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popeye9700

Crónicas e artigos de opinião, a maior parte publicada no Diário Insular, de Angra do Heroísmo.

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Crónicas e artigos de opinião, a maior parte publicada no Diário Insular, de Angra do Heroísmo.

BAGA TRÁGICÓMICA (BB134)

Abril 26, 2022

Tarcísio Pacheco

Putin (1).jpgimagem em: Vladimir Putin | Cartoon Movement

 

 

BAGAS DE BELADONA (134)

HELIODORO TARCÍSIO          

BAGA TRAGICÓMICA - Recentemente, o Grande Tumor testou um míssil novo, o top dos mísseis, com que começou logo a chantagear-nos. Com estes mísseis intercontinentais, equaciona matar-nos a todos, se não o deixarmos arrasar a Ucrânia e continuarmos a prejudicar o pobre povo russo que, coitadinho, sofre muito com a malvadez ocidental, com a perda de empregos originada pelas sanções e já nem consegue comer uma Big Mac. Bem, não acredito na Humanidade, já não é de agora e já estou por tudo. Lamento profundamente, sobretudo pelos meus filhos, mas também pelos filhos dos outros. E por todos e tudo o que amo na vida. Mas, não devemos recear a morte, já que ela é inevitável para todos os seres vivos, Grande Tumor incluído. Devemos, sim, ter medo, muito medo, de viver como ratos, escondidos nos esgotos da nossa ansiedade. A minha consolação principal é que, se acontecer o pior, morremos quase todos, mas da Rússia e dos russos pouco sobrará. De resto, temos provado ao longo dos tempos sermos uma espécie tão tóxica que, se calhar, é melhor mesmo ficarmos por aqui na nossa “evolução”, para evitar que, no futuro, venhamos a infetar outros planetas do universo com a nossa maldade essencial. Para onde fossemos levaríamos na bagagem a música de Andrea Bocelli e pombinhas brancas, é certo, mas também mísseis nucleares, para referir apenas um tipo de arma, das mais letais. E acima de tudo, exportaríamos para todo o lado, o nosso amor pelo poder, pela conquista, pela guerra, pelo confronto, pela ambição, pela competição, pela ganância, pela riqueza e pelos bens materiais.
Isto já atingiu o nível da tragicomédia e seria motivo para rirmos muito, se não houvesse tanta gente a sofrer. Os episódios absurdos acontecem praticamente todos os dias. Quando ocorreu o afundamento do cruzador Moskva, pudemos ver no “parlamento” russo, um deputado histérico, aos gritos, à beira da apoplexia, gritando que era um “ultraje”. É aqui que dá vontade de rir. Depois de toda a destruição, barbárie, violência, massacre e homicídio a que temos assistido na Ucrânia desde fevereiro, os russos sentem-se “ultrajados” pela perda de um navio e clamam por vingança. A frota russa inteira não vale a vida de uma única criança ucraniana.

Depois, temos também a cómica questão do armamento cedido pelo Ocidente à Ucrânia. O Grande Tumor até nem se importa que venham umas espingardas de caça, umas baionetas da I Grande Guerra e uns camiões de garrafas de vinho do Porto para o pessoal, depois de as beber, preparar uns cocktails molotov. Mas armamento a sério, que equilibre um pouco as capacidades de invasor e invadido, isso já é motivo para declarações de guerra. Portugal pode também mandar uns excedentes de G3, não há problema, o Grande Tumor até tolera, afinal tem os seus amigos do PCP por cá. Mas os EUA não podem mandar nada. Porquê? Porque não, evidentemente. A Ucrânia também não pode aceitar combatentes voluntários não ucranianos. Mas a Rússia pode pagar a levas de carne de canhão síria e líbia. O Grande Tumor pode ter mísseis intercontinentais que chegam a qualquer ponto da Terra em minutos e têm capacidade para destruir o planeta. Mas a Suécia e a Finlândia, países livres e soberanos, com dirigentes eleitos pelos seus povos, em regimes absolutamente democráticos, não podem aderir a uma aliança defensiva, se assim o entenderem. Como se quaisquer vizinhos não russófonos desta Rússia não tivessem que encher as fronteiras de alarmes e armadilhas para bichos perigosos, para poderem dormir minimamente descansados…

Por cá, sendo alguém que sempre se assumiu, ideologicamente, de esquerda, sinto uma imensa vergonha de partilhar o país com o PCP. Podiam até ter ficado pela simples recusa de participar na sessão com Zelesnky e já seria uma nódoa resistente a qualquer lixívia. Mas não se contentaram com isso. A declaração formal da líder parlamentar comunista foi um escarro nojento e um eco descarado da propaganda russa. O PCP é um partido anacrónico, em queda há bastante tempo, vivem em clima de negação, agarrados a um mundo que já nem existe. É bastante provável que esta atitude seja o princípio do fim para eles porque causaram asco e repulsa um pouco por todo o país. Mas não devem desanimar. Podem sempre emigrar para a Rússia, embora seja garantido que não vão encontrar por lá nenhum tipo de comunismo. De resto, entre tiranias e totalitarismos de direita ou de esquerda, não vejo qualquer diferença. Putin, Le Pen, Ventura, Trump, Bolsonaro, Maduro, Kim Jong-un, Orbán, para citar apenas alguns de entre os vivos, são todos filhos da mesma Besta. É tudo a mesma farinha, só que em sacos diferentes. Lixo e escória da Humanidade.

POPEYE9700@YAHOO.COM

 

 

BAGA MUNDO FEIO (BB 133)

Abril 05, 2022

Tarcísio Pacheco

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imagem em: U.S. weighs tougher Russia sanctions after evidence of Bucha killings – KleaBe

 

BAGAS DE BELADONA (133)

HELIODORO TARCÍSIO          

BAGA MUNDO FEIO – A raça humana é terrível e a nossa civilização já era uma coisa feia de se ver “lá de cima”, se é que há alguém ou alguma coisa a observar-nos, de algum lado. Mas o mundo conseguiu a considerável façanha de piorar bastante, a partir de fevereiro.

Desde os primórdios da Humanidade, desde o tempo das cavernas, que somos uma raça agressiva e violenta. Encontrámos sempre bons motivos para matar, torturar, agredir, violar, assaltar, escravizar e roubar o nosso semelhante. E a parte da nossa civilização que era suposto contrariar essas tendências inatas para a desgraça, as religiões e a filosofia, a nossa parte ética e transcendental, foi ela própria, a origem de muita intolerância e violência. Porque quem quer praticar o mal encontra sempre justificação. Torta, mas encontra-a. Vejam lá se não está tudo no Alcorão…

Apesar de todos os nossos problemas, analisando a vida com o devido distanciamento crítico, era possível ver um padrão de desenvolvimento filosófico e moral, aquele que, pessoalmente, mais me interessa, acima da economia e tecnologia, os grandes eixos civilizacionais. No período entre a II Guerra Mundial e a atualidade, apesar dos muitos disparates, atentados, corrupção e malfeitorias de toda a espécie, havia um padrão evolutivo em marcha, visível, por exemplo, no respeito pela democracia, autodeterminação dos povos, tolerância religiosa, respeito pelos direitos humanos, respeito pela diferença, respeito pelos direitos dos animais e na tendência à desmilitarização e desarmamento progressivo.  

Esse padrão teve agora uma quebra evolutiva brutal, com a entrada em cena de Putin, o Grande (Tumor). Na verdade, tudo isto estava a ser preparado há muito tempo, ensaiado na Síria e iniciado na Crimeia mas o mundo andava distraído, entretido com um projeto, que agora sabemos fantasioso, de paz, tecnologia, prazer, turismo, ecologia, cultura e grandes negócios.

Criaturas infernais como o Grande Tumor foram abundantes na História, Gengis Khan, Átila, o Huno, Alexandre, o Grande, Napoleão Bonaparte, Hitler… Psicóticos megalómanos, que sonharam construir impérios sobre o sangue e as tripas de quem se lhes opusesse. Mas não estávamos à espera que nos surgisse um em pleno séc. XXI.

A situação na Ucrânia está a atingir os limites do minimamente tolerável. O ponto em que alguma coisa tem mesmo de ser feita. O nível de insanidade, loucura, alienação e agressividade está a tornar-se rapidamente insustentável. Estamos perante uma trágica palhaçada. No presente, o Grande Tumor é um líder totalmente desacreditado, a Rússia tornou-se um estado pária entre as nações civilizadas e pacíficas e absolutamente nada do que diz o Grande Tumor ou qualquer membro da sua corte, merece a mínima credibilidade. Temos de partir do princípio que mentem sempre. Cada vez mais parecido com o Grande Suíno Coreano, o Grande Tumor Moscovita só é escutado quando fala sentado numa das suas seis mil e tal ogivas nucleares. E como ele, agora, está lá sentado a maior parte do tempo, isso provavelmente anda a causar-lhe bicos de papagaio e aumentar-lhe a acidez da bílis que, de resto, sempre foi tóxica e fedorenta, desde os tempos do KGB.

Atenção, que não perdi o senso da realidade. O Grande Tumor é uma besta apocalíptica, provavelmente a pessoa mais odiada do mundo na atualidade e eu próprio tenho sonhos deliciosos em que lhe rebento a cabeça.  Mas não há inocentes nesta tragédia planetária. Basta lembramos a forma ignóbil como os EUA trataram (e ainda tratam) Cuba durante tanto tempo e as inúmeras trapalhadas que congeminaram por esse mundo fora, por onde lhes cheirasse a comunismo ou a mero esquerdismo. E não sei se há assim tanta diferença entre KGB e CIA. Contudo, os EUA nunca invadiram Cuba (embora o tenham equacionado), não arrasaram a ilha, não lhe atiraram com mísseis, não mataram crianças cubanas e não massacraram civis. Tem-lhes feito muito mal mas deixaram-nos sempre viver e acolhem os muitos que fogem para Miami. E os EUA não têm sonhos megalómanos de alargar “o seu império” e dominar o mundo, pelo menos não militarmente. O amor natural da Humanidade pelo dinheiro faz isso por eles. Sempre fui crítico dos EUA mas, apesar de tudo, há grandes diferenças. E não há comparação possível entre soldado russos e norte-americanos.

Uma palavra sobre Donald Trump. Se alguém ainda tinha alguma ilusão de que esta criatura apresentava algum vestígio do que é preciso para ser estadista mundial, para além de prosápia e dinheiro, deve ter ficado esclarecido agora. Só faltou mesmo um email para o amigo Vladimir, a usar em caso de guerra, com as localizações GPS das propriedades da  família Biden. E nem uma palavra em defesa da Ucrânia. Que criatura nojenta. Que asco me causa.

Ando a ver atentamente o que se passa. Desejo ardentemente estar enganado mas prevejo tempos tenebrosos para o mundo no futuro próximo. Que raio de mundo feio! POPEYE9700@YAHOO.COM

 

BAGA O QUE É QUE NOS IRÁ ACONTECER? BB132

Março 29, 2022

Tarcísio Pacheco

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imagem em: Putin's war. | Cartoon Movement

 

BAGAS DE BELADONA (132)

HELIODORO TARCÍSIO          

BAGA O QUE É QUE NOS IRÁ ACONTECER? – Sou um típico sagitariano, logo, sou também um incorrigível otimista. Continuo a ir trabalhar todos os dias, a cuidar da minha filha de 11 anos, dou as minhas aulas de Zumba, vou ao ginásio, estou em várias frentes das Sanjoaninas deste ano, preparo o meu veleiro para o Verão e tenho planos para viagens de férias. A minha vidinha boa do costume. Porém, acordo todos os dias e visto-me de ansiedade. Em casa, não largo a CNN. Confesso a minha atual dificuldade em viver a simplicidade do dia a dia na paz das nossas ilhas. Impressiona-me que se continue a falar de questões comuns ou mesmo triviais, como se nada de diferente se passasse no mundo. Impressiona-me que se continue a encarar isto sobretudo como uma crise económica e um movimento solidário de apoio a refugiados ucranianos e à Ucrânia em geral (que está muito bem, obviamente e de que participo, como posso). Será que eu é que sou esquisito ou patologicamente ansioso e mais ninguém acha que podemos estar perante a última crise, a crise que vai acabar com todas as outras? É que olho para a situação e para mim é cristalino como água açoriana que tudo pode acontecer. Então, a questão fundamental é o que é que nos vai acontecer? E acordo todas as manhãs a pensar nisto…

Por mais que olhe para a situação e absorva informação diversificada, não vejo quaisquer perspetivas de soluções pacíficas, pelo contrário. Não é preciso ser político profissional, comentador diplomado ou especialista militar. Está tudo lá, os ingredientes para a receita do desastre total. Um ditador paranoico e cada vez mais descontrolado e agressivo, cheio de tiques nacionalistas e manias de imperialismo, à frente de um país económica e militarmente poderoso, rodeado por um aparelho dependente, subserviente, acrítico e corrupto, no seio de uma sociedade reprimida e muito pouco (e mal) informada), com um arsenal de armas nucleares capazes de destruir todo o planeta e a civilização humana em pouquíssimo tempo. Nem o porquinho da Coreia do Norte chegou a este nível de loucura e eu tinha medo dele.

Temos visto, recentemente, o papagaio do Kremlin a chantagear-nos com o conflito nuclear. Claro que até certo ponto é pura chantagem, a poderosa arma do medo. Mas é o que mais temo porque a loucura de Putin pode efetivamente chegar a esse ponto suicida. À vista disso, uma guerra convencional generalizada é menos má. Acredito que a Rússia perderia, isolada como está, por muito horror e destruição que ocorressem. Sabendo que os Açores não ficariam à margem, a base das Lajes e todas as estruturas importantes, militares ou não, como aeroportos e portos, seriam potenciais alvos. O conflito nuclear, porém, é o nível último do caos universal, ninguém lhe escapará e será provavelmente, o fim da civilização humana, embora bestas protegidas como o próprio Putin possam sobreviver-lhe (mas não durante muito tempo).  

Como expressei recentemente nestas páginas, continuo a pensar que as únicas saídas positivas poderão passar pela posição da China (sempre dúbia, calculista e hipócrita, mas não paranoica e suicida) e a possibilidade remota de uma revolta interna russa, de haver um grupo de russos com inteligência, bom senso e um mínimo de sanidade metal.

Quanto às perspetivas mais próximas, do meu ponto de vista são terríveis. A NATO vai armar-se em força e estacionar nas suas atuais fronteiras a Leste. É óbvio que os EUA também têm o seu arsenal nuclear no mesmo nível de alerta da Rússia, mesmo que não façam alarde disso. Não acredito que Putin recue. Percebemos muito bem agora (mesmo que discordemos totalmente e as odiemos) as motivações de Putin. A questão é que ele apresenta sinais claros de deterioração mental. Sem qualquer pretensão caricatural, a identificação dele com a personalidade de Adolf Hitler (que a História provou ser um louco muito perigoso) é cada vez mais evidente. A ajuda militar à Ucrânia vai crescer cada vez mais. Pessoalmente, por muito pacifista que seja, não posso deixar de apoiar isso, a agressão de Putin é intolerável. Não vamos lá com falinhas mansas e milagres de Fátima. À medida que a Rússia for perdendo terreno, efetivos e material, Putin sentir-se-á cada vez mais enraivecido e acossado. E é aí que tudo, rigorosamente tudo, pode acontecer. Desconfio que a Rússia, num futuro próximo, “se sentirá ameaçada” por bem pouco.

A respeito da minha última Baga (cenários possíveis para a atual crise) um amigo disse-me que eu tinha sido apocalítico. Fui sim, confirmo, embora tenha tentado encarar o assunto com um mínimo de humor. A possibilidade existe, infelizmente e não é ténue. Estamos à beira do desastre. Sou o único ansioso por estes lados? Mais ninguém pensa no que nos irá acontecer?

POPEYE9700@YAHOO.COM

BAGA O ESCÁRNIO DA LOUCURA (BB131)

Março 17, 2022

Tarcísio Pacheco

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BAGAS DE BELADONA (131)

HELIODORO TARCÍSIO          

BAGA O ESCÁRNIO DA LOUCURA - Quanto à Ucrânia, eis, do meu ponto de vista, a lista ordenada das possibilidades em campo, por ordem de preferência pessoal e também numa escala descendente de benevolência, sendo que, a partir do cenário 4, a benevolência se esvai e a única incógnita que resta é a do nível de malevolência.

Cenário 1 – Evidentemente, o meu favorito e pelo qual nutro mesmo uma acrisolada paixão. Putin têm um inesperado acesso de gentileza e faz-nos o favor de falecer. Hipótese altamente improvável, dirão alguns, mas convém não esquecer que ele irá seguramente falecer, mais dia menos dia, o timing é que pode ser inconveniente; hoje, amanhã, o mais tardar até ao próximo fim de semana é que dava mesmo jeito, na pior das hipóteses, antes da Primavera, que é quando o tempo se põe a jeito para reconstruções. O processo de falecimento de Putin é irrelevante, não nos vamos prender com detalhes. Pode ser por um valente traumatismo ucraniano, por exemplo. Ou pode dar-se o caso de Deus (ausente da cena há não sei quantos mil anos mas convém lembrar que para Ele foi uma escapadinha de 5 dias…) finalmente voltar daquelas fantásticas férias de sonho noutro universo, um universo feliz, ficar um bocado chateado com a barafunda e desarrumação na Sua ausência e resolver brindar Putin com um daqueles AVC’s que matam ao fim de 3 dias mas entretanto deixam a boca à banda e os olhos a girar, cada um para o seu lado; esta hipótese também é excelente, facilmente se concordará que, se alguém nestas tristes circunstâncias tentar dizer “carreguem no botão vermelho”, o mais provável é que se perceba algo como “dói-me imenso um artelho”, caso que se resolveria então com fricções de pomada Voltaren e comprimidos para dormir e ficar caladinho até ao fim.

Cenário 2 – Portugal volta a ser o farol do mundo, 500 anos depois. A Virgem de Fátima n.º 13 é enviada em campanha para a Ucrânia, (incorporada no corpo de voluntários com a patente de coronela) e mal Putin dá com ela, opera-se um milagre (sem, necessariamente, o Sol parar de girar) e Putin  converte-se. Acaba a guerra, Putin pede desculpa, ordena a retirada de todas as tropas, oferece-se para pagar as despesas todas, declara 50 anos de fornecimento gratuito de energia a toda a Europa e as lojas MacDonald voltam a abrir na Rússia, o que abranda o descontentamento dos russos mais bélicos.

Cenário 3 – Eclode uma revolta na Rússia, não do povo comum porque desses, os que se atreveram a erguer um cartaz, já foram presos, deportados para a Sibéria ou assassinados, fora os milhares que fugiram para a Finlândia. A revolta é operada por um grupo de militares descontentes. Putin é deposto e ele, todo o seu governo e as chefias militares são entregues às instâncias internacionais e julgados por crimes de guerra.

Cenário 4 – Um grupo de mediadores constituído pelo Papa, pelo presidente chinês, Erdogan e por Cristiano Ronaldo consegue demover Putin de arrasar a Ucrânia, falando-lhe ao pâncreas (na ausência aparente de coração); há um cessar-fogo, negociações, cedências de parte a parte como é dado, acabam por se entender e a vida volta ao normal, tanto quanto possível, até à próxima crise porque ninguém aceita desfazer-se das armas nucleares.

Cenário 5 – Os EUA e a CE conseguem convencer a China a ficar quietinha e a acabar o namoro com a Rússia. Putin não desiste de arrasar a Ucrânia e a guerra alastra. Provavelmente porque cai um míssil russo na Polónia, matando cidadãos de um país da NATO ou algo semelhante. Os Estados Unidos da América, a maior parte dos países da Europa e outras ainda, como a Austrália e Nova Zelândia declaram guerra à Rússia. Passam-se vários anos, há uma mortandade tremenda e uma enorme destruição, o mundo fica de pantanas, mas sobrevive. As principais cidades russas são obliteradas, a Rússia capitula, Putin é capturado ou entregue pelos seus pares, ele e os seus colaboradores mais próximos são julgados e condenados a prisão perpétua.

Cenário 6 – A China resolve alinhar na desgraça total com a Rússia. A guerra generaliza-se na mesma. Um cenário idêntico ao n.º 5, mas com índices de mortandade e destruição incrivelmente superiores. O resultado final é imprevisível, mas sempre dentro dos parâmetros da hecatombe.

Cenário 7 – Altamente improvável, mas a registar como longínqua possibilidade. A Rússia sozinha ou a Rússia e a China aliadas ganham a guerra contra os Aliados da III Guerra Mundial. O mundo cai no caos permanente e a miséria não terá um fim á vista. A civilização humana pode ser irrecuperável.

Cenário 8 – Propositadamente ou por acidente, o conflito nuclear é desencadeado, à escala mundial. Nos primeiros 2 ou 3 dias, as principais cidades da Europa e dos EUA são arrasadas, assim como toda a Rússia. Nos dias seguintes, a maior parte das grandes cidades do mundo, alvos militares, portos, aeroportos e todo o tipo de infraestruturas, terão o mesmo destino. A maior parte da população mundial morre neste período. Uma grande parte dos sobreviventes morre num período de alguns meses, devido aos efeitos da radiação. Em 2 ou 3 semanas, instala-se o Inverno nuclear, sobretudo na faixa central do planeta, até aos limites das zonas temperadas, mas, na verdade, todo o planeta, de polo a polo, será afetado. O Sol não passará pelas espessas nuvens da nova atmosfera terrestre. A maior parte dos animais e plantas não sobreviverá. Em pouco tempo deixará de haver água potável ou comida e quem não tiver morrido antes, os mais felizardos, morrerá de fome e de sede. Sobreviverão apenas alguns animais mais resistentes, como as baratas, os mais prováveis herdeiros da Terra. Sobreviverão, pelo menos durante algum tempo, alguns pequenos grupos de serres humanos, fechados em bunkers no subsolo, que já existem, construídos em segredo, com água e provisões para muito tempo. Esses bunkers estão reservados para elites políticas, seus familiares diretos e gente muito rica. É provável que Putin sobreviva e até reencontre os ratos da sua infância, que lhe terão moldado o carácter. Mas o planeta será inabitável à superfície durante muitos anos. E o cenário de extinção da raça humana é muito provável.

Nos Açores, a política regional torna-se irrelevante. Todas as lagoas de S. Miguel se tornam altamente radioativas. Na ilha Terceira, as Sanjoaninas e as touradas à corda serão canceladas, definitivamente. A alma humana morre. Tudo desaparece. É o fim. POPEYE9700@YAHOO.COM

 

BAGA DA GUERRA, DO SANGUE E DA DOR (BB130)

Março 15, 2022

Tarcísio Pacheco

 

 

 

 

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BAGAS DE BELADONA (130)

HELIODORO TARCÍSIO          

BAGA DA GUERRA, DO SANGUE E DA DOR…

 

E pronto. Já há muitos anos que temos vivido à beira do precipício. E agora, há sérias possibilidades de darmos um passo em frente. Uma civilização que vive desde a II  Guerra Mundial num equilíbrio de terror em que a ganância, o imperialismo, o fanatismo, a sede de poder, a propensão para a dominância, para a conquista, o apelo da violência e a libertação da pura maldade são contidos sobretudo pela posse de armas de destruição maciça não é uma civilização saudável. É um equilíbrio instável e doentio. O risco de desmoronamento desse frágil equilíbrio sempre foi enorme. Temo-nos todos iludido com a evolução da democracia, com o desenvolvimento económico, com as sondas que vão a Marte, com o aparente “progresso”. E temo-nos esquecido que no essencial não mudámos assim tanto e que não faltam bestas à solta a campear por este pobre mundo.

Há muitos anos que, nas minhas reflexões privadas e insones, tenho sentido que, se não morresse jovem, iria assistir a alguma grande desgraça. Ainda pensei que era o Covid-19, mas não, é muito pior. Contra este vírus não há vacina que valha.

Longe de mim querer competir com a panóplia de reputados especialistas que parecem saber tudo sobre a guerra na Ucrânia, sobre o seu desfecho e sobre as intenções de Putin. Sou apenas menos ignorante em alguns assuntos do que noutros. Trata-se apenas de pôr as minhas preocupações em comum com a minha comunidade. Todos temos uma opinião ou deveríamos tê-la.  Pelo menos todos os que não se limitam a nascer, viver e morrer.

Vivo resguardado do mundo hostil, mas atento ao que me rodeia. Tinha a certeza de que algo muito mau provocado pela Humanidade iria acontecer mais tarde ou, mas cedo, provavelmente ainda no meu tempo de vida e, lamentavelmente, no tempo dos meus filhos, esses para quem eu desejo uma vida longa, saudável e repleta de momentos felizes. Temi a eclosão de movimentos nacionalistas, o crescimento das direitas radicais, o surgimento de líderes execráveis como Putin, Bolsonaro ou Trump, o aquecimento global e a destruição progressiva e constante da natureza, temi vírus e pestes terríveis, temi o Estado Islâmico, o crescimento desmesurado do monstro chinês, temi a louca e inacreditável distopia da Coreia do Norte. Temi muito, sobretudo pelo futuro dos meus filhos. Acredito pouco na raça humana e sabia que de algum lado viria a bomba, mais tarde ou mais cedo. Pois veio da Rússia e a tomada da Crimeia já deveria ter alertado o mundo para o que aí vinha. Se tanto fosse preciso pois há anos que víamos, na Rússia, todos os adversários políticos de Putin, jornalistas incómodos ou meros contestatários do regime serem assassinados ou encarcerados. E o exército russo a espalhar a morte e o sofrimento pelo mundo, como na Síria.

Do meu ponto de vista distante e apenas minimamente informado, os grandes trunfos de Putin são poucos, mas são fortes. Baseiam-se sobretudo no temor do holocausto nuclear e na aliança com a China. O ditatorial e repressivo regime chinês, não assim tão diferente do russo, não se tem cansado de declarar a sua amizade pela Rússia. É um aviso claro. E estão na expetativa pois sabem que se não conseguirmos travar a Rússia, não os travaremos a eles quando tomarem Taiwan. Acredito que num cenário de guerra convencional, por muito tempo que fosse preciso e por muita destruição que houvesse, a Rússia acabaria por perder contra meio mundo. Contra a China e a Rússia aliadas, o caso seria bem diferente e teríamos o caos à solta no mundo. Mas o perigo chinês não é nada perante a ameaça nuclear. É claro que, racionalmente, nem Putin nem ninguém têm qualquer interesse em despoletar um conflito nuclear. Num cenário desses, uma grande parte da população mundial morreria de imediato e uma grande parte dos sobreviventes morreria nos meses seguintes. O planeta tornar-se-ia, provavelmente, inabitável. Quanto à Rússia, seria vaporizada, com a maior parte dos russos deste mundo. Contudo, quem sabe o que se passa na cabeça de um psicopata agressivo…Hitler levou a Alemanha à total destruição e ordenou que ninguém se rendesse jamais. Alguém duvida que a besta nazi teria usado armas nucleares, se as tivesse? Os EUA não encontraram argumentos para as usar?

Pessoalmente, acho a situação perigosíssima e tenho dormido mal, a pensar nisto. Nunca estivemos tão perto do fim. Conflito nuclear, nem pensar. Como alternativa à guerra generalizada, só vejo o caminho que está a ser seguido: sanções de todos os tipos, as mais duras possíveis e todo o tipo de ajuda à Ucrânia, excetuando o envolvimento militar direto. É preciso isolar completamente a Rússia. E nisso discordo de afirmações recentes de Francisco Louçã, uma pessoa por quem tenho muito respeito. Ele pensa que algumas sanções não fazem sentido. Discordo. Todas fazem sentido, em todos os domínios. É preciso levar o povo russo ao desespero, para ver se eles percebem que Putin não lhes convém. Posso estar a ser ingénuo ou lírico, mas acredito que a solução pode estar no povo russo ou pelo menos num grupo de militares russos diferentes, não hão de ser todos bestas assassinas cheias de vodka.

Também não apreciei que Ricardo Araújo Pereira, cujo sentido de humor e inteligência crítica admiro muito, tenha feito humor com a guerra na Ucrânia. Por muita graça que tenha achado ao cocktail molotov com uma garrafa de tinto português (sorri nessa parte) e saiba que RAP vive de ridicularizar a atualidade, penso que não há qualquer graça a fazer com a morte e sofrimento de tanta gente.

Para terminar esta breve reflexão, estou disposto a fazer a minha parte, que é contribuir para ajudar a Ucrânia como puder e reclamar o menos possível da gravíssima crise económica que se aproxima. Passo a andar de bicicleta, tomo duche de água fria e cozinho com lenha. Falo a sério, sem problemas, não quero nada da Rússia, custe o que custar.

Mas, falando sinceramente, o que quero mesmo é ver a cabeça de Putin espetada numa estaca. Agora pode-se dizer isto publicamente, não? O Facebook e o Instagram dizem que sim…POPEYE9700@YAHOO.COM

 

BAGA PARECE QUE É POLÍTICA MAS É SÓ CHUPAR LAPAS (BB129)

Fevereiro 08, 2022

Tarcísio Pacheco

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imagem em: Mocidade Portuguesa, cartoon de Vasco Gargalo d’prés João Abel Manta, Salazar e André Ventura, 2020, Portugal. – Arquipélagos (arquipelagos.pt)

 

BAGAS DE BELADONA (129)

HELIODORO TARCÍSIO          

BAGA PARECE QUE É POLÍTICA, MAS É SÓ CHUPAR LAPAS - André Ventura foi perentório. Estará vigilante e não deixará que os erros de José Sócrates sejam repetidos. Destaco a adjetivação “vigilante”, uma novidade no país que me remete para manobras caras às direitas (vigilantes de bairro, comités de observação da decência social, grupos de cidadãos armados e formação de milícias). Fica o país assim bastante mais descansado, finalmente há alguém que não dorme, para ficar a vigiar e, acima de tudo, tem em carteira um grupo de erros totalmente novinhos em folha e nunca cometidos antes. Sempre os mesmos erros não, por favor. Creio mesmo que alguns foram já ensaiados nas campanhas eleitorais do Chega, como Ricardo Araújo Pereira tão animadamente nos mostrou. São erros fixes, erros mesmo geniais, de gente claramente diferente, psiquiatricamente falando. E para um cargo de vigilância no Chega, embora localizada, quero já propor uma pessoa, uma vizinha dos meus sogros, numa rua de Ponta Delgada. Não posso revelar o nome, por questões de confidencialidade e segurança, mas esta senhora dedica cerca de 22 horas diárias às tarefas de vigilância da rua, a partir do seu posto de observação privilegiado, na varanda do 1º andar da sua casa. As 2 horas restantes (que ela está a pensar seriamente em reduzir, para agradar a Ventura e servir o país) são para coisas menores como alimentar-se e dormir. O banho é só ao domingo (um dia morto), conforme ela própria explicou, trabalho com os olhos, transpiro pouco e além disso “da minha casa de banho não consigo ver nada”. Perfeitamente compreensível. Típica intervenção desta vigilante, se vir alguém a bater a uma porta surda: “Ei senhor, não vale a pena, eles saíram, mas costumam estar em casa a partir dumas sete da tarde…”. Informação rigorosa e detalhada.  Se houvesse um vigilante deste calibre em cada rua, jamais o motorista de Sócrates teria podido andar nas voltinhas do patrão sem dar nas vistas.

É raro, mas às vezes dá-me para pensar em politiquices, geralmente integra-se na depressão de Inverno, em períodos mortos do Covid e enquanto não chega uma série realmente fixe na Netflix. É um bocado aquilo de nos entregarmos a concursos de cuspo porque não há nada melhor para fazer. Na verdade, na maior parte do tempo fico a pensar nos mistérios do Universo. Enquanto não chego a qualquer conclusão, passo os olhos pelas notícias, a ver o que está na moda. Que, presentemente, é Covid, crise do Benfica e eleições. Covid já tive, obrigado, crise do Benfica não é exatamente uma má notícia para mim (desculpa RAP), restam então as eleições.

Os comentadores eleiçoeiros são mais que sapos num pântano. E cada um puxa a brasa à sua sardinha. Eu não gosto de sardinhas, mas apraz-me assoprar uma brasa aqui e ali. Já se sabe que isto de análise de resultados eleitorais é filosofia esotérica e um pouco de física quântica, está nas categorias superiores do pensamento cognitivo. Não é, decididamente, para a minha pobre cabeça. Eu sou mais de passear no calhau e comer lapas ao luar. Ideologicamente sou de esquerda, como nunca escondi, sei exatamente o que isso significa e até já o revelei ao mundo nestas páginas. Não alinho com a “grande derrota” do BE. O BE demonstrou ao país que se mantém fiel ao seu ideário e que os seus eleitores e simpatizantes (eu sou apenas um destes últimos) podem contar com caráter e coerência. Não contem com o BE para panelinhas e jogadas asquerosas. O BE fez muito bem no passado em estabelecer compromissos com o PS e com o PCP. Tratava-se então de expulsar do poder uma direita tóxica para o país. Era um desígnio nacional. Foi uma ótima geringonça, enquanto durou, com uma parte da frente muito gira. No passado recente, António Costa já não estava disponível para negociar seriamente e estabelecer compromissos. Talvez farejasse já trono absoluto para o seu tímido socialismo bem puxado ao centro. O BE fez muito bem em manter-se igual a si próprio e a não viabilizar um orçamento que traía os seus princípios. Perderam muitos deputados, mas ganharam respeito e estatuto, que não é a mesma coisa que poder. Uma parte significativa do seu eleitorado escolheu o voto útil e terá votado PS. Não os censuro, a alternativa era terrível. Continuem sempre, meninas bonitas e inteligentes do BE.

Pronto, era só isto. Esta era a parte séria, a menos importante, claro. Agora vou-me ali e já não volto. Muita saúde. POPEYE9700@YAHOO.COM

 

BAGA FELIZ NATAL (BB 128)

Dezembro 22, 2021

Tarcísio Pacheco

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BAGAS DE BELADONA (128)

HELIODORO TARCÍSIO          

BAGA FELIZ NATAL – Há uma das anedotas do Joãozinho, que reza mais ou menos assim, numa carta ao Pai Natal: “Querido Pai Natal, seu estupor velho e barrigudo, tenho-te pedido um carro de bombeiros e tu tens-me trazido, todos os anos, porcarias de cuecas e meias às carradas. Vê lá se este Natal atinas senão,  quando te vir, a ti e às tuas renas sarnentas, vou dar cabo de vocês à pedrada”. Ao que o Pai Natal respondeu: “Meu querido Joãozinho, não te preocupes, relaxa. Este ano vou incendiar a tua casa, por isso, vais-te fartar de ver carros de bombeiros…”.

E é isto, meus caros, o famoso espírito de Natal é por aí…

Há muitos anos, quando eu era um jovem, cabeludo e bem-parecido estudante universitário em Ponta Delgada, num ano em que não fui à Terceira e a minha mãe e a minha irmã foram passar o Natal comigo a S. Miguel, havia por lá um sem abrigo, meio desgraçado, rapaz ainda novo, figurinha tosca, conhecido como Pinóquio, que costumava parar na tasca “O Campeão” (já desaparecida), do meu amigo Luís “Americano” (também já desaparecido), na rua de Lisboa, em frente à casa da santíssima mãe do beato Mota Amaral. Na época, 1980 e poucos, eu tinha lá um part-time, em que aturava bêbados e verdadeiros mafiosos, com a ideia de juntar umas massas para fazer o inter-rail no Verão. O Pinóquio gostava de aparecer por lá porque lhe pagavam “penalties”, grandes copos de 0.5 L de vinhaça, com a condição dele os empinar de um fôlego só, façanha em que era exímio e muito aplaudido. Nesse ano, deu-me na cabeça convidar o Pinóquio para o jantar de consoada do dia 24 de dezembro, lá no apartamento da Avenida E antiga, onde eu então morava, com outros colegas. O Pinóquio foi, o jantar correu bem, farto e bem regado (mas sem penalties), ele a contar a sua triste vida e a minha mãe de lágrima à esquina do olho. A folhas tantas, o Pinóquio confirmou que dormia na rua, na zona da doca e que passava muito frio porque nem tinha um cobertor decente. Condoí-me, fui ao meu quarto e ofereci-lhe o cobertor da minha cama, fofo, quentinho e azul. O Pinóquio adorou. O problema é que o cobertor, a cama e o apartamento pertenciam todos a uma mulher de Ponta Delgada, a minha senhoria. Ela não se mostrou sensível ao espírito da época e em janeiro exigiu o seu cobertor. Eu ofereci-lhe um cobertor meu, uma coisa felpuda e amarela, em forma de assim. Ela não gostou da cor e vingou-se, um dia, levando consigo, à traição, um belo quadro com um veleiro que ficava por cima da minha cama, oferta de Natal da minha mãe, conhecedora da minha maluqueira por barcos.

Nesse dia longínquo, talvez eu tenha sido acidentalmente tocado pelo verdadeiro espírito do Natal. Disso, eu tenho saudades. Disso e da minha mãe, morta há um ano, da inocência da infância, da nossa consoada rica em família, da árvore de Natal verdadeira, a cheirar a verde, do entusiamo infantil da minha mãe, a montar a sua extensa coleção de bolas e as suas séries de lâmpadas coloridas, compradas na Base, enquanto cantávamos o Jingle Bells, muito desafinados. Saudades dos chocolatinhos americanos, dos autênticos, dos legítimos, Três Mosqueteiros, Butterfingers, Hersheys, Almond Joy, das minhas primeiras maminhas de preta (kisses).  Saudades dos presépios, montados com leivas e musgos apanhados na mata do Estado, às Veredas, enfeitados com uma enorme coleção de casinhas de papel (a minha mãe era professora do primário), figurinhas de cerâmica variadas e paletes de ovelhas. O meu pai, vivo e agora com 80 anos, sisudo, mas muito habilidoso, engenheiro de quase tudo, contribuía com moinhos que giravam e riachos de água corrente em leito de papel de prata. Saudades da excitação daquela noite, de nos mandarem deitar cedo, que era para o Menino Jesus ter condições de vir com as prendas (era então o Menino, não passávamos cartão ao Pai Natal, essa figura nórdica e estranha, a Lapónia ficava em cascos de rolha e já sabíamos que as renas não voam). No dia seguinte, depois de almoçar os restos, íamos passear de carro (de cu tremido, como dizia o meu pai…) para a estrada 25 de Abril, na Praia, pois a minha mãe, uma eterna menina de feitio difícil, fascinava-se com as feéricas iluminações nas casas dos americanos.

O Natal de hoje é o que sabemos. A religião católica e as suas missas galináceas nada me dizem, do ponto de vista intelectual, não lhe vejo pés nem cabeça. Resta o consumismo desenfreado, a tirania das prendas, o abuso de comida e bebida e agora, até o clássico fantasma do Natal de Dickens cedeu o seu lugar ao espectro do Covid.

O que é que ainda vale a pena? Aproveitarmos bem a oportunidade para estarmos junto daqueles que amamos e que nos amam, enquanto estamos vivos e de saúde. Comida e bebida são sustento do corpo, árvores, luzes, fitas e presentes, é tudo décor de época. O sustento da alma é a companhia, o calor do amor e da amizade, o abraço e o beijo, o olhar franco e desinteressado, a partilha, os baús de memória. Mais do que clientes e peças substituíveis do sistema, somos criaturas de energia e emoções. Aproveitem bem e amem muito. A vida é curta, mas o amor é para sempre. Feliz Natal.

POPEYE9700@YAHOO.COM

 

BAGAS JOSÉ COUTO E BAMBIS DO MONTE BRASIL (BB127)

Novembro 19, 2021

Tarcísio Pacheco

 

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BAGAS DE BELADONA (127)

HELIODORO TARCÍSIO          

BAGA prof. JOSÉ COUTO – Uma breve nota nestas páginas para lembrar alguém que nos deixou recentemente e que marcou várias gerações nesta ilha, sobretudo para aqueles que se interessam pelo desporto. O elogio da sua vida e história já foi suficientemente feito nas páginas do DI. Aqui fica apenas um pouco das minhas memórias sobre o José Couto, com toda a simplicidade, uma vez que não tínhamos relações de amizade próxima. Mas sempre nos cumprimentámos na rua, pela vida fora. Como acontece, decerto, com a generalidade das pessoas que com ele privaram de alguma forma, guardo a imagem de um verdadeiro senhor, um gentleman, um gigante com um timbre de voz grave inesquecível, com modos afáveis, simpáticos e uma postura social de elevada educação. Como criança que gostava de futebol, lembro bem o seu talento como jogador do Lusitânia, um defesa central de grande categoria, com uma postura extremamente elegante em campo, dificilmente ultrapassável, um atleta que, provavelmente, poderia ter feito carreira em equipas nacionais de escalões superiores, de resto, como outros daquelas gerações de ouro do Lusitânia das décadas de 60 e 70.  Foi ainda meu professor de Educação Física no antigo Liceu de Angra. Muito mais tarde, voltaríamos a cruzar-nos, no antigo “Ciclo de S. Bento” onde, todas as semanas, um grupo de professores, funcionários e outros amigos, se juntava para animadas jogatanas de futebol. Entre muitos outros, por lá andavam o prof. Raúl Tânger, o Manuel João (excelente ex-atacante do Angrense), o prof. Manuel Fernando e o filho, o conhecido João Medeiros, meu amigo de infância e ex-jogador do Boavista. E o José Couto juntava-se-nos com frequência e, já maduro, ainda passeava por lá o perfume do seu futebol. Até sempre, prof. José Couto.

BAGA OS BAMBIS DO MONTE BRASIL – As manifestações hormonais podem ser terríveis. Trump, por exemplo, ficava muito vermelho, abusava da Coca-Cola Light e punha-se a apalpar as mulheres todas à volta. Putin faz tiro ao satélite, com mísseis. Vemo-las por todo o lado, nas sociedades humanas, na origem de muitas manobras perigosas nas estradas (não há nada mais perigoso atrás de um volante que um Manel com uma cerveja no bucho e um complexo de pénis extra large), no assédio sexual no trabalho, nas discussões acervejadas sobre o futebol, nas brigas dos casais e dos políticos e até mesmo na escolha da cor das gravatas; um macho luso com uma descarga hormonal não tem medo de ninguém e só quer saber quanto são. Veja-se o caso do André Ventura, um vulgar comentador de futebolismo que agora, em plena época de cio político, inflamado por imperiosas secreções interiores, cheio de ardores patrióticos e abençoado pelo seu confessor privado, já fala em derrubar governos; tudo porque um macho rival, mais velho, lhe deu umas marradas.

Aqueles animais do Monte Brasil começaram por ser uns Bambis fofinhos, mas depois tornaram-se nuns monstros chifrudos obcecados pelo domínio territorial, o confronto com outros machos e o coito com o maior número possível de fêmeas. Enfim, nada que eu não tenha visto com frequência nas noites da Twin’s Pub, nos velhos bons tempos.

Quanto aos Bambis, pelos menos os machos, quando se lhes desvanece a inocência da infância e lhes crescem as hastes e os testículos, chegando aquela época do ano, só pensam em sexo. Qualquer inocente transeunte no Monte Brasil é visto como concorrente e a coisa só se pode resolver à marrada, já que é grave ofensa cobiçar as fêmeas alheias.  Diz o Ventura que a culpa é do governo anterior. Claro que é, é uma lei de Murphy, mas, neste caso, podemos estar a ser injustos.  A culpa disto tudo é das fêmeas que, também elas de gônadas inflamadas, desfilam pelo parque florestal, com o pompom do rabinho bem levantado, a espalhar odores irresistíveis e a olhar com aqueles grandes olhos de corça, negros, límpidos e fatais. Depois, como é que querem que um jovem corço resista, ele que não é ferro, é de couro? A Bíblia é muito clara quanto ao papel da fêmea no processo da tentação.

Várias soluções foram propostas. Folgo em saber que os animais estão em segurança, embora e naturalmente, muito carentes e desassossegados e que o Monte Brasil vai reabrir. Quem deve ter ficado triste é o meu amigo Armando Mendes. Ele queria muito provar pernil de corço. Já aqui há uns bons anos, ele queria comer lombos de golfinho com o amigo Adolfo Lima e não lhe fizeram a vontade. Já é azar, ainda não é desta que ele se satisfaz. Nem ele nem os corços, paciência. POPEYE9700@YAHOO.COM

 

BAGAS AVALIAÇÃO NA FUNÇÃO PÚBLICA / SEGURANÇA NA MARINA DE ANGRA (BB126)

Outubro 22, 2021

Tarcísio Pacheco

 

 

 

 

 

 

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BAGAS DE BELADONA (126)

HELIODORO TARCÍSIO          

BAGA AVALIAÇÃO NA FUNÇÃO PÚBLICA – O sistema de avaliação na função pública é uma aberração e deveria mudar, de imediato. Desde logo, porque assenta num sistema de quotas. Tudo o que envolve quotas deixa-me de pé atrás, mesmo que com boas intenções (exemplo, promover minorias discriminadas) mas, neste caso, é com má intenção mesmo. Qualquer sistema de quotas envolve artificialismo e manipulação. O desempenho dos funcionários públicos, a cada dois anos, é avaliado e classificado como “excelente, adequado ou inadequado”. Até aqui tudo bem, sou completamente a favor de uma avaliação séria, imparcial e justa. A pérfida malícia radica no sistema de quotas. Ou seja, com base em critérios materiais, políticos e financeiros, o governo atribui uma quota para “excelentes” a cada serviço ou instituição. O desempenho é avaliado em primeira instância pelo dirigente do serviço, o que está certo, porque ele é quem conhece melhor o trabalhador e os seus níveis de desempenho. Mas, depois, as avaliações são examinadas por um Conselho Consultivo de Avaliação que pode baixar a classificação de um funcionário porque o seu serviço “excedeu a quota de excelentes”. O que torna o sistema, de imediato, contraditório e bizarro. Qualquer governo deveria pretender atingir um nível de excelência nos seus quadros de funcionários, até porque o desempenho deles irá, em larga medida, promover ou limitar o sucesso do próprio governo. Então, como é que se pode admitir que um governo estabeleça “quotas” para níveis de “excelência”?! Para uma sociedade que, bastas vezes, exibe níveis preocupantes de anticomunismo primário, isto soa muito a União Soviética no seu melhor. Acresce que este sistema provoca graves suspeitas, em muitos casos fundamentadas, de que é aproveitado para promover amigalhaços, simpatizantes, lambe-botas e boys do partido. Todos os sindicatos da Função Pública, que existem para defender os direitos dos trabalhadores, se posicionam contra as “quotas” e exigem o seu fim. E você, caro leitor, que é funcionário público?

BAGA SEGURANÇA NA MARINA DE ANGRA – Antigamente, a marina de Angra era segura. Sou dos primeiros utentes da marina (já tinha barco antes dela existir) e nunca tive qualquer problema. Mas, isso era antigamente, quando a Portos Açores oferecia segurança de 24 horas. De algum tempo a esta parte, embora a Portos Açores atualize regularmente os seus tarifários, deixou de oferecer segurança aos seus utentes, que ficam à mercê dos doidos, bêbados e larápios. Tenho conhecimento direto de dois casos recentes: num deles, um adolescente roubou a embarcação Brisa d’Angra, propriedade do Angra Iate Clube e andou às voltas na baía, tendo depois atracado no Porto Pipas, com algumas pancadas pelo meio; no outro, que me foi relatado pela própria vítima, alguém se introduziu na sua embarcação de recreio, ali bem perto do restaurante Cais d’Angra, com o intuito de roubar, tendo provocado algum prejuízo, que vai ter de ser contabilizado pelo proprietário, visto que, embora ele tenha procedido à queixa às autoridades competentes e à marina, não é de crer que se venha  a descobrir os culpados.

As embarcações de recreio têm um custo elevado, são facilmente vandalizáveis e todos as suas estruturas e equipamentos são caros e por vezes, de reparação ou substituição difícil. Acho que deveríamos voltar a ter segurança na marina, 24h por dia e com certeza que todos os seus utentes concordarão comigo. POPEYE9700@YAHOO.COM

 

BAGA TURISMO NÁUTICO (BB 125)

Outubro 14, 2021

Tarcísio Pacheco

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BAGAS DE BELADONA (125)

HELIODORO TARCÍSIO   

BAGA TURISMO NÁUTICO – A Agenda Mobilizadora para o Setor do Turismo da Região Autónoma dos Açores do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) prevê um investimento global de 75 milhões de euros, a concretizar entre 2023 e 2025. Folgo em saber que o Turismo Náutico está contemplado, ele é referido em dois pequenos parágrafos do artigo no DI sobre esta questão. Prevêem-se melhorias das infraestruturas para o iatismo, aquisição de equipamentos para colocar iates em doca seca, criação de estruturas de reparação de embarcações e modernização de equipamentos, tendo o projeto como entidade gestora a Câmara do Comércio da Horta.

Como velejador oceânico, proprietário de veleiros de cruzeiro desde 1998 nos Açores, esta é uma área que me interessa sobremaneira. Por isso, esta notícia alegra-me, mas, à cautela, vou esperar bem sentadinho. É que uma análise amadora desta área e também a perspetiva do utente, mostram-nos que o turismo náutico nos Açores está num estado calamitoso. Não por falta de procura, todos os anos demandam as nossas águas centenas de iates de recreio de todas as nacionalidades. O caso é que os poderes instituídos parecem esquecer-se que as embarcações de recreio precisam de marinas. Se analisarmos o que têm sido feito nos Açores a este respeito nos últimos anos, até parece que há muita obra. Há, é verdade, mas, na maioria dos casos, é insuficiente ou mal feita.

Com exceção das marinas da Horta (já ampliada) e de Ponta Delgada (como seria de esperar…), as marinas dos Açores estão subdimensionadas ou foram mal feitas.

A pequena marina da ilha das Flores está inoperacional e aguarda reparação desde 2019. Vamos deixar esta de parte, afinal a culpa é do furacão Lorenzo. Para esta, até há uma boa desculpa. No Pico, a chamada ilha do futuro, uma ilha maravilhosa, que recebe cada vez mais visitantes e é enorme, com 3 vilas, simplesmente não tem marina; possui um pequeno Núcleo de Pescas (formalmente), minúsculo e com uma entrada apertada e perigosa; a multiplicação de embarcações do whalewatching e a aquisição de algumas embarcações por locais, rapidamente reduziu a praticamente zero o espaço disponível para visitantes. Em S. Jorge, existe a marina de Velas. Mal feita e subdimensionada, também ficou rapidamente quase sem espaço para visitantes. Vai valendo o espaço da ancoragem, que a baía é ampla e a competente e sempre amável prestação do funcionário, o simpático Zé Maria, que vai fazendo milagres. Na Graciosa, a ilha sempre esquecida, também não há marina, propriamente; existe também um minúsculo Núcleo de Pescas, de reduzida capacidade, na Praia; junto a Santa Cruz, no norte da ilha, finalmente, iniciou-se o há muito prometido projeto do porto de recreio da Barra; mas está longe de estar finalizado, não existe marina, apenas um molhe de proteção e uma área abrigada, falta quase tudo. Santa Maria é um caso à parte e um caso curioso porque, tratando-se de uma ilha pequena, que sempre viveu à sombra de S. Miguel, que teve momentos altos na sua história, à custa do seu excelente aeroporto, tendo perdido muitos habitantes nos últimos anos, recuperou argumentos e foi-se posicionando como uma ilha linda, enganadora, com excelentes condições para a pesca e o turismo náutico; talvez por isso, acabou por ser beneficiada com uma marina bastante ampla e funcional e uma boa estrutura portuária, em Vila do Porto.

Deixei para o fim, propositadamente, as marinas da Terceira, por ser a ilha onde habito. A marina da Praia da Vitória é de administração municipal; o seu design não é nada brilhante, podia ter ficado bem melhor; com pouca capacidade, já fica também a rebentar pelas costuras no Verão e levaram imenso tempo para substituir um pontão estragado, que muita falta fazia; no Verão 2021 esteve completamente entupida.  A marina de Angra é gerida pela Portos Açores, herdeira da antiga JAP. As pessoas devem lembrar-se da guerra que foi, nos anos 90, para se conseguir construir esta marina; o sistema democrático exigia que se ouvisse um pequeno grupo de pessoas que se opunham e a baía é património histórico; ultrapassados os problemas, inaugurou-se a marina no início da década de 2000; logo se percebeu que era mal desenhada e subdimensionada. E agora, 20 anos depois, há imensos problemas de espaço na marina e já mal chega para os locais (que têm, obviamente, todo o direito de querer comprar barcos ou de mudar para barcos maiores), quanto mais para os iates estrangeiros…. Foi ver este ano, um ano atípico, devido ao fim das restrições de viagem, a enorme quantidade de veleiros de recreio, até setembro, inclusive, que ancoraram na nossa baía, por falta de espaço para atracar na marina. A marina de Angra até recebeu novos pontões e fingers, com mais capacidade, mas jazem há muito meses no Porto Pipas à espera de alguma coisa. Ouviu-se falar também de um plano para alterar a configuração da marina, criando assim mais algum espaço, mas a ideia, se realmente existiu, parece ter morrido à nascença.

E foi assim um pouco por todo o grupo Central. Numa viagem às Velas, em agosto, havia tantos iates estrangeiros ancorados que nem ancorar consegui, fiquei amarrado (mal) ao cais, das 3 da manhã até ao nascer do sol. Numa viagem às Lajes do Pico, em setembro, fiquei amarrado ao cais do Caneiro e já fiquei muito feliz por ter encontrado o cais disponível (não teria sido o caso em julho ou agosto).

Resumindo, há tanto a fazer e tanto dinheiro a gastar nesta área que com o pano de fundo habitual das guerrilhas partidárias, dos confrontos entre ilhas e do centralismo do governo centrado em S. Miguel, sinceramente, não espero grande coisa. Para mais, o atual GRA já fez saber que não precisamos de barcos porque temos aviões. Vamos ficar à escuta, no canal 16, claro. POPEYE9700@YAHOO.COM

 

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