, de forma trapezoidal, em madeira exótica, com uns 2 metros de comprimento por 80 cm de largura. Não, não é essa coisa macabra em que estão a pensar. Trata-se apenas de uma “unidade especial de confinamento não reversível”. Para casos difíceis.

Se pareço demasiado radical, saibam que não é comunismo nem nenhuma patologia psiquiátrica. É apenas esta atmosfera geral de desconfinamento, esta energia que anda no ar e nos torna mais ativos, criativos, dinâmicos e sensíveis. É uma espécie de febre dos fenos, quase como um vírus, embora, provavelmente, eu devesse usar outro termo de comparação. popeye9700@yahoo.com

 

BAGA FICÁMOS A VER NAVIOS (BB108)

Maio 13, 2020

Tarcísio Pacheco

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imagem em: https://www.clipart.email/clipart/clipart-ferry-boat-cartoon-336991.html

BAGAS DE BELADONA (108)

HELIODORO TARCÍSIO

BAGA FICÁMOS A VER NAVIOS - Não duvido que a decisão do Governo Regional de cancelar a habitual operação de fretamento dos ferryboats que no Verão ligariam as nossas ilhas foi acertada, no contexto atual. Com os entraves colocados ao turismo externo e à nossa própria circulação entre as ilhas, com o magro e triste Verão que se prevê, não se perceberia que fosse de outro modo. Contudo, o mesmo já não posso dizer de outra decisão, divulgada na mesma altura, a de cancelar o último concurso internacional para construção de um navio de passageiros ou misto destinado a servir os Açores. Este projeto foi sempre uma novela mexicana e com muitos críticos internos, desde o início, desde a história rocambolesca e mal contada do ferry Atlântida, combinada com a novela venezuelana dos estaleiros de Viana do Castelo. Agora, parece-me que o Governo aproveitou a oportunidade para se livrar de um projeto controverso e dispendioso, que não lhe estava a calhar nada bem. E assim, com a desculpa do vírus e da crise económica que, inevitavelmente virá depois, não teremos ferry açoriano por muitos anos. Mas como a vida continua e a epidemia há de passar e enquanto não vier a próxima, voltaremos a viver a sério, provavelmente já em 2021, com Verão, sol, mar, turistas, festas, música, touradas e muita vontade de viajar nem que seja só ali ao lado a S. Jorge para comer umas lapas com o sotaque deles. E, sem ferry, mas cheios de vontade, nem tanto de dinheiro, vamos clamar por barcos que nos levem comodamente e aos nossos belos popós. Porque entre um barco e um avião haverá sempre enormes diferenças. Nem que seja porque, se a maioria das pessoas sabe nadar, nunca conheci ninguém capaz de voar, se excetuarmos o Super Homem, que era emigrante ou, melhor dizendo, refugiado.. Assim, para satisfazer o povo, lá terá o Governo de continuar a fretar ferries com elevados custos. Que seriam muito mais elevados, clamam os críticos internos, se tivéssemos o tal ferry açoriano, devido à manutenção e aos custos fixos. Tenho grande dificuldade em entender esses críticos. Que não querem ferries fretados, mas também não querem um ferry açoriano. Que querem eles afinal? Ah, dizem eles, que não podemos pagar, que somos pequeninos, que temos pouca gente, etc, etc. Mas a SATA e os seus desvarios, prejuízos e dívidas parece que já podemos pagar. Não podemos comprar barcos, mas podemos comprar aviões. E se as desculpas passam pela nossa localização geográfica, pelo isolamento, pela dimensão das ilhas, pela reduzida população, pela incerteza do clima, pela fúria do mar, lugares como as ilhas Faroé desmentem isso tudo. Eles têm ferry, todo o ano.

No ano passado estive nas ilhas Faroé. Que têm apenas 50.000 habitantes e problemas semelhantes aos nossos, mas bem piores. As ilhas deles são menos habitáveis, mais montanhosas, mais inóspitas, mais frias e ficam cheias de neve no Inverno. Os estudos dizem-nos que a situação deles tem melhorado nos últimos anos (nos anos 50, havia muita falta de mulheres, por exemplo e por isso mesmo, uma baixa taxa de natalidade). Atualmente, os Faroeses vivem sobretudo de atividades do setor primário, com destaque para a pesca e a pecuária (ovelhas por todo o lado), do comércio e serviços e de… claro, turismo, muito. Evidentemente, as ilhas têm um aeroporto internacional, com voos diários. Têm pequenos ferries entre as diversas ilhas (18, apenas uma desabitada). Mas têm ligações regulares por via marítima com a Dinamarca e a Islândia, com um moderno ferry, o NORRÖNA, construído em 2003 na Alemanha, por 100 milhões de euros. E sim, o governo das Faroé ajudou bastante a empresa nessa altura, era do interesse público, como clama o Governo Regional quando ajuda a SATA todos os dias e desde sempre. O Norröna tem bandeira Faroesa e o porto de registo é Tórshavn, a capital das ilhas; é grande, seguro, bonito, tem 3 restaurantes e naveguei nele no percurso Dinamarca/Faroé, Islândia, ida e volta. O Norröna navega todo o ano, com neve, frio e tempestades, embora, por vezes, a empresa, a Smyril Line, seja forçada a cancelar viagens no Inverno. Adorei o Norröna. E quando chega a um porto, os passageiros aguardam um bom bocado enquanto o navio descarrega rapidamente todo o tipo de carga em contentores que são operados por rápidos camiõezinhos que se atrelam em 3 minutos. Portanto, é possível operar com navios mistos, de carga e passageiros e operar todo o ano. Espanha tem carreiras regulares de ferry entre as Canárias e Cádis, por exemplo. É uma questão de “modelo” de transportes, como agora está na moda dizer-se. E sobre o nosso “modelo” eu teria muito a dizer, se tivesse espaço para isso. É uma porcaria de modelo, que serve sobretudo os interesses de grupos empresariais e da ilha de S. Miguel.

E é assim um pouco por todos os arquipélagos e países com largas extensões de costa deste planeta. As pessoas usam barcos, há milhares de anos e continuam a usar. Há quem pense que somos modernos porque temos aviõezinhos em S. Miguel e aeroportos em todas as ilhas. Mas, na verdade, recuámos 200 anos no tempo. Porque, há 200 anos, havia navios à vela a ligar todas as ilhas, com carga e passageiros. Os aviões jamais poderão competir com os ferries, exceto no que diz respeito à velocidade. Agora, eu gostava de entender porque é que as nossas 9 ilhotas no meio do Atlântico Norte não precisam de ter ferryboat próprio. Ou, se precisam, porque é que andamos há anos a alugá-los a outros. Ou por que cargas de água é que temos de ser condenados a viajar apenas em aviõezinhos e nos da SATA, ainda por cima? É maldição? Imposição da CE?  Sina, má sorte? “Tem de ser”? “Não há alternativa”? Alguém que me explique. Obrigado. popeye9700@yahoo.com

 

BAGA O ESQUERDINHA, JOGADOR DO FCP (BB107)

Maio 05, 2020

Tarcísio Pacheco

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imagem em: https://racismoambiental.net.br/2017/12/25/parabens-baderneiro-comunista-defensor-de-bandido-e-prostituta-por-gregorio-duvivier/

BAGAS DE BELADONA (107)

HELIODORO TARCÍSIO

BAGA O ESQUERDINHA, JOGADOR DO FCP - Acredito que para combater o Covid-19 onde ele está a ser mais mortífero, nos EUA e no Brasil, o primeiro e decisivo passo é destituir os respetivos chefes de estado. Digo destituir porque sou uma pessoa pacífica. Se não o fosse, ocorrer-me-ia uma série prolífica de verbos transitivos práticos e apropriados. Há verbos transitivos lindíssimos e carregados de potencial, só precisam de um complemento direto apropriado para serem felizes:  empurrar, cortar, esquartejar, suspender, fritar, encolher, triturar, queimar, obliterar, atomizar, para dar apenas alguns exemplos.  Mas, fosse qual fosse o verbo, a partir daí, as coisas haviam de entrar nos eixos. Entretanto, lá no velho Oeste, o bucha cor de cenoura patina freneticamente sobre um escorregadio pavimento, malevolamente polido pelos Chineses, segundo ele. Adivinha-se um trambolhão memorável. Mais a sul, um falso Messias, julga-se um Fulgêncio Batista qualquer só porque o Brasil produz muita banana e ameaça a República Federativa, piscando o olho aos seus amigos coronéis para virem bater no Moro que é um mauzão ingrato e traiçoeiro e pôr o país na ordem.

Mas não devo ingerir-me na política interna de países soberanos, por isso, mudando de assunto, a nossa Santa Madre Igreja fica com os azeites sempre que lhe cheira a esquerdismo, venha ele de onde vier, da geringonça, do sindicalismo, do meio artístico, dos media ou de eventos simbólicos e carregados de significado como as comemorações do 1.º de maio, o Dia do Trabalhador. Para disfarçar, dizem que é ciúme, porque não podem receber a populaça crente em Fátima. Logo agora que o tempo está melhor e que a Virgem só aguarda uma procissãozinha de velas de desagravo ao Filho para abençoar uma vacina na Cova da Iria. E que se vê o fundo aos cofres católicos. A Igreja é de direita, profundamente e com pouquíssimas exceções. A Igreja gosta de discursos autoritários, de doutrinas inquestionáveis, de líderes infalíveis, de rituais que nunca mudam, de poderes paternalistas, mas firmes, de livros sagrados das coisas que se fazem assim porque sempre se fizeram. Na verdade, a razão principal para estas atitudes da Igreja é o seu ódio cego ao comunismo e, por associação primária, à esquerda. Nunca valeu a pena tentar sequer explicar à Igreja, as profundas diferenças entre comunismo como doutrina, regimes comunistas históricos e as diversas formas de socialismo democrático. Para a Igreja, sempre foi uma clara e intransigente dicotomia: a gente de bem e piedosa de um lado, o direito, o resto, do outro lado, à esquerda. Politicamente, no nosso país, a Igreja foi sempre CDS-PP e não faltará agora quem ache piada aos discursos do Ventura. Ora, isto sempre me fez espécie porque, para lá das complicações teológicas inabordáveis da Santíssima Trindade, a Igreja Católica assenta toda na figura, vida e mensagem de Jesus de Nazaré. Que sempre me pareceu um grandessíssimo comuna, com muitos dos tiques clássicos: nasceu no seio de uma família do povo; embora pouco se saiba sobre a sua vida antes dos 30 anos, crê-se que era carpinteiro como o marido da mãe ou seja, um trabalhador; tinha um lado claramente anárquico e não se dava bem com o poder instituído que neste caso era o Romano; não era propriamente tolerante e ecuménico, tentava converter toda a gente à “religião certa” que parecia ser a do Pai dele; era avesso à autoridade e discutia com os rabis à porta das sinagogas; não tinha grande respeito pela propriedade privada, era mais de entrar onde lhe apetecesse; era claramente anti capitalista, não gostava dos ricos, a menos que estivessem dispostos a tornar-se pobres e até inventou qualquer coisa a esse respeito que envolvia camelos; não apreciava o livre comércio, centrado no lucro; era um bocado vagabundo, andava de lado para lado e ia recrutando adeptos por onde passava, com especial preferência por pescadores; se tivesse nascido português, seria claramente alentejano; tinha o hábito desagradável de entrar pela casa dentro das pessoas e exigir cama, comida e lava-pés, para ele e para os amigos, arruinando assim o negócio do Alojamento Local na Galileia. Jesus de Nazaré, revoltado, rebelde, agitador de massas, crítico, amigo dos pobres, idealista. Enfim, comunista. Pedro e os da organização dele perceberam tudo ao contrário. popeye9700@yahoo.com

 

BAGA O COVEIRO E O DR. HOUSE (BB 106)

Abril 28, 2020

Tarcísio Pacheco

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imagem em: https://www.cartoonstock.com/newscartoons/directory/p/president_bolsonaro.asp

 

BAGAS DE BELADONA (106)

HELIODORO TARCÍSIO

BAGA O COVEIRO E O DR. HOUSE - A passada semana registou importantes comunicações ao mundo no contexto da crise pandémica; uma delas, no Brasil, no decurso da corriqueira demissão semanal de ministros e a propósito de número de mortos nas 24 horas anteriores, foi a informação, prestada pelo próprio, de que Jair Bolsonaro não é coveiro. Afirmação surpreendente já que, nitidamente, anda a cavar a sua própria sepultura. Todavia, poderia ser importante para ele aprender os rudimentos de uma profissão que está em alta no mercado brasileiro do trabalho, com uma elevada procura. Afinal, a economia não pode parar (Pô!). Digo isto por estar convicto de que em pouco tempo Bolsonaro irá para o desemprego. No exército, não atingiu mais que a modesta patente de capitão. Não sabendo fazer mais nada para além da intriga política, não seria de abraçar uma honesta profissão com futuro, segura e estável e chegar rapidamente a coveiro de primeira? Além de que, na prática, Bolsonaro já é o coveiro de centenas de brasileiros. Só falta mesmo formalizar a função.

A outra comunicação relevante foi a do senhor Trump, eminente cientista, guru da comunidade científica, especialista em praticamente quase tudo e com um QI tão alto que é impossível de avistar cá de baixo, que teve a generosidade de partilhar com o mundo atónito e embevecido alguns conselhos sobre técnicas de extermínio do vírus. Ficámos assim a saber que é possível matar o vírus pelo calor, submetendo-o a elevadas doses de radiação ultravioleta. Na verdade, também graças ao senhor Trump, já conhecíamos as incríveis possibilidades deste tipo de radiação que, entre muitos outros benefícios, proporciona uma lindíssima cor de cenoura às pessoas. E, bem na senda de Einstein, provando que as ideias geniais são as mais simples, Trump percebeu que se o vírus é morto nas mãos por desinfetante, é só uma questão de borrifar os pulmões. O resto são detalhes. Genial. E disse-o, segundo ele próprio, com o tipo de sarcasmo mais inteligente, aquele de que ninguém se apercebe. Admirável. A intervenção de Trump já tinha sido preciosa há algumas semanas quando publicou no Twitter uns comentários sobre a importância da hidroxicloroquina no tratamento do coronavírus. Reforçando a convicção já generalizada de que os apoiantes de Trump são pessoas atentas e inteligentes, um casal do Arizona, esse grande estado onde correm rios de inteligência por canhões pedregosos, embora não estivesse doente, resolveu tomar o remédio de Trump a título preventivo, porque lhe parecia ter algo semelhante em casa e porque o senhor presidente foi muito convincente, segundo afirmaram. Ao que parece, o casal era demasiado parecido com Trump, avesso a leituras, por isso não leram as instruções de uso e tomaram fosfato de cloroquina, um produto geralmente usado na limpeza de aquários. Ou então pensaram, bem na linha intelectual do seu presidente, se não faz mal aos peixinhos pagãos, porque é que há de fazer mal a nós, que somos cristãos e tudo? A verdade é que o homem se livrou de boa, escapou de uma morte lenta e cruel, ligado a ventiladores e morreu comodamente dali a pouco, sem ter sentido muito mais que calor e umas tonturas, conforme descrito pela mulher. Já esta não teve tanta sorte e continua viva e à mercê do vírus. Mas não vale a pena entrar em desespero, basta continuar atenta aos conselhos e sugestões do seu líder. E pensar que eu, há uns anos, admirava o Dr. House. Afinal não passava de um curioso. Quem percebe disto mesmo a sério é o Dr. Trump. E quem disser o contrário, só pode ser comunista. God save the USA. popeye9700@yahoo.com

 

 

BAGA CONFINADA (BB105)

Abril 21, 2020

Tarcísio Pacheco

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imagem em: https://www.hospitaldaluz.pt/funchal/en/the-hospital/media/news/15067/covid-19-new-orientations-recommendations

 

BAGAS DE BELADONA (105)

HELIODORO TARCÍSIO

BAGA CONFINADA - Gostava de escrever sobre outra coisa que não fosse o estupor do vírus. Mas está difícil. Pois se o bicho virou as nossas vidas de avesso…

Bom, por estes dias, a Internet e os media pululam de especialistas em medicina, em epidemias e em gestão de crises. Vou, por isso, abster-me de grandes tiradas. Farei apenas alguns comentários avulsos. Ao jeito dos oitavos de marmelada embrulhados em papel vegetal que a minha mãe me mandava comprar, ali na mercearia da esquina e do Sr. António, na rua dos Canos Verdes. Isto não tem nada a ver, mas pareceu-me que ficava bem, está bastante na moda rebuscar no baú das nossas memórias. E eu começo a ter uma bela coleção.

Uma coisa que se tornou chocantemente óbvia nesta pandemia, foi a nossa vulnerabilidade. Quer dizer, neste nosso modelo civilizacional antropocêntrico, em que o desenvolvimento económico contínuo e o primado da tecnologia pareciam ser a resposta para todas as necessidades, anseios e limitações do ser humano, eis que um simples vírus, que nem sequer é dos piores ou mais mortíferos, paralisa a economia mundial, confina em casa mais de metade da população do globo e mata quantidades inacreditáveis de cidadãos séniores, deixando uma série de interrogações pungentes quanto ao futuro. Conclusão, temos de deixar de nos armarmos aos cucos. Valemos pouco na ordem geral do universo. Temos aspirações a criaturas superiores, mas um bando de criaturas microscópicas hostis que nem sequer conseguem fazer sexo entre elas, põe-nos em sentido.

Outra coisa que me tem parecido evidente é a fragilidade do aparente controle social. Quer dizer, tenho-nos sentido próximos da barbárie. Não tenhamos ilusões. Parece-nos que vivemos num ambiente muito organizado, mas se as coisas se descontrolarem, um exército imenso de baratas e ratazanas que aparentam pertencer à espécie humana, sairá dos esgotos onde se acoitam para semear o caos. Senti um leve vislumbre disso quando soube que camiões portugueses carregados de equipamentos sanitários para a luta contra o Covid-19, estavam a ser atacados por grupos criminosos nas autoestradas, com o intuito de roubar o material para revenda no mercado negro. E não foi no México ou na África do Sul. Foi no coração da Europa comunitária, em estradas belgas e francesas. Olha-se para a situação e consegue-se perceber que não é preciso muito para as autoridades perderem o controle: um vírus mais pernicioso, mais mortal e mais generalista, mais mortes entre os líderes e as forças de segurança, mais problemas financeiros, miséria, carências essenciais, fome, falta de medicamentos básicos, por exemplo, bastariam para trazer às ruas gente normal desvairada e encorajar as bestas que vivem entre nós.

Todas as catástrofes, quer queiramos, quer não, têm aspetos positivos. Isso, por si só, tem conteúdo para encher uma futura crónica. Por hoje, vou apenas sublinhar o evidente, que a presente crise traz protagonismo aos líderes. Pelos bons e maus motivos. Pelo lado dos maus, Trump e Bolsonaro são os mais sérios candidatos aos Óscares. Ambos são péssimos líderes, manifestamente impreparados e sem qualquer perfil para liderança de topo. Criaturas patéticas, caricaturais, quase cómicas, não fosse a perigosidade da sua gritante incompetência, guindadas ao poder por interesses privados, manobras políticas, corrupção material e pela ignorância das massas. Como já era previsível, ambos têm estado em foco. Com perfis algo diferentes, partilham, no entanto, uma profunda e perigosa ignorância. Que Trump tenta disfarçar com a habitual arrogância truculenta e o estafadíssimo número do bode expiatório. Já com Bolsonaro, a sua imbecilidade pacóvia está para além de qualquer disfarce (e de qualquer redenção). Basta atentar nas suas recentes afirmações: “Para quê fechar escolas se o perigo de morte é para pessoas acima dos 60 anos?!”. Então, uma consequência muito positiva da crise pode ser a provável perda de popularidade e fim de carreira política, para ambos. Pode ser por impeachment, perda de eleições ou morte em atentado. É-me rigorosamente indiferente. Da forma que for mais rápida e prática. Se bem que ao impeachment, que pode ser demorado, confuso e incerto, confesso que prefiro o clássico pichamento, com alcatrão e penas, tão popular precisamente no velho Oeste. popeye9700@yahoo.com

 

 

BAGA DEIXA DEUS NO COMANDO, PÔ! BB 104

Abril 14, 2020

Tarcísio Pacheco

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imagem em: https://www.cartoonmovement.com/cartoon/53628

BAGAS DE BELADONA (104)

HELIODORO TARCÍSIO

 BAGA DEIXA DEUS NO COMANDO, PÔ! – Na sua missão de cobertura da cena mundial, o Diário Insular enviou ao Brasil o seu repórter da Secção Internacional, para uma entrevista em exclusivo com uma das personalidades em destaque na atualidade, o presidente Jair Bolsonaro. Foi difícil escolher entre este e Donald Trump. O fator decisivo foi o uso da máscara. Segurança acima de tudo. Trump aconselha para os outros, mas não usa. Bolsonaro não aconselha para ninguém mas usa nos diretos por imposição tirânica dos media, embora revele grandes dificuldades na sua correta colocação. Queremos ainda agradecer a Marcelo Rebelo de Sousa que disponibilizou de imediato o Falcon da Força Aérea quando soube que queríamos “visitar o nosso irmão do outro lado do Atlântico” (sic) e estávamos com problemas logísticos. E mandou muito afeto.

Depois de um longo voo de mais de 10 horas, chegámos a Brasília, onde fomos recebidos pelo presidente no Palácio do Planalto. Apesar da nossa longa experiência profissional, estávamos cheios de expetativa, para entrevistar aquele que Michelle Bolsonaro, ex-secretária parlamentar, classifica como “um ser humano maravilhoso”.

DI: Boa tarde Senhor Presidente

JB: Boa tarde mêrmão! Que senhor que nada, Pô, você é um irmão pra mim e me fala, como vai Marcelinho lá por Lisboa, esse cara é demais, me dá aí esse abraço que ele com certeza enviou pra mim, Pô!

DI (com uma nota de pânico na voz): Não, não, desta vez ele mandou só um “Olá”, embora muito afetuoso; então, Presidente, como devo tratá-lo?

JB: Ok, Ok, tem certeza que essa sua máscara está bem colocada? Tá estranho isso aí. Excelência, Pô, basta perfeitamente, o resto você mesmo decide.

DI: Com certeza, Excelência Pô.

JB: Excelência Pô? Tá gozando com minha cara, Pô? Quer conhecer uns milicianos amigos de Eduardinho e Flavinho?

DI (com outra nota de pânico na voz): Peço humildemente perdão Excelsa Excelência, fico nervoso na sua presença, perante o seu carisma.

JB: Ah, tá bom então, gozado, Michelle me falou o mesmo, primeira vez que me viu lá na Câmara dos Deputados, Pô. Ok, vamos lá então desenvolver essa sua entrevista. Quer perguntar sobre o quê afinal, Pô? Com certeza quer saber o que tou fazendo por esse país maravilhoso, abençoado por Deus e bonito por natureza?

DI (com uma nota de insegurança na voz): Na verdade, Magnífica Excelência, eu ia centrar a nossa conversa na pandemia que está assolando o mundo e nas sábias medidas que, com toda a certeza, o Brasil está a tomar a esse respeito…

JB: Pô, coronavírus de novo? Essa droga virou obsessão! Com a ajuda de Deus tou fazendo tanto por este país, na moralização da nação, na extinção do PêTê, na promoção da ordem, na liberalização da economia, na guerra contra o socialismo, no progresso da Amazónia e essa mídia desgraçada só fica me falando dessa gripezinha mixuruca, Pô?! Se acha que vírus doi, experimenta tomar uma facada na barriga, Pô!

DI (com uma nota de tensão na voz): Perdão, Infalível Excelência, nesse caso, apenas um breve comentário sobre esse tema tão atual.

JB: Tá certo. Olha, Manuel, brasileiro tem coiro duro, está habituado com dengue e outros vírus a sério; não vai deixar de trabalhar só porque acordou tossicando, isso é do cigarro, que é bem mais perigoso; só viado mole é que fica em casa de dia dormindo porque vive dando a bunda de noite; o cidadão tem é que sair pra trabalhar, a economia não pode parar, Pô; todo o mundo vai morrer um dia, Pô. E velho é quem morre mais, certo? Não tem nada de novo nessa história.  Vou mandar fechar o A-Ver-O-Peso em Belém ou o shopping Aricanduva em Sampa? Trancar o Maracanã e acabar com o futebol? Fechar a praia? E praia tem porta? Esse mídia socialista e ímpia quer matar o povo brasileiro de fome ou de tédio, Pô? Ouçam quem sabe, meu amigo Donaldo já está na pista certa com aquele remédinho dele, da hidro não sei das quantas. Eu tenho um lado ecológico que é injustamente esquecido, deixa a natureza seguir seu curso, deixa Deus no comando, Pô!

DI (com uma nota de frustração na voz): Está certo, Magnificente Excelência. Quer aproveitar para dar conta ao mundo de algum projeto relevante do seu governo?

JB: Mas é claro, Manuel. Tamos aí promovendo o Brasil com a ajuda de nossos amigos americanos e israelitas, de nossos camaradas a nível interno, militares, policiais, milicianos, banqueiros, empresários, madeireiros, latifundiários e pastores de Deus, tem muita coisa acontecendo, mas sei que o mundo tá dando muita atenção a nossos projetos na promoção da Amazónia. Primeira coisa, Pô, é preciso o mundo perceber que a Amazónia é nossa, eu não fico dizendo a Portugal o que fazer com o Algarve ou a Marrocos, o que fazer com o Sahara. Certo, Pô? Então, aí tem muito interesse oculto da mídia esquerdista ao serviço do socialismo internacional, do lobby gay e do movimento anti-evangélico. Essa coisa de direitos do índio, cacique pintado, xamã, tem muito folclore nisso. Meu amigo Donaldo me explicou como eles lidaram com problema de índio lá nos States. É só fechar em reserva e dar cachaça bastante pra eles. Índio é tudo burro, mas, prós mais espertos, a gente vai ensinar nosso Hino pra eles, dar fuzil e uma farda. Verde, claro. Se tiver algum surdo, mudo, minha Michelle cuida.  Depois, a Amazónia fechada não aproveita pra ninguém, Pô, é só mato e bicho. Tem que construir estrada, aeroporto e levar turista gringo pra lá. Plantar soja e açaí, criar muito boi, pra alimentar todo o mundo. E fazer shopping, restaurante e casino porque ninguém aguenta ficar olhando onça e papagaio uma semana inteira. E a Amazónia tem muito recurso natural. Pra que Deus teria colocado lá tudo isso se não fosse pra gente usar? Por exemplo, tou por dentro desse negócio de energia limpa, sei que petróleo não é mais o combustível do futuro, mas quem sabe a gente não acha por lá uma jazida de hidrogênio? Eu e Donaldo vamos mudar o mundo, a diferença é que ele precisa comprar a Gronelândia e a Amazónia já é brasileira, Pô. Sacou, Manuel? Fica ligado, mêrmão.

DI (com uma nota de impotência na voz): Está certo, Proeminente Excelência, peço desculpa, mas parece-me que está na hora de regressar. Muito obrigado por esta elucidante entrevista.

JB: Vai em paz, Deus lhe acompanhe. Aquele abraço pra Marcelinho. Se tiver problema com seu avião me fala, eu ligo pro Malafaia e ele empresta o jatinho dele, vive me oferecendo, gente boa aquele cara e com muita visão empresarial, é gente assim que meu Brasil precisa. Pô! popeye9700@yahoo.com

 

 

BAGA LAMENTO, AC ACABOU, AGORA É AC-19 E DC-19 (BB 103)

Abril 02, 2020

Tarcísio Pacheco

 

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imagem em: https://nacoesunidas.org/tema/coronavirus/

BAGAS DE BELADONA (103)

 

HELIODORO TARCÍSIO

 

BAGA LAMENTO, AC ACABOU, AGORA É AC-19 E DC-19 - Como a maior parte de nós, estou mais ou menos fechado em casa. Não vou à tabacaria nem leio o jornal nos lugares onde o costumava ler. Nunca fui assinante e nunca tive acesso à edição eletrónica. Nunca sei se sou publicado no dia do amigo António Bulcão (já fizemos as pazes, há bastante tempo) ou no dia do Osvaldo Cabral. Ou no dia de outra pessoa qualquer. Ou quando há espaço disponível. Escrevo às cegas. Entretanto, as minhas sagradas rotinas desvaneceram-se. A instituição pública onde trabalho encerrou. Não sendo um trabalhador de uma área considerada essencial para a sobrevivência, faço alguma coisa em termos de trabalho, o que é possível fazer à distância. Cuido da minha família. Continuo a cumprir os meus deveres familiares de companheiro, filho e pai de quatro, um deles uma menina com apenas 9 anos. Providencio aquilo que nunca pode faltar, amor, suporte material, conforto e segurança. Mantenho-me informado, sem exagero e vou criando perspetiva e opinião sobre o que se está a passar no nosso país e no mundo.

Tenho assistido a um certo frenesim social, no sentido das pessoas que não estão a trabalhar se manterem ocupadas. Ele é jogos, adivinhas, músicas, piadas, sugestões de ocupações diversas, de leituras e brincadeiras, tudo no universo digital, bem entendido. E uma ou outra pessoa a tentar impor uma ideia que teve e que achou genial. Nota-se bem o que já antes era claro: as pessoas que vivem para trabalhar entram em stress e ficam à toa se as suas ocupações profissionais e o seu ambiente de trabalho lhes faltam. Não é o meu caso. Tenho respeito e interesse pelo trabalho que me dá o pão de cada dia e cumpro o meu dever. Mas sempre considerei que a melhor parte da minha vida é a que começa, por norma, às 17h30 e prossegue nos fins de semana. O tempo em que faço aquilo que realmente tenho vontade de fazer e em que estou com as pessoas que amo. Curiosamente, embora me preocupe, esteja bem atento ao que se passa e emocionalmente solidário com quem está a sofrer por esse mundo fora, não me sinto aborrecido nem entro em stress. Faço muito do que sempre fiz:  teletrabalho de segunda a sexta; interagir com a família que partilha a quarentena comigo; a atividade física possível, pequenas caminhadas  e as minhas próprias aulas de Zumba; um pouco de bilhar; leitura diária; escrever; cozinhar e outras tarefas domésticas; fazer puzzles; reparações e pinturas domésticas; alguma Netflix; tocar violão; formação em regime de e-learning que, por coincidência, já estava prevista antes. Tenho até, confesso, falta de tempo. Em resumo, para quem já tinha antes uma vida fora do trabalho, talvez a vida não fique assim tão pesada. Quanto aos workaholics, realmente, a vida pode ficar chata e difícil. Acho que esta crise será uma oportunidade para todos aprendermos alguma coisa.

Bom, todos não.  Há quem não tenha nascido para aprender. Líderes medíocres como Trump e Bolsonaro mostram mais do que nunca o pouco que são, como é normal em tempos de crise. Os bons mostram-se, os estúpidos também. Estes irão ser responsabilizados pelas hecatombes que podem ocorrer nos seus países e, a esse respeito, infelizmente, como qualquer asno pode ver, ainda a procissão vai no adro.

Outra coisa que tenho observado: dantes, o nosso país estava ainda atrasadíssimo no que respeita a modernices laborais. Teletrabalho ou a sua precursora, a flexibilidade de horário, não despertavam qualquer interesse na maioria dos nossos líderes, muito menos na Função Pública. Abundavam as chefias do tipo “galinha”, que adoram ter os seus funcionários sempre debaixo da asa ou à vista, dentro do galinheiro, o que diz bem da incapacidade para conceber e gerir diferentes mecanismos de prestação de trabalho e implementar uma avaliação correta, justa e eficaz. A flexibilidade de horário era e é patética e anedótica, com o sistema a permitir apenas às pessoas chegarem ou partirem 15 ou 30 minutos mais cedo ou mais tarde, aqui e ali.

Agora, forçados pela situação, vemos por todo o lado gente a mostrar-se como crentes devotos do teletrabalho. Agora já vale.  Por isso, falando em crenças, acredito piamente que a vida vai mudar bastante, quer se queira quer não. De formas que muitos de nós nem imaginam. Para os que sobreviverem.  Pelo meu lado, vou continuar atento e a cumprir a minha quarentena o melhor que posso. E a escrevinhar uma vez por semana, em princípio. A crise pode prejudicar-me bastante, como cronista. O meu público não é jovem. E eu também não. popeye9700@yahoo.com

 

 

BAGA CORONA VÍRUS (BB102)

Março 26, 2020

Tarcísio Pacheco

 

 

 

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imagem em: https://www.cartoonmovement.com/cartoon/65030

 

BAGAS DE BELADONA (102)

 

HELIODORO TARCÍSIO

 

BAGA CORONA VÍRUS - Estou a trabalhar normalmente e não me sinto doente, nem sequer em risco, mas apercebo-me de uma certa estranheza no ar. Que me lembra a situação pós-sismo de 1980, quando eu tinha 19 anos e a vida parou à minha volta. Há algumas semelhanças. É aquele tipo de coisa que só acontece nos filmes. Até que a Netflix nos bate à porta e ficamos de boca aberta. O que é extremamente inconveniente, no momento.

Como toda a gente, tenho seguido a atualização informativa, sobretudo na TV, evitando outra perigosa pandemia, a de parvo virose nas redes sociais. De longe, a mensagem mais relevante foi a de Miguel Sousa Tavares, num noticiário: “Tenham vergonha na cara, o Covid-19 não provoca diarreia!”. Tenho esperança que esta mensagem tenha chegado aos intestinos de muitos portugueses cagões. Até porque não vi este comportamento noutros países. Isto não cheira nada bem.

Um dos momentos mais marcantes foi o anúncio de que suas Excelências, Donald Trump e Jair Bolsonaro, o irmão de Marcelo Rebelo de Sousa, estavam sob suspeita de contaminação. Tal como muitas pessoas, em todo o planeta, vivi então aflitivos momentos de expetativa e ansiedade. Cheguei a acender velas e a fazer promessas ao Divino Espírito Santo. Até que foram revelados os resultados das análises e a terrível verdade nos foi servida no cálice amargo da desilusão: ambos estavam de perfeita saúde. Pelo menos aprendemos alguma coisa sobre este novo vírus: parece que não é especialmente atraído pela estupidez.

Uma instituição particularmente afetada tem sido a Igreja Católica. Primeiro, os fiéis, na santa missa, tiveram de pegar na hóstia com as mãos. Para mim, uma hóstia é um pedaço insosso e dessaboroso de farinha de trigo amassada com água. Que talvez eu ingerisse com marmelada ou outro conduto, se estivesse a morrer de fome. Mas para os crentes, é o corpo de Cristo. Já é suficientemente mau e algo canibalesco engolir Cristo aos pedaços, não me parece nada bem tocar-Lhe com as mãos. Há quem diga que Maria Madalena usou e abusou dessa prerrogativa, mas ela foi promovida a santa e agora é intocável.  Tudo é possível, por isso, a Ciocciolina, que até é italiana e boa pessoa, lá no fundo,  não deve perder a esperança de ascender a beata, no mínimo. Provavelmente, só terá de purificar uma das suas maiores fontes de pecado, bochechando bastante com água benta, engarrafada, claro.

Mas é natural que outros problemas mais sérios estejam a caminho do Vaticano. Um problema de contaminação, sobretudo. Os cardeais costumam andar juntinhos, lá nos conclaves deles. Como são todos velhíssimos, há um sério risco de hecatombe. E depois, como iria sobreviver o mundo sem a sábia orientação daquelas santas criaturas? Não haveria de imediato uma nova bolha com a entrada repentina no mercado imobiliário de tantos apartamentos enormes e luxuosos em Roma e arredores? Não iriam à falência alguns restaurantes de Roma com várias estrelas Michelin? Tremo só de imaginar tal desastre.

Medidas drásticas estão a ser tomadas um pouco por todo o lado. Por isso, é previsível que tenha surgido um comunicado oficial do Vaticano, confidencial e sigiloso. Algo deste género: “Gabinete de Informação Interna do Vaticano – Comunicado – Avisa-se todos os prezados cardeais e prelados em geral que, devido à ameaça do Corona Vírus (todavia enviado por Deus, cujos desígnios são insondáveis) e às restrições aplicáveis a quaisquer contatos íntimos, estão suspensas até nova ordem todas as festas e convívios com seminaristas, meninos de coro e internados de instituições de apoio à infância desvalida, assim como as noitadas de copos com jovens membros da guarda suíça. Vamos todos rezar e pedir a Deus para as coisas voltarem ao normal”.popeye9700@yahoo.com

 

 

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  11. O
  12. N
  13. D

Fazer olhinhos