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popeye9700

Crónicas e artigos de opinião, a maior parte publicada no Diário Insular, de Angra do Heroísmo.

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Crónicas e artigos de opinião, a maior parte publicada no Diário Insular, de Angra do Heroísmo.

BAGA MEU NOME É GAL (BB140)

Novembro 14, 2022

Tarcísio Pacheco

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imagem em: Gal Costa, a moça que sabia guardar segredos | Farol | OPOVO+

 

BAGAS DE BELADONA (140)

HELIODORO TARCÍSIO          

BAGA MEU NOME É GAL - Passei o dia de hoje a ouvir música da Gal Costa, enquanto trabalhava. Como melómano e apreciador da música brasileira em particular, fiquei triste ontem, ao inteirar-me do falecimento inesperado de Gal, nascida Maria da Graça Costa Penna Burgos, a 26 de setembro de 1945, na maravilhosa cidade de Salvador, onde vivi algum tempo e fui tão feliz quanto pude. Há muita gente que canta bem neste mundo torturado e nos ajuda a esquecer momentaneamente a realidade brutal da nossa terrível espécie. Mas Gal era especial, dona de uma voz maravilhosa, com um timbre angélico, que só podia ter origem divina. Voz de eterna menina num corpo de mulherão. Dela, disse recentemente Caetano Veloso, seu grande amigo: “(…) a emissão da voz em Gal era já música, independentemente do domínio consciente das notas. E isso fazia com que o espírito dela expressasse sutilezas, pensamentos, sentimentos, asperezas, doçuras, de modo espontâneo  (…)”.

A voz de Gal era daquelas que nos transportam para outra dimensão. Felizmente, podemos continuar a ouvi-la enquanto vivermos. Enquanto uns nascem para brutalizar o mundo, outros, como ela, existiram para nos fazer felizes, de vez em quando. Vozes como a de Gal ligam-nos muito mais à centelha do divino que há em todos nós, do que igrejas, missas, sacramentos e rituais. Se Deus cantasse, soaria assim, se bem que, provavelmente, um tudo nada mais desafinado. Já com 77 anos, Gal ainda estava plenamente no ativo, inclusivamente, com concertos marcados em Portugal, que ela tinha adiado, entretanto, para 2023, devido ao problema de saúde que a apoquentava. A sua morte inesperada faz-nos pensar na fragilidade e brevidade da vida humana. E ficamos revoltados por partirem estas criaturas fantásticas e ficar por cá tanta porcaria sem préstimo algum. Relembro a sua passagem pela nossa ilha, num concerto ali no palco do Bailão, numas Sanjoaninas, já há uns bons anos. Evidentemente, eu estava lá.

É bem provável que a alma de Gal, ao ascender, após ser recebida por um coro angélico com quem há de ter feito uma agradável jam session, tenha procurado o parceiro e amigo, Tim Maia, para “sentar e conversar e depois andar de encontro ao vento” porque há de haver gente conhecida no Céu e algum vento, nem que seja uma gentil brisa, daquelas que não despenteiam.

Pensar na Gal, que não conheci pessoalmente, trouxe-me à memória um episódio da vida, com Joana, cantora brasileira que, essa sim, conheci. Joana é o nome artístico de Maria de Fátima Gomes Nogueira, nascida em 1957. Não tem o estatuto da Gal, mas, ainda assim, é uma cantora, compositora e multi-instrumentista de créditos firmados e bem popular. No meu “período brasileiro” (2004-2013), estava eu pelo Brasil, na cidade de Campina Grande, estado da Paraíba, em maio de 2008, de visita à namorada da época, Ladjane. Ela tinha um vizinho que era grande amigo, o Felipe, rapaz muito simpático e uma alma romântica. Felipe era o fã n.º 1 da Joana, tinha formado um fã clube, conhecia pessoalmente a cantora e colecionava tudo sobre ela. Aconteceu que, por aqueles dias, Joana ia dar um concerto em João Pessoa, capital do estado e uma das cidades mais bonitas e calmas do nordeste brasileiro. Claro que o Felipe nos tirou o juízo para irmos ao concerto e nesse fim de semana abalámos para João Pessoa. Estivemos no concerto, numa espécie de centro comercial. Após o final, Felipe levou-nos para a fila dos autógrafos, no camarim. Quando entrámos, ele apresentou-me à Joana, que estava acompanhada pela sua manager (e companheira) e sem qualquer prévio aviso, saiu-se com esta: Joana, este é o Tarcísio, um português dos Açores, já te ouviu por lá (esta parte era verdade), é teu fã (nem por isso) e quando soube do teu concerto de hoje, adiou o seu regresso a Portugal, só para te ouvir (grossa mentira). Claro, a Joana ficou agradada, foi muito simpática e fizemos umas fotografias juntos. Obrigado, Joana e até sempre, Gal. POPEYE9700@YAHOO.COM

 

BAGAS DE BELADONA (139)

Outubro 07, 2022

Tarcísio Pacheco

 

 

 

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imagem em: https://www.i24news.tv/en/news/international/europe/1664811804-russians-escaping-mobilization-look-to-georgia

 

BAGAS DE BELADONA (139)

HELIODORO TARCÍSIO          

BAGA PORTUGAL/ESPANHA – Assisti ontem, com pesar, ao jogo de eliminação da seleção portuguesa da Liga das Nações, depois de uma prometedora vitória em casa da Chéquia. Já não é de agora, confesso que nunca apreciei Fernando Santos, enquanto treinador e selecionador. Respeito-o e reverencio o seu palmarés e as alegrias que já nos deu. Merece o nosso reconhecimento. Porém, o seu perfil, ultraconservador, ultra- prudente e mais que teimoso, casmurro mesmo, sempre me desagradou. Ontem, foi mais do mesmo. Claro que era um jogo difícil, contra uma seleção bastante inferior à fantástica Espanha de anos recentes, mas ainda assim, uma seleção forte. Os tiques costumeiros de Santos estiveram bem patentes. A sua relutância em substituir Cristiano Ronaldo, em nítido declínio e cada vez mais um jogador a menos dentro do campo; a dificuldade de fazer substituições a tempo e horas; ontem, milhões de pessoas viram que as substituições deviam ter acontecido logo após o intervalo, quando a equipa começou a claudicar e não a 15 minutos do final e os grandes planos do treinador, no banco, mostraram bem as suas caretas de indecisão; e, finalmente, escolhas discutíveis e embirrações inexplicáveis com jogadores em grande forma, como o melhor marcador do campeonato nacional de 2020/21, Pedro Gonçalves.

Penso que Santos merece ir ao mundial do Qatar, mas vejo esse evento como o final da sua carreira, como selecionador nacional. Após o Qatar, deve reformar-se, ir embora ou ser despedido. Qualquer que seja o nosso desempenho.

BAGA O ÊXODO – Temos assistido nos últimos dias a um verdadeiro êxodo de russos que fogem da mobilização parcial decretada por Putin. Só não veem isso o papagaio do Kremlin e o Paulo Santos, aqui na Terceira. Um país ex-colonialista e ex-fascista, como Portugal, que enviava carne fresca de canhão para África até abril de 1974, tem obrigação de compreender e até apoiar os russos. Afinal, antes do 25 de Abril, muitos jovens portugueses fugiam da mobilização para a guerra. Até eu, que já sou um filho de democracia, após a faculdade, perante a perspetiva de ser forçado a cumprir o serviço militar obrigatório, tentei escapar-me para o Canadá, onde tinha família e para os PALOP’s, como cooperante, em ambos os casos sem sucesso, historieta que já contei nestas páginas.

Tenho-me inteirado das opiniões dos comentadores. As opiniões dividem-se entre acolher os russos em debandada (EUA) ou forçá-los a ficar na Rússia, para fazerem oposição a Putin (Finlândia). Ora, Putin é um psicopata e um assassino. E um psicopata acossado, uma espécie particularmente perigosa. As alternativas, para os mobilizáveis que ficarem na Rússia é ir para a guerra ou para a prisão ou pior ainda. Por motivos humanitários, penso que o mundo livre os deve acolher. Constituirão sempre um grupo anti-Putin e entre eles há intelectuais e quadros que farão falta na Rússia ditatorial e distópica. Nomeadamente a EU devia estabelecer uma política comum a esse nível. Mesmo sabendo que acolher refugiados na EU será cada vez mais difícil, agora que o Chega italiano, de extrema-direita, neo-fascista e amigo de Putin, chegou ao poder.

BAGA “LUXOS DE VERÃO” – Jamais me conformarei com a decisão do Governo Regional de acabar com os ferries entre todas as ilhas dos Açores, com a justificação de que não precisamos deles, porque temos aviões. Depois da palhaçada do ferry Atlântida, da responsabilidade do anterior governo socialista, o atual governo coligado não quis ficar atrás e chamou aos ferries que fretávamos todos os anos, um “luxo de Verão”.
As motivações são claras. Como sempre, trata-se de proteger a SATA e de caminho dar o jeito aos amigos das empresas de rent-A-car, nomeadamente as poderosas, como a Ilha Verde. Mas a argumentação do governo não podia ser mais falaciosa. O custo real da tarifa de residente é muito mais elevado que 60 euros. Quem paga a diferença? Pagamo-la nós todos, com os nossos impostos. Isso é que é um verdadeiro luxo, sustentar uma companhia aérea regional que dá prejuízos de luxo há um ror de anos e continua a dar. E coitado de quem anda atrás de um carro para alugar em S. Miguel, por exemplo ou noutra ilha qualquer, em época alta. Alugar carros do grupo A por 100 e 200 euros ao dia, quando os há, isso é que é um verdadeiro luxo. Este ano, em Santa Maria, em agosto, paguei 300 euros por um aluguer de 3 dias, viatura do grupo A. E, mesmo assim, foi porque tínhamos um conhecido na Ilha Verde, porque, com os Açores na moda e o retorno em massa do fluxo turístico, simplesmente não há viaturas suficientes e o mercado está completamente desregulado. Uma consequência óbvia é um enorme aumento do aluguer privado, ilegal, por debaixo da mesa.

Sustentar a SATA e os donos das rent-A-car, isso é que é um grande luxo.

Há alternativas modernas para transporte misto de carga e passageiros em modernos ferries, durante todo o ano, como já exemplifiquei aqui, mas isso também não interessa, até porque mexe com outro setor absolutamente mafioso, o do transporte de mercadorias nas ilhas por via marítima. POPEYE9700@YAHOO.COM

 

BAGA EPISÓDIO DE HISTÓRIA TRÁGICO-MARÍTIMA (BB138)

Setembro 07, 2022

Tarcísio Pacheco

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BAGAS DE BELADONA (138)

HELIODORO TARCÍSIO          

BAGA EPISÓDIO DE HISTÓRIA TRÁGICO-MARÍTIMA – Na madrugada do dia 31 de agosto do corrente, pouco antes do nascer do sol, a minha embarcação de recreio atual, o Alexandra, um veleiro de cruzeiro de 39 pés, em viagem de S. Miguel para a Terceira, chocou contra os ilhéus dos Fradinhos, navegando a motor, com a vela grande içada, em piloto automático, a cerca de 4 nós de velocidade. Podia, facilmente, ter sido o fim do barco, mas não foi. Podia, facilmente, ter havido vítimas, mas não houve. Fatores negativos e causadores do acidente: por manifesto azar, o rumo real (não o planeado) levava direitinho às malditas rochas, estas são do mais rijo que há na natureza, não passando, no entanto, de um pontinho no imenso mar, a noite estava muito escura (lua em quarto-crescente inicial e já abaixo do horizonte), o barco estava em piloto automático, o skipper não tomou os devidos cuidados,  pensava estar acordado mas adormeceu na hora errada, sem se dar conta, sentado no cockpit e o outro tripulante, a minha companheira, estava a dormir no interior.  Fatores positivos, que evitaram o pior: ia a motor e a baixa velocidade, o mar estava muito calmo e o primeiro embate foi de lado e acima da linha de água. Claro que os primeiros segundos foram de horror e incredulidade, mas, felizmente, depois do pânico inicial, foi possível reagir, meter marcha à ré e tirar o barco das pedras. Uma rápida avaliação aos estragos revelou um rombo no casco, acima da linha de água, na vante de estibordo e diversas escoriações menores dos dois lados. O motor continuou a funcionar bem, o leme e a hélice não foram afetados, aparentemente não havia entrada de água, por isso, foi acalmar os nervos, rumar rapidamente para a marina de Angra e colocar o barco em seco. Segue-se agora um longo período de inatividade e uma despesa considerável. Mas safámo-nos do pior. Muito azar e depois muita sorte, no fim das contas.

Porque é que eu publico isto? Porque não quero fazer segredo, devemos assumir os nossos erros, aprender com eles e aprender também com os erros dos outros. Sou um navegador experiente, habitualmente cauteloso e instrutor de navegação, com várias passagens oceânicas no currículo como skipper, navego frequentemente entre a Terceira e S. Miguel, fiz aquela rota muitas vezes, a maior parte delas em solitário e uma vez apenas com a minha filha Júlia, na época com 5 anos. Tinha ao meu dispor diversos meios, instrumentos e técnicas para evitar aquele tipo de acidente, incluindo radar. Não podia ter acontecido. Mas aconteceu. Como é frequente em acidentes com barcos e aviões, este foi provocado por uma mistura de algum azar com descuido e erros cometidos e envolveu uma pessoa experiente. No mar, a culpa é sempre do capitão ou skipper e eu assumo-a por completo e com toda a humildade.

Posto isto, aquelas malditas rochas, duras como o demónio, estão ali há milhares de anos e constituem um evidente perigo para a navegação marítima. Na verdade, já causaram muitos acidentes e diversos naufrágios. São constituídas por basalto muito escuro, são baixas (4 metros de altitude máxima) e estão longe da costa. É verdade que estão nas cartas náuticas e roteiros e são abrangidas pelo setor vermelho do farol das Contendas, mas isso não é, nem de longe, suficiente. O grande perigo que representam exige um equipamento local. Um farolim, uma boia de sinalização marítima ou, no mínimo, placas refletoras incrustadas na rocha, uma técnica moderna e resistente.

O nosso país orgulha-se da sua geografia atlântica e da sua história marítima. Mas a verdade é que, relativamente ao mar, como a tantas outras coisas, abundam a incompetência, o desleixo, a incúria, a corrupção, a falta de organização e o mau planeamento, muitas vezes desculpados com a eterna falta de fundos e meios. Basta ver como deixámos morrer a nossa marinha mercante, como não fiscalizamos as nossas áreas marítimas exclusivas, como andámos a construir fragatas e submarinos para brincar às guerras em vez de construir patrulheiros, que tão necessários eram, como aceitamos um governo nos Açores que diz não precisarmos de ferries porque temos aviões. E a Marinha Portuguesa, sempre tão pronta para fazer exigências absurdas (naturalmente, com fundamento legal), que nos levam a procurar outras bandeiras e a passar coimas de 250 euros por falta de revisão num extintor, não tem nada a dizer sobre a falta de sinalização adequada num perigo tão evidente para a navegação marítima, tão antigo e tão conhecido? POPEYE9700@YAHOO.COM

 

BAGA IGREJA PEDÓFILA SIM SENHOR (BB137)

Setembro 01, 2022

Tarcísio Pacheco

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BAGAS DE BELADONA (137)

HELIODORO TARCÍSIO          

BAGA IGREJA PEDÓFILA SIM SENHOR – O editorial do DI do passado dia 9 de agosto era bastante infeliz. Pretendendo fazer justiça, analisava a questão da pedofilia na Igreja (entenda-se Igreja Católica, de Roma) de forma conservadora, parcial e acrítica. Na verdade, fazia eco das posições da própria Igreja que, pretendendo fugir às suas culpas e responsabilidades, costuma fazer-se de vítima e clamar, exatamente, que os pedófilos não existem apenas na Igreja, que “há outros” e que os padres pedófilos o são por inclinação pecaminosa e doentia individual, nada tendo isso a ver com as doutrinas e práticas da Igreja.

A igreja católica portuguesa andava descansadinha da Silva e ufanava-se da pedofilia luso-católica ser residual. Mas não era difícil perceber que era uma questão de tempo. As moscas estavam lá todas, apenas não se tinha ainda mexido na caca com um pauzinho. Portugal, neste contexto, não é diferente de outros países. Por cá, como por todo o lado, as vítimas não falavam por medo, por vergonha e por acharem que, sendo a Igreja tão poderosa e, desde sempre, conluiada com o poder, de pouco ou nada serviria exporem-se ao escárnio, maldizer ou simples compaixão da sociedade. Mas basta alguns começarem a falar e gera-se uma avalanche incontrolável, que revela a terrível verdade, oculta por anos e anos de criminoso silêncio, orquestrado por bispos cúmplices e papas medrosos, quando não prevaricadores eles próprios.

É evidente que tenho de concordar com o editorial do DI quando se diz que a pedofilia não é exclusiva da Igreja. Infelizmente, abusar dos mais fracos e indefesos é um dos mais vis e cobardes traços da Humanidade. A pedofilia e a violência doméstica e contra as mulheres são dos abusos mais comuns. Mas fica por aqui a minha concordância. A ligação entre Igreja e pedofilia é fortíssima e óbvia. Nos primórdios da religião cristã, nenhum dogma ou mandamento divino interditava o casamento aos ministros da Igreja. Desde muito cedo houve padres, bispos e até papas, casados e com filhos. S. Pedro tinha uma sogra. A instituição do celibato forçado foi sendo feita progressivamente, de forma conturbada e pouco clara, com avanços e recuos até se chegar ao cúmulo da hipocrisia atual de se dizer que “a Igreja não obriga ao celibato, antes escolhe os seus ministros entre os celibatários convictos”.

O que é certo é que, muito mais por preconceito e dogma do que por qualquer questão doutrinal, a Igreja força o celibato dos padres e demoniza tanto o sexo como o género feminino, reservando para as mulheres papeis menores de freiras, governantas, criadas para todo o serviço, amásias e irmãs solteironas de padres (entenda-se, amas perpétuas dos irmãos). A Igreja cria assim no seu seio ambientes patriarcais fechados, doentios, carentes e antinaturais, que são terrenos férteis para comportamentos homossexuais (que não são doença nem crime, claro, mas não deviam ser apenas um recurso) e para comportamentos pedófilos, esses sim, doentios e criminosos. Simplesmente, não é possível separar a Igreja da pedofilia e qualquer tentativa nesse sentido significa tentativa de desculpabilização e branqueamento. Quem quer arranja sempre desculpa. O Pe. Caetano Tomás desculpabilizava a pedofilia frequente na sua ilha natal das Flores, porque “havia muita falta de mulheres”. Ora essa e não havia cabras e ovelhas adultas? Isso também é crime, mas, pelo menos, essas não se queixariam mais tarde.

Acresce a isto tudo que a pedofilia, existindo por todo o lado, inclusivamente nos ambientes familiares, é especialmente grave no seio de instituições educativas e outras como a Igreja, que lidam ativamente com crianças (ele é colégios e creches católicos, meninos de coro, seminaristas, escuteiros católicos, grupos de jovens, catequeses, etc). Não é só um crime hediondo, é uma traição nojenta e imperdoável.

A Igreja que poderia um dia livrar-se da ignomínia da pedofilia seria um Igreja bastante mudada e renovada, que não forçasse o celibato, que admitisse mulheres como padres e bispos, que não demonizasse o sexo, que não fosse contra a homossexualidade e o divórcio. Pelo que tenho visto, não será para os filhos dos meus filhos…

O editorial do DI foi lamentável, ainda, ao tentar estabelecer comparações com as situações, muito comuns no passado, das amantes “teúdas e manteúdas” de respeitáveis “chefes de família” porque algumas seriam menores e a situação seria tacitamente aceite pelas suas famílias carenciadas. Sinceramente? Que é que isso tem a ver? Que números credíveis, já estudados, revelam quantidades de menores nessa situação? É que os números da pedofilia não mentem e estão cada vez mais bem estudados. E ter uma amante, sendo casado, até pode ser crime de adultério perante a lei civil, mas é comparável à pedofilia, ao crime hediondo da profanação da inocência infantil? E “entre nós, a pedofilia nem era considerada crime”??? O que é isto, um elogio ao atraso cultural do povo açoriano?

Tenham “santa” paciência, este discurso de vitimização e perseguição à Igreja não cola e já enjoa. É, muito simplesmente, uma instituição puramente humana e que só agora começou a pagar pelos seus muitos crimes ao longo da História. O que aprendi na vida até agora, é que fé é lá com cada um, ética sim, cada vez mais, religião, dogmas, doutrinas e rituais, não,  obrigado. POPEYE9700@YAHOO.COM

ZUMBA / ENTREVISTA AO DIÁRIO INSULAR

Agosto 08, 2022

Tarcísio Pacheco

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ENTREVISTA AO DIÁRIO INSULAR EM 18 DE JULHO.
Saúde e bem-estar em
modalidade para todas as idades
TARCÍSIO PACHECO Instrutor explica as raízes da modalidade de Zumba
Em entrevista a DI, Tarcísio Pacheco sublinha os benefícios da prática da Zumba, modalidade da área do Fitness, e dá a conhecer o projeto Zumba Street.
A MODALIDADE DE ZUMBA, DISCIPLINA DA ÁREA DO FITNESS, ESTÁ EM FASE DE AFIRMAÇÃO UM POUCO POR TODA A ILHA. O QUE É, NA VERDADE, A ZUMBA E, JÁ AGORA, QUAL É O SEGREDO DE TAMANHO SUCESSO?
A Zumba é uma modalidade da área do Fitness, que combina música, ginástica e dança cardio, usando ritmos variados mas sobretudo de raiz latina, com base em quatro ritmos, os principais (embora com muitas variantes e combinações), a salsa, o merengue, a cúmbia e o reggaeton. Em 2015, existiam 14 milhões de praticantes de Zumba em 186 países do mundo (incluindo a Ucrânia e a Rússia, por exemplo, constituindo-se assim como um fator de união entre povos) e em 2019 existiam cerca de 100.000 instrutores.
Na verdade, na ilha Terceira, já passou há muito a fase de afirmação, praticando-se em alguns ginásios mas sobretudo em aulas privadas, um pouco por todo o lado, em Angra mas também em Santa Bárbara, na Serreta, nos Altares, no Posto Santo, no Porto Judeu, etc.. Como aluno, comecei a praticar Zumba em 2008 e a atividade já existia antes.
A Zumba nasceu na Colômbia, nos anos 90, com o seu criador, Beto Perez, um colombiano que era instrutor profissional e coreógrafo e que um dia, quase por acaso, teve a inspiração de criar coreografias para músicas latinas, a fim de serem reproduzidas em ambiente de aula.
A ideia teve imediato sucesso, mercê do talento e criatividade do Beto e, posteriormente, quando este emigrou para os Estados Unidos da América, estabelecendo-se em Miami, juntou-se a outros parceiros estratégicos, tendo criado juntos a empresa e marca comercial "Zumba" e tendo-se expandido para todo o mundo.
O segredo do sucesso da Zumba é responder de forma ativa a interesses que são comuns a muitas pessoas hoje em dia, como o interesse pela música, pela dança, pela atividade física em geral e estar aberta a todos os tipos de pessoas e a todas as faixas etárias, sem apresentar grandes exigências, quer em termos de desempenho pessoal, quer em termos de meios, sendo necessário apenas um espaço adequado (mas faz-se frequentemente ao ar livre...) e um meio de reprodução de som.
Representa também uma oportunidade para dançar, uma atividade que é tão agradável e que quase desapareceu, com o fim das discotecas e danceterias tradicionais, excetuando-se as festas com DJ's, quase exclusivamente frequentadas por jovens e o universo das danças de salão, uma área belíssima mas com regras de execução bastante rígidas.
QUAIS SÃO OS BENEFÍCIOS DA PRÁTICA REGULAR DA MODALIDADE?
A Zumba é uma disciplina de Fitness com um impacto cardiovascular notório que melhora os índices biométricos do nosso corpo e contribui para a manutenção de uma boa saúde, para além de queimar muitas calorias. Para além de atender a objetivos básicos como o controle de peso, acima de tudo, é uma atividade muito descontraída e relaxante, que gera prazer e bem-estar.
A aula de Zumba é sempre um momento de evasão, em que a pessoa aproveita o poder da música e da dança para descontrair e se esquecer dos seus problemas. Apela também à capacidade de coordenação motora e, nesse capítulo, vemos com frequência grandes progressos nas nossas alunas. Há ainda o lado social, o convívio, fazer novas amizades, conviver com aquelas colegas todas as semanas. Alegria e boa disposição são notas predominantes na Zumba.
Transparência
é fundamental
MARCARAM PRESENÇA, COM INEGÁVEL SUCESSO, NAS SANJOANINAS E NO ENCERRAMENTO DA BIO FEIRA 2022. VÃO ESTAR NAS FESTAS DA PRAIA DA VITÓRIA E ACABAM DE REALIZAR UMA MASTERCLASS DE ZUMBA, QUE CONTOU COM A COLABORAÇÃO DAS INSTRUTORAS MARISA FERNANDES E CATARINA AZEVEDO. ISTO SIGNIFICA QUE O VOSSO TRABALHO COMEÇA A SER DEVIDAMENTE RECONHECIDO?
Temos estado um pouco por todo o lado. Como temos tido uma presença ativa na ilha, acabamos por ter alguma visibilidade. Por vezes somos nós a pedir para participar, mas também nos acontece sermos convidados, como no caso recente do convite da Bio Azorica, para fazemos a festa no encerramento da Bio Feira 2022, no parque de exposições da Vinha Brava, no passado dia três de julho.
Excetuando a Marisa Ávila, todos somos instrutores em part-time, por exemplo, eu sou funcionário público e conservador no Museu de Angra do Heroísmo. Somos instrutores de Zumba por paixão mas, evidentemente, somos pagos pelas aulas que damos e isso implica trabalho e responsabilidade. Temos de praticar em casa, regularmente, a fim de que, nas aulas e eventos, nos apresentemos com qualidade e, para motivar as nossas alunas, temos de fazer uma renovação constante e regular das nossas play-lists. Mais do que o dinheiro, o nosso grande prazer é partilhar com as pessoas a nossa paixão pela Zumba e ver o entusiasmo delas.
Tentamos também que as coisas decorram dentro da legalidade e da correção. Por isso, nós os três somos instrutores certificados, formados pela empresa Zumba e membros ativos da ZIN (Zumba Instructor Network), o que implica o pagamento de uma mensalidade, que, atualmente, anda à volta de 40 euros.
Só assim podemos, legalmente, intitular-nos instrutores de Zumba e promover aulas da modalidade, usando o nome das suas marcas comerciais. Usualmente, só trabalhamos com instrutores ZIN, pelos motivos apontados e por uma questão de justiça e correção. Fica aqui a nota e o apelo. Qualquer pessoa que queira ser instrutor de Zumba deve fazer a formação formal, de preferência presencial (eu fiz em junho de 2018, em Lisboa) e pertencer à rede ZIN, sem o que estará a incorrer em ilegalidade.
ESTAMOS A FALAR DE UMA ATIVIDADE PARA TODAS AS IDADES?
Sim, sem dúvida. É para toda a gente, desde que não haja nenhuma contraindicação médica. Tanto é assim que a Zumba, para além do que se chama Zumba Basic, tem outras modalidades, que também requerem formação específica dos instrutores, entre as quais, por exemplo, Zumba Kids, para crianças e adolescentes, Zumbini, para bebés e crianças até três anos, e Zumba Gold, para pessoas menos jovens e/ou com limitações físicas diversas. Há até coreografias criadas especificamente para pessoas em cadeira de rodas.
Depois, há o Aqua Zumba (em piscina), o Zumba Step, o Zumba Toning e várias outras ainda. Como instrutor, por exemplo, fiz formação em Zumba Basic e em Zumba Gold. Obviamente que o que fazemos com mais frequência é o Zumba Basic.
JUNTAMENTE COM AS INSTRUTORAS MARISA ÁVILA E MARTA CAROÇO FORMOU O ZUMBA STREET. QUAIS SÃO OS OBJETIVOS DESTE PROJETO?
A Marta Caroço é uma moça do Continente que vive na Terceira e trabalha na base americana. Conhecemo-nos no âmbito do primeiro evento coletivo de Zumba que organizei, precisamente na Bio Feira de 2019, na Praia da Vitória, que teve grande sucesso, com cinco instrutores e mais de cem participantes a dançar.
A partir daí, estabelecemos uma parceria e organizámos vários eventos. Precisamente num desses eventos, uma Zumba Halloween, nas Lajes, conhecemos a Marisa Ávila, uma terceirense de Santa Bárbara que é, atualmente, instrutora profissional de Zumba, uma vez que se dedica apenas à modalidade. É a nossa profissional.
Todos damos aulas privadas de Zumba, a Marta no ginásio Fit Plus, do hotel Terceira Mar, a Marisa em Santa Bárbara, Altares e Serreta e eu no ginásio da ACM, na canada dos Folhadais. Unidos pela paixão da música, da dança e da Zumba, demo-nos bem os três e decidimos criar o projeto Zumba Street.
Dedicamo-nos à promoção da Zumba em geral, à sua divulgação e à organização de eventos coletivos de Zumba, pela ilha fora, para os quais convidamos frequentemente outros instrutores, como a Sandra Coelho, a Catarina Azevedo ou a Marina Fernandes, por exemplo.
Tentamos contribuir também para a evolução social, no sentido de acabar com alguns preconceitos, como o da Zumba (ou dança em geral) ser uma coisa "mais de mulheres" ou "não ser para gente mais velha" ou ainda "ser só para quem tem jeito". Queremos pôr toda a gente a dançar connosco e a deixar-se contagiar pelo formidável poder da música e da dança. Tento ser um bom exemplo, até porque já tenho 61 anos.

BAGA PAN PAN PAN (BB136)

Julho 11, 2022

Tarcísio Pacheco

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imagem em: Touradas à corda representam 2,47% do PIB dos Açores - NATURALES (naturales-tauromaquia.blogspot.com)

BAGAS DE BELADONA (136)

HELIODORO TARCÍSIO          

BAGA PAN PAN PAN – O título da baga de hoje é uma onomatopeia, mas não tem nada a ver com o nome do partido, é o som de um toiro do Humberto Filipe (esse é único partido a que pertenço), daqueles bem grandes, às marradas no deputado do PAN que o quer condenar à não existência. Arreia-lhe pra baixo, meu bicho lindo, não te acanhes.

Creio ter-me cruzado recentemente, nestas páginas com uma notícia sobre uma proposta legislativa do PAN no sentido de acabar com as touradas em todas as ilhas onde elas ocorrem. Dei-lhe a pouca atenção que me merece. No entanto, é uma oportunidade para, mais uma vez, me referir a este assunto.

Para que não haja dúvidas, sou um acérrimo defensor da tourada á corda da Terceira, deixando de lado, por enquanto, a tourada de praça, por sempre ter achado que são bastantes diferentes, nos seus pressupostos e implicações.

Defendo a tourada à corda com paixão, mas não a invoco no meu argumentário porque as paixões de uns são os ódios de outros, o que é perfeitamente compreensível e aceitável. Tento defender a tourada à corda com argumentos racionais e que fazem sentido, pelo menos para mim. Por isso, sinto-me à vontade para dizer que defender de forma isolada o fim das touradas à corda nos Açores, é uma patetice sem nexo. Tivesse o PAN incluído esta questão num rol imenso de problemas que afetam o bem-estar animal e já seriam coerentes. O PAN exige que se acabem todas as touradas nos Açores. Se, por exemplo, ao mesmo tempo, exigisse que se acabasse definitivamente com a criação de animais para abate e consumo humano, se almejassem acabar com o bife à portuguesa, a costeleta de novilho, a alcatra, a morcela, as linguiças e a bifana, essa instituição regional e quisessem pôr toda a gente a comer couves e cenouras com arroz, eu rir-me-ia de tal candura, mas aplaudiria a coerência. Assim, resta a singela patetice.

O meu primeiro argumento, não o é, na verdade, é apenas um facto que, como tal, não é escamoteável. O toiro de lide terceirense, só existe porque, com o tempo e muito trabalho, se apurou a raça e as suas características de bravura, através do cruzamento, da melhoria genética, do maneio no mato e da própria lide regular que mantém o animal num estado de apuro e vigília, que permanece nos seus genes e é transmitido à descendência. É por isso que o fim das touradas seria o fim do touro, mesmo que se conservassem alguns exemplares, para as fotos turísticas. É isso que o PAN na verdade propõe, o fim do touro bravo terceirense. Não me parece que os principais interessados, os animais, podendo, votassem pelo fim da sua própria existência. Adiante, que isto não pode ser apresentado como argumento, numa dinâmica de dialética inteligente.

Por outro lado, não me faltam argumentos. Deixando de lado a não existência, que é simplesmente estúpida e mata a discussão à nascença, ao toiro terceirense, restaria apenas a opção de servir para bifes, o que já acontece, aliás, nalguma medida, uma vez que a carne de toiro tem mercado. E se um toiro só tiver estas duas opções, o matadouro ou a corda, se o animal pudesse escolher, não tenho dúvidas sobre essa escolha. O bovino de carne tem uma vida curta e inglória, apenas um cruel simulacro do que poderia ser a sua vida de ruminante livre num mundo sem predadores. Mais tarde ou mais cedo é arrancado aos pastos verdes ou à prisão do estábulo para ser trucidado por métodos “humanos” nos matadouros. Quanto ao toiro terceirense, tem uma rica vida, a que eu queria para mim, se tivesse nascido com um par de chifres. Passa a maior parte da sua vida feliz e despreocupado no mato, no seu ambiente natural, não lhe falta erva tenra, ração quando é preciso e muita água fresca. Para outras necessidades, abundam as vacas lindas, pestanudas e submissas. Por outro lado, como os neoliberais adoram lembrar, “não há almoços grátis”. Em contrapartida da bela vida, aos toiros é exigido que, de maio a outubro, de dez em dez dias, na pior hipótese, corram pelos arraiais da ilha, sofrendo umas arrelias da populaça, uns puxões da corda e umas quedas no asfalto, contribuindo com a sua parte para a vida em sociedade. É isto um destino cruel? Não me parece…se revelarem qualidade, terão uma longa e protegida vida, uma vez que serão ativos valiosos para o ganadeiro. Se tiverem um comportamento medíocre, poderão realmente acabar no matadouro, mas ainda assim, terão tido uma vida mais longa e infinitamente melhor do que um bovino de carne. Estão, como todos nós, sujeitos à pressão da competitividade, o que até costuma ser encarado como um fator positivo. Há aqui o que Rousseau teria chamado de “contrato social”, com direitos e deveres.

Quanto ao PAN, prefere que os toiros não existam ou que passem a ser projetos de alcatra. Por isso, o que é que os do PAN merecem? Marradas, muitas marradas.

E agora, foguetes pró ar que hoje há tourada rija na Casa da Ribeira, com quatro puros e eu estarei lá com certeza, com a minha Maria, de calções e ténis, a correr na rua e a prestigiar esses belíssimos animais, que muito admiro e prezo. Viva o toiro bravo terceirense! POPEYE9700@YAHOO.COM

 

BAGA MUDANÇA FORÇADA E BRUTAL (BB135)

Julho 04, 2022

Tarcísio Pacheco

weapons (1).jpg 

imagem em: Medieval Cartoon Weapons. Game Icons. | CartoonDealer.com #68416921

 

BAGAS DE BELADONA (135)

HELIODORO TARCÍSIO          

BAGA MUDANÇA FORÇADA E BRUTAL – Recentemente, vi-me forçado a mudar as minhas perspetivas mais consolidadas e mais refletidas. Tenho um passado de ativista em prol de diversas causas, entre as quais destaco o pacifismo, o antimilitarismo e o antinuclear. Nos meus tempos de faculdade, usava regularmente o pin que então estava na moda, o do “Nuclear, não, obrigado”. Era contra o uso da energia nuclear, mesmo para fins pacíficos e então, para fins militares, nem se fala. Pertenço a uma geração que ainda era obrigada a prestar serviço militar obrigatório, sob pena da pessoa ser declarada “contumaz” e perseguida de diversas formas. Ainda antes do final do meu curso, o sistema saltou-me em cima e lá tive de ir à força até à Escola Prática de Cavalaria (EPC, já extinta), em Santarém, onde me declarei objetor de consciência e tive de suportar as macaquices e humilhações a que se sujeitavam, nessa época, os que invocavam esse estatuto. O estatuto de objetor de consciência era recente, mal visto e a legislação que o suportava era medíocre na sua formulação. O que eles queriam era que os objetores se declarassem testemunhas de Jeová ou algo semelhante e que jurassem preferir morrer a matar uma mosca com uma vassoura. Não era o meu caso, matei muita mosca nesta vida e ainda não acabei. O certo é que um ano depois, o Exército voltou a chamar-me, quando acabei o curso. Fiz contas à vida e como não me apetecia fugir para lugar nenhum, lá acabei por aceitar ser incorporado, em agosto de 1986. Fui graduado da Polícia do Exército e cumpri 16 meses, em Santarém, Lisboa e Ponta Delgada. Tenho um espírito prático e otimista, que tenta sempre tirar o melhor partido das circunstâncias, ou não fosse sagitariano. Não dei o tempo por perdido. A farda ficava-me bem, especialmente a boina preta com espadas cruzadas. Desportista desde sempre, gostava da parte da atividade física, tolerava a seca da parte militar e achava que, na incerteza desta vida, não era de todo inútil aprender a matar gente, sempre numa perspetiva de defesa, bem entendido. E aos fins de semana vinha para Lisboa, para o apartamento do meu bom amigo de infância, Prof. João Pedro Mont’Alverne e fazíamos grandes cowboyadas na noite lisboeta com outros amigos dos Açores nas mesmas circunstâncias. Entenda-se, eu tinha 25 aninhos…. Adiante, esta parte não interessa muito para a questão.

Pela vida fora, mantive a minha essência, facto de que me orgulho. Isto não é o Mole Pastoso, que começou no maoísmo e depois se converteu às delícias do capitalismo. Mantive-me sempre antitudo o que me cheirasse a militarismo e belicismo, contra o serviço militar obrigatório, contra os grandes exércitos, contra a NATO, contra a venda livre de armas nos EUA, contra a presença americana na base das Lajes, contra o armamento, excetuando o das forças de segurança, contra as armas nucleares, contra todos os tiranetes do mundo e contra qualquer guerra em qualquer lado. Um pouco ingenuamente, reconheço, imaginei que a caminhada da Humanidade, mesmo com todos os obstáculos e percalços, fosse, devagarinho, muito devagarinho, quase parada, no sentido da construção de um mundo mais pacífico e mais justo.

E agora? Bom, agora, mudei. Não no essencial, aí serei sempre o mesmo até ao fim. Mas rendi-me às realidades. Não somos uma espécie pacífica e ponto final. Somos uma espécie bélica e agressiva. Entre nós há gente boa, mas há também muitas bestas cruéis. Somo assim, brutos e maus e nada há a fazer contra isso. Para quem é religioso, se há um Deus e se foi Ele quem nos criou, está na hora de Lhe pedirem para assumir as responsabilidades. Não é para me gabar, mas se eu tivesse criado o mundo, teria cá colocado criaturas bem melhores, mais do género do povo do filme Avatar, até porque o azul é a minha cor favorita. Seria um povo azul, com asas para voar (não gostei muito da parte de andar a domesticar bestas aladas) e doce como o mel, seria só natureza, música e muito amor. Peço antecipadamente desculpa pela blasfémia, mas Deus parece-me um Criador genial, mas muito incompetente, distraído e um poucochinho desequilibrado, até depressivo. Talvez não haja Prozac no Céu.

Resumindo, depois de Putin e desta Rússia, atualmente, sou a favor de um monte de coisas. Principiando pelas armas nucleares. Precisamos delas, de muitas, cada vez maiores e mais letais. Os belicistas venceram. Numa porcaria de mundo como este, a única maneira de não ser aniquilado é estar em condições de aniquilar o inimigo exatamente da mesma maneira e eles saberem perfeitamente disso. O poder nuclear é, na verdade, o grande argumento de Putin. Não fosse isso e já lhe teríamos feito a folha e salvado da morte tantos Ucranianos e Russos. Sou a favor de uma NATO poderosa, para manter na ordem, pela força e pelo medo, regimes como o russo e o chinês. Sou a favor de exércitos grandes, enormes e armados até aos dentes, especialmente com armas inteligentes e drones com fartura. E agora acho que toda a gente devia aprender a defender-se para não ter de aprender à pressa como tem acontecido com tantos civis ucranianos.

Capitulei, aceito a derrota. Esqueçam as pombinhas brancas e os cravos. Na Terra, o que conta são os fuzis, bem oleados. E, no cúmulo da minha mudança forçada e brutal, declaro que nem é a minha morte que mais temo, uma vez que ela é certa, mais tarde ou mais cedo. O que não suporto é pensar que morro e ficam russos a rir-se, a banquetear-se com caviar regado a vodka e a violar as minhas filhas. Se é para morrer, então vamos todos juntos nessa viagem. POPEYE9700@YAHOO.COM

 

 

BAGA TRÁGICÓMICA (BB134)

Abril 26, 2022

Tarcísio Pacheco

Putin (1).jpgimagem em: Vladimir Putin | Cartoon Movement

 

 

BAGAS DE BELADONA (134)

HELIODORO TARCÍSIO          

BAGA TRAGICÓMICA - Recentemente, o Grande Tumor testou um míssil novo, o top dos mísseis, com que começou logo a chantagear-nos. Com estes mísseis intercontinentais, equaciona matar-nos a todos, se não o deixarmos arrasar a Ucrânia e continuarmos a prejudicar o pobre povo russo que, coitadinho, sofre muito com a malvadez ocidental, com a perda de empregos originada pelas sanções e já nem consegue comer uma Big Mac. Bem, não acredito na Humanidade, já não é de agora e já estou por tudo. Lamento profundamente, sobretudo pelos meus filhos, mas também pelos filhos dos outros. E por todos e tudo o que amo na vida. Mas, não devemos recear a morte, já que ela é inevitável para todos os seres vivos, Grande Tumor incluído. Devemos, sim, ter medo, muito medo, de viver como ratos, escondidos nos esgotos da nossa ansiedade. A minha consolação principal é que, se acontecer o pior, morremos quase todos, mas da Rússia e dos russos pouco sobrará. De resto, temos provado ao longo dos tempos sermos uma espécie tão tóxica que, se calhar, é melhor mesmo ficarmos por aqui na nossa “evolução”, para evitar que, no futuro, venhamos a infetar outros planetas do universo com a nossa maldade essencial. Para onde fossemos levaríamos na bagagem a música de Andrea Bocelli e pombinhas brancas, é certo, mas também mísseis nucleares, para referir apenas um tipo de arma, das mais letais. E acima de tudo, exportaríamos para todo o lado, o nosso amor pelo poder, pela conquista, pela guerra, pelo confronto, pela ambição, pela competição, pela ganância, pela riqueza e pelos bens materiais.
Isto já atingiu o nível da tragicomédia e seria motivo para rirmos muito, se não houvesse tanta gente a sofrer. Os episódios absurdos acontecem praticamente todos os dias. Quando ocorreu o afundamento do cruzador Moskva, pudemos ver no “parlamento” russo, um deputado histérico, aos gritos, à beira da apoplexia, gritando que era um “ultraje”. É aqui que dá vontade de rir. Depois de toda a destruição, barbárie, violência, massacre e homicídio a que temos assistido na Ucrânia desde fevereiro, os russos sentem-se “ultrajados” pela perda de um navio e clamam por vingança. A frota russa inteira não vale a vida de uma única criança ucraniana.

Depois, temos também a cómica questão do armamento cedido pelo Ocidente à Ucrânia. O Grande Tumor até nem se importa que venham umas espingardas de caça, umas baionetas da I Grande Guerra e uns camiões de garrafas de vinho do Porto para o pessoal, depois de as beber, preparar uns cocktails molotov. Mas armamento a sério, que equilibre um pouco as capacidades de invasor e invadido, isso já é motivo para declarações de guerra. Portugal pode também mandar uns excedentes de G3, não há problema, o Grande Tumor até tolera, afinal tem os seus amigos do PCP por cá. Mas os EUA não podem mandar nada. Porquê? Porque não, evidentemente. A Ucrânia também não pode aceitar combatentes voluntários não ucranianos. Mas a Rússia pode pagar a levas de carne de canhão síria e líbia. O Grande Tumor pode ter mísseis intercontinentais que chegam a qualquer ponto da Terra em minutos e têm capacidade para destruir o planeta. Mas a Suécia e a Finlândia, países livres e soberanos, com dirigentes eleitos pelos seus povos, em regimes absolutamente democráticos, não podem aderir a uma aliança defensiva, se assim o entenderem. Como se quaisquer vizinhos não russófonos desta Rússia não tivessem que encher as fronteiras de alarmes e armadilhas para bichos perigosos, para poderem dormir minimamente descansados…

Por cá, sendo alguém que sempre se assumiu, ideologicamente, de esquerda, sinto uma imensa vergonha de partilhar o país com o PCP. Podiam até ter ficado pela simples recusa de participar na sessão com Zelesnky e já seria uma nódoa resistente a qualquer lixívia. Mas não se contentaram com isso. A declaração formal da líder parlamentar comunista foi um escarro nojento e um eco descarado da propaganda russa. O PCP é um partido anacrónico, em queda há bastante tempo, vivem em clima de negação, agarrados a um mundo que já nem existe. É bastante provável que esta atitude seja o princípio do fim para eles porque causaram asco e repulsa um pouco por todo o país. Mas não devem desanimar. Podem sempre emigrar para a Rússia, embora seja garantido que não vão encontrar por lá nenhum tipo de comunismo. De resto, entre tiranias e totalitarismos de direita ou de esquerda, não vejo qualquer diferença. Putin, Le Pen, Ventura, Trump, Bolsonaro, Maduro, Kim Jong-un, Orbán, para citar apenas alguns de entre os vivos, são todos filhos da mesma Besta. É tudo a mesma farinha, só que em sacos diferentes. Lixo e escória da Humanidade.

POPEYE9700@YAHOO.COM

 

 

BAGA MUNDO FEIO (BB 133)

Abril 05, 2022

Tarcísio Pacheco

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imagem em: U.S. weighs tougher Russia sanctions after evidence of Bucha killings – KleaBe

 

BAGAS DE BELADONA (133)

HELIODORO TARCÍSIO          

BAGA MUNDO FEIO – A raça humana é terrível e a nossa civilização já era uma coisa feia de se ver “lá de cima”, se é que há alguém ou alguma coisa a observar-nos, de algum lado. Mas o mundo conseguiu a considerável façanha de piorar bastante, a partir de fevereiro.

Desde os primórdios da Humanidade, desde o tempo das cavernas, que somos uma raça agressiva e violenta. Encontrámos sempre bons motivos para matar, torturar, agredir, violar, assaltar, escravizar e roubar o nosso semelhante. E a parte da nossa civilização que era suposto contrariar essas tendências inatas para a desgraça, as religiões e a filosofia, a nossa parte ética e transcendental, foi ela própria, a origem de muita intolerância e violência. Porque quem quer praticar o mal encontra sempre justificação. Torta, mas encontra-a. Vejam lá se não está tudo no Alcorão…

Apesar de todos os nossos problemas, analisando a vida com o devido distanciamento crítico, era possível ver um padrão de desenvolvimento filosófico e moral, aquele que, pessoalmente, mais me interessa, acima da economia e tecnologia, os grandes eixos civilizacionais. No período entre a II Guerra Mundial e a atualidade, apesar dos muitos disparates, atentados, corrupção e malfeitorias de toda a espécie, havia um padrão evolutivo em marcha, visível, por exemplo, no respeito pela democracia, autodeterminação dos povos, tolerância religiosa, respeito pelos direitos humanos, respeito pela diferença, respeito pelos direitos dos animais e na tendência à desmilitarização e desarmamento progressivo.  

Esse padrão teve agora uma quebra evolutiva brutal, com a entrada em cena de Putin, o Grande (Tumor). Na verdade, tudo isto estava a ser preparado há muito tempo, ensaiado na Síria e iniciado na Crimeia mas o mundo andava distraído, entretido com um projeto, que agora sabemos fantasioso, de paz, tecnologia, prazer, turismo, ecologia, cultura e grandes negócios.

Criaturas infernais como o Grande Tumor foram abundantes na História, Gengis Khan, Átila, o Huno, Alexandre, o Grande, Napoleão Bonaparte, Hitler… Psicóticos megalómanos, que sonharam construir impérios sobre o sangue e as tripas de quem se lhes opusesse. Mas não estávamos à espera que nos surgisse um em pleno séc. XXI.

A situação na Ucrânia está a atingir os limites do minimamente tolerável. O ponto em que alguma coisa tem mesmo de ser feita. O nível de insanidade, loucura, alienação e agressividade está a tornar-se rapidamente insustentável. Estamos perante uma trágica palhaçada. No presente, o Grande Tumor é um líder totalmente desacreditado, a Rússia tornou-se um estado pária entre as nações civilizadas e pacíficas e absolutamente nada do que diz o Grande Tumor ou qualquer membro da sua corte, merece a mínima credibilidade. Temos de partir do princípio que mentem sempre. Cada vez mais parecido com o Grande Suíno Coreano, o Grande Tumor Moscovita só é escutado quando fala sentado numa das suas seis mil e tal ogivas nucleares. E como ele, agora, está lá sentado a maior parte do tempo, isso provavelmente anda a causar-lhe bicos de papagaio e aumentar-lhe a acidez da bílis que, de resto, sempre foi tóxica e fedorenta, desde os tempos do KGB.

Atenção, que não perdi o senso da realidade. O Grande Tumor é uma besta apocalíptica, provavelmente a pessoa mais odiada do mundo na atualidade e eu próprio tenho sonhos deliciosos em que lhe rebento a cabeça.  Mas não há inocentes nesta tragédia planetária. Basta lembramos a forma ignóbil como os EUA trataram (e ainda tratam) Cuba durante tanto tempo e as inúmeras trapalhadas que congeminaram por esse mundo fora, por onde lhes cheirasse a comunismo ou a mero esquerdismo. E não sei se há assim tanta diferença entre KGB e CIA. Contudo, os EUA nunca invadiram Cuba (embora o tenham equacionado), não arrasaram a ilha, não lhe atiraram com mísseis, não mataram crianças cubanas e não massacraram civis. Tem-lhes feito muito mal mas deixaram-nos sempre viver e acolhem os muitos que fogem para Miami. E os EUA não têm sonhos megalómanos de alargar “o seu império” e dominar o mundo, pelo menos não militarmente. O amor natural da Humanidade pelo dinheiro faz isso por eles. Sempre fui crítico dos EUA mas, apesar de tudo, há grandes diferenças. E não há comparação possível entre soldado russos e norte-americanos.

Uma palavra sobre Donald Trump. Se alguém ainda tinha alguma ilusão de que esta criatura apresentava algum vestígio do que é preciso para ser estadista mundial, para além de prosápia e dinheiro, deve ter ficado esclarecido agora. Só faltou mesmo um email para o amigo Vladimir, a usar em caso de guerra, com as localizações GPS das propriedades da  família Biden. E nem uma palavra em defesa da Ucrânia. Que criatura nojenta. Que asco me causa.

Ando a ver atentamente o que se passa. Desejo ardentemente estar enganado mas prevejo tempos tenebrosos para o mundo no futuro próximo. Que raio de mundo feio! POPEYE9700@YAHOO.COM

 

BAGA O QUE É QUE NOS IRÁ ACONTECER? BB132

Março 29, 2022

Tarcísio Pacheco

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imagem em: Putin's war. | Cartoon Movement

 

BAGAS DE BELADONA (132)

HELIODORO TARCÍSIO          

BAGA O QUE É QUE NOS IRÁ ACONTECER? – Sou um típico sagitariano, logo, sou também um incorrigível otimista. Continuo a ir trabalhar todos os dias, a cuidar da minha filha de 11 anos, dou as minhas aulas de Zumba, vou ao ginásio, estou em várias frentes das Sanjoaninas deste ano, preparo o meu veleiro para o Verão e tenho planos para viagens de férias. A minha vidinha boa do costume. Porém, acordo todos os dias e visto-me de ansiedade. Em casa, não largo a CNN. Confesso a minha atual dificuldade em viver a simplicidade do dia a dia na paz das nossas ilhas. Impressiona-me que se continue a falar de questões comuns ou mesmo triviais, como se nada de diferente se passasse no mundo. Impressiona-me que se continue a encarar isto sobretudo como uma crise económica e um movimento solidário de apoio a refugiados ucranianos e à Ucrânia em geral (que está muito bem, obviamente e de que participo, como posso). Será que eu é que sou esquisito ou patologicamente ansioso e mais ninguém acha que podemos estar perante a última crise, a crise que vai acabar com todas as outras? É que olho para a situação e para mim é cristalino como água açoriana que tudo pode acontecer. Então, a questão fundamental é o que é que nos vai acontecer? E acordo todas as manhãs a pensar nisto…

Por mais que olhe para a situação e absorva informação diversificada, não vejo quaisquer perspetivas de soluções pacíficas, pelo contrário. Não é preciso ser político profissional, comentador diplomado ou especialista militar. Está tudo lá, os ingredientes para a receita do desastre total. Um ditador paranoico e cada vez mais descontrolado e agressivo, cheio de tiques nacionalistas e manias de imperialismo, à frente de um país económica e militarmente poderoso, rodeado por um aparelho dependente, subserviente, acrítico e corrupto, no seio de uma sociedade reprimida e muito pouco (e mal) informada), com um arsenal de armas nucleares capazes de destruir todo o planeta e a civilização humana em pouquíssimo tempo. Nem o porquinho da Coreia do Norte chegou a este nível de loucura e eu tinha medo dele.

Temos visto, recentemente, o papagaio do Kremlin a chantagear-nos com o conflito nuclear. Claro que até certo ponto é pura chantagem, a poderosa arma do medo. Mas é o que mais temo porque a loucura de Putin pode efetivamente chegar a esse ponto suicida. À vista disso, uma guerra convencional generalizada é menos má. Acredito que a Rússia perderia, isolada como está, por muito horror e destruição que ocorressem. Sabendo que os Açores não ficariam à margem, a base das Lajes e todas as estruturas importantes, militares ou não, como aeroportos e portos, seriam potenciais alvos. O conflito nuclear, porém, é o nível último do caos universal, ninguém lhe escapará e será provavelmente, o fim da civilização humana, embora bestas protegidas como o próprio Putin possam sobreviver-lhe (mas não durante muito tempo).  

Como expressei recentemente nestas páginas, continuo a pensar que as únicas saídas positivas poderão passar pela posição da China (sempre dúbia, calculista e hipócrita, mas não paranoica e suicida) e a possibilidade remota de uma revolta interna russa, de haver um grupo de russos com inteligência, bom senso e um mínimo de sanidade metal.

Quanto às perspetivas mais próximas, do meu ponto de vista são terríveis. A NATO vai armar-se em força e estacionar nas suas atuais fronteiras a Leste. É óbvio que os EUA também têm o seu arsenal nuclear no mesmo nível de alerta da Rússia, mesmo que não façam alarde disso. Não acredito que Putin recue. Percebemos muito bem agora (mesmo que discordemos totalmente e as odiemos) as motivações de Putin. A questão é que ele apresenta sinais claros de deterioração mental. Sem qualquer pretensão caricatural, a identificação dele com a personalidade de Adolf Hitler (que a História provou ser um louco muito perigoso) é cada vez mais evidente. A ajuda militar à Ucrânia vai crescer cada vez mais. Pessoalmente, por muito pacifista que seja, não posso deixar de apoiar isso, a agressão de Putin é intolerável. Não vamos lá com falinhas mansas e milagres de Fátima. À medida que a Rússia for perdendo terreno, efetivos e material, Putin sentir-se-á cada vez mais enraivecido e acossado. E é aí que tudo, rigorosamente tudo, pode acontecer. Desconfio que a Rússia, num futuro próximo, “se sentirá ameaçada” por bem pouco.

A respeito da minha última Baga (cenários possíveis para a atual crise) um amigo disse-me que eu tinha sido apocalítico. Fui sim, confirmo, embora tenha tentado encarar o assunto com um mínimo de humor. A possibilidade existe, infelizmente e não é ténue. Estamos à beira do desastre. Sou o único ansioso por estes lados? Mais ninguém pensa no que nos irá acontecer?

POPEYE9700@YAHOO.COM

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