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popeye9700

Crónicas e artigos de opinião, a maior parte publicada no Diário Insular, de Angra do Heroísmo.

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Crónicas e artigos de opinião, a maior parte publicada no Diário Insular, de Angra do Heroísmo.

BAGA DEIXAI VIR A MIM AS CRIANCINHAS (BB98)

Fevereiro 18, 2020

Tarcísio Pacheco

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imagem em: https://leozagami.com/2018/01/30/the-plague-of-pedophilia-and-the-bankruptcy-of-the-catholic-church/

 

BAGAS DE BELADONA (98)

HELIODORO TARCÍSIO

 BAGA DEIXEM VIR A MIM AS CRIANCINHAS – E eles deixam. Deixaram sempre. Continuam a deixar. E a calar-se, os nojentos.

Emiliano Fittipaldi é um jornalista italiano, nascido em Nápoles, em 1974. Entre outros livros, publicou Avareza – os documentos que expõem a riqueza, os escândalos e os segredos da igreja do Papa Francisco. A publicação desta corajosa obra levou-o a ser acusado em processo judicial, em que acabou ilibado das acusações. Fittipaldi mantém-se ativo e a sua obra mais recente intitula-se Luxúria, exibindo o seguinte texto na capa: “Esta é uma história de luxúria, um pecado mortal cometido por padres, bispos e cardeais rendidos ao poder”.

Na verdade, a maior parte do que Fittipaldi nos revela não é segredo. A verdade está disponível para quem está atento às realidades da vida, consulta fontes diversificadas e cruza informação. A questão é que o autor nos apresenta alguns documentos (os próprios fac-símiles), assinados por figuras gradas da Igreja Católica Romana (ICR) que comprovam as suas acusações. Hoje em dia é cada vez mais difícil esconder segredos.

Fiffipaldi não nos vem revelar o que todos já sabemos, que a ICR está repleta de homossexuais e pedófilos, sendo que refiro a homossexualidade sem qualquer sentido pejorativo. O que ele sublinha e isso, não sendo exatamente novidade, é uma perceção em crescendo, é que abundam também os encobridores que, obviamente, se tornam assim cúmplices dos crimes. E estes situam-se, frequentemente, muito alto nas cúpulas do poder eclesiástico, acabando, de alguma forma, mas sem exagero, por envolver o próprio Papa.

Francisco I teve um início de papado auspicioso e muito festejado, em 2013, como um novo papa oriundo da América Latina que parecia trazer novidade e renovação a uma igreja em crise, depois de 3 papados pouco positivos, o curto papado de João Paulo II, terminado abruptamente em condições muito duvidosas, o longo papado de João Paulo II, um papa popular, mas ortodoxo e extremamente conservador e o papado do frio e cerebral teólogo profissional Bento XVI. Porém, volvidos 7 anos é forçoso aplicar a Francisco I aforismos populares como “a montanha pariu um rato” ou “muita parra e pouca uva”. Com efeito, quer quisesse quer não, o Papa não podia ficar indiferente ao escândalo do cardeal norte-americano Bernard Law, revelado como grande encobridor de inúmeros crimes de pedofilia na igreja americana pela investigação do jornal “Boston Globe”, história que nos foi contada pelo belíssimo filme “Spotlight”, de 2015 (ver a minha BB (12) de março de 2016). Daí que, aparentemente, Francisco I tenha eleito “a tolerância zero à pedofilia” como uma das diretrizes do seu papado, talvez a mais importante. Não cabe aqui entrar em detalhes (leiam o livro) mas é perfeitamente aceitável falar em desilusão. Em caso de dúvida, basta consultar as conclusões da Comissão da ONU que em 2014 examinou as políticas do Vaticano (sempre tão pródigo em belas palavras ocas) sobre os direitos da infância. Concluiu-se por “alguma abertura” e “alguma inovação institucional”, mas tudo muito lento, muito pobre e claramente insuficiente. O trabalho desta Comissão provou que a prática da ICR continua a ser proteger os padres pedófilos, sobretudo mudando-os sucessivamente de paróquia (sempre em contato com crianças), mantendo os seus benefícios e proventos materiais, não denunciar e sonegar informação às autoridades civis, comprar o silêncio das vítimas (mas sem abrir muito os cordões à bolsa) e pior que tudo, procurar, a todo o custo, manter o segredo sobre os crimes, para proteger “a Igreja”. E então na Itália, onde se alberga o estado do Vaticano, a impunidade é quase total, uma vez que a legislação italiana é extremamente permissiva neste domínio, protegendo a instituição e favorecendo os criminosos.

A verdade se diga, se Francisco I expulsasse da ICR todos os pedófilos, mentirosos, hipócritas, corruptos, gulosos, ladrões, luxuriosos e gananciosos, quem lhe restaria?

A ICR é patética. É como uma grande besta ferida, que escoiceia para todos os lados nos estertores da morte, cega a tudo. Apesar de, na minha perspetiva, à falta de explicações racionais, todas as religiões, na sua essência, serem sistemas místicos e efabulatórios, vejo a mensagem cristã primitiva como positiva, baseada no amor incondicional, tolerância, perdão, partilha e dádiva. É incrível que a ICR a tenha conseguido transformar na grandessíssima porcaria que é hoje, um lodaçal tóxico e perigoso que mistura pura e estéril ortodoxia, preconceito, fanatismo, castração psicológica, misoginia estúpida, raivosa, teimosa, estagnação intelectual e espiritual, doutrinação absurda, violência, convencionalismo retrógrado, criminalidade bestial e cumplicidade nojenta.popeye9700@yahoo.com

 

BAGA DEIXEM O ENTRUDO EM PAZ (BB97)

Fevereiro 11, 2020

Tarcísio Pacheco

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BAGAS DE BELADONA (97)

HELIODORO TARCÍSIO

 BAGA DEIXEM O ENTRUDO EM PAZ - Por estes dias, ficámos a saber que a tia Rosa já passou os 80 mas está fresca que nem uma alface; que quis ir comemorar o aniversário num cruzeiro e que se dispunha a deixar o marido em casa porque assim como assim “nunca quer ir para lado nenhum”; que levou a filha para lhe fazer alguma companhia, mas que a lambisgoia não fez outra coisa que não fosse atirar-se ao comandante, naquela velha paixão por fardas. Que a tia Valquíria fica agarrada ao feissebuque todo o santo dia, atenta a tudo o que é publicação e comentário na freguesia; que montou espera ao carteiro porque, entusiasmada,  mandou vir cerâmica erótica de Caldas da Rainha (e o carteiro que não havia maneira de chegar…); que, farta de trabalhar, deixa a lide de casa toda por conta da filha e que esta, talvez por desfastio, embora nunca faça transpirar o marido, é vista a sair diariamente com abundante transpiração da casa de um tal João, não constando que pratiquem Zumba por lá. Que as fardas da marinha são bem garbosas (neste bailinho é que a filha da tia Rosa se ia consolar); que um rapaz do meu tempo de Liceu que sempre conheci por Borges, tem um vozeirão bem afinado, destinado a gritar ordens num convés, mas que fica igualmente espetacular a cantar em cima de um palco. Que muitos velhinhos são abandonados pelas famílias nos lares de terceira idade e que nem todos são bem tratados por lá. Que uma senhora que tem, naturalmente, uma cara cómica, é capaz de fazer uma belíssima rábula da Beatriz Costa. Que a incrível escola de pandeiros de Santa Bárbara está bem viva e nos mostra um maravilhoso, saudável e cada vez mais raro convívio intergeracional. Que muitos idosos têm uma memória que causa inveja aos mais novos. Que velhos são os trapos; que enquanto por aqui se anda, com um mínimo de saúde, é fundamental celebrarmos a aventura da vida; que não há nada melhor para isso do que a música, a dança e o riso.

Tudo isto são apontamentos do Carnaval Sénior da ilha Terceira de 2020, a crescer a cada ano em qualidade e popularidade, cada vez mais uma introdução obrigatória ao nosso carnaval. Uma espécie de saborosa entrada antes do prato principal.

Classificar o nosso carnaval como Património Cultural Imaterial está muito bem. Não é mais do que reconhecer, com toda a justiça, a importância e relevo desta festa entre nós, vivida de um modo único.

Quanto ao resto, confesso que tenho medo. Há duas manobras que estragam facilmente as coisas boas da vida: excessiva regulamentação, quase sempre com o pretexto da “segurança” e economicismo, fazer passar tudo pela ótica do lucro. Devemos deixar o Carnaval terceirense fluir naturalmente, permitindo que as pessoas organizem as coisas como sempre fizeram. Há inovações naturais porque a vida é assim mesmo, um processo imparável de evolução. E nenhuma discussão pode ser proibida, é sempre salutar trocar ideias e auscultar diferentes opiniões e sensibilidades. Por outro lado, devemos estar atentos a situações que podem começar a matar o Carnaval terceirense, nomeadamente as transmissões pela Internet. Quanto a isso, não tenho muitas dúvidas. Os cenários naturais das nossas danças e bailinhos de Carnaval são os salões das sociedades recreativas espalhados pela ilha. Essas salas têm de estar cheias e animadas. Por isso, as transmissões em direto, salvo raras exceções, são perniciosas e devem evitar-se.

Além disso, gela-se-me o sangue quando vejo associar turismo e Carnaval ou começam a circular conceitos como “exploração turística” ou “rentabilização económica”. Se algum dia começarem a aparecer “pacotes” do Carnaval terceirense para turistas ou se montarem bailinhos em espaços grandes especificamente para turistas, será o princípio do fim.

Nunca vi o Carnaval terceirense como vendável turisticamente. As danças de Carnaval envolvem música e dança, expressões artísticas universais, mas passam sobretudo pela comédia satírica em português. Por isso, logo aqui, a limitação da língua é fundamental. Começamos a ter turistas todo o ano e isso é, provavelmente, um fenómeno imparável, à escala mundial, limitado apenas por questões de segurança e de clima. Mas o turismo desenfreado e sem limites já começa a trazer problemas graves, um pouco por todo o mundo. A solução não é proibir nem censurar, mas sim usar diferentes mecanismos para criar equilíbrios, sem inventar muito.

Sempre fomos hospitaleiros e devemos continuar a sê-lo, até porque, cada vez mais, todos somos turistas de vez em quando. Mas, no que respeita ao Carnaval, os turistas é que têm de se adaptar às nossas práticas, não é o nosso Carnaval que se deve tornar “turístico”. Por isso é que digo, deixem o Entrudo em paz, não inventem.popeye9700@yahoo.com

 

BAGA TEFLON (O PROGRESSO NA COZINHA)

Fevereiro 04, 2020

Tarcísio Pacheco

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imagem em: https://articles.mercola.com/sites/articles/archive/2016/01/27/pfoa-teflon-cookware-dangers.aspx

 

BAGAS DE BELADONA (96)

HELIODORO TARCÍSIO

BAGA TEFLON (O PROGRESSO NA COZINHA) - Nós, os que deambulamos pela Terra agora, vivemos uma época em que temos acesso a uma informação profusa e abundante, de proveniências muito diversas. Por um lado, já não há desculpas para a ignorância. Por outro lado, mais do que nunca é preciso abordar a informação disponível com inteligência e critério. Uma das estratégias mais eficazes, além de manter o espírito aberto e atento, é usar diversas fontes e fazer, constantemente, o cruzamento da informação.

A minha leitura mais recente, ainda em curso no momento, é uma obra intitulada Os Grandes Desastres, da cientista (sismóloga) americana, Dr.ª Lucy Jones. Neste livro, ela analisa uma série de grandes desastres naturais, entre os quais se conta o terramoto de Lisboa de 1755, por um prisma objetivo e científico, com foco no que vamos aprendendo, em termos de riscos, prevenção e consequências. Uma das catástrofes naturais analisadas é a grande erupção do vulcão Laki, na Islândia, em 1783.  A formidável erupção do Laki já desapareceu da memória coletiva, por isso já nos esquecemos da sua tremenda potência e das suas terríveis consequências. Além de ter arrasado a Islândia de diversas maneiras, esta erupção moldou o clima mundial no futuro imediato, provocando secas, inundações e fomes que mataram milhares de pessoas um pouco por todo o mundo. Interessa-me aqui salientar que um dos gases que o Laki lançou para a atmosfera, em quantidade assombrosa (oito milhões de toneladas) foi o fluoreto de hidrogénio, que pode decompor-se em flúor e é altamente solúvel na água. O flúor, em pequenas quantidades é benéfico para os nossos ossos e dentes, é por isso que, por exemplo, as pastas dentífricas contêm algum flúor. Em quantidades maciças, o flúor envenena o corpo, deforma os ossos e destrói os dentes. Foi precisamente isso o que aconteceu com pessoas e animais em 1783. O resto do drama foi ainda potenciado pelos efeitos de outro gás, maciçamente ejetado para a atmosfera, o dióxido de enxofre.

Deixemos a Islândia agora, que está gelada e fria, por estes dias. Calhou que, enquanto lia este livro, fui ao cinema ao CCAH como em quase todos os fins de semana. Acabou de passar o Dark Waters, um filme de 2019. E aqui, voltei a cruzar-me com o vilão flúor. O filme relata, de forma bem pouco ficcionada, uma história real que, aliás, ainda decorre. De forma muito resumida, a gigante química americana Du Pont descobriu acidentalmente, por volta de 1938, as propriedades de um composto químico e as suas possíveis aplicações industriais. É assim que nasce o Teflon e a indústria de recipientes não aderentes para cozinhar. Apesar de haver outros produtos dessa área que não têm Teflon, a marca tornou-se tão popular que batizou o produto, tal como aconteceu com a Xerox e as fotocópias no Brasil e o Kleenex e os lenços de papel por todo o mundo. A vilania desta história é complexa e múltipla. O nome químico da marca industrial Teflon é o PTFE (sigla), um polímero sintético. Sabe-se que pode ser muito prejudicial para a saúde humana, mas apenas se aquecido a temperaturas elevadas, acima dos 260º C. Sendo este um produto usado em recipientes para cozinhar, um certo valor de risco parece evidente. Por outro lado, sabemos que virtualmente todas as panelas não aderentes, mesmo sem Teflon, contêm flúor. Por outro lado, no processo de fabrico do Teflon é utilizado o PFOA (sigla), outro composto químico sintético. Este sim, é um vilão mais sério por ser bastante tóxico e um carcinogéneo conhecido. Mas a verdadeira vilã da história é a empresa Du Pont. Acabamos por saber que a empresa conhecia bem e desde muito cedo os perigos do Teflon e sobretudo do PFOA, tendo, inclusivamente, usado os seus próprios empregados como cobaias. Ocultou os factos por motivos óbvios, o Teflon era um campeão de vendas e gerou fortunas para a empresa. O escândalo surgiu quando foi estabelecida cientificamente a associação entre o PFOA e a contaminação, através da água da rede pública e do circuito fluvial, de toda uma comunidade da Virgínia Ocidental, onde a Du Pont tem uma grande fábrica; o caso que dá origem a tudo é o de um lavrador, que vê morrer inexplicavelmente a maior parte do seu gado e acaba por adoecer com cancro, juntamente com a esposa. O interesse pessoal de um advogado (paradoxalmente, um advogado corporativo, ou seja, um “deles”) acaba por levar à instauração de uma série de processos judiciais.

Esta é uma história dos nossos dias. A Du Pont já pagou mais de 600 milhões de dólares em multas, indemnizações e acordos para monitorizar a saúde da comunidade, muito afetada. A empresa está em crise, com os investidores desconfiados e em atitude defensiva. Mas fatura mais de mil milhões de dólares anualmente.

Entretanto, devido a esta história, o mundo ficou a saber que o PFOA é usado em muitas outras aplicações industriais, incluindo o fabrico de plásticos e que é um químico que o corpo humano não sintetiza e que se vai acumulando no organismo. Conhecido também como C8, atualmente, está já no sangue da maioria dos seres humanos. Está associado ao cancro do rim e do testículo, colite, problemas de tiroide, excesso de colesterol, pressão sanguínea alta na gravidez e malformações em fetos humanos. Algum destes problemas vos parece familiar?

Não vos maço mais. Que cada um tire as suas conclusões e faça a sua própria pesquisa. Eu não sabia nada sobre isto até ver este filme. O cinema também é intervenção social. Políticos ignorantes como Trump (e outros muito mais inteligentes) estão do lado de empresas como a Du Pont. São diferentes faces da mesma coisa. Poder e lucro, a QUALQUER custo, esses são os verdadeiros “pais da nação”.  Não é por acaso que Trump odeia Hollywood, descontando as atrizes que se deixaram apalpar no passado. É um poder que não é inocente nem descomprometido, mas que é inteligente e que Trump não controla.

Quanto a nós e aos nossos filhos, acredito que estamos todos a ser envenenados, de muitas maneiras. Talvez nos sintamos um pouco menos estúpidos se, ao menos, soubermos qualquer coisinha sobre isso.

popeye9700@yahoo.com

 

 

BAGAS ISABEL DOS DEMÓNIOS E DJ'S DITATORIAIS (95)

Janeiro 28, 2020

Tarcísio Pacheco

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imagem em: https://www.businesslive.co.za/bd/opinion/2020-01-27-cartoon-downfall-of-isabel-dos-santos/

BAGAS DE BELADONA (95)

HELIODORO TARCÍSIO

BAGA ISABEL DOS DEMÓNIOS – Não sei se Isabel dos Santos é culpada ou inocente dos diversos crimes que começam a ser-lhe imputados, ainda não formalmente em termos jurídicos, por enquanto, mas na voz do povo e nas parangonas dos media. Que a coisa está feia é inegável. Algo que parece evidente é que a princesa angolana e o seu príncipe consorte se deixaram tentar pelos demónios da cobiça, da gula e da acumulação material. E a história começa a ter contornos mafiosos, com uma morte suspeita a acontecer. Bom, a pressão dos media tem influência, a voz do povo já nem tanto, mas incomoda. Não me parece que a Isabelinha possa andar pela rua sossegada, nem regressar a Luanda tão cedo, embora o menos que lhe falta seja cantinhos confortáveis para se autoexilar, até ver o que vem por aí abaixo. Para já, tem-se desdobrado em entrevistas, em que protesta inocência.  Se calhar, devemos deixar a Justiça seguir o seu curso e aguardar pelos próximos capítulos da novela angolana. Invocaria até o princípio básico da presunção da inocência, se isso não fosse uma dupla anedota no presente e neste caso em particular. Contudo, há coisas de que tenho a certeza. Isabel, o papá e a família Dos Santos em geral constituem um clã familiar bem representativo de um certo tipo de oligarquia, corrupta e nepotista, que existe em todo o lado, mas que é bem comum em países emergentes. Que, frequentemente, contam com grandes recursos económicos, mas deixam largas faixas de população na miséria. É uma dicotomia bem conhecida. O caso de Angola, comunista e depois socialista “moderna” prova que a caca tem o mesmo perfume onde quer que seja. Os políticos são todos parecidos, de direita ou de esquerda, todos procuram o mesmo, poder, influência, popularidade e acumulação. O clã Dos Santos e a oligarquia angolana em geral têm grandes amizades, parcerias e negócios em Portugal e, quanto a isso, só espero que a investigação seja bem eficaz e vá até às últimas consequências. Tenho vindo a acreditar mais na justiça portuguesa a partir de casos como o de Isaltino Morais, José Sócrates ou Armando Vara. Mas só um bocadinho, ainda é tudo muito lento, com tendência a prescrever, com montanhas a parir ratos e com a vaga sensação de que grandes tubarões se escaparam e que escapam sempre. Do que tenho mesmo a certeza absoluta é que o Paulo Kalitoco, de 12 anos, da aldeia de Kapila, centro de Angola, meu afilhado no âmbito do um projeto de apadrinhamento de crianças angolanas (pagamento dos estudos até ao 9.º ano), precisa mesmo da minha ajuda para ter o que por aqui temos como garantido (embora não exatamente de forma gratuita, como os políticos maliciosamente apregoam…). Com 10 euros/ ano, ajudo a pagar a sua educação. Já recebi uma foto da carinha dele, compensação mais que suficiente.  E sei também que um saco de cimento para ajudar a construir escolas no interior de Angola custa 9 euros. Sei porque já paguei um. Faço isto com prazer e carinho, não faltam causas no mundo, é só olhar à nossa volta e querer ajudar, por pouco que seja. Mas faço-o porque gente como a família Dos Santos abandonou as suas crianças. Eu costumava gostar das covinhas nas faces da Isabel quando ela sorria. Achava-a fofa. Agora já não acho tanto.

BAGA DJ’s DITATORIAIS – Atualmente, muita gente usa áudio colunas portáteis, com excelente som, ergonómicas e com baterias duradouras. O meu nada secreto amor pela música e dança levou-me a comprar a primeira bastante cedo e a levá-las para todo o lado, sempre com educação, bom senso e respeito pelas outras pessoas.  Nestas lides, percebi que existem umas pessoas sui generis que apelidei de DJ’s ditatoriais. Uns trazem a sua coluna de casa e não dão hipóteses a ninguém. É a música deles ou nenhuma. Quando não têm coluna, têm sempre arquivos de música “muito melhor” que a nossa. Com o maior descaramento pedem-nos para desligarmos o nosso bluetooth para eles porem música “só um bocadinho”. Aí acabou. Nunca mais desamparam a loja. Lembro-me de uma festa no Verão passado, em que eu estava a passar música há uns 10 minutos; a tipa chegou, atrasadíssima, a primeira coisa que disse, depois de tirar o casaco foi “posso pôr música um bocadinho?”. Foi o resto da noite. E como ela era muito mais amiga da dona da casa do que eu, ficou assim mesmo. Mais recentemente ainda, numa festa em que me haviam pedido expressamente para me encarregar da música, levei a minha coluna gigante e carreguei no meu Spotify música de dança para todos os gostos. Bom, apesar da coluna ser minha, uma artista que estava por lá não demorou muito a pedir para pôr música “só um bocadinho”. Nunca mais largou o osso, até se lhe acabar a bateria do telemóvel. Como pessoa bem-educada, sou presa fácil destes ditadores. Há-os um pouco por todo o lado.popeye9700@yahoo.com

 

 

BAGA PRAÇA VELHA (BB94)

Janeiro 21, 2020

Tarcísio Pacheco

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imagem em: https://www.youtube.com/watch?v=1DxePXGZR7E

 

BAGAS DE BELADONA (94)

HELIODORO TARCÍSIO

 BAGA PRAÇA VELHA – Adoro janeiro. Gosto de frio, cinzento e humidade. Fico feliz quando me aparecem pontos pretos na roupa branca e desabrocham fungos nas virilhas. E é  tão lindo ver a Praça Velha de novo tão cheia de coisa nenhuma, devolvida aos seus utentes principais, os pombos angrenses e os velhinhos,  que se sentam nos bancos, de joelhos muito encostadinhos, ao estilo naião, a trocar memórias e a aguardar, em jubilosa esperança, a ver se escapam a mais uma gripe enquanto aguardam o regresso do Sol, esse sacaninha esperto, de férias no Brasil. Só não temos carros a passar em frente à Câmara, somos um atraso de vida mas não se pode ter tudo…A Praça Velha deixou de ser uma ilha, é certo mas, ânimo, ó progressistas liberais, ainda é uma península, rodeada de carros por todos os lados menos por um. O monóxido de carbono está garantido, os Chineses não hão de ficar com o desenvolvimento económico todo só para eles. Temos de ser inteligentes, como Trump e o nosso querido John d’América, que enfia as meias brancas nos chinelinhos para ir votar nele.

Passado o Natal, nascido o Menino Jesus, feitas as pazes entre Maria e o bom do José, que já se conformou com os enfeites na cabeça, faltando agora apenas resolver o problema de achar creche para o Neófito em Belém,  estando quase resolvido o famoso caso das claves de sol invertidas na fachada da Câmara (formalmente em segredo de justiça e todos os dias no noticiário da CMTV)  já recomeçaram a aparecer as resmas de turistas que vem cá só de propósito para fotografar, desenhar, pintar e até mesmo só contemplar, as famosas pedras de calçada na Praça Velha, ex-líbris da nossa cidade. Que antes estavam ocultas pelas inqualificáveis barraquinhas de madeira do Álamo, para sempre registado na História como o presidente barraqueiro. Os grandes homens deixam sempre a sua marca indelével, nem que seja nas cuecas. Um legou-nos as Sérginhas, o outro, as barraquinhas. As tais barracas cor de madeira feia, que tapavam a parte melhor da calçada, que desassossegavam a praça a horas pouco decentes, que tiravam as pessoas do recato dos seus lares e do legítimo usufruto dos seus Aipodes e que, em desleal concorrência, lançaram na miséria honestos comerciantes locais dedicados à produção de licores caseiros, queijadinhas variadas e filhoses da Ribeirinha. Foi uma dor de alma, uns emigraram, outros suicidaram-se e outros ainda puseram as mulheres e as filhas a fazer pela vida no Classic Bar, da rua de S. João.

Pela recuperação da centenária pasmaceira na nossa querida Praça Velha, muito temos a agradecer aos vereadores da oposição, essas almas sábias, benfazejas e desinteressadas que nem dormem a pensar na nossa felicidade. Contudo, acautelai-vos! Ganhámos a batalha do Natal essencialmente porque o Natal acabou. Mas a guerra continua. O presidente barraqueiro não vai desistir. É mais forte do que ele. Armar barraca está-lhe codificado no ADN. Um dia destes, quando uns técnicos lá de fora, muito ocupados, tiverem tempo para apanhar a Ryanair e vir a Angra trabalhar, mesmo que tenham de passar primeiro pelas Furnas e Sete Cidades, o famoso palco móvel vai honrar o seu nome e acabar, finalmente, por se mexer, pelo menos para cima e para baixo. Não faltarão pretextos para festança, as quintas de Amigos e Amigas, o Carnaval Sénior, a Feira dos Coscorões ou o Dia das Gajas. A Festa da Morcela ou o Dia do Caldo Verde. Até a Quaresma, esse tempo triste, de dor e luto, pode gerar barraquinhas, a vender terços, estampas piedosas, velas com fitas roxas, hóstias gourmet e copos de vinho benzido. Se as pessoas decentes desta cidade não se precatam, em breve teremos de novo a Praça Velha cheia de gente barulhenta, crianças irritantes nos insufláveis, barraquinhas com artesanato, petiscos e bebidas espirituosas, turistas ligeiramente ébrios, música para todos os gostos e até aulas de Zumba. Um horror. popeye9700@yahoo.com

 

 

 

 

BAGA MILHÕES IRANIANOS (BB93)

Janeiro 15, 2020

Tarcísio Pacheco

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imagem em: https://webneel.com/daily/2-donald-trump-caricature-drawing-maeve-bokser

 

BAGAS DE BELADONA (93)

 

HELIODORO TARCÍSIO

 

BAGA MILHÕES IRANIANOS – Diz que os iranianos ofereceram 80 milhões de US dólares (um dólar por cada iraniano) pela cabeça de Trump, na sequência do recente assassinato de Soleimani, o seu general de estimação. Isto parece-me grave e deixa-me preocupado. Por um lado, sendo o Irão um país rico em petróleo e gás natural, parece-me uma oferta algo somítica, um dólar por cabeça e que poderá desagradar a Alá que, como bem sabemos, frequentemente mal assessorado por Maomé, é dado a maus humores e terríveis ataques de divina fúria, enviando então terramotos, tempestades de areia e surtos de gripe camelídea.  Tanto para Alá como para o Deus bíblico, nos dias de hoje, seria bastante provável um diagnóstico de bipolaridade. Que par de divinas e irascíveis jarras! Por um lado, compreendo, a cabeça de Trump é bastante feia e eu não queria aquela pantesma pendurada na minha sala das visitas por dinheiro nenhum deste mundo. Mas há quem pendure cabeças de javali, não propriamente mais feias, mas com dentes maiores e mais amarelados, por cima das suas lareiras. Se fosse a cabeça da Ivanka ou até mesmo alguma outra parte do corpinho dela, já era outra coisa…voltando aos milhões, parece-me que, apesar de feia, a cabeça de Trump havia de valer ao menos uns 5 dólares por iraniano. Assim, já estaríamos a falar de um número na casa dos 400 milhões, bem mais tentador. Afinal, trata-se de vingar o assassinato à falsa fé de um general popular e bonitão, que causava palpitações em muita iraniana devota e que deve ter instaurado o caos lá no Paraíso com as virgens todas de serviço a fazer fila para o entreter e a desprezar os outros mártires, menos bem-apessoados, que vão chegando diariamente. Por falar nisso, noutro dia, esta questão suscitou-me reflexões teológicas profundas…eu tenho este lado também, da inquietação metafísica. Preciso de ir à essência das coisas. Terá Alá uma fábrica de virgens no Paraíso, com a procura intensiva que há hoje em dia? Ou, não querendo blasfemar, terá Ele optado por métodos capitalistas de otimização de ativos, com modernas preocupações ecológicas de reutilização, mandando recauchutar cada Virgem depois de cumprida a sua única função? Parece-me, sem ironia, um negócio das Arábias.

Seja como for, para mim, que sou pobre, 80 milhões é uma oferta interessante. Na verdade, já me contentava com um milhão, mas isso não me convém que ninguém saiba.  Enfraqueceria sobremaneira a minha estratégia negocial. A questão principal é se essa gente é de confiança para pagar. É que se não são, não estou a ver ninguém a servir de fiança ao Irão. Quer dizer, eles até têm amigos, mas ou são amigos falidos, como a Venezuela ou são amigos interesseiros, como a Rússia. Só dizer que se é rico não garante nada. Vejam lá o Ricardo Salgado, que fazia de rico à nossa custa e o próprio Trump que é rico porque, segundo dizem, não paga nada a ninguém. São os piores.

Sou um funcionário público português, já a ficar madurinho, começo a pensar na pré-reforma porque me parece mais inteligente do que pensar na reforma. Mas não quero baixar para menos de metade o meu vencimento. Então, sim, confesso, fiquei tentado. Não diretamente porque sou pacífico e, acima de tudo, esquisito no que respeita a vítimas. Mas passou-me pela cabeça fazer umas sugestões aos iranianos, através das minhas duas ex-namoradas muçulmanas, moças modernaças, porreirinhas e pouco dadas a cenas de mesquita. Depois, se alguma fosse aproveitada, talvez algum dinheirinho me viesse parar à conta. Modéstia à parte, tive algumas ideias excelentes: uma bola de golfe armadilhada, quando ele lhe desse com o taco, pum! Um hotdog com uma dose letal de Ghost Pepper, a malagueta mais picante do mundo; uma putéfia loura, mamalhuda, muito apalpável e, literalmente, explosiva; uma encomenda postal  contaminada (o Antrax é difícil de arranjar mas bonita terra colorida do Tank Farm da Praia da Vitória é fácil); convencê-lo a fazer voos frequentes em Boeings 737 MAX, para provar ao mundo que é um modelo seguro e tornar  a Boeing great again; ou simplesmente (as melhores ideias por vezes estão mesmo à frente do nariz) deixar a natureza seguir o seu curso, afinal o estupor tem mais de 70 anos, é gordo, adora fast-food e Coca-Cola, tem uma doentia cor de cenoura, é dado a stresses e raivinhas e passa a vida sentado a ver TV, a debitar bitaites no Twitter ou a falar ao telemóvel. Estatisticamente, não pode durar muito.

Pois é, tenho sonhado com a minha pré-reforma. Mas se eles não pagam, não vale a pena… alguém aqui já fez negócio com essa gente? Rodrigo Rodrigues, que me dizes?  popeye9700@yahoo.com

 

 

BAGA SISMOLÓGICA (BAGAS DE BELADONA 92)

Janeiro 07, 2020

Tarcísio Pacheco

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imagem em: https://historias-john-soares.blogspot.com/2019/03/sismo-1-de-janeiro-1980.html

BAGAS DE BELADONA (92)

HELIODORO TARCÍSIO

BAGA SISMOLÓGICA – Nesta altura de ano em que se assinala a efeméride do sismo de 1 de janeiro de 1980, poderá ser um exercício interessante a partilha de memórias acerca desse evento. Provavelmente isso já acontece de forma espontânea nos jantares de família e amigos e nas tertúlias de café. É natural que o tema venha à memória de todos os que viveram esse dia. E será, com certeza, uma coleção de memórias muito heterogénea. Eu vou partilhar as minhas aqui.

Nessa época, eu tinha 19 anos e morava em Angra. Era estudante do Ano Propedêutico, um período de transição, pré-universitário, anterior à criação do 12.º ano. Tínhamos aulas pela televisão, algumas aulas no Liceu e exames no final do ano letivo. No dia 1 de janeiro, acho que tive sorte, na medida em que tanto eu como a minha família escapámos ao pior. Na noite de 31, eu tinha estado no baile de réveillon do Clube de Oficiais Portugueses da Base Aérea 4, até de manhã cedo, com a minha namorada da época, filha de um oficial da FAP. E, na tarde do dia 1, já estava na Base de novo, com as hormonas aos saltos, como todo o adolescente apaixonado. Estava um daqueles dias bonitos, de céu azul e sol invernal. Lembro-me que fui à boleia (alternava com a minha moto, uma Sachs V5, quando tinha dinheiro para gasolina) e foi difícil porque havia poucos carros na estrada. Talvez por isso, demorei-me e a besta apanhou-me ainda na rua. Ia mesmo a passar em frente à Rádio Lajes, quando aconteceu o sismo. Para mim foi muito rápido. Senti o chão a tremer de uma maneira muito estranha. As pessoas da Rádio Lajes saíram para o exterior em pânico. Do lado da freguesia das Lajes vi subir uma enorme nuvem de poeira e ouvi um coro de gritos, como num estádio de futebol cheio. É essa a minha memória mais forte. A casa da minha namorada era pouco mais à frente. Quando lá cheguei, ela, a irmã e a mãe já estavam na rua, aflitas como toda a gente. Seguiu-se uma tarde tensa, pois ficámos sem comunicações e pouco se sabia. Era possível ouvir rádio e era daí que vinha alguma informação, pouca, confusa e contraditória. Falava-se numa Angra totalmente destruída e em muitos mortos e feridos. Não tinha forma de comunicar com ninguém e estava preocupado com a minha família, pai, mãe, irmão e irmã. Por isso, resolvi tentar o regresso habitual a casa, o autocarro da EVT que saía da Base, junto ao cinema Azória, pelas 19 horas. O autocarro estava lá e fui para Angra. Não consigo lembrar-me bem da viagem, mas sei que demorou muito mais que o normal, que não havia iluminação pública e que se via casas em ruínas e muros no chão. Mas foi chegando a Angra que me fui apercebendo da dimensão da tragédia. O autocarro parou no largo de S. Bento pois não era possível ir mais além. Era de noite, a cidade estava em plena escuridão e parecia um cenário de guerra. Por todo o lado, casas destruídas, pilhas de escombros e pessoas a vaguear pelas ruas, com lanternas. Fui andando pela cidade, da forma possível, até à minha casa, que ficava na rua de Baixo de Santa Luzia. Na minha rua, as casas estavam todas vazias e às escuras. Fiquei sem saber o que fazer e para onde ir. Até que passou alguém e me disse que as pessoas da zona estava todas refugiadas ali perto, no terreno livre que ficava junto à antiga igreja de Santa Luzia. Lá, encontrei a minha família, todos a são e salvo embora assustadíssimos pois na hora do sismo estavam na velha casa de pessoa amiga na rua do Faleiro (junto à Igreja da Misericórdia, em zona muito afetada). Dormimos 3 dias no carro, uma station WV Passat, com medo das réplicas, como muita gente. Depois, lá regressámos à nossa casa (que tinha apenas danos menores e que nós próprios reparámos).

Começou em seguida um período muito estranho, pois toda a vida normal parou. O Liceu fechou, não havia aulas. Miúdos como nós, estudantes, não tinham nada que fazer. Uns vagueavam o dia inteiro, outros ajudavam na reconstrução das suas casas. Muitos de nós colaboraram como voluntários em ações diversas. Eu respondi a um apelo do Hospital e, com o meu irmão, estive lá 3 dias e 3 noites a ajudar os enfermeiros, comendo e dormindo por lá. Fazíamos aqueles pequenos trabalhos básicos, de higiene, alimentação, dar medicação, etc. Saí de lá com a certeza de que jamais trabalharia na área da Saúde. Para a minha casa veio uma família inteira de refugiados e dormíamos ao monte pelo chão. Como tinha de assistir às aulas na TV e estudar para os meus exames, fui passar uns tempos para casa de familiares, na Horta, um período que foi muito mais de borga do que de estudos. Regressei a casa, fiz os exames, fui aprovado. Era jovem, invencível e imortal, curti o Verão possível, namorei bastante, trabalhei em obras a limpar entulho pois usavam estudantes para isso e pagavam bem (na nossa perspetiva). E em janeiro de 1981 fui para a Universidade.

Hoje, tantos anos depois, vasculhando nas minhas memórias, tudo me parece muito distante e irreal, como se fosse um filme, como se tivesse acontecido a outro. É a patine do tempo. Mas há espaços, edifícios e pessoas que nunca mais recuperaram. É esse o poder de um terramoto altamente colocado no bando do tal do Richter, como na anedota sobre Angola. Muda a vida da gente.

popeye9700@yahoo.com

 

 

BAGA 91 - DA PORTA DOS FUNDOS GOSTA MUITO MEMBRO DA IGREJA CATÓLICA

Janeiro 02, 2020

Tarcísio Pacheco

 

 

porta dos fundos.png

imagem em: https://medium.com/@igorrafi_63730/em-decis%C3%A3o-sobre-porta-dos-fundos-juiz-usa-os-simpsons-como-did%C3%A1tica-para-religiosos-d057e2d4d9a6

BAGAS DE BELADONA (91)

HELIODORO TARCÍSIO

 

BAGA DA PORTA DOS FUNDOS GOSTA MUITO MEMBRO DA IGREJA CATÓLICA – Uma espécie particularmente nojenta de escória brasileira sente-se, atualmente, promovida e encorajada pelo reles presidente que elegeram. É corja desse calibre que atacou as instalações da produtora do Porta dos Fundos com cocktails molotov.

Sou, desde sempre, fã deste grupo brasileiro, que tem uma produção intensiva de vídeos cómicos; fazem-me rir; aprecio o seu talento, sentido de humor, inteligência, irreverência e coragem. Acima de tudo, partilho com eles a ideia de que praticamente nada está acima do humor. O “praticamente” tem a ver com o facto de que jamais brincaria com a dor ou o sofrimento de alguém. Esse é o único limite que eu próprio me impus. Fora isso, de tudo devemos rir. Especialmente das coisas que a sociedade costuma rotular como “sérias” ou “graves”. A Humanidade é sumamente ridícula e não se deve levar a sério. E, à cabeça, estão coisas como política e religião. Há poucas coisas tão cómicas como as religiões. A começar pelo mantra “não se brinca com a religião de ninguém” e o seu afilhado imbecil da moda, “puseram-se a jeito”. Dá logo vontade de brincar, é o apelo do proibido. Compreendo que seja irresistível para o Porta. Há  tanto de que rir nas religiões: pastores histéricos a berrar que “sangue de Cristo tem poder”;  homens corvos, de longas suíças encaracoladas, a cabecear salmos sagrados junto a uma parede lamentosa enquanto lançam anátemas a palestinianos; as 72 virgens que aguardam no Céu todo o jihadista mártir; se for homem, claro, porque se for uma mártir só pode contar com o marido que tinha na Terra ou com o último marido, no caso de ter sido casada mais que uma vez; isto é, um primeiro marido de uma islâmica que casou mais vezes, se não for mártir, nem sequer terá direito à legítima esposa. Ficará condenado à abstinência ou à masturbação eternas? É uma questão teológica profunda e podem crer que aqueles barbudos fanáticos e sanguinários que entre eles passam por “religiosos”, os mullahs, são capazes de escrever tratados sobre estas coisas e sentenciar à morte alguém que se atreva a, discordar. E na religião católica? Praticamente tudo é risível. Uma religião solene, pesada e tristonha,  que assenta num livro “sagrado”, cujos textos, de proveniência mais que duvidosa foram selecionados e catalogados como “de origem divina” e “os únicos legítimos” pela própria Igreja, uma organização de poder que se disseminou pelo mundo todo, impondo o amor do “único Deus verdadeiro” a ferro e fogo. Que assenta num conjunto de crendices, lendas e mitos que ninguém conseguiu jamais provar de modo nenhum. Nem sequer a cruz, seu símbolo maior, é garantida pois não há qualquer prova ou indício relevante de que os Romanos tenham usado aquele tipo de cruz daquele modo, tecnicamente impraticável face ao objetivo final de provocar a morte após longo sofrimento. Uma religião que rotula de “mistério sagrado e insondável” tudo o que não consegue explicar nem faz sentido, que é a maior parte de quase tudo, a começar pela trilogia alienante do Pai, Filho e Espírito Santo. Uma religião toda assente num pobre hebreu que foi torturado e crucificado pelos Império Romano, o poder dominante da época, há cerca de 2020 anos, filho de uma virgem casada com um carpinteiro muito compreensivo, patrono de todos os cornos mansos da história, de quem quase nada se sabe, nem sequer quando e onde nasceu mas se diz que era “milagreiro” de ocupação principal e “pastor de homens”. E não podia ser gay?  Quase não sabemos nada da vida de Jesus, que é retratado como um judeu bonitão, magro e musculado, de barbinha e longo cabelo ondulado, até aparecer em cena repentinamente e começar a desencaminhar homens lá pela Galileia, tanto solteiros como casados. Aparentemente, descontando a lenda de Maria Madalena, que Saramago ficcionou brilhantemente, para grande desgosto de homens vulgares como Cavaco Silva, Jesus era um homem que vivia rodeado de homens, que tinham perdido a cabeça por ele, largado as mulheres e costumavam dormir ao relento, muito juntinhos, para se aquecerem nas frias noites dos desertos da Judeia. Isto é, no mínimo, suspeito. Agora digam-me, é justo alguém levar com um cocktail molotov por ter uma explicação alternativa e bem-humorada para o desaparecimento de Jesus no deserto por quarenta dias e outras tantas noites? Parece que ele foi tentado no seu retiro. Nada que seja invulgar em retiros cristãos. E foi tentado como, por quem? Não poderia ter sido por um belo jovem, de bigode louro? Afinal, barbas e bigodes faziam furor na época e estão, aliás, na moda outra vez. E se Jesus fosse gay? Ou preto? Ou cigano? Há sempre alguém estranho, odioso ou inferior, para cada um de nós. Em 2018, o Jesus do Porta dos Fundos era uma criatura cruel, tirânica, vaidosa e caprichosa. Mas era, aparentemente, heterossexual ou, melhor ainda, assexuado. Não houve cocktails molotov.

Patrão Neves abordou recentemente este tema no DI e deu-nos a perspetiva dela, convencional e politicamente correta, comme d’habitude. Ou seja, gasta dois terços do seu discurso a explicar-nos as virtudes da tolerância intelectual e da liberdade de sátira. Mas depois, lá vem a inevitável conjunção adversativa, neste caso, um literal “porém”. Pode-se brincar com tudo menos com a religião de alguém porque, nesse caso, a “liberdade transforma-se em libertinagem”. Resumindo, libertinagem é toda a liberdade de que alguém discorda. Ou seja, praticamente tudo na vida. Acho isto extremamente cómico. Deus deve andar ofendidíssimo com a gente e Ele não é para brincadeiras. Por isso nos manda pragas como a SIDA, o peixe-leão e Donald Trump.

Eu costumava considerar o fanatismo todo igual. Mas tenho que reconhecer que há diferenças técnicas.  É que o fanático islâmico não usa tecnologia molotov, prefere um prático colete de explosivos, que até pode ser personalizado. E assim sendo, garantidamente, sempre é um a menos sobre a Terra, no mínimo. Isso faz-me ficar dividido na minha escala de avaliação do fanatismo. Quanto ao Porta dos Fundos, a minha porta ficará sempre aberta. A da frente, claro, o gay é o Outro. popeye9700@yahoo.com

 

 

BAGA NATALÍCIA E ADOCICADA

Dezembro 26, 2019

Tarcísio Pacheco

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imagem em: https://www.amazon.it/Twizler-biglietto-scritta-inglese-Christmas/dp/B076GPZGNZ

BAGA NATALÍCIA E ADOCICADA

HELIODORO TARCÍSIO

Habitualmente, mantenho-me afastado do Diário Insular na quadra de Natal. Um leve e saudável cinismo maduro trouxe-me imunidade contra a infeção própria da época, uma forma de vida parasitária do vírus da gripe, que tem uma sintomatologia bem definida nos dias de hoje, pelo menos no mundo cristão: amor a prazo, caridade concentrada, convenção social, ritualismo religioso, consumismo capitalista e comida e bebida à fartazana. Quem me conhece, sabe que pode esperar de mim nesta quadra a mesma coisa que no resto do ano. No Natal sou como no Carnaval embora mais agasalhado e menos bronzeado do que no Verão. Com os mesmos amores e rancores e uns eventuais quilos achocolatados a mais que depois se perdem, janeiro fora.

Este ano, não tinha planos diferentes. Só que, este ano, o Armando Mendes pediu-me que escrevesse algo sobre o Natal. E ele raramente me pede alguma coisa. Falou-me com meiguice natalícia. Fiquei inclinado a dizer que sim. Talvez o espírito do Natal me tenha apanhado com as defesas em baixo ou esteja a envelhecer e a ficar mais emocional.

Por outro lado, se viesse escrever aqui sobre o Menino Jesus nas palhinhas deitado, milagres de Natal, missas Galináceas ou concursos de presépios, as pessoas pensariam que havia sido internado em S. Rafael. Já os fantasmas de Natal do Mr. Scrooge me parecem bem mais interessantes. Contudo, escusamos de ser tétricos. Para isso, podemos sempre relembrar as mensagens de Natal de Cavaco Silva. Desculpa, Cavaco, sei que é Natal, mas não resisti, consola-te lá com o teu bolo-rei da praxe. Mas come de boca fechada, pelo amor do Menino Jesus.

Fui escavar no baú das minhas memórias. Entre outras, há duas historietas que, de uma forma ou de outra, relaciono com o Natal. É uma modesta contribuição, não deve deixar ninguém de lágrima ao canto do olho. Gosto de me manter fiel ao meu estilo. Ambas as historietas se passam na década de 80, quando era estudante universitário em Ponta Delgada.

Nessa época, o futebol de cinco dava os primeiros passos nas ilhas, ainda se jogava futebol de salão, com uma bola mais pesada e menos saltitona, que não podia subir acima do joelho. Em S. Miguel disputava-se então um animado campeonato da modalidade, organizado até em 2 divisões, tal era o número de equipas aderentes; a única regra era que os jogadores de futebol de onze não podiam participar. A Associação Académica da Universidade dos Açores participava com uma equipa, da qual eu era o capitão. Sim, porque eu tenho um passado no futebol, as grandes diferenças entre mim e o CR7 é que eu não sou vaidoso e temos uma discrepância menor em termos de impulsão. Nessa equipa, além de mim próprio, como é evidente, destacavam-se jogadores com qualidade, dos quais relembro o Mendes, o nosso goleador, que tinha sido júnior do FCP, o Chico Espiguinha, que havia jogado no Juventude de Évora ou o Carlos Lobão, membro de uma conhecida família de futebolistas dos Flamengos, no Faial. O facto é que nunca perdíamos um jogo. Chegávamos ao Natal sempre à frente. Dávamos grandes tareias. Potencialmente, éramos campeões. Logicamente, éramos odiados, os totós da Universidade. O problema é que no Natal, a maior parte de nós, oriundos de outras ilhas ou do Continente, ia de férias. E, no Natal, o campeonato não parava em S. Miguel. Perdíamos sempre 2 ou 3 jogos por falta de comparência. A partir de janeiro, voltávamos a jogar. Mas, rapidamente atingíamos o máximo de faltas de comparência. Ainda andámos 2 anos nisto, a pedir para nos adiarem os jogos marcados. Mas nunca nos atenderam. Sabiam que assim nos lixavam. Acabámos por desistir. Então, o Natal, para nós, era o princípio do fim, uma história triste, adequada à época.

A outra historieta tem a ver com um dos meus part-time da época, numa antiga casa de pasto, que já fechou, na rua de Lisboa. A clientela era pesadíssima, bêbados profissionais, tóxico dependentes, marginais, ex-presidiários, prostitutas, chulos e toda uma fauna de um submundo micaelense da época. Eu servia bebida e comida, mais bebida, das duas da tarde às dez da noite, de manhã ia às minhas aulas. Parava por lá um sem-abrigo local e eles na altura eram mais exóticos, menos comuns. Dormia não sei bem onde, para os lados da doca, fazia uns biscates e vivia do que calhava. Chamavam-lhe Pinóquio. Era popular lá na tasca porque lhe pagavam frequentemente um “penalty” (um copo enorme de vinho tinto) desde que o bebesse de um fôlego só, o que ele fazia de bom grado. Ás vezes conversava com ele, por isso sabia que era só no mundo, que dormia na rua e que passava muito frio. Num desses Natais não fui à Terceira, vieram a minha mãe e a minha irmã, que era criança. Organizámos uma consoada na casa onde eu viva, um apartamento que dividia com outros colegas na agora irreconhecível Avenida E. Vai daí, nesse ano, resolvi convidar o Pinóquio para cear connosco. Ele veio e passou-se bem a noite, o Pinóquio era humilde, em todos os aspetos. A páginas tantas, entre lágrimas, ele contou que passava muito frio pois só tinha um cobertor fino para se cobrir na rua. Ora, o cobertor da minha cama era quentinho e eu tinha outro. Fui buscar o cobertor e ofereci-lho, ele ficou bem contente. Até aqui tudo bem. O problema é que, sem pensar muito na altura (eu tinha 20 e poucos), ofereci o cobertor melhor, que não era o meu, era da casa, da minha senhoria. Esta ia lá a casa, frequentemente, ver se o pessoal não lhe tinha destruído o apartamento, o que era, na verdade, um risco constante. Não tardou a dar pela falta do seu cobertor. Interpelou-me, exigiu explicações. Eu gaguejei, não queria dizer a verdade. Propus-lhe que ficasse com o meu cobertor. Ela não aceitou, queria o dela. A coisa foi rolando, nunca comprei outro cobertor, um bom era caro e o pouco dinheiro que eu ganhava, poupava religiosamente para ir fazer inter-rail no Verão. Um dia cheguei a casa e ela tinha-me levado uma linda fotografia emoldurada, com um veleiro, presente de Natal da minha mãe, que eu havia pendurado por cima da cama. Fica uma coisa pela outra, disse-me a mulherzinha. Achei justo. Feliz Natal. popeye9700@yahoo.com

 

 

BAGA ATÉ QUANDO TERCEIRENSES? BB (90)

Dezembro 12, 2019

Tarcísio Pacheco

 

Terceira (1).jpgimagem em: https://www.publituris.pt/2019/01/08/programa-acores-recebe-bem-arranca-esta-quarta-feira/

BAGAS DE BELADONA (90)

 

HELIODORO TARCÍSIO

 

BAGA ATÉ QUANDO TERCEIRENSES??? – A recente notícia sobre um voo com turistas “de luxo” que viu recusada a permissão para uma escala técnica que incluía reabastecimento com os passageiros a bordo – algo comum na atualidade – no aeroporto das Lajes e acabou reencaminhado para o aeroporto de Santa Maria, vem de encontro ao que escrevi há pouco tempo sobre a desgraça da ilha Terceira e sobre a revolta e indignação que todos os terceirenses, menos os coniventes, deviam sentir e manifestar.

Não me quero transformar num desses oposicionistas militantes para quem tudo o que vem do governo em funções está sempre mal. Também não quero vestir o colete lilás do terceirense bairrista porque amo estas ilhas e quero o melhor para todas e para cada uma delas. Menos ainda me move o interesse específico pelo “turismo de luxo”, seja lá o que isso for, porque nunca alinhei no discurso aparvalhado, ignorante e saloio do “turismo que interessa”. Todos os turistas me interessam, desde que sejam ecológicos, educados, respeitadores bem-intencionados, em quantidade limitada e não excessiva.

 O que quero é, na verdade, muito simples. Quero que cada comunidade seja soberana no seu espaço e dona do seu destino. Vou ser brutalmente claro: como cidadão e como terceirense, não quero um aeroporto militar com uma janelinha para a atividade civil; quero exatamente o contrário, exijo, aliás, o que é direito meu exigir, exequível ou não, um aeroporto civil a sério nas Lajes, eventualmente com algumas facilidades para a Força Aérea Portuguesa. Já chega de brincar aos aeroportos civis. Isto não é um jogo da Lego. A grande razão para existir um exército num país é defender os seus cidadãos em caso de guerra ou agressão externa. Em tempo de paz, os militares devem ser quase invisíveis e não prejudicar o resto da sociedade de forma nenhuma. O facto do aeroporto das Lajes ter sido originalmente construído como pista militar tornou-se uma espécie de danação eterna, parece coisa bíblica. S. Miguel vibra com isso, claro e aproveita-se. Quanto à Força Aérea Norte-Americana, vou continuar a ser monstruosamente claro: não os quero cá, já nos fizeram mal suficiente; a única vantagem da sua presença nesta ilha, atualmente, consiste na manutenção de alguns postos de trabalho, em número cada vez menor. Poluíram a nossa ilha, envenenaram os nossos aquíferos, (e ainda a procissão vai no adro neste campo), transformam-nos num alvo militar, não nos trazem benefícios importantes e comportam-se como aqueles inquilinos selvagens que deixam de pagar a renda e se recusam a sair. Mantêm-se na ilha quase à força, aproveitando-se do seu estatuto autoritário no mundo, da sua riqueza material, do seu poderio militar, da chantagem com a nossa comunidade emigrante e da miserável subserviência do governo português, dando-se ao luxo de usar pobres e claríssimas manobras de bluff para manter um pé dentro e um pé fora. Por mim, saíam e era já, haveríamos de sobreviver, como sempre.

Quanto à razão invocada para recusar a escala técnica nas Lajes, o corpo de bombeiros do aeroporto pertencer aos americanos… seria brincadeira, se não fizesse parte de um plano para subjugar e secundarizar toda uma ilha, outrora orgulhosa. Mais uma vez, isto parece uma ilha dos EUA. E não há um quartel de bombeiros na Praia da Vitória? Não têm formação para atuar em aeroportos? E porque não a recebem? Nos aeroportos das outras ilhas não são bombeiros portugueses e locais a fazer o serviço de aeroporto? Na hora de invocar razões para manter a Terceira espartilhada e amordaçada, nunca faltam argumentos.

Aproveito para esclarecer que também não quero cá os Chineses, cujo regime político me enoja. Quero cá os Terceirenses e quaisquer outros, de qualquer cor ou origem, que sejam pacíficos, que venham por bem e que sejam democratas. O que não é o caso chinês. Falo do governo chinês e dos seus militares, obviamente. A proliferação de lojas chinesas, que ameaça tornar o centro de Angra numa Chinatown é uma questão comercial e cultural, que não é para aqui chamada, de momento (mas teria muito a dizer sobre o assunto).

Não devemos ter medo de chamar os bois pelos seus nomes. Há culpados, bastantes, para a triste e cada vez pior situação da ilha Terceira: o nosso cada vez mais insuficiente Estatuto Autonómico; o Governo da República porque é centralista e subserviente, independentemente das suas cores ou líderes; o Governo Regional porque é subserviente também, com Lisboa e com os EUA e porque tem promovido um desenvolvimento centrado na ilha de S. Miguel, de uma forma absolutamente descarada e quase grotesca; o governo dos EUA porque é maléfico, maquiavélico e só se preocupa com os seus interesses; a Força Aérea Portuguesa porque só  atende os interesses militares, tem demasiado poder nas Lajes e prejudica frequentemente a Terceira; políticos terceirenses, bem identificados que, por interesse pessoal e fidelidades partidárias, são coniventes e cúmplices na situação e, finalmente, o próprio povo terceirense que, alegria e festas à parte, é uma das comunidades mais apagadas, alheadas, inertes e acomodadas de que tenho conhecimento. Se não for uma doença na família ou uma pancada no carro, nada parece mexer com esta gente que nunca tem opinião sobre coisa nenhuma. Limitam-se a respirar, dia após dia. Para ser socialmente correto, como no conhecido caso da marquesa que bateu com o peitoral na mesa, indignem-se, chiça! popeye9700@yahoo.com

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Fazer olhinhos