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popeye9700

Crónicas e artigos de opinião, a maior parte publicada no Diário Insular, de Angra do Heroísmo.

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Crónicas e artigos de opinião, a maior parte publicada no Diário Insular, de Angra do Heroísmo.

BAGA FELIZ NATAL (BB 128)

Dezembro 22, 2021

Tarcísio Pacheco

CHRISTMAS CARTOON (1).png

imagem em: Free download | Paper Snowman Christmas, Cartoon snowman, cartoon Character, winter png | PNGEgg

BAGAS DE BELADONA (128)

HELIODORO TARCÍSIO          

BAGA FELIZ NATAL – Há uma das anedotas do Joãozinho, que reza mais ou menos assim, numa carta ao Pai Natal: “Querido Pai Natal, seu estupor velho e barrigudo, tenho-te pedido um carro de bombeiros e tu tens-me trazido, todos os anos, porcarias de cuecas e meias às carradas. Vê lá se este Natal atinas senão,  quando te vir, a ti e às tuas renas sarnentas, vou dar cabo de vocês à pedrada”. Ao que o Pai Natal respondeu: “Meu querido Joãozinho, não te preocupes, relaxa. Este ano vou incendiar a tua casa, por isso, vais-te fartar de ver carros de bombeiros…”.

E é isto, meus caros, o famoso espírito de Natal é por aí…

Há muitos anos, quando eu era um jovem, cabeludo e bem-parecido estudante universitário em Ponta Delgada, num ano em que não fui à Terceira e a minha mãe e a minha irmã foram passar o Natal comigo a S. Miguel, havia por lá um sem abrigo, meio desgraçado, rapaz ainda novo, figurinha tosca, conhecido como Pinóquio, que costumava parar na tasca “O Campeão” (já desaparecida), do meu amigo Luís “Americano” (também já desaparecido), na rua de Lisboa, em frente à casa da santíssima mãe do beato Mota Amaral. Na época, 1980 e poucos, eu tinha lá um part-time, em que aturava bêbados e verdadeiros mafiosos, com a ideia de juntar umas massas para fazer o inter-rail no Verão. O Pinóquio gostava de aparecer por lá porque lhe pagavam “penalties”, grandes copos de 0.5 L de vinhaça, com a condição dele os empinar de um fôlego só, façanha em que era exímio e muito aplaudido. Nesse ano, deu-me na cabeça convidar o Pinóquio para o jantar de consoada do dia 24 de dezembro, lá no apartamento da Avenida E antiga, onde eu então morava, com outros colegas. O Pinóquio foi, o jantar correu bem, farto e bem regado (mas sem penalties), ele a contar a sua triste vida e a minha mãe de lágrima à esquina do olho. A folhas tantas, o Pinóquio confirmou que dormia na rua, na zona da doca e que passava muito frio porque nem tinha um cobertor decente. Condoí-me, fui ao meu quarto e ofereci-lhe o cobertor da minha cama, fofo, quentinho e azul. O Pinóquio adorou. O problema é que o cobertor, a cama e o apartamento pertenciam todos a uma mulher de Ponta Delgada, a minha senhoria. Ela não se mostrou sensível ao espírito da época e em janeiro exigiu o seu cobertor. Eu ofereci-lhe um cobertor meu, uma coisa felpuda e amarela, em forma de assim. Ela não gostou da cor e vingou-se, um dia, levando consigo, à traição, um belo quadro com um veleiro que ficava por cima da minha cama, oferta de Natal da minha mãe, conhecedora da minha maluqueira por barcos.

Nesse dia longínquo, talvez eu tenha sido acidentalmente tocado pelo verdadeiro espírito do Natal. Disso, eu tenho saudades. Disso e da minha mãe, morta há um ano, da inocência da infância, da nossa consoada rica em família, da árvore de Natal verdadeira, a cheirar a verde, do entusiamo infantil da minha mãe, a montar a sua extensa coleção de bolas e as suas séries de lâmpadas coloridas, compradas na Base, enquanto cantávamos o Jingle Bells, muito desafinados. Saudades dos chocolatinhos americanos, dos autênticos, dos legítimos, Três Mosqueteiros, Butterfingers, Hersheys, Almond Joy, das minhas primeiras maminhas de preta (kisses).  Saudades dos presépios, montados com leivas e musgos apanhados na mata do Estado, às Veredas, enfeitados com uma enorme coleção de casinhas de papel (a minha mãe era professora do primário), figurinhas de cerâmica variadas e paletes de ovelhas. O meu pai, vivo e agora com 80 anos, sisudo, mas muito habilidoso, engenheiro de quase tudo, contribuía com moinhos que giravam e riachos de água corrente em leito de papel de prata. Saudades da excitação daquela noite, de nos mandarem deitar cedo, que era para o Menino Jesus ter condições de vir com as prendas (era então o Menino, não passávamos cartão ao Pai Natal, essa figura nórdica e estranha, a Lapónia ficava em cascos de rolha e já sabíamos que as renas não voam). No dia seguinte, depois de almoçar os restos, íamos passear de carro (de cu tremido, como dizia o meu pai…) para a estrada 25 de Abril, na Praia, pois a minha mãe, uma eterna menina de feitio difícil, fascinava-se com as feéricas iluminações nas casas dos americanos.

O Natal de hoje é o que sabemos. A religião católica e as suas missas galináceas nada me dizem, do ponto de vista intelectual, não lhe vejo pés nem cabeça. Resta o consumismo desenfreado, a tirania das prendas, o abuso de comida e bebida e agora, até o clássico fantasma do Natal de Dickens cedeu o seu lugar ao espectro do Covid.

O que é que ainda vale a pena? Aproveitarmos bem a oportunidade para estarmos junto daqueles que amamos e que nos amam, enquanto estamos vivos e de saúde. Comida e bebida são sustento do corpo, árvores, luzes, fitas e presentes, é tudo décor de época. O sustento da alma é a companhia, o calor do amor e da amizade, o abraço e o beijo, o olhar franco e desinteressado, a partilha, os baús de memória. Mais do que clientes e peças substituíveis do sistema, somos criaturas de energia e emoções. Aproveitem bem e amem muito. A vida é curta, mas o amor é para sempre. Feliz Natal.

POPEYE9700@YAHOO.COM

 

BAGAS JOSÉ COUTO E BAMBIS DO MONTE BRASIL (BB127)

Novembro 19, 2021

Tarcísio Pacheco

 

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imagem em: (125) Pinterest

 

BAGAS DE BELADONA (127)

HELIODORO TARCÍSIO          

BAGA prof. JOSÉ COUTO – Uma breve nota nestas páginas para lembrar alguém que nos deixou recentemente e que marcou várias gerações nesta ilha, sobretudo para aqueles que se interessam pelo desporto. O elogio da sua vida e história já foi suficientemente feito nas páginas do DI. Aqui fica apenas um pouco das minhas memórias sobre o José Couto, com toda a simplicidade, uma vez que não tínhamos relações de amizade próxima. Mas sempre nos cumprimentámos na rua, pela vida fora. Como acontece, decerto, com a generalidade das pessoas que com ele privaram de alguma forma, guardo a imagem de um verdadeiro senhor, um gentleman, um gigante com um timbre de voz grave inesquecível, com modos afáveis, simpáticos e uma postura social de elevada educação. Como criança que gostava de futebol, lembro bem o seu talento como jogador do Lusitânia, um defesa central de grande categoria, com uma postura extremamente elegante em campo, dificilmente ultrapassável, um atleta que, provavelmente, poderia ter feito carreira em equipas nacionais de escalões superiores, de resto, como outros daquelas gerações de ouro do Lusitânia das décadas de 60 e 70.  Foi ainda meu professor de Educação Física no antigo Liceu de Angra. Muito mais tarde, voltaríamos a cruzar-nos, no antigo “Ciclo de S. Bento” onde, todas as semanas, um grupo de professores, funcionários e outros amigos, se juntava para animadas jogatanas de futebol. Entre muitos outros, por lá andavam o prof. Raúl Tânger, o Manuel João (excelente ex-atacante do Angrense), o prof. Manuel Fernando e o filho, o conhecido João Medeiros, meu amigo de infância e ex-jogador do Boavista. E o José Couto juntava-se-nos com frequência e, já maduro, ainda passeava por lá o perfume do seu futebol. Até sempre, prof. José Couto.

BAGA OS BAMBIS DO MONTE BRASIL – As manifestações hormonais podem ser terríveis. Trump, por exemplo, ficava muito vermelho, abusava da Coca-Cola Light e punha-se a apalpar as mulheres todas à volta. Putin faz tiro ao satélite, com mísseis. Vemo-las por todo o lado, nas sociedades humanas, na origem de muitas manobras perigosas nas estradas (não há nada mais perigoso atrás de um volante que um Manel com uma cerveja no bucho e um complexo de pénis extra large), no assédio sexual no trabalho, nas discussões acervejadas sobre o futebol, nas brigas dos casais e dos políticos e até mesmo na escolha da cor das gravatas; um macho luso com uma descarga hormonal não tem medo de ninguém e só quer saber quanto são. Veja-se o caso do André Ventura, um vulgar comentador de futebolismo que agora, em plena época de cio político, inflamado por imperiosas secreções interiores, cheio de ardores patrióticos e abençoado pelo seu confessor privado, já fala em derrubar governos; tudo porque um macho rival, mais velho, lhe deu umas marradas.

Aqueles animais do Monte Brasil começaram por ser uns Bambis fofinhos, mas depois tornaram-se nuns monstros chifrudos obcecados pelo domínio territorial, o confronto com outros machos e o coito com o maior número possível de fêmeas. Enfim, nada que eu não tenha visto com frequência nas noites da Twin’s Pub, nos velhos bons tempos.

Quanto aos Bambis, pelos menos os machos, quando se lhes desvanece a inocência da infância e lhes crescem as hastes e os testículos, chegando aquela época do ano, só pensam em sexo. Qualquer inocente transeunte no Monte Brasil é visto como concorrente e a coisa só se pode resolver à marrada, já que é grave ofensa cobiçar as fêmeas alheias.  Diz o Ventura que a culpa é do governo anterior. Claro que é, é uma lei de Murphy, mas, neste caso, podemos estar a ser injustos.  A culpa disto tudo é das fêmeas que, também elas de gônadas inflamadas, desfilam pelo parque florestal, com o pompom do rabinho bem levantado, a espalhar odores irresistíveis e a olhar com aqueles grandes olhos de corça, negros, límpidos e fatais. Depois, como é que querem que um jovem corço resista, ele que não é ferro, é de couro? A Bíblia é muito clara quanto ao papel da fêmea no processo da tentação.

Várias soluções foram propostas. Folgo em saber que os animais estão em segurança, embora e naturalmente, muito carentes e desassossegados e que o Monte Brasil vai reabrir. Quem deve ter ficado triste é o meu amigo Armando Mendes. Ele queria muito provar pernil de corço. Já aqui há uns bons anos, ele queria comer lombos de golfinho com o amigo Adolfo Lima e não lhe fizeram a vontade. Já é azar, ainda não é desta que ele se satisfaz. Nem ele nem os corços, paciência. POPEYE9700@YAHOO.COM

 

BAGAS AVALIAÇÃO NA FUNÇÃO PÚBLICA / SEGURANÇA NA MARINA DE ANGRA (BB126)

Outubro 22, 2021

Tarcísio Pacheco

 

 

 

 

 

 

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imagem em: 11,900 fotografias e imagens de Funcionário Público - Getty Images

BAGAS DE BELADONA (126)

HELIODORO TARCÍSIO          

BAGA AVALIAÇÃO NA FUNÇÃO PÚBLICA – O sistema de avaliação na função pública é uma aberração e deveria mudar, de imediato. Desde logo, porque assenta num sistema de quotas. Tudo o que envolve quotas deixa-me de pé atrás, mesmo que com boas intenções (exemplo, promover minorias discriminadas) mas, neste caso, é com má intenção mesmo. Qualquer sistema de quotas envolve artificialismo e manipulação. O desempenho dos funcionários públicos, a cada dois anos, é avaliado e classificado como “excelente, adequado ou inadequado”. Até aqui tudo bem, sou completamente a favor de uma avaliação séria, imparcial e justa. A pérfida malícia radica no sistema de quotas. Ou seja, com base em critérios materiais, políticos e financeiros, o governo atribui uma quota para “excelentes” a cada serviço ou instituição. O desempenho é avaliado em primeira instância pelo dirigente do serviço, o que está certo, porque ele é quem conhece melhor o trabalhador e os seus níveis de desempenho. Mas, depois, as avaliações são examinadas por um Conselho Consultivo de Avaliação que pode baixar a classificação de um funcionário porque o seu serviço “excedeu a quota de excelentes”. O que torna o sistema, de imediato, contraditório e bizarro. Qualquer governo deveria pretender atingir um nível de excelência nos seus quadros de funcionários, até porque o desempenho deles irá, em larga medida, promover ou limitar o sucesso do próprio governo. Então, como é que se pode admitir que um governo estabeleça “quotas” para níveis de “excelência”?! Para uma sociedade que, bastas vezes, exibe níveis preocupantes de anticomunismo primário, isto soa muito a União Soviética no seu melhor. Acresce que este sistema provoca graves suspeitas, em muitos casos fundamentadas, de que é aproveitado para promover amigalhaços, simpatizantes, lambe-botas e boys do partido. Todos os sindicatos da Função Pública, que existem para defender os direitos dos trabalhadores, se posicionam contra as “quotas” e exigem o seu fim. E você, caro leitor, que é funcionário público?

BAGA SEGURANÇA NA MARINA DE ANGRA – Antigamente, a marina de Angra era segura. Sou dos primeiros utentes da marina (já tinha barco antes dela existir) e nunca tive qualquer problema. Mas, isso era antigamente, quando a Portos Açores oferecia segurança de 24 horas. De algum tempo a esta parte, embora a Portos Açores atualize regularmente os seus tarifários, deixou de oferecer segurança aos seus utentes, que ficam à mercê dos doidos, bêbados e larápios. Tenho conhecimento direto de dois casos recentes: num deles, um adolescente roubou a embarcação Brisa d’Angra, propriedade do Angra Iate Clube e andou às voltas na baía, tendo depois atracado no Porto Pipas, com algumas pancadas pelo meio; no outro, que me foi relatado pela própria vítima, alguém se introduziu na sua embarcação de recreio, ali bem perto do restaurante Cais d’Angra, com o intuito de roubar, tendo provocado algum prejuízo, que vai ter de ser contabilizado pelo proprietário, visto que, embora ele tenha procedido à queixa às autoridades competentes e à marina, não é de crer que se venha  a descobrir os culpados.

As embarcações de recreio têm um custo elevado, são facilmente vandalizáveis e todos as suas estruturas e equipamentos são caros e por vezes, de reparação ou substituição difícil. Acho que deveríamos voltar a ter segurança na marina, 24h por dia e com certeza que todos os seus utentes concordarão comigo. POPEYE9700@YAHOO.COM

 

BAGA TURISMO NÁUTICO (BB 125)

Outubro 14, 2021

Tarcísio Pacheco

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BAGAS DE BELADONA (125)

HELIODORO TARCÍSIO   

BAGA TURISMO NÁUTICO – A Agenda Mobilizadora para o Setor do Turismo da Região Autónoma dos Açores do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) prevê um investimento global de 75 milhões de euros, a concretizar entre 2023 e 2025. Folgo em saber que o Turismo Náutico está contemplado, ele é referido em dois pequenos parágrafos do artigo no DI sobre esta questão. Prevêem-se melhorias das infraestruturas para o iatismo, aquisição de equipamentos para colocar iates em doca seca, criação de estruturas de reparação de embarcações e modernização de equipamentos, tendo o projeto como entidade gestora a Câmara do Comércio da Horta.

Como velejador oceânico, proprietário de veleiros de cruzeiro desde 1998 nos Açores, esta é uma área que me interessa sobremaneira. Por isso, esta notícia alegra-me, mas, à cautela, vou esperar bem sentadinho. É que uma análise amadora desta área e também a perspetiva do utente, mostram-nos que o turismo náutico nos Açores está num estado calamitoso. Não por falta de procura, todos os anos demandam as nossas águas centenas de iates de recreio de todas as nacionalidades. O caso é que os poderes instituídos parecem esquecer-se que as embarcações de recreio precisam de marinas. Se analisarmos o que têm sido feito nos Açores a este respeito nos últimos anos, até parece que há muita obra. Há, é verdade, mas, na maioria dos casos, é insuficiente ou mal feita.

Com exceção das marinas da Horta (já ampliada) e de Ponta Delgada (como seria de esperar…), as marinas dos Açores estão subdimensionadas ou foram mal feitas.

A pequena marina da ilha das Flores está inoperacional e aguarda reparação desde 2019. Vamos deixar esta de parte, afinal a culpa é do furacão Lorenzo. Para esta, até há uma boa desculpa. No Pico, a chamada ilha do futuro, uma ilha maravilhosa, que recebe cada vez mais visitantes e é enorme, com 3 vilas, simplesmente não tem marina; possui um pequeno Núcleo de Pescas (formalmente), minúsculo e com uma entrada apertada e perigosa; a multiplicação de embarcações do whalewatching e a aquisição de algumas embarcações por locais, rapidamente reduziu a praticamente zero o espaço disponível para visitantes. Em S. Jorge, existe a marina de Velas. Mal feita e subdimensionada, também ficou rapidamente quase sem espaço para visitantes. Vai valendo o espaço da ancoragem, que a baía é ampla e a competente e sempre amável prestação do funcionário, o simpático Zé Maria, que vai fazendo milagres. Na Graciosa, a ilha sempre esquecida, também não há marina, propriamente; existe também um minúsculo Núcleo de Pescas, de reduzida capacidade, na Praia; junto a Santa Cruz, no norte da ilha, finalmente, iniciou-se o há muito prometido projeto do porto de recreio da Barra; mas está longe de estar finalizado, não existe marina, apenas um molhe de proteção e uma área abrigada, falta quase tudo. Santa Maria é um caso à parte e um caso curioso porque, tratando-se de uma ilha pequena, que sempre viveu à sombra de S. Miguel, que teve momentos altos na sua história, à custa do seu excelente aeroporto, tendo perdido muitos habitantes nos últimos anos, recuperou argumentos e foi-se posicionando como uma ilha linda, enganadora, com excelentes condições para a pesca e o turismo náutico; talvez por isso, acabou por ser beneficiada com uma marina bastante ampla e funcional e uma boa estrutura portuária, em Vila do Porto.

Deixei para o fim, propositadamente, as marinas da Terceira, por ser a ilha onde habito. A marina da Praia da Vitória é de administração municipal; o seu design não é nada brilhante, podia ter ficado bem melhor; com pouca capacidade, já fica também a rebentar pelas costuras no Verão e levaram imenso tempo para substituir um pontão estragado, que muita falta fazia; no Verão 2021 esteve completamente entupida.  A marina de Angra é gerida pela Portos Açores, herdeira da antiga JAP. As pessoas devem lembrar-se da guerra que foi, nos anos 90, para se conseguir construir esta marina; o sistema democrático exigia que se ouvisse um pequeno grupo de pessoas que se opunham e a baía é património histórico; ultrapassados os problemas, inaugurou-se a marina no início da década de 2000; logo se percebeu que era mal desenhada e subdimensionada. E agora, 20 anos depois, há imensos problemas de espaço na marina e já mal chega para os locais (que têm, obviamente, todo o direito de querer comprar barcos ou de mudar para barcos maiores), quanto mais para os iates estrangeiros…. Foi ver este ano, um ano atípico, devido ao fim das restrições de viagem, a enorme quantidade de veleiros de recreio, até setembro, inclusive, que ancoraram na nossa baía, por falta de espaço para atracar na marina. A marina de Angra até recebeu novos pontões e fingers, com mais capacidade, mas jazem há muito meses no Porto Pipas à espera de alguma coisa. Ouviu-se falar também de um plano para alterar a configuração da marina, criando assim mais algum espaço, mas a ideia, se realmente existiu, parece ter morrido à nascença.

E foi assim um pouco por todo o grupo Central. Numa viagem às Velas, em agosto, havia tantos iates estrangeiros ancorados que nem ancorar consegui, fiquei amarrado (mal) ao cais, das 3 da manhã até ao nascer do sol. Numa viagem às Lajes do Pico, em setembro, fiquei amarrado ao cais do Caneiro e já fiquei muito feliz por ter encontrado o cais disponível (não teria sido o caso em julho ou agosto).

Resumindo, há tanto a fazer e tanto dinheiro a gastar nesta área que com o pano de fundo habitual das guerrilhas partidárias, dos confrontos entre ilhas e do centralismo do governo centrado em S. Miguel, sinceramente, não espero grande coisa. Para mais, o atual GRA já fez saber que não precisamos de barcos porque temos aviões. Vamos ficar à escuta, no canal 16, claro. POPEYE9700@YAHOO.COM

 

BAGA DEIXEM-SE DE TRETAS (BB124)

Outubro 07, 2021

Tarcísio Pacheco

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imagem em: Cena Dos Desenhos Animados Com Balsa Feliz Ilustração Para Crianças — Fotografias de Stock © illustrator_hft #175248126 (depositphotos.com)

 

  • BAGAS DE BELADONA (124)
    HELIODORO TARCÍSIO
    BAGA DEIXEM-SE DE TRETAS - Há uma velha anedota sobre um tipo
    que quer ir para a Marinha e, quando vai à primeira entrevista, perguntam-
    lhe se sabe nadar…e ele responde “Hã?! Então, vocês não têm lá
    barcos??”.
    As posições do Governo Regional dos Açores (GRA) sobre o transporte
    marítimo de passageiros nas nossas ilhas fazem-me lembrar essa piada. É
    bem capaz que, aí para fora, alguém comente com um dos nossos
    governantes, (traduzindo livremente de estrangeiro): “Ah, então, o senhor é
    governante nos Açores, sim senhor, lá no meio do mar, ouço dizer que é
    muito bonito, então os senhores têm lá muitos barcos, não é verdade, já se
    sabe, são ilhas...”; ao que o nosso governante deverá responder algo como
    “Nem por isso, não precisamos, temos alguns aviõezinhos…”.
    O que é mais interessante é que até há algum consenso entre o executivo
    regional anterior e o atual, nesta matéria. O governo PS também não sabia
    o que havia de fazer com os navios de passageiros. Uma manobra
    descarada, mas comum a todos os políticos é, quando não querem fazer
    algo ou não sabem o que fazer, encomendam estudos e nomeiam comissões
    para estudar o problema. Entretanto, o tempo vai passando e olhando
    distraidamente até parece que algo está a ser feito. Mas não está, nunca
    está. Depois, ainda me criticam por, em geral, não apreciar políticos.
    No momento, o atual governo promete decisões sobre esta questão para
    daqui a dois anos. Entretanto e comme d’habitude, vamos andando com a
    SATA ao colo e o GRA vai encomendar estudos a profissionais de estudos,
  • que nós conhecemos na gíria popular como “empatas” improdutivos. No
    passado recente, o governo PS também andou aos tombos com os navios.
    Devia ser gente que enjoava com o balanço. Foi a bizarra história do ferry
    “Atlântida”, que ia ser o “nosso ferry” e que depois encalhou porque lhe
    faltava 1 nó na velocidade de cruzeiro - versão oficial - (creio que navega
    agora pela Noruega, onde não são tão esquisitos…). Depois foi a onerosa
    solução de fretar dois ferries estrangeiros todos os Verões. Uma solução
    que, diga-se a verdade, foi sempre assumida como de recurso e temporária.
    E, entretanto, ia-se brincando ao jogo da encomenda de anteprojetos e
    concursos, com vista à construção de um ferry açoriano. Nisto e noutras
    coisas se entretiveram os socialistas até a oposição vender a alma ao Diabo
    e agarrar o poder com unhas cobiçosas e dentes sôfregos. Chega de estar na
    oposição, pensaram eles em surdina.
    E agora, entrou uma gente cuja grande diferença dos socialistas é na cor
    das gravatas e que tem este discurso paranoico sobre os navios: os Açores
    não precisam de barcos porque têm aviões e uma nova tarifa porreira e as
    ligações marítimas de passageiros entre todas as ilhas eram um circo de
    Verão. Em caso de dúvida, sacam da calculadora e pregam um sermão
    sobre taxas de ocupação.
    Entretanto, as famosas rampas ro-ro, que custam os olhos da cara, que tanto
    nos fartámos de reivindicar e que em Angra (como sempre, tarde, a más
    horas ou nunca) só deveremos ter em 2022, na melhor das hipóteses,
    quedam-se como excelentes pontos de apoio à pesca lúdica, entre setembro
    e maio.
    Também dizem, o GRA e os seus cúmplices neste crime, que ter um ferry
    açoriano permanente implica custos incomportáveis. E comparam o
    incomparável custo por cabeça, uma vez que não há qualquer semelhança
    entre os dois tipos de transporte, marítimo e aéreo. Isto é o cúmulo da
    hipocrisia. Então, e ter uma companhia aérea regional, de bandeira, sai de
    graça? É verdade que, por agora, estamos a pagar uma tarifa interilhas
    especial e reduzida, mas quanto é que pagamos todos os meses, cada um de
    nós (os que trabalham), para sustentar uma companhia aérea que não dá
    lucro, que cria prejuízo todos os dias e que acumula um passivo, esse sim,
  • verdadeiramente incomportável, que é gerido sempre da mesma forma,
    com injeções de capital da banca (que não faz caridade)? Então, não sejam
    hipócritas, trata-se, acima de tudo, de decisões políticas, com valor relativo.
    Não façam de conta que não há alternativas. Poupem-nos aos mantras
    vazios e imbecis. Já parece o discurso de outro, do Coelho de má memória,
    “vivemos acima das nossas possibilidades” etc, etc, repetido até à náusea.
    Há alternativas e até já as apontei nestas páginas. Devemos aprender com
    os que são mais espertos do que nós, com humildade. Com a Islândia,
    poderíamos ter aprendido como é que se lida com banqueiros corruptos e
    criminosos. Infelizmente, nunca o fizemos. E com as Faroé, podemos
    aprender como é que se transporta carga marítima, de todos os tipos e
    passageiros, ao mesmo tempo, por qualquer mar ou oceano, usando rampas
    ro-ro, em qualquer época do ano, cancelando viagens, naturalmente,
    quando as condições meteorológicas são demasiado adversas.
    Eu cá não sei de nada, não tenho acessos a fontes privilegiadas. Mas
    acredito que por detrás destas decisões, aparentemente néscias e pacóvias,
    esteja mais do mesmo de sempre: promover e salvar a SATA, a qualquer
    custo e agora também, atender as queixas das empresas de rent-a-car,
    algumas delas pertencentes a grupos poderosos, que praticam preços
    escandalosos e que muitas vezes, no pino do Verão, nem sequer têm oferta
    suficiente.
    O mote do GRA parece ser agora “vocês hão de andar é de SATA, queiram
    ou não; se não querem, vão a nado ou comprem um barco”. Agora é que
    podemos dizer com propriedade “pegou-lhe a SATA” porque não há mais
    nada para lhe pegar…ainda bem que tenho o meu próprio navio. Mas só
    consigo levar as bicicletas. POPEYE9700@YAHOO.COM

BAGA DA TRISTEZA E DA ESPERANÇA (BB123)

Setembro 22, 2021

Tarcísio Pacheco

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  • BAGAS DE BELADONA (123)
    HELIODORO TARCÍSIO
    BAGA DA TRISTEZA E DA ESPERANÇADe vez em quando a vida
    dá-nos um safanão, para nos lembrarmos de como as coisas realmente são
    neste planeta. O único lado bom disso é trazer-nos de volta ao caminho da
    consciência e deixarmos de lado eventuais futilidades.
    A recente morte, trágica, brutal e absolutamente inesperada, de uma doce
    menina de 10 anos, grande amiga da minha própria filha da mesma idade,
    para além de provocar uma profunda tristeza, contribui para colocar as
    coisas na perspetiva correta. Às vezes ficamos perdidos nas voltas deste
    mundo absurdo e damos demasiada atenção a coisas que não têm
    importância nenhuma. Na verdade, nenhum de nós têm qualquer
    importância, por muito que alguns pensem o contrário acerca de si
    próprios. Somos frágeis, infinitamente frágeis, breves e passageiros.
    Estamos no mundo por pouco tempo e de nós todos só restarão ossos, pó ou
    cinzas. Os poucos que fazem a diferença são aqueles que a História ou a
    memória coletiva lembram com carinho e respeito. Pelo amor que
    distribuíram, pelas vidas que inspiraram, pela arte, cancões, escritos ou
    ideias que nos deixaram. Uma criança que partiu, enquanto existirem os
    que a conheceram, será sempre lembrada com amor, carinho e saudade,
    pois não há amor mais puro, sincero e completo do que o que nos despertam os
    nossos filhos.
    A vida material, a incarnação na Terra, é acima de tudo experiência e
    aprendizagem. Para quê, ninguém sabe. Ninguém tem respostas absolutas.
    Muito menos, as religiões. Existem múltiplas regiões no mundo e cada uma
  • apresenta a sua própria teoria sobre a vida e a morte. Em muitos aspetos, as
    explicações são até contraditórias. Por isso e por outras coisas, inteligência
    e crença, fé e racionalidade, excluem-se mutuamente. Que me perdoem os
    crentes, mas no meu dicionário, dogmatismo é sinónimo de falta de
    acuidade mental, para ser gentil. Por outro lado, se fizermos um estudo
    comparado das diversas religiões (e toda a gente devia fazê-lo),
    percebemos que há muitos elementos que são comuns, mesmo que com
    diferentes roupagens e que, portanto, devem ter ido beber à mesma fonte,
    seja ela qual for.
    O certo é que nada sabemos sobre os mistérios da vida e da morte e o Papa
    sabe tanto quanto qualquer um de nós. Cada um acredita no que quer,
    quantas vezes de forma tosca, grosseira, ignorante ou fanática, ou não
    acredita em nada, o que, não deixando de ser uma opção respeitável, é
    infinitamente triste.
    O envelhecimento traz queda de cabelo, artroses nas articulações,
    inflamações nas veias e problemas de memória. Mas também traz
    amadurecimento e serenidade. Depois de termos tido todas as experiências
    que nos calharam ou que escolhemos, de acordo com o nosso livre-arbítrio,
    é tempo de descanso, reflexão e síntese. É suposto ficarmos mais sábios
    embora certas criaturas possam por seriamente em causa essa convicção.
    São aqueles que nada aprenderam neste percurso e que morrerão exaustos e
    frustrados, por cometerem sempre os mesmos erros e deixarem que a
    ambição, a ganância e o desejo, continuem a moldar as suas pobres vidas
    até ao fim.
    Nesta fase madura da vida, o fundamental é um realismo sereno. Fazer as
    pazes com os muitos erros cometidos neste processo de aprendizagem
    dolorosa, acreditar que o amor (incondicional, generoso, puro e
    desinteressado) é a mais importante fonte de energia no mundo (qual
    petróleo…). Não posso ter nenhum tipo de fé, o meu lado racional não o
    permite, pois não há provas nem evidências materiais de nenhuma vida
    sobrenatural. Aquilo que vejo é que estamos aqui por nossa conta, à mercê
    das leis da física natural e da genética, da sorte e do azar. Mas mesmo uma
    pessoa inteligente pode permitir-se ter esperança. De que a vida não seja só
  • esta absurda e cruel materialidade. Que todos nós sejamos centelhas de
    algo maior, cheio de luz e amor e que, de alguma forma ninguém jamais se
    perca. Que cada um de nós seja diferente e eterno. Isso inclui a princesinha
    Letícia e traz-me um pouco de paz. POPEYE9700@YAHOO.COM

BAGA E LÁ FICAMOS A VER NAVIOS (BB 122)

Agosto 12, 2021

Tarcísio Pacheco

ver-navios-667x376.jpg

imagem em: Ficar a ver navios: qual a origem desta expressão? (rtp.pt)

 

 

HELIODORO TARCÍSIO

BAGAS DE BELADONA (122)

BAGA E LÁ FICAMOS A VER NAVIOS -Em plena época estival, sinto pouca paciência para escrever. Agora, é tempo de sol (e nuvens), mar e navegar no meu barco. E é precisamente o tema "navios" que me traz momentaneamente ao terreiro ensolarado. Como açoriano, amante do mar e marinheiro amador, quero manifestar publicamente o meu mais vivo repúdio pelas recentes decisões do Governo Regional (GRA), que, ao que tudo indica, se prepara para acabar com o transporte marítimo de passageiros entre todas as ilhas do arquipélago. É que já era só no Verão. E agora, nem sequer isso?
Há pouco tempo, um nadador-salvador, no Negrito, veio comunicar-me que "tinha ordens" para não me deixar nadar numa poça funda em frente ao forte, onde gosto de me enfiar, um pouco afastado da multidão de banhistas; é pela sua segurança, "tem pedras", pode magoar-se, disse-me ele... "Tem pedras?", não me diga, nunca tinha reparado, respondi eu, que estranho...Mortas que parecem estar as ideologias, com exceção dos nacionalismos serôdios, tudo agora parece funcionar em estritasubmissão a duas dinâmicas: o controle absoluto da vida dos cidadãos, sob o pretexto da "segurança" - é tudo meio proibido - e a questão dos "custos", a estrela guia do capitalismo dominante. O governo anterior aproveitou a boleia do Covid para empurrar para debaixo do tapete um tema incómodo. O GRA faz agora depender o futuro do transporte marítimo de passageiros nos Açores dos resultados da nova tarifa interilhas da SATA. Já agora, porque é que não oferecem voos grátis e resolvem de vez "o problema"?
Esta decisão do GRA faz-nos retroceder séculos porque, no passado, antes dos aviões, era possível tomar um navio para qualquer ilha do arquipélago em qualquer época do ano. Por amor de quaisquer deuses obscuros que possam existir por aí, somos um arquipélago de 9 ilhas no meio do Atlântico Norte, num planeta aquático, constituído por 4/5 de água!!! Como é que é possível impor à força o avião como único meio de transporte regular de passageiros? Tudo o que é país ilhéu, com ilhas ou costa marítima por esse mundo fora, terceiro mundo incluído, usa o ferry como transporte regular de passageiros, em muitos casos em mares tão maus ou piores do que o nosso. Temos de ser nós a desonrosa exceção? O único a marchar com o passo certo?
Por muito evoluído que seja o avião, jamais poderá substituir o navio no nosso planeta. E se querem ser modernos, reparem na situação atual. Os aviões gigantes estão a ser condenados e a deixar de voar, por vários e razoáveis motivos. E a dinâmica em vigor na Europa agora, por motivos conhecidos e urgentes, é diminuir o exagerado tráfego aéreo e substituí-lo parcialmente pelo comboio, esse maravilhoso, ecológico e seguro meio de transporte. Obviamente, nos Açores, o nosso comboio tem de ser navio.
Só não vê quem não quer, a ligação por ferry entre todas as ilhas dos Açores, mesmo só no Verão, com a possibilidade de levar carro próprio, veio trazer uma alegria e um movimento aos nossos portos, como eu já não via desde os meus tempos de criança. Uma viagem de barco é uma experiência completamente diferente duma viagem aérea, para muito melhor. Com bom tempo, dirão alguns. Certo, mas uma viagem de avião com mau tempo também é um pavor, pelo menos para mim.
Defendo o transporte regular de passageiros por via marítima entre todas as ilhas dos Açores durante todo o ano e não penso que seja uma ideia estapafúrdia haver também ligações à Madeira e a Lisboa, como no passado. A solução poderia passar por navios mistos, como dantes. Há algum tempo, dei conta, noutra baga, da minha experiência nas ilhas Faroé e na Islândia, que visitei em 2019. Estas ilhas são servidas por todos os meios de transporte convencionais, avião, navio de carga e ferry. O excelente ferry "Norröna" (com bandeira faroesa) liga o porto de Hirtshals, no norte da Dinamarca, às Faroé e à Islândia, durante todo ao ano. Oferece ótimas condições a bordo, acomoda mais de 1000 passageiros e centenas de viaturas. Mas o Norröna é também um navio de carga, que transporta todo o tipo de materiais e produtos numa espécie de contentores rebocáveis, operados nos portos por veículos específicos, que usam as rampas ro-ro. Poderia ser um exemplo a seguir. Quanto aos "custos"? Os políticos e a banca que resolvam, é para isso que vão para lá. Estou disposto a fazer a minha parte, isto é, continuar a pagar elevados impostos.
Gosto muito daquela música dos Azeitonas, "anda comigo ver os aviões, levantar voo...". Adoro ver aviões a levantar voo, é sinal de que não vou lá dentro...POPEYE9700@YAHOO.COM

BAGA FRANCESICES (BB121)

Abril 19, 2021

Tarcísio Pacheco

Imagem1.jpg

imagem em: 96199153 (1920×1080) (canalplus.pro)

BAGAS DE BELADONA (121)

HELIODORO TARCÍSIO   

BAGA FRANCESICES – Há quem se pele por uma francesinha. Como sou meio vegetariano, confesso que não costumo comer dessas francesinhas. Doutras, já provei, mas isso também não interessa para nada agora. A francesice que me traz ao terreiro hoje é doutro tipo.

Parece que, recentemente, um radialista francês, Philippe Caveriviere, esteve no centro das atenções em Portugal por ter gozado com os portugueses na rádio francesa RTL. Entre outros mimos, ridicularizou a nossa forma de vestir, falou do gel que usamos no cabelo e comparou-nos a um conhecido criminoso francês. Não me senti pessoalmente atingido porque, como já não tenho cabelo, não uso gel. Mas le petit coquin foi mais longe e atreveu-se a insultar a nossa glória nacional, Cristiano Ronaldo, digno sucessor do Eusébio e que, como todos sabemos, costuma ter uma aparência cuidada de quem se sabe capa de revista e tem até um gestor de imagem. Não tenho muito a dizer sobre o assunto, de modas percebo pouco, comigo é mais t-shirt, jeans e ténis, 98 por cento do tempo. E confesso que me chama mais a atenção a forma de vestir (e despir) da Georgina. Por outro lado, já temos cavaleiro que empunhou a espada em nossa defesa. O humorista português Luís Franco-Bastos já lhe deixou as orelhas em sangue. Mas sempre hei de dar o meu testemunho pessoal, já que, de franceses,  sei qualquer coisinha.

Sou marinheiro amador, da área da vela de cruzeiro, na verdade, a minha paixão maior. Ao longo da vida, tenho conhecido muitos velejadores, de várias nacionalidades. Nas marinas, em qualquer lugar do mundo, obviamente, é proibido usar a sanita de bordo, devendo as pessoas deslocar-se aos WC’s das marinas. Seria especialmente pecaminoso usar a sanita de um iate na marina de Angra, de águas geralmente límpidas e cheias de peixes variados. Pois bem, em muitos anos de marina (sou dos primeiros residentes), os únicos velejadores que alguma vez vi a evacuar descaradamente na marina, mesmo ao lado do meu barco, foram tripulantes de iates franceses, conspurcando as cristalinas águas em redor com a sua delicada caca francesa (sem dúvida perfumada com Chanel nr.5). Isso aconteceu por duas vezes, em anos diferentes, com dois iates franceses. Uma das famílias era até muito simpática, tinha estado a conversar bastante com eles, na véspera. Simpáticos…, mas porcos. No mundo náutico, os franceses têm duas famas de que jamais se livrarão. Uma é tresandarem a perfume para disfarçar a falta de higiene. Outra é terem alguma tendência para levar “emprestado” objetos que não lhes pertencem, de outros barcos.

Há uns anos, também entrei no iate de um amigo francês que, tempos antes, havia sido meu companheiro de viagem marítima da Terceira a Cabo Verde. Bom sujeito, mas o interior do barco dele parecia um salvado de naufrágio. À vista daquilo, o meu barco parecia uma sala do palácio de Versailles em dia de baile da corte. Ainda bem que ele não vai ler isto.

Por outro lado, há uns anos vivi algum tempo em Paris. Fui e o Sócrates, a diferença é que a mim ninguém me pagou nada, pelo contrário e, enquanto ele foi estudar coisas finas, eu fui fazer um curso de percussão brasileira. Da minha experiência parisiense, entre algumas coisas boas, posso testemunhar que os franceses de Paris, especialmente da meia-idade para cima, são, muitas vezes, arrogantes, racistas, metediços e insuportavelmente mal-educados. Deram, por diversas vezes, cabo da cabeça ao meu querido irmão, residente em Paris, coisa que nunca lhes hei de perdoar. Há coisas magníficas em França, mas fica para outra oportunidade. À vista disto, o que é que interessa um pouco de gel no cabelo, palitar os dentes com espinhas de sardinha ou a mania de ir rezar a Fátima? POPEYE9700@YAHOO.COM

 

 

BAGA CACA DE CÃO (BB 120)

Março 16, 2021

Tarcísio Pacheco

caca de cão.jpg

imagem em: Bike Aesthetics | Singletrack Magazine Forum (singletrackworld.com)

 

BAGAS DE BELADONA (120)
 
HELIODORO TARCÍSIO
 
BAGA CACA DE CÃOPeço desculpa, sei que incomoda e, sobretudo,
cheira pessimamente, mas tenho de a referir porque a escolhi como um dos
indicadores maiores do nível civilizacional. Aí há uns poucos de anos, os
saquinhos de plástico para caca até estiveram na moda, mas diz-me a
História que as modas boas duram pouco, apesar dos saquinhos de plástico
em geral se terem multiplicado ao ponto de já ameaçarem sufocar o
planeta. O senso comum costuma usar indicadores como desenvolvimento
urbano, número de automóveis por habitante, de estabelecimentos de fast
food e de canais oferecidos na televisão por cabo, para medir o nível de
civilização alcançado. Acho isso tudo compreensível, embora, de um ponto
de vista pessoal, me interesse pouco. Mas a caca de cão…ah, a caca de
cão… não há nada como a legítima e autêntica caca de cão, para aferir o
grau de desenvolvimento de um povo. É um indicador seguro, que não
falha, apesar de implicar um certo paradoxo, uma vez que o amor e respeito
pelos animais e a sua multiplicação nos nossos lares, como companheiros
de vida, constituam, por seu lado, indicadores de evolução de mentalidades.
Claro que esse acrisolado amor pelos animais que carateriza o nosso
presente tem muito que se lhe diga, uma vez que os que podem ser
comidos, sobretudo se forem bem saborosos, ficam fora deste filme
ternurento. Não é que os odiemos, nada disso, mas ficamos extramente
satisfeitos por haver pessoas que não se importam nada de os matar para
lhes podermos ferrar o dente. Mas isso é outra história, não vamos
complicar as coisas. O certo é que qualquer amoroso cachorrinho tem o 
péssimo hábito de largar fezes malcheirosas, mais que uma vez por dia, de
tamanho e peso proporcionais às medidas do animal. E as pessoas amam os
seus cães, tratam-nos bem, alimentam-nos como é dado e levam-nos
regularmente ao veterinário (por falar nisso, a quantidade de consultórios
veterinários que abriram para tratar de cães e gatos, é impressionante, isto
no fim de contas vai sempre bater na Economia…). Mas a caca dos cães
deles, isso é outra coisa, é algo tão precioso, que, generosamente, não
resistem a partilhar com o resto do mundo. Basta passear pela marginal de
Angra, do Cais da Figueirinha ao Porto de Pipas, para tropeçar
(literalmente) nestes verdadeiros tesouros, em variadas formas, cores e
consistências. Ao ponto de ser bastante fácil, mesmo sem querer, levar para
as nossas próprias casas, nas solas dos sapatos, um pouco desses presentes.
Eis como, acabamos por ter cão em casa, mesmo sem querer, ADN canino,
pelo menos.
Então, para concluir, porque ninguém há de querer ler muito sobre caca e
fazem muito bem, acredito piamente que há uma relação inversamente
proporcional entre caca de cão e grau de civilização. Com possível
expressão numérica, talvez um quilo de caca de cão equivalendo a um ano
de retrocesso civilizacional, digo eu. Então, deixo aqui uma proposta de
projeto para um investigador sério na área da Sociologia. É só fazer a
caminhada que fiz ontem, das baías de Angra, da Silveira ao Porto de
Pipas, levando um saco de plástico (dos maiores) e luvas grossas. A
máscara já vai no nariz. Depois, chegando a casa é só pesar, com uma
balança de precisão. É só um palpite, vale o que vale, mas, se tiver sido um
sábado, por exemplo, que é mais prolífico em dados de investigação, contas
feitas, vai-se descobrir que ainda estamos em meados do século passado.
Enquanto os norte-americanos iam à Lua, nós enchíamos os caminhos de
caca de cão. Agora, os norte-americanos estão quase em Marte e a gente…
continua agarrada à caca de cão. Peço de novo desculpa, juro que ia
escrever sobre outras coisas também mas acabei por encher tudo com caca
de cão. Sinais dos tempos… seja como for, o outro assunto era Bolsonaro e
acaba por ser tudo mais ou menos a mesma coisa.
POPEYE9700@YAHOO.COM

BAGA A RESPEITO DE ERAS (BB 119)

Fevereiro 15, 2021

Tarcísio Pacheco

trump's america.png

imagem em: https://democrats.org/news/new-dnc-ad-trumps-america/

 

  • BAGAS DE BELADONA (119)
     
    HELIODORO TARCÍSIO
     
    BAGA A RESPEITO DE ERAS – Não é que me tenha, propriamente,
    surpreendido, o artigo recentemente publicado no DI, com o título “A Era
    de Biden”. E, se o seu autor publicou antes algum texto intitulado “A Era
    de Trump”, não dei conta dele, mas, se for esse o caso, apresento as minhas
    desculpas. É que, assim, dependendo do que lá se dissesse, pelo menos,
    haveria um fator de equilíbrio.
    Por outro lado, não é que eu morra de amores por Biden e me vá armar em
    seu cavaleiro andante. Com Biden, os EUA vão voltar ao que eram antes,
    ao que sempre foram, com Obama, com Clinton, com o clã Bush, o que, do
    meu ponto de vista, não é grande coisa. Um imenso e riquíssimo país, com
    traços e características bem marcados, nalguns pontos a um nível quase
    repulsivo: território, população e recursos naturais imensos; uma tendência
    imperialista evidente, quer através do poder militar, quer através da
    constante ingerência na política interna de outros países, da espionagem
    permanente e da exportação maciça de produtos, tecnologia e hábitos de
    consumo de matriz capitalista; partindo daqui, um evidente complexo de
    donos do mundo, de modelo e exemplo; um sistema eleitoral arcaico e cada
    vez mais duvidoso, que permite legalmente eleger líderes que são apoiados
    por uma minoria da população; um sistema capitalista em que tudo,
    absolutamente tudo, seja o que for, se define pelo seu valor em dólares; um
    sistema social pobríssimo, absolutamente injusto, nada solidário, que deixa
    na miséria e traz grandes dificuldades à população mais desfavorecida; um
    sistema de saúde atroz, assente no princípio “quem pode paga, quem não
  • pode, o problema é dele”; uma classe política pavorosa, absolutamente
    inflexível, bipolar, limitadíssima em termos de horizontes mentais, que
    refinou ao máximo a ligação entre política e dinheiro, ao ponto de todo e
    qualquer político norte-americano, considerar natural, comprar a carreira e
    os votos de que necessita; um sistema cultural/ético/religioso que causa
    asco, assente numa matriz judaico-cristã, muito conservador, extremamente
    hipócrita e de um convencionalismo que roça a boçalidade, com números
    expressivos ao nível do fundamentalismo cristão, da literalidade bíblica e
    de praga tenebrosa do evangelismo cristão; uma profunda desconfiança
    pela diferença e um “anti esquerdismo” primário mas ainda assim pleno de
    malícia; um nível intelectual que se carateriza por franjas extremamente
    cultas e inteligentes (cientistas, escritores, investigadores, académicos,
    gente da música, das artes, do show business) a par de uma massa popular
    incrivelmente inculta e ignorante, o que, como sabemos, está na base da
    maioria das desgraças de um povo; um racismo latente, explosivo e sempre
    presente, sendo que a multiculturalidade da nação se manifesta cada vez
    mais contra si própria (dantes era brancos contra negros, isso não mudou
    assim tanto mas agora é mais todos contra todos). Ver negros e latinos a
    apoiar Trump (um claríssimo racista) só pode significar ignorância.
    Podia continuar a escrever mais duas horas sobre isto, mas trata-se apenas
    de umas ligeiras pinceladas sobre a América de Biden, tal como eu a vejo,
    enfim “A América”.
    Disto isto, até parece que eu concordo com o autor de “A Era de Biden”.
    Não é isso, não concordo nada! Acontece apenas que acho intolerável
    escrever-se contra Biden quando nada se disse contra Trump ou a sua era.
    É que Trump é um bom norte-americano, com todos os tiques implícitos
    (materialismo, ambição, competição, supremacia, arrogância,
    agressividade, ignorância, hipocrisia, convencionalismo, banalidade,
    egocentrismo e amoralidade), por isso, tem todos estes defeitos que referi,
    mas tem ainda muitos outros, que, enquanto simples magnata, me
    causavam apenas enfado, troça e escárnio, mas mo tornaram odioso,
    enquanto “projeto de político” e POTUS. Basicamente, Trump, tal como eu
    o vejo, é um idiota endinheirado, primário e grosseiro (conheço aqui na ilha
  • Terceira, para não ir mais longe, gente que não tem dinheiro, mas que é
    muito mais inteligente do que ele) mas é um idiota perigoso. Então, só
    porque Biden não é um fundamentalista cristão que condena mulheres que
    abortam à prisão, escreve-se sobre “a sua Era” e sobre “A Era de Trump”,
    talvez o período mais confuso, caótico, perigoso, radical, estúpido e
    abananado de toda a história política norte-americana, nem uma palavra?
    Tudo porque Trump há de ser contra o aborto, como era contra ou a favor
    do que quer que fosse que lhe trouxesse votos?
    Já escrevi muito sobre o aborto. Não sou favorável. Isso não quer dizer que
    concorde com a condenação das mulheres que o praticam. E há outra coisa,
    não temos como o prever, mas aqui e ali, o aborto pode ser uma coisa
    ótima. Se a mãe de Trump o tivesse abortado, os EUA teriam evitado estes
    vergonhosos últimos 4 anos. E a Melânia tinha casado na mesma com um
    ricaço, claro, mas podia ter sido alguém menos asqueroso, coitada.
    POPEYE9700@YAHOO.COM

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